Ainda tinha aquele resquício de sorriso nos lábios — até o momento em que Remus o puxou. Foi sutil, mas mudou. Não desapareceu completamente, só… cedeu espaço pra algo mais sério, mais atento. O olhar encontrou o de Remus Lupin e, dessa vez, ele não tentou brincar. Nem desviar. “Ei…” a voz saiu mais baixa, firme, diferente do tom leve de antes. A mão subiu quase automaticamente, segurando o pulso dele por um segundo, não pra afastar — pra ancorar.
A informação assentou rápido demais na cabeça dele. Lua cheia. Uma semana. Preso. “Você não vai ficar preso,” disse logo, sem hesitar, como se a ideia em si fosse inaceitável. Não era uma suposição. Era uma decisão. A outra mão passou rapidamente pelo cabelo, num gesto nervoso que ele nem tentou esconder dessa vez, antes de voltar a focar nele.
“A gente dá um jeito,” continuou, mais direto agora, o olhar firme, quase teimoso. “Se essas passagens funcionarem, a gente usa. Se não funcionarem, a gente encontra outra saída. Se não tiver saída…” a pausa foi mínima, só o suficiente pra ajustar o pensamento, “…a gente cria uma.” A proximidade não diminuiu — se manteve ali, sólida. “E se, por algum motivo absurdo, a gente não conseguir sair daqui a tempo,” acrescentou, mais baixo, mais sério, “você vai pra minha casa.”
O tom não deixou espaço pra discussão. “Meus pais não vão se importar. Eles nunca se importariam,” continuou, rápido, como se já tivesse pensado nisso antes — e provavelmente tinha. “Tem espaço, tem proteção, tem tudo que você precisa. A gente organiza antes, avisa, faz o que tiver que fazer, mas você não vai passar por isso sozinho e nem preso aqui dentro.” A mão apertou de leve o braço dele, firme, constante. “Eu não vou deixar,” finalizou, encarando-o direto, sem qualquer traço de dúvida. “Entendeu?”
A tensão ficou por um segundo a mais — até que, como sempre, James quebrou primeiro. O canto da boca se ergueu de novo, quase desafiador. “Mas olha…” acrescentou, inclinando levemente a cabeça, já com aquele brilho conhecido voltando ao olhar, “se a gente conseguir sair daqui antes disso tudo complicar, você me deve uma.”
A sobrancelha arqueou, provocador. “Uma aposta simples,” continuou, mais leve agora, como se estivesse deliberadamente puxando Remus de volta pra algo mais familiar, “se eu der um jeito de resolver isso — ou pelo menos achar uma saída — você para de duvidar dos meus planos brilhantes por… uma semana inteira.” O sorriso aumentou, impossível de conter. “E, considerando seu histórico, isso já é praticamente um milagre.”