Eu podia passar horas aqui enquanto tento explicar o quĂŁo profunda foi a fossa que eu consegui ir, por conta prĂłpria, por querer acreditar que vocĂȘ me salvaria como eu sempre sonhei que supostos amores fariam. E podia te culpar por dias, atĂ© mesmo por anos, pelas minhas expectativas frustradas e falta de amor prĂłprio. Mas nĂŁo vou fazer isso. Jamais te culparia por nĂŁo conseguir me amar ou ver potencial no nosso (im)possĂvel amor. Sei que juras de amor eterno assustam depois de uma desilusĂŁo, e posso dizer porque, depois de vocĂȘ, elas deveriam me assombrar com qualquer um que tente se aproximar demais. PorĂ©m, o meu caminho sou eu quem faz, e nele nĂŁo haverĂĄ fantasmas do passado. NĂŁo vou me permitir verter novamente naquela mesma curva sinuosa que foi seu sorriso ao aveludado som de suas juras falsas. Mesmo que perdido, sem rumo certo, sei para onde nĂŁo devo voltar. E vocĂȘ Ă© esse exato lugar que eu, particularmente, chamaria de fundo do poço. Pode atĂ© parecer confortĂĄvel e convidativo Ă s vezes. Mas a noite Ă© sempre fria e escura com vocĂȘ, sem qualquer garantia, o que, com toda certeza, nĂŁo Ă© para mim. E nĂŁo posso te culpar por eu nĂŁo ter visto isso antes. Contudo, jĂĄ nĂŁo posso te entender quando vocĂȘ diz que nĂŁo sabe o que vocĂȘ quer. Porque eu sei o que eu quero. Sei o que mereço. E jĂĄ faz tempo que nĂŁo aceito menos de ninguĂ©m. Desde de vocĂȘ. O impacto do fim do nosso (im)possĂvel amor foi tĂŁo intenso que me deixou quebrado por muito tempo. E ninguĂ©m podia me consertar. Os cacos foram espalhados minuciosamente pelo cĂŽmodo onde fizemos juras de amor eterno e nos entregamos de carne e alma um ao outro. Onde fomos quase fiĂ©is com nossos sentimentos e quase amamos sem que houvesse um amanhĂŁ. Quase, porque foi sĂł da minha parte. VocĂȘ me alucinou de uma forma que tirou toda minha pouca e qualquer sanidade de poder compreender as coisas. E eu nĂŁo compreendia. VocĂȘ me tratava da sua maneira egoĂsta e eu, perdidamente apaixonado, aceitava. Mas nĂŁo merecia. Eu merecia mais, sĂł nĂŁo conseguia enxergar. Ou nĂŁo queria enxergar. Porque o pior cego Ă© o que nĂŁo quer ver. E o meu medo era de abrir os olhos e enxergar toda a verdade, todo o amor nĂŁo recĂproco e a responsabilidade nĂŁo afetiva que vocĂȘ tinha. Naquele momento eu nĂŁo estava preparado para perder vocĂȘ, entĂŁo eu continuava mascarado, sabendo de tudo e tentando acreditar que nĂŁo sabia de nada. E esconder a verdade nĂŁo foi suficiente para manter o que a gente tinha. VocĂȘ se desfez de tudo, como num daqueles passes de mĂĄgica em que o coelho sai da cartola, vocĂȘ saiu de mim. Foi nesse momento que me vi afundando nas minhas prĂłprias angĂșstias, a vida se tornou monĂłtona, os filmes eram preto e branco, o sol nĂŁo brilhava, as pessoas nĂŁo eram interessantes e pensar em vocĂȘ se tornou uma rotina de tortura. Doeu, doeu muito. Mas sou grato por cada detalhe por ter me tornado o que sou hoje. Por ter descoberto que antes de qualquer pessoa, eu venho primeiro. Por isso queria te agradecer, o nosso amor nĂŁo rendeu um futuro mas me rendeu uma surra de amor prĂłprio. EntĂŁo: obrigado. VocĂȘ me deixou no fundo do poço, e eu aprendi que Ă© para cima que se olha.