Eu te juro você não vai morrer, eu não vou deixar!!! Eu te prometo que você não vai morrer!!! -Foi tudo que conseguiu falar enquanto ajeitava o outro no seus braços e andava com dificuldade pela grossa camada de neve. Escutar o que o outro falava cortava o seu peito e era um bom sinal, que o outro ainda confiava nele, mesmo com tudo que ele havia feito para desaponta-lo em todos aqueles anos de amizade. Era incrível como o outro ainda não havia desistido de si, sempre ali do seu lado, agora era sua vez de retribuir, pois já imaginava o que havia acontecido, e não ia sair do lado do outro de maneira alguma, em nenhum momento.
Se segurava na frase do outro, já que o estado do menino o assustava, seu corpo tremia só pela possibilidade de acordar e não vê-lo ali. Se o outro não havia lido a carta ele precisava contar, talvez fosse a sua ultima chance, mas algo dentro de si gritava que não era o momento, porém tudo indicava que poderia ser o seu ultimo momento para fazer aquilo… Mas tudo era delicado demais, ele não podia pensar nisso agora. Agora ele tinha que pensar em cuidar do outro quase desfalecendo no seus braços, para depois pensar em falar em qualquer sentimento.
Entrou no quarto do outro e foi rente ao banheiro, deixando o mesmo delicadamente no chão, escutando a orientação do outro. Porém antes de buscar o item pedido, parou as mãos alheias e disse- Deixa que eu faço isso ok?? Você não esta em condições de se mexer! -puxou o ziper do outro com cuidado para não machuca-lo mais ainda e na hora de retira-lo puxou o corpo do outro para si descendo a mesma com cuidado. Ao olhar as costas do outro seu estomago se retorceu e tudo ficou preto… Ele não podia desmaiar, não agora. Ele tinha que ser forte pelo outro, mesmo que não conseguisse esconder o quão assustado estava. Segurou a barra da blusa do menino e disso- Isso vai doer!- Tirou a mesma num puxão sem pensar duas vezes, pois se pensasse naquele momento ia se deixar levar pelas suas emoções e nada daria certo! Próximo passo era o ditamo! Encostou o mais velho no azulejo e disse- Fica comigo, fica escutando a minha voz ok? -se afastou dele e e foi ate a caixinha e falava alto- Não, não, não- suas mão tremiam enquanto revirava o conteúdo da caixa, ate que pegou o certo e voltou ate o mesmo as pressas e o ajeitou novamente nos braços dando a visão terrível das costas alheias. Sem aviso pingou a essência aonde deveria e para não escutar o sofrimento alheio, num movimento rápido ajeitou novamente o outro no seus braços e selou o seus lábios com os dele, sentindo aqueles lábios tão conhecidos que a tanto tempo não eram mais provados, ainda tinham a mesma textura, o mesmo gosto de algodão doce, mesmo com o metálico do sangue… Ele ainda era o seu Bogum e sempre seria.
As mãos caíram por cima das coxas, os olhos piscando devagar ao mesmo tempo que a boca bria e fechava inconscientemente. Bogum queria encontra ruma boa posição para ficar, para deitar no chão e dormir pelo resto da semana, mas Shijin não deixava. E não tinha permissão para deixar. O choramingo foi alto, entrecortados com os soluços, enquanto sentia o tecido puxar e agitar os cortes escondidos pela blusa de baixo. Essa arruinada em todos os sentidos, seja de integridade, seja pela cor que nunca voltaria ao branco neve de sempre. Bogum olhou com surpresa, um franzido meio lento para o que o outro ia fazer. Não NÃO Nããããão! A dor foi tanta, tão imensurável que o grito ficou preso na garganta inchada e dolorida, arranhando os pulmões sobrecarregados e trazendo uma nova rodada de lágrimas às faces do mais velho. --- Por... por... --- Ele assentiu, estupefato pela capacidade do corpo ainda sentir uma dor pior do que aquela.
Ele podia ter resgado. Cortado. Destruído. Não é como se fosse usá-la novamente, não é mesmo? Mas se conteve, usando o frio das azulejos nas costas desnudas para aliviar a ardência cáustica da mordida no ombro e nas garras fincadas em seu dorso. Tente de novo. A destra, em constante inchaço, tocou a curva perfeita da mandíbula lupina sobre o peito, arranhando a escápula por baixo da pele. Os dedos por cima de cada marca e lembrando, sentindo a mordida novamente. --- Shi- --- A voz tremia de esforço, tão grossa que não parecia ser a própria, ou remotamente conhecida pelo garoto. A língua pesada quanto os olhos fechando, e os membros se soltando ao lado do corpo. O nariz irritava com o próprio cheiro, mas a inconsciência era melhor. Mais convidativa. Bogum repousou a cabeça na lateral do melhor amigo, fungando para não precisar mostrar o quanto do movimento não era querido por si próprio. Mexer, chega nee? Aspirando o aroma, trocando o sangue por algo mais conhecido como Shijin. Shijin.
E o sorriso bobo voltando ao rosto. E a face contorcendo-se em dor pura com um grito vencendo todos os obstáculos. Um só, mas o suficiente. Sua mente tão pesada, tão destruída, tão cansada transformando tudo no pranto ruidoso e de partir o coração. E continuava, mesmo que os lábios estivessem ocupados em manter fechados e pressionados contra os do outro. Doeu mais nele ao mexer a cabeça e esquivar do beijo, a testa caindo sobre o ombro alheio e querendo escorrer para longe. Para bem logo do fogo e do ácido quem era sua pele. --- Eu fui mordido, Shijin... O dítamo... ele não ‘tá funcionando. --- Porque apesar de chiar e doer, Bogum conseguia sentir cada garra e dente na pele. E ele sabia que não precisava se preocupar... Não mais... Porque... Porque o lobo não ia deixar. Bogum sobreviveu até aquele ponto, a morte não era mais um problema.
O problema era o que deixava agora. Sem explicação, sem colocar os pensamentos em palavras. Só... o fechar dos olhos e o perder de todas as funções.