Apenas algumas semanas separavam os alunos do sétimo ano do momento mais decisivo de suas vidas acadêmicas, diferente de muitos, Emma já tinha decidido seu futuro há anos e não era segredo para ninguém no castelo o que a esperava depois que deixasse Hogwarts. Quadribol era a única coisa que ela tinha para se focar e apoiar naquele momento e ainda assim estava cometendo erros amadores durante o processo, mas não era algo aleatório e ocasional, não, as causas de seus problemas tinha nome e sobrenome, Dylan Mulciber. Em sua mente, a morena tentava refazer todo seu histórico com o garoto, no passado quando passavam boas horas de conversas filosóficas depois do toque de recolher, até o momento atual, em que mal podiam ficar no mesmo ambiente sem que uma chuva de insultos acontecesse. Era desgastante e o incomodo que a presença de Dylan causava em Emma era quase viseral, chegando a se sentir doente na presença dele, do que ele havia se tornado para ele. Muito mais que uma implicância gratuita, eram as reações que ele causava nela, a admiração mútua que sentiam um pelo outro se transformara em um aparente desprezo. Aparente era a palavra, pois as ações dos dois jovens eram apenas para acobertar o que realmente estava no fundo de toda essa complicada história. Emma já havia desvendado as origens dos seus sentimentos conflitantes em relação a Mulciber, mesmo que jamais tivesse qualquer intenção de anunciá-los em voz alta. Mas Mulciber sequer tinha alguma razão obscura para toda aquela guerra gratuita que começara contra Vanity? Não saberia dizer a resposta.
As rondas noturnas se tornaram suas favoritas, o silĂŞncio era colhedor, um dos poucos momentos em que Emma se sentia verdadeiramente em paz, sem a constante presença de outros alunos e suas vozes para inundar sua mente. Caminhando pelos corredores vazios, a escola atĂ© parecia um grande castelo abandonado, apenas os fantasmas, vez ou outra, apareciam em suas marchas noturnas. Curiosamente, Emma acabou no mesmo corredor de anos atrás, aquele mesmo local em que tivera uma interessante e complexa discussĂŁo com Mulciber sobre Maquiavel, sobre o ser temido ou amado. Como se seus pĂ©s tomassem vida, a jovem caminhou atĂ© a sala vazia, deixando certo saudosismo tomar conta de seu corpo, entrou na mesma, obervando o local engolido pelas sombras. Antes que pudesse deixar o local, algo se mexeu nas sombras e Emma soltou um longo e cansado suspiro, já preparava seu habitual discurso para o aluno que arriscara quebrar o toque de recolher, mas parou antes que qualquer palavra saĂsse da sua boca. Ficou apenas parada fitando a imagem no escuro, nĂŁo precisava de muita luz para saber de quem se tratava, era ele. Que tipo estranho de coincidĂŞncia o trouxera era, justamente aquela sala, no meio da noite? A curiosidade pinicava na mente de Emma, mas ela era orgulhosa demais para perguntar, nĂŁo iria ceder a necessidade de saber se ele estava ali pelas mesmas razões que ela, nĂŁo poderia dar isso a ele. – VocĂŞ quebrou o toque de recolher. – Limitou-se a dizer, sem muita emoção na voz. Pela primeira vez em muito tempo, seu tom nĂŁo era irritado ao falar com ele, muito menos com desprezo, era atĂ© algo prĂłximo de calma, mas na verdade, era puro cansaço. Daquela estĂşpida guerra entre eles, de tudo o que eles haviam se tornado um para o outro, de todos os sentimentos que nĂŁo seriam proferidos, ainda que fossem latentes e queimassem por dentro.