Eu lia avidamente todos os dias: histórias sobre povos e lugares dos quais jamais ouvira falar. Talvez fossem a única coisa que impedisse que eu caísse no desespero total
Corte de Névoa e Fúria, Sarah J. Maas

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Corte de Névoa e Fúria, Sarah J. Maas

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Contos da Academia dos Caçadores de Sombras
Contos da Academia dos Caçadores de Sombras é um livro extra que acompanha a serie Os Instrumentos Mortais (TMI). O livro contém 10 contos que se passam nos dois anos subsequentes aos eventos finais de Cidade do Fogo Celestial, o ultimo livro de TMI.
Vou deixar abaixo minha avaliação para cada um dos contos:
1. Bem vindo à academia dos Caçadores de Sombras - 4/5
2. O Herondale Perdido - 4/5
3. O Demônio de Whitechapel 5/5
4. Nada Além de Sombras - 5/5
5. O Mal que Amamos - 4,5
6. Os Reis Pálidos e a Princesa - 4/5
7. Língua Afiada - 4/5
8. O Teste de Fogo - 4/5
9. Nascido para a Noite sem Fim - 5/5
10. Anjos Caem Duas Vezes - 5/5
O livro como um todo foi muito bom e a experiência de leitura foi excelente. Acredito que os contos propiciaram um ótimo olhar sobre alguns eventos que ocorreram após Cidade do Fogo Celestial e complementaram bem a série.
Gostei bastante de todas as histórias e posso dizer que muitas me aqueceram o coração. Quero falar especialmente do conto “Nascido para a Noite sem Fim”, que foi meu preferido e a coisa mais fofa que eu li nos últimos tempos.
Esteja avisado que este post contém spoilers tanto sobre o conto, quanto sobre a série dos Instrumentos Mortais.
Sobre o que é o conto?
Nesse conto, Magnus Bane chega à Academia para lecionar algumas palestras acerca da Historia dos Caçadores de Sombras e dos integrantes do Submundo para os alunos.
No entanto, em sua primeira manhã na Academia, ele e Alec são interrompidos por Simon, que conta que um bebezinho azul, feiticeiro, foi abandonado na porta da Academia. Como ninguém queria ou podia cuidar do bebê, Magnus e Alec aceitam pegá-lo, de forma a cuidar dele até que um lar permanente fosse encontrado.
No entanto, tanto Alec quando toda sua família acreditam que o casal pretende adotar o bebê de fato. Com isso, começa uma loucura de amores pelo bebê por parte de toda a família de Alec, incluindo seus pais.
Magnus, observando essa confusão, fica perdido e com medo da reação do namorado quando contar que não pretendia que fossem eles a adotar o bebê.
Dilivagando...
Como podem observar pelo meu pequeno resumo com spoilers, esse conto foi uma história muito bonitinha e fofa de ler. A atitude de toda a família de Alec em frente ao bebezinho feiticeiro que achavam que seu filho estava adotando com o namorado preencheu meu coração com sentimentos bons.
Isso foi muito especial, pois vemos em livros da séries dos Instrumentos Mortais que os pais de Alec (especialmente seu pai), têm dificuldades em aceitar o relacionamento do filho com Magnus (tanto porque é um homem, quanto porque é um feiticeiro). Vê-los se apaixonando pelo bebezinho azul (um feiticeiro) e já começando a tratá-lo como um netinho foi lindo.
Enfim, esse conto me deixou extremamente feliz e alegrou não só o meu dia, como minha semana inteira.
The June Boys
The June Boys, por Court Stevens, é um livro de mistério/suspense em que há um sequestrador em série (sim, sequestrador, não assassino), que pode ser qualquer pessoa...
Sobre o que é o livro?
Em The June Boys, somos apresentados a um mistério que já existia há mais de 10 anos. Quase todo ano, 3 meninos eram sequestrados no início de junho (por isso o nome do livro “The June Boys” = “Os meninos de junho) e era devolvidos, intactos, no final de junho do ano seguinte, ou seja, eles ficavam sequestrados por 1 ano e um mês. Até o momento, 12 meninos já haviam sido sequestrados. Fora o óbvio trauma psicológico resultante do tempo em cativeiro, os meninos voltava a suas famílias em condições físicas perfeitas, alegando terem sido cuidados por um soldador (ou “Welder”, como era chamado no livro). No próximo ano, o padrão se repetia.
Já haviam se passado 10 anos e ninguém entendia as motivações do Gemini Thief (Ladrão de gêmeos, em tradução livre) ou tinham alguma suspeita de quem ele seria. Por que esses 3 meninos eram mantidos em cativeiro por mais de um ano e depois retornados às suas famílias? Como esses meninos eram escolhidos? Ninguém tinha respostas para estas e outras perguntas.
Quando conhecemos nossa personagem principal, Thea, ela já investigava esse mistério há quase um ano. Seu primo, Aulus, foi um dos 3 “garotos de junho” sequestrados no ano anterior e, supostamente, ele seria devolvido no próximo mês. No entanto, logo no início do livro, descobrimos que algo mudou e o corpo de um dos meninos foi encontrado...
Com isso, acompanhamos a investigação de Thea e seus amigos, enquanto tentam descobrir quem é o Welder e quais suas motivações para o sequestro anual desses meninos. Thea começa a suspeitar de tudo e de todos, inclusive de seu próprio pai, que apresenta comportamentos estranhos desde sempre (por exemplo, há anos ele estava construindo um castelo em segredo).
Ao mesmo tempo, temos a oportunidade de ler cartas escritas por Aulus enquanto em cativeiro, acompanhando o que acontecia no local. Descobrimos que o Welder havia sumido e parado de cuidar pelo bem estar dos meninos.
Dilivagando...
Infelizmente, eu me decepcionei muito com a leitura desse livro. Ao ler a sinopse e entender qual seria o tema da história, fiquei muito interessada e empolgada para ler (li para participar da discussão do canal Booksplosion, na verdade, e foi uma experiência bem interessante).
Apesar de a história ser inovadora (nunca tinha ouvido falar de algo com esse conceito de sequestro de meninos por um ano, seguido da devolução desses meninos à suas famílias, intactos), eu não consegui me conectar muito com a história ou com os personagens. Até o quarto final do livro, eu não estava empolgada com a história, mas estava curiosa o suficiente para continuar a leitura e querer descobrir quem era o Welder e o que aconteceria com o Aulus.
Esse quarto final do livro compensou pelo resto? Ao meu ver, parcialmente. Gostei bastante da revelação de quem era o Welder e de qual era sua motivação, no entanto, algumas outras perguntas ou receberam respostas que eu vejo como preguiçosas ou não receberam respostas. Por isso, minha nota final para o livro foi 3 estrelas.
Ainda assim, acredito que é um livro com conceito diferente que merece crédito por inovar tanto no enredo como na estrutura. Achei a ideia de intercalar os capítulos de Thea, a respeito da investigação, com as cartas de Aulus, sobre o que estava acontecendo no cativeiro, muito boa. Isso de fato adicionou muito à experiência de leitura e aumentou o clima de mistério e suspense.
Eu continuei a leitura, apesar dos problemas que me incomodaram logo no início, por causa desses aspectos: a historia com conceito inovador e o mistério que esses capítulos intercalados proporcionava (eu queria muito entender como as coisas haviam chegado àquele ponto que Aulus descrevia em suas cartas, já que o Welder nunca deixou de cuidar das crianças). Além disso, o fato de eu estar lendo para participar da live de discussão do livro me motivou a finalizá-lo.
Enfim, The June Boys é um livro com uma ideia muito boa e muitos pontos positivos, no entanto, algo ainda ficou faltando para que a história me empolgasse tanto quanto achei que me empolgaria.
Como ler "As Crônicas dos Caçadores de Sombras"?
Depois que li e publiquei minha resenha da Trilogia “As Peças Infernais”, comecei a me empolgar muito com o universo dos Caçadores de sombras. Uma amiga minha se interessou pelos livros devido à minha empolgação a respeito das conexões entre as séries e sugeriu que eu fizesse um post falando a respeito da melhor ordem de leitura dos livros da Cassandra Clare.
Para isso, eu preferi finalizar os 6 livros da Séries “Os Instrumentos Mortais” e pesquisar um pouco a respeito disso tudo antes de escrever.
Abaixo, falo do resultado da pesquisa e da minha opinião pessoal sobre a melhor ordem de leitura dos livros (não vou falar tanto dos Artifícios das Trevas, pois ainda não li, mas pelo que sei dessa trilogia, ela com certeza deve ser lida após “Cidade do Fogo Celestial”):
Resultados da minha Pesquisa:
A maioria dos sites que pesquisei aconselha que a leitura seja feita na ordem cronológica de publicação, que seria:
Cidade dos Ossos (Os Instrumentos Mortais nº 1)
Cidade das Cinzas (Os Instrumentos Mortais nº 2)
Cidade de Vidro (Os Instrumentos Mortais nº 3)
Anjo Mecânico (As Peças Infernais nº 1)
Cidade dos Anjos Caídos (Os Instrumentos Mortais nº 4)
Príncipe Mecânico (As Peças Infernais nº 2)
Cidade das Almas Perdidas (Os Instrumentos Mortais nº 5)
Princesa Mecânica (As Peças Infernais nº 3)
Cidade do Fogo Celestial (Os Instrumentos Mortais nº 6)
Trilogia Os Artifícios das Trevas (Dama da Meia-Noite, Senhor das Sombras, Rainha do Ar e da Escuridão)
Minha opinião:
Como eu tenho muita dificuldade em intercalar livros de uma série (especialmente livros como os das Peças Infernais, que nos deixam curiosos para saber o que vai acontecer no próximo), eu não conseguiria intercalar os livros, então minha recomendação é:
3 primeiros de Os Instrumentos Mortais (Cidade dos Ossos, Cidade das Cinzas, Cidade de Vidro)
Trilogia As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica)
3 últimos de Os Instrumentos Mortais (Cidade dos Anjos Caídos, Cidade das Almas Perdidas, Cidade do Fogo Celestial)
Trilogia Os Artifícios das Trevas (Dama da Meia-Noite, Senhor das Sombras, Rainha do Ar e da Escuridão)
Obs.: Depois de ter escrito isso, descobri que a autora também recomenda que a leitura seja realizada nessa ordem
Como os livros de Os Instrumentos Mortais foram escritos como 2 trilogias relativamente independentes, não vejo problema em separar os 6 livros dessa forma.
Minha única recomendação é que você não leia Cidade do Fogo Celestial antes de ler Princesa Mecânica, porque, se fizer isso, vai receber uns spoilerzinhos que podem prejudicar sua experiência.
Livros Extras
A respeito dos livros extras, que eu ainda não tive a oportunidade de ler, a recomendação é que sejam lidos da seguinte forma:
As Crônicas de Bane e Contos da Academia dos Caçadores de Sombras → após Cidade do Fogo Celestial
Fantasmas do Mercado das Sombras → após trilogia Os Artifícios das Trevas
Acredito que vale super a pena ler todos os livros.
As conexões e referências que a autora faz são sensacionais e as histórias são todas muito envolventes e interessantes!!
Jogador Nº1
Jogador Nº 1, de Ernest Cline é uma história que se passa no ano 2045, em uma versão distópica do mundo.
Sobre o que é o livro?
Em Jogador Nº1 somos apresentados a uma versão do futuro em que houve uma crise energética mundial e, devido a isso, o planeta encontra-se em uma situação peculiar, com muita destruição e pobreza. Devido a isso, as pessoas vivem quase 100% de suas vidas dentro de uma realidade virtual avançada, chamada OASIS. No OASIS, as pessoas estudam, trabalham, têm momentos de lazer e fazer amigos.
Nesta realidade virtual é possivel que seja criado qualquer tipo de avatar (com poderes ou sem poderes; humano ou não...), qualquer tipo de mundo (baseado na realidade, com características futurísticas, com características mágicas, com permissão ou não para batalha...). Enfim, é possível fazer qualquer coisa no OASIS, desde que se tenha dinheiro suficiente para viajar pelos diversos mundos do servidor.
No início do livro, recebemos a informação de que o criador do OASIS faleceu e, no dia de sua morte, foi liberado um vídeo em que ele propunha um jogo, uma caça a um “Easter Egg”, a ser realizada dentro do OASIS. Quem encontrasse este Easter Egg receberia uma fortuna e o controle do OASIS. No entanto, para conseguir atingir esse objetivo, o participante deveria se imergir na vida do criador da realidade virtual. Essa pessoa deveria estudar tudo sobre ele e sobre o que ele gostava (basicamente, apenas cultura dos anos 80). Isso, pois, para completar os 3 níveis que levariam à fase final da busca, seria necessário conhecimento extremo acerca desses tópicos. Sem conhecer o criador do jogo e os filmes, jogos, livros e outros elementos da cultura pop que ele gostava, seria impossível que os jogadores em busca do Easter Egg completassem as missões e chegassem ao final do desafio.
Nesse contexto, conhecemos nosso personagem principal, Wade Watts, um rapaz pobre que há mais de 6 anos que busca o Easter Egg, estudando a vida do criador e, por isso, sendo obcecado por cultura pop dos anos 80. Acompanhamos no livro a jornada de Wade (e de seu avatar, Parzival) para encontrar as 3 chaves e passar pelos 3 portões que constituem o desafio proposto pelo criador do jogo antes de sua morte.
Dilivagando...
O Jogador Nº 1 é um daqueles livros do qual eu ouvi falar muitas coisas positivas, mas cuja leitura não me entusiasmou. Eu me pegava querendo ler rápido, não por estar gostando e curiosa para saber o que aconteceria, mas porque queria terminá-lo logo para começar outro.
Achei super interessante o universo criado. Dentre as distopias que já li, o contexto desta é o que acho mais provável de ocorrer na vida real. É bem possível que passemos por uma crise de energia que leve a guerra, pobreza e destruição. E é ainda mais provável que passemos a viver cada vez mais em meios virtuais similares ao OASIS.
No entanto, ainda assim, eu não consegui me imergir completamente na história. Achei os acontecimentos previsíveis, os personagens principais passavam por desafios que deveriam ser quase impossíveis de maneira rápida e sem muita dificuldade e, sem dar spoilers, no final, acontece algo um pouco sem sentido, na minha opinião.
Além disso, apesar de eu adorar uma referência a elementos da cultura popular, acredito que o autor exagerou um pouco na dose. Muitas referências não eram elementos bem colocados, como seria o ideal em minha percepção, mas simplesmente listas de filmes ou jogos dos anos 80 (no início da livro, tem umas 3 páginas com, literalmente, uma lista de coisas dessa época). Acredito que, por esse motivo, já comecei o livro irritada e não consegui me imergir tanto. Outro ponto negativo desse livro pra mim, foi o excesso de informações dadas em certos pontos (especialmente no inicio da segunda parte do livro). Sinceramente, tem coisas que Wade faz que eu não precisava saber. Não tinha necessidade e não era importante para o desenvolvimento da história ou para a compreensão do momento de vida do personagem.
Apesar desses pontos negativos, os personagens são bem legais e a história, no geral, é bem interessante e escrita de uma forma diferente. O livro é estruturado em fases, como se fosse um jogo e, como os personagens vivem basicamente o tempo todo dentro de uma realidade virtual, completando missões que fazem parte de um desafio, isso foi super inteligente.
Este é o primeiro livro que de que não gostei e sobre o qual falo aqui. Apesar de eu não ter gostado, sei que Jogador Nº 1 está na lista de favoritos de várias pessoas. Se você curte jogos e cultura pop dos anos 80, acredito que valha a pena lê-lo. Não é porque eu não consegui gostar de aspectos da história que você também não vai gostar.

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After the Bridge: The Full Story (Jem/Tessa)
hi Cassie! idk if you’ve noticed, but I think you’ve invoked a small (and quite entertaining) url revolution. — hornyjem
I did. I am very proud. :)
This is the full story of After the Bridge, a tale for those who might have wondered what Tessa and Jem did after they met on Blackfriars Bridge in the epilogue of Clockwork Princess. If you’ve been waiting to read it until it was done, it is now done.
Those who do not like Tessa&Jem together or Jessa sexytimes probably should skip this. (You will not miss anything that will affect your understanding of later books.) Those who like that sort of thing will find this the sort of thing they like.
After the Bridge alternates POV between Jem and Tessa. This is Part Five, the full story. As this is one short story and not chaptered, each post will contain the whole story from the beginning up to the point where that part ends so that new readers or readers who don’t remember what happened won’t have to hunt down the previous post(s.)
AFTER THE BRIDGE : Now with (sexy) art by Cassandra Jean!
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Trilogia O Século
Hoje eu queria falar um pouco sobre alguns dos meus livros preferidos da vida: os livros que compõem a trilogia O Século de Ken Follett. Nesta trilogia, acompanhamos 3 gerações de 5 famílias de 5 países diferentes por diversos acontecimentos do Século XX.
Sobre o que são os livros?
No primeiro livro, Queda de Gigantes, as famílias vivenciam os acontecimentos históricos que se passaram na época da Primeira Guerra Mundial, como a guerra em si e a revolução Bolchevique na Rússia.
No segundo livro, Inverno do Mundo, acompanhamos os filhos dos personagens do primeiro livro nos acontecimentos que tomaram parte durante a Segunda Guerra Mundial.
Por fim, no terceiro livro, Eternidade Por um Fio os netos dos personagens do primeiro livro vivenciam diversos eventos históricos que ocorreram nos anos após a Segunda Guerra, no período que ficou conhecido como Guerra Fria. Esses eventos fecham este Século cheio de acontecimentos historicamente importantes e, consequentemente, finalizam a trilogia.
Dilivagando...
O que eu mais gosto nestes livros (e em outros livros do autor) é como personagens fictícios interagem com eventos e personalidades históricas, vivenciando acontecimentos que geralmente vemos apenas em livros da História e que aprendemos na escola. Como Ken Follett é um historiador antes de ser um escritor, tudo é muito bem embasado. Inclusive, quando os personagens fictícios interagem com personalidades históricas, as falas destes são baseadas em pronunciamentos e discursos que realizaram na época, quando estavam vivos.
Outra coisa interessante nesta trilogia é ver como a vida personagens de diversos países são são afetados diferentemente por estes acontecimentos e como a vida das famílias que acompanhamos muda no decorrer de um século. Depois de vivenciarem todos estes eventos que ocorreram durante os anos 1900, as famílias são quase irreconhecíveis. A vida da terceira geração é incomparável à vida da primeira e da segunda gerações.
Além disso, é muito legal vivencias fatos históricos por meio da literatura, seguindo personagens com os quais passamos a nos importar tento. Isso é o que mais me encante nos livros de Ken Follett e em ficções históricas no geral.
Sem dúvidas, esta é uma trilogia que todos deveriam ler para compreender melhor como era a vida nas diversas épocas do século XX e como os eventos que ocorreram neste século influenciaram e moldaram o mundo que nos cerca hoje.
Apenas as pessoas com com a cabeça muito fraca se recusam a ser influenciadas pela literatura e pela poesia.
Anjo Mecânico, Cassandra Clare
Trilogia As Peças Infernais
As Peças Infernais, por Cassandra Clare, é uma trilogia que se passa no universo dos Caçadores de Sombras, inicialmente apresentados na série dos Instrumentos Mortais. Esta trilogia se passa na Londres Vitoriana e nela acompanhamos os antepassados dos personagens d’Os Instrumentos Mortais. Os livros que compõem esta trilogia são: Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico e Princesa Mecânica.
Sobre o que são os livros?
Acompanhamos nesta trilogia a história de Tessa Gray, Will Harondale, James Carstairs e outros integrantes da Clave de Londres (associação de Caçadores de Sombras) em uma jornada para derrubar o Magistrado e sua coleção de autômatos, as Peças Infernais.
A história começa com Tessa chegando em Londres a convite do irmão, que havia se mudado para a cidade anteriormente, após a morte da tia que a criou. Porém, ao chegar ao Velho Mundo, Tessa é recebida por mulheres estranhas, as Irmãs Sombrias, que a sequestram e começam a torturá-la para despertar o poder que Tessa nem mesmo sabia que possuía. Sob a tortura das Irmãs Sombrias, que dizem ter também sequestrado o irmão de Tessa, a menina descobre que tem o poder peculiar de mudar sua aparência, efetivamente se transformando em outra pessoa, quando segura um objeto que pertence ou pertenceu a este alguém. Após passar alguns meses nesta rotina de tortura, as captoras de Tessa informam-na de que todo o treinamento está sendo feito em nome do Magistrado, um homem que pretende desposá-la para ter a seu dispor o poder de Tessa.
Will Harondale e James Carstairs, por sua vez, são Caçadores de Sombras a serviço do Instituto de Londres. Como Caçadores de Sombras, devem se encarregar de matar demônios que ameaçam a vida de mundanos (pessoas comuns) e de manter os membros do Submundo (seres como feiticeiros, lobisomens, vampiros e outros) afastados e escondidos dos mundanos. Enquanto realizam uma investigação a respeito de um assassinato cometido por um demônio em condições estranhas, os dois rapazes são levados ao local onde Tessa está aprisionada e a resgatam.
Com isso, começa efetivamente a história. No decorrer dos 3 livros, acompanhamos a investigação realizada sob liderança dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, com o auxílio de Tessa, para descobrir quem é o Magistrado, o que ele quer com Tessa e, até mesmo, quem Tessa realmente é para ter um poder tão singular. A trilogia inteira conta com muitos mistérios, que ansiamos por desvendar junto com os personagens principais.
Dilivagando...
Fui apresentada ao universo dos Caçadores de Sombras há cerca de 7 anos. Li os quatro primeiros livros da série dos Instrumentos Mortais (eram os que já haviam sido lançados na época) e lembro-me de ter gostado bastante. No entanto, por nenhum motivo específico, acabei não lendo os dois livros finais. Por isso, por achar que já havia superado as histórias que se passam neste universo, eu receava iniciar esta trilogia. Mas devo dizer que não me arrependo de mergulhar novamente de cabeça neste mundo maravilhoso dos Caçadores de Sombras. A trilogia é maravilhosa, com personagens fortes, mistério intrigante e diálogos envolventes. O único motivo para arrependimento, talvez, seja o fato de que agora eu quero ler todos os livros que se passam no universo.
Apesar de As Peças Infernais terem sido lançadas em momento posterior aos livros dos Instrumentos Mortais, acredito que a leitura destes não é necessária para a compreensão do mundo em que se passa a trilogia. Os pontos principais que compõem o universo são relembrados no início d’O Anjo Mecânico e é bem fácil de acompanhar a partir daí. Posso dizer isso com certeza, pois, apesar de já ter lido livros de Caçadores de Sombras antes, eu sinceramente não me lembrava de nada do universo.
Gostei muito de todos os livros que compõem esta trilogia. O fato de se passarem na Londres Vitoriana trouxe um charme a mais pra história e, inclusive, a escrita acompanhou essa viagem ao passado. O livro foi escrito com uma linguagem relativamente mais formal do que a que estamos acostumados a ver nos livros do presente.
Além de a ambientação do livro ter sido extremamente bem construída, a história e o relacionamento entre os personagens também foram. A cada momento ficava mais intrigada com os mistérios a que fui apresentada no primeiro livro, era surpreendida com algo que acontecia e me via mais imersa na história.
Os personagens, assim como o relacionamento entre eles, cresceram no decorrer dos livros (algo que eu adoro ver acontecer). Somos apresentados a diversos diálogos e monólogos interiores maravilhosos e passamos a nos importar cada vez mais com os personagens e com os relacionamentos que existem e se desenvolvem entre eles.
Uma coisa que me surpreendeu muito no âmbito de relacionamento entre personagens foi o fato de eu ter gostado do triângulo amoroso presente na história. Eu geralmente não gosto quando livros possuem esta característica, pois geralmente é óbvio o que vai acontecer (exemplo: Edward-Bella-Jacob) e tudo parece sem objetivo. Nesta trilogia, no entanto, o triângulo amoroso e o relacionamento entre os três personagens que o compõe foi tão bem escrito e desenvolvido que não pude deixar de gostar desse aspecto da história.
Enfim, eu não consigo pensar em uma crítica negativa a esta história. O ritmo de cada livro e da trilogia como um todo é agradável, os personagens principais e secundários (assim como os relacionamentos entre eles) são todos bem escritos e bem desenvolvidos, os mistérios que tentamos resolver junto com os personagens são intrigantes, temos diversos momentos de alegria, tristeza, raiva e confusão, e em nenhum momento os livros deixam de nos surpreender.
Fico muito feliz com o fato de o Kindle Unlimited ter me dado a oportunidade de ler a trilogia d’As Peças Infernais. Sinceramente, foi uma das melhores trilogias que já li. Mal posso esperar para ler os outros livros da autora, pois agora estou pronta para mergulhar de novo no universo dos Caçadores de Sombras e integrantes do Submundo.
Às vezes, nossas vidas mudam tão depressa que a mudança é mais rápida do que nossas mentes e corações.
Anjo Mecânico, Cassandra Clare

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Sempre se deve ter cuidado com livros, e com o que está dentro deles, pois as palavras têm o poder de nos transformar.
Anjo Mecânico, Cassandra Clare
O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, é um livro gótico de 1847, que conta uma história que se passa no meio rural, especialmente na propriedade conhecida como “Morro dos Ventos Uivantes”.
Dilivagando...
É muito difícil para mim falar deste livro, pois foi uma leitura que me marcou de uma forma como nunca havia acontecido antes. Por isso, não sei se consigo expressar adequadamente meus pensamentos e sentimentos a respeito dele. A história diz respeito, especialmente, à vida de Heathcliff e Catherine (Cathy), dois jovens que foram criados juntos e se apaixonaram na adolescência, e suas respectivas famílias/descendentes. Todo o livro se passa entre duas propriedades rurais e vemos, o tempo todo, os personagens se deslocando entre elas. Por ser um ambiente tão fechado, as famílias que vivem nestas propriedades e seus integrantes se tornam interligadas e as relações entre elas, complexas. O ambiente a que somos apresentados nos traz um sentimento de que estamos em uma região selvagem, afastada da sociedade.
Mas isto não é algo que distingue O Morro dos Ventos Uivantes de outros romances da época (como, por exemplo, os de Jane Austen). O que tornou esta leitura única e marcante para mim foram os personagens. São todos pessoas horríveis. Sem exceção. Heathcliff é cruel e vingativo. Desde o início da leitura, aprendemos a odiar Heathcliff e tudo o que ele representa na história. Cathy, por sua vez, é egoísta, mesquinha e intolerante. É construída como uma personagem que se encontra o tempo todo no limite da insanidade. Mas ambos se amam perdidamente e incondicionalmente.
Alguns críticos dizem que este amor os redime, o que faz com que não sejam pessoas tão horríveis. Na minha opinião, isto não é verdade. Nada é capaz de redimir a forma como os dois personagens principais se comportam na narrativa. E isso é o que é interessante neste livro e o que fez com que eu continuasse pensando nele por semanas após finalizar a leitura: o fato deste livro ser sobre pessoas que não seriam socialmente aceitas, que vivem nas margens das regras de civilidade.
Por isso é um livro importante, pois lemos sobre pessoas terríveis e vemos o que faz com que as pessoas se comportem desta forma. E os personagens foram intencionalmente construídos assim. Emily Brontë os escreve tão bem, os constrói tão maravilhosamente bem que é impossível não odiá-los. E este é o brilhantismo do livro em minha opinião. Ele não foi construído de forma que fará com que você ame seus personagens. Ele não foi escrito de forma que os personagens conquistarão perdão por seu comportamento e se redimirão aos seus olhos. Você vai detestá-los do inicio ao fim. E, mesmo assim, você vai querer ler a história, vai querer saber o que vai acontecer estas pessoas horríveis. E isso foi uma experiência sensacional para mim.
Confesso que, até a metade do livro, eu considerei largá-lo. A cada página que passava se tornava mais difícil continuar a leitura. Eu me revoltava com os personagens, com suas falas. Queria bater em todos eles. Mas a história fez com que eu continuasse. E digo que valeu a pena. Foi uma leitura difícil. Extremamente difícil. Quase como um teste de resistência. Mas valeu a pena. Este livro me marcou de uma forma estranha, diferente, como nunca antes. Não sei se consegui explicar porque, mas achei esse livro brilhante, provocativo. Quanto mais penso nele e em seus personagens, mais entendo o que a autora tentou fazer e, devo dizer, que conseguiu fazer de forma maravilhosa: criar uma história com personagens odiosos, mostrando como este tipo de personalidade pode surgir e se desenvolver, especialmente em um cenário rural, quase uma terra sem lei.
Recomendo muito a leitura deste livro, mas, esteja avisado, você vai odiar todo mundo e vai amar odiá-los, quase de forma masoquista. Vai ser difícil continuar e concluir a leitura, mas resista, vença esse teste proposto pela autora, vai valer a pena no final. Pode ser que você tenha uma experiência similar à minha e continue pensando na história e nos personagens por semanas. Neste caso, pode ser que você aprecie cada vez mais a história e a leitura que você realizou (eu, inclusive, tive que mudar minha classificação desse livro de 3 para 4,5 estrelas após alguns dias). Ou pode ser que você realmente odeie o livro, e com toda razão. É difícil gostar de um livro em que você odeia os personagens. Vou entender se esse for o caso, mas mesmo assim acho que é uma experiência legal ler um livro que contém apenas pessoas terríveis, mesmo que você deteste cada segundo desta experiência. É diferente, é provocativo, é brilhante.
Os Garotos Corvos
Os Garotos Corvos, por Maggie Stiefvater.
Os Garotos Corvos é o primeiro livro d’A Saga dos Corvos, uma série de livros inovadora, com narrativa única e focada no desenvolvimento de personagens. A Saga é composta por quatro livros (Os Garotos Corvos; Ladões de Sonho; Lirio Azul, Azul Lírio; O Rei Corvo). Para evitar spoilers, falarei, neste post, especialmente sobre o primeiro livro, mas meus comentários valem para a série toda. (No momento, eu li os três primeiros livros apenas, mas estou extremamente ansiosa para ler o quarto e último livro).
Sobre o que é o livro?
Os Garotos Corvos conta a história de Blue, uma menina filha de médium, que cresceu cercada por pessoas com dons sobrenaturais. Blue, no entanto, não tem o dom de prever o futuro ou de conversar com mortos. Sua “habilidade” consiste em amplificar os sinais paranormais utilizados por sua mãe e as amigas dela para realizar estas atividades.
Blue e sua família vivem na cidade de Henrietta, uma cidade famosa por seus eventos paranormais e, todos os anos, Blue vai com a mãe a uma Igreja abandonada localizada no caminho dos corpos na véspera do dia de São Marcos. Neste dia, pessoas com os dons de sua mãe conseguem ver os espíritos das pessoas que morrerão no próximo ano. Blue sempre acompanhou a mãe para tornar mais fácil a identificação destas pessoas, mas nunca foi capaz de ver nenhum destes espíritos. Isso, é claro, até o momento do livro, quando ela é capaz de ver um jovem rapaz.
Paralelamente à história inicial de Blue, conhecemos um grupo de garotos que estudam na escola Aglionby, uma escola particular para garotos ricos. Gansey, Adam, Ronan e Noah são um grupo de amigos que estudam nesta escola e estão, há mais de um ano, em uma missão iniciada por Gansey. O objetivo desta missão consiste em encontrar a linha Ley, uma linha de energia que conecta pontos importantes no mundo e, supostamente, passa diretamente sobre a cidade de Henrietta.
Gansey encontra-se obcecado por esta linha há muitos anos, pelos quais viajou pelo mundo em busca de informações e de evidencias da existência desta linha e, especialmente, de um rei galês que, de acordo com a lenda, foi colocado para dormir sob um ponto da linha. De acordo com a lenda, este rei, quando desperto, concederia um desejo às pessoas que o despertassem. Isso é o que Gansey e seus 3 amigos têm feito em suas horas vagas, quando não estão na escola: buscado por sinais da linha Ley e do rei galês. No entanto, não têm tido muito sucesso, isso é, até que suas vidas cruzam com a vida de Blue...
Dilivagando...
A história do livro dos Garotos Corvos parece, em um primeiro momento, muito estranha e confusa, como acho que deixei transparecer na seção “Sobre o que é o livro?”. É, realmente, uma história muito diferente, e, pela primeira metade do livro, eu não tinha certeza se estava ou não gostando da história. Demorei um pouco para me imergir totalmente na história, mas valeu a pena. No final do primeiro livro, eu já estava apaixonada pela história, pelo mistério e por todos os personagens. Essa paixão aumentou exponencialmente à medida que eu terminava cada um dos livros.
A narrativa é extremamente bem escrita, os acontecimentos se conectam de forma sensacional e o primeiro livro tem vários presságios a respeito de coisas que acontecerão no futuro. E os personagens... nem sei o que dizer deles... Não tem como não amar cada um dos cinco personagens principais. É lindo acompanhar o desenvolvimento pessoal de cada um deles e o desenvolvimento da relação que cada um tem com os outros amigos.
Posso dizer que esta é uma história muito focada nos personagens, o que não é um problema, pois só torna tudo mais interessante (ainda mais porque os personagens são tão bons!). Isso não quer dizer, é claro, que a história não se desenvolve de forma satisfatória. A cada página, nos encontramos mais interessados pelos mistérios da linha Ley e do rei galês buscado por nossos personagens principais.
Enfim, esta é uma história pela qual me apaixonei perdidamente. Sei que parece estranha a primeira vista, com médiuns, linhas de energia e reis desaparecidos, mas, confie em mim, é uma leitura que vale a pena para todos que se interessam por narrativas inovadoras e personagens que crescem e se desenvolvem no decorrer da história. Eu sinceramente não consigo expressar o quanto eu amo acompanhar a história de Blue e dos Garotos Corvos.
Sobre o Kindle Unlimited
No post anterior, eu falei um pouco sobre minhas impressões a respeito do Kindle. Hoje, vou falar um pouquinho sobre o que achei do serviço de empréstimos de e-books da Amazon, o Kindle Unlimited.
O Kindle Unlimited é um serviço oferecido pela Amazon, em que, ao pagar uma taxa mensal, você tem acesso a um número gigantesco de e-books. Os títulos presentes vão desde clássicos (como os livros de Jane Austen, Machado de Assis e Julio Verne) a grandes nomes da literatura contemporânea (como Harry Potter e Os Instrumentos Mortais) e lançamentos recentes (como Verity). Enfim, os títulos disponíveis para empréstimo são extremamente variados e, com toda certeza, você vai encontrar muitos que te agradam e chamam sua atenção.
Ao comprar um Kindle ou criar uma conta na Amazon, você tem o direito a um mês gratuito de Kindle Unlimited. Após esse período, é necessário pagar uma taxa de R$19,90 por mês para continuar a usufruir deste serviço. Eu tive um pouco de sorte, pois, quando fui cancelar a assinatura, a Amazon me ofereceu 3 meses do serviço por apenas R$1,99. Não sei se estas promoções são comuns, mas tenho visto várias deste tipo em blogs e instagrans de livros.
A principal vantagem do Kindle Unlimited, além, é claro, do grande número de títulos que temos à nossa disposição, é a possibilidade de ler qualquer obra sem o compromisso de comprá-la. Isso faz com que possamos ler títulos que normalmente não leríamos e possibilita que exploremos novos gêneros, de forma a sair de nossa zona de conforto literária. Isso é muito difícil de fazer com livros físicos, porque, querendo ou não, livro é uma coisa muito cara e, a não ser que você tenha o hábito de frequentar uma biblioteca, você provavelmente não vai querer comprar um livro que tem medo de não gostar.
Minha experiência com 5 meses de Kindle Unlimited foi excelente. Li diversos livros que normalmente não leria e muitos proporcionaram leituras excelentes, como O Estranho Sonhador, A Canção do Sangue, Os Garotos Corvos e Verity. Tive, também, a possibilidade de explorar um clássico (O Morro dos Ventos Uivantes) que eu provavelmente não leria se tivesse que comprar o livro e diversos gêneros que geralmente não leio. Além disso, encontrei disponível no Kindle Unlimited um livro que eu queria ler a anos, mas não encontrava para comprar em nenhuma livraria.
Devido a isso, recomendo muito a utilização do mês grátis de Kindle Unlimited, especialmente se você estiver com muito tempo disponível para leitura (como durante esta quarentena). E, de qualquer forma, os R$19,90 continuam sendo um preço justo pelo oferecido, já que muitos dos e-books disponíveis no serviço são mais caros do que isso e é raro um livro físico ser encontrado por este preço.
Sobre o Kindle
Desde que adquiri meu Kindle, muitos amigos têm pedido minha opinião a respeito do aparelho e do serviço de empréstimos de e-books que a Amazon possui (Kindle Unlimited). Decidi escrever um pouco sobre as impressões que tive nestes quase 6 meses de uso. Neste primeiro post, vou focar no próprio aparelho Kindle.
Sempre fui uma pessoa que tem muita dificuldade para ler qualquer coisa em meios eletrônicos, então nunca gostei de ler pelo celular ou pelo computador. Toda vez que eu começava a leitura de um e-book, acabava abandonando-o no meio. Não porque não estava gostando da história, mas porque não conseguia continuar lendo por vias digitais.
Devo dizer que isso não ocorreu com o uso do Kindle. Apesar de não substituir os livros físicos na minha lista de “meios preferidos de leitura”, o Kindle encontra-se em um segundo lugar muito próximo. A tecnologia do Kindle faz com que ler com ele seja extremamente agradável e nada cansativo, tanto que consegui finalizar um e-book (e outros 20 depois desse) pela primeira vez na minha vida.
Para quem não sabe, o Kindle usa uma tecnologia muito diferente daquela utilizada nas telas de computadores e celulares. Nestes, a tela é basicamente composta por milhares de luzinhas (LED). O Kindle, por sua vez, não apresenta esta iluminação direta (esse é um dos motivos pelo qual não é cansativo ler no Kindle). A tecnologia da tela do e-reader consiste em várias bolinhas pretas e brancas colocadas dentro de bolinhas maiores. Isto é o que eles chamam de e-ink (ou tinta eletrônica). Quando se passa a página, ou quando se realiza qualquer atividade que muda o que é mostrado na tela, um pulso eletromagnético passa de forma diferente por estas bolinhas, o que faz com que elas se movam ou para a parte de cima ou para a parte de baixo da esfera maior, deixando a superfície preta, branca, ou cinza (=matade preto, metade branco), de acordo com a carga aplicada. Isto é possível pois as bolinhas pretas e brancas são diferentemente carregadas. Abaixo segue uma imagem para exemplificar melhor como isso funciona.
Desta forma, o Kindle consegue formar letras e imagens, simulando melhor a leitura em papel. As letras formadas com esta tecnologia apresentam uma semelhança maior com as letras que vemos com tinta no papel. Além disso, apenas quando se muda de página, há gasto de bateria, já que só neste momento o pulso eletromagnético é necessário (isso se você não estiver utilizando o Kindle Paperwhite, no qual é possível ligar uma iluminação indireta que vem da parte de baixo do aparelho em direção a tela). Aqui chegamos ao outro ponto forte do Kindle, a bateria dura muito tempo. Mesmo com um ritmo frenético de leitura, não preciso carregar o Kindle mais de uma vez por semana.
Assim, os principais pontos positivos do Kindle em relação aos outros meios digitais (celulares e computadores) seriam, em minha opinião, a tela, que, além de não cansar os olhos, é extremamente similar à página de um livro físico, e a durabilidade da bateria. Com relação ao livro físico, as vantagens do Kindle seriam o peso (é extremamente leve e um livro de 10 paginas e outro de 1000 páginas terão a mesma massa) e a possibilidade de carregar um número infinito de livros aonde quer que você vá.
No entanto, temos a desvantagem de o Kindle não ser um livro. Por isso, perdemos o sentimento das folhas nos dedos ao mudar de página, o cheiro do papel e todas as outras coisas que nós leitores amamos tanto a respeito dos livros físicos.
Concluindo, O Kindle vale a pena? Sim, sem dúvidas é uma forma excelente de ler livros digitais de forma confortável. O Kindle é melhor que um livro físico? Em minha opinião, não. Mas não deixa de ser uma alternativa muito boa para quem quer ter acesso a uma quantidade enorme de livros a um preço mais acessível e, muitas vezes, até de graça (a Amazon é famosa por dar e-books de graça).
Afirmo com toda certeza que foi a melhor compra que fiz nos últimos meses e não me arrependo nem um pouco. Muito pelo contrário, considerando o tanto que li pagando nada ou quase nada (com o Kindle Unlimited, principalmente), diria que ele já se pagou, pois se eu fosse ler todos estes livros na forma física teria gastado muito mais do que gastei com o Kindle.

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A Canção do Sangue
A Canção do Sangue, por Anthony Ryan.
A Canção do Sangue é o primeiro livro da trilogia “A sombra do corvo”. É uma obra de fantasia com uma história cheia de mistérios, batalhas e uma boa dose de política.
Sobre o que é o livro?
Nesta trilogia, acompanhamos a trajetória de Vaelin Al Sorna, um personagem pelo qual é impossível não se apaixonar. Neste primeiro livro da trilogia, conhecemos Vaelin e acompanhamos os primeiros anos de sua vida. Tudo começa quando o Vaelin de 10 anos de idade é deixado pelo pai na Casa da Sexta Ordem, uma das 6 Ordens responsáveis pela manutenção da Fé (a religião do mundo onde se passa a história). A Sexta Ordem é excepcional, no sentido que tem a função de formar guerreiros que lutam para proteger tanto a Fé quando o Reino. Assim, nesse contexto, Vaelin inicia seu treinamento de 7 anos para se tornar um Irmão e guerreiro a serviço da Fé.
Esses meninos de 10 anos entregues à Fé são submetidos a um treinamento severo e exaustivo, durante o qual, inclusive, correm risco de vida. E, depois de finalizarem o treinamento, são enviados em missões a serviço da Fé, para combater os inimigos da religião, por exemplo.
Durante seu tempo na Casa da Sexta Ordem, Vaelin começa a se envolver em questões associadas à política do Reino e a questões de ordem sobrenatural.
Dilivagando...
A Canção do Sangue foi o primeiro livro que li em 2020, tendo sido uma surpresa extremamente agradável. Eu, particularmente, gosto bastante de histórias onde acompanhamos a trajetória de um personagem desde pequeno, especialmente se eles frequentam algum tipo de escola ou centro de treinamento, onde aprendem suas habilidades. Este livro desenvolve esta parte da história de forma espetacular, introduzindo elementos que serão importantes para o desenvolvimento e a conclusão da narrativa e nos deixando muito interessados no processo de treinamento dos Irmãos da Sexta Ordem.
Além de ter este fator que me agrada, o livro ainda apresenta uma parte política muito boa, evidenciada pelas relações entre o Rei e os Irmãos da Sexta Ordem, especialmente com Vaelin e o Aspecto (líder de uma Ordem), e bastante mistério. Ficamos a leitura inteira tentando entender o que está acontecendo, tentando conectar pontos soltos para chegar a uma conclusão e, ainda assim, o livro não deixa de surpreender.
Outro ponto forte da obra de Ryan é a construção dos personagens. Conseguimos acompanhar muito bem o processo de amadurecimento não apenas em Vaelin, nosso personagem principal, como em diversos outros de seus Irmãos.
Enfim, a narrativa é apaixonante, intrigante e extremamente bem construída. É uma história relativamente pouco conhecida que vale muito a pena ler, especialmente para aqueles que gostaram das Crônicas de Gelo e Fogo (Game of Thrones) e d’A Crônica do Matador do Rei (O Nome do Vento).
“Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar.”
— Harry Potter e as Relíquias da Morte, J.K. Rowling