Cosimo Galluzzi

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stalkeia, depois manda terceiros perguntar sobre a vida. faz fake. xinga, esperneia, vive no instagram.
tem ex que não consegue seguir sem perturbar a vida dos outros.
vai viver garota. gente que goza e é feliz não perturba a vida de ninguém não.
você tem razão; quando diz que eu não me permito ser cuidada e percebi isso agora nessa dengue. eu quero aprender a baixar essa guarda, e quero aprender com você.
hoje você me disse uma frase que me marcou: eu não tinha nada contra ela, mas também não tinha absolutamente nada a favor.
eu gosto de como você me vê, e gosto de me ver através dessa lente que são seus olhos. gosto do tanto que a gente tem o riso fácil, e como nossa conversa sai de - que horror essa fome mundial - para - apelidos inventados - em menos de dois segundos. gosto de gostar de você. gosto do seu sotaque, do seu jeito de falar, do jeito de andar e do jeito que mexe as mãos. me irrito também. mas dizem por aí que esse é o efeito colateral clássico dessa tal condição chamada gostar de alguém. então, fazer o que né? as vezes me perco e me preocupo em quão alto e rápido estou subindo, mas depois respiro, conto até dez e me deixo levar, afinal, do chão ninguém passa, como diriam os antigos. e nessa onda eu sigo cantando chico pra você sempre que posso e tentando não deixar o medo paralisar.
segura aqui minha mão e vamos vendo onde tudo isso vai nos levar.

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uma vez foi o pneu furado, no meio da avenida. e mesmo insistindo em ligação, me virei só.
hoje foi a tentativa de avisar que estava indo por hospital ser internada. insisti em ligação também, mas me virei só também.
ao que me parece; sou boa em ajudar quem precisa mas sempre me viro só.
a sorte do porto seguro da escuta.
sobre gostar de estar gostando sem ter medo de gostar de estar gostando.
remexendo no passado e encontrando rimas perdidas.
hoje eu ouvi uma teoria das flores que chegaram que me fez pensar muito. as vezes eu acho que vivo em uma bolha. e ao mesmo tempo que isso me blinda de imaginar ou deduzir maldades e jogos, também me enfraquece pra ler nas entrelinhas do mundo, talvez.
essa teoria jamais passaria pela minha cabeça, e me fez pensar no quanto sou inocente pra tantas coisas. e pq será? tá aí um tópico pra levar pra análise.

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eu me recordo na nossa última conversa que você me questionava quem era a pessoa que me mandava flores e eu não queria dizer e você fechou a cara. você foi pra casa e por e-mail eu te contei em detalhes aquilo que eu sabia que não era mais assunto seu. você exercia em mim esse poder de arrancar coisas que eu não queria compartilhar porque ficava escrava de tentar te manter de bom humor a qualquer custo. realmente, era um relacionamento tóxico mas eu não sabia o quanto.
e no fundo eu já sabia que o encaixe ia ser mais um fator pra fazer o olho brilhar e ao mesmo tempo paralisar.
uma única vez.
- voce gosta de chocolate?
- sim, nao sou muito de doce mas gosto de chocolate e bolo de aniversario.
Aí você me aparece aqui em casa com o almoço pronto (que estava maravilhoso diga-se de passagem - obrigada aos astros e orixás por isso, inclusive) e um pedaço de bolo estilo de aniversario e eu quase nao soube reagir.
fiquei boba, pra variar.
Dai fico mentalmente cantarolando chico buarque para fazer jus a delicadeza do momento.
"não sei porque somente agora você vem
Você vem pra enfeirar minha vida
Diz que será tipo festa sem fim."
dos medos irracionais
faço analise há muitos anos e ainda assim caio em armadilhas de auto sabotagem de forma frequente, e imagino que isso se dá pelo medo, que vem dos traumas, que vem da lembrança da dor e todo esse efeito dominó que alguns corações partidos fazem a gente sentir. todo fim de ciclo é aquela promessa de que nada será como antes e que a Deusa me livre de me apaixonar de novo. Eu escrevo isso rindo porque eu me conheço ao ponto de saber que essas promessas caem em terra no imediato momento que os olhos voltam a brilhar. Mas a questão aqui é o porquê dessa auto sabotagem. Coisa que já me compreendi em analise mas fico em ciclo repetitivo por teimosia, talvez. E aí me pego pensando nos dois tipos de paralisia possivel: a do medo e da paixão. Ambas me atravessam e ambas me paralisam, mas a pergunta é: qual das duas me faz mais completa? A resposta está sempre ai, é so parar para respirar e responder.
como me fazer rir, ainda que no meio do choro e indignada.

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O Sofá Azul
A primeira vez que ela o viu na vitrine, não pensou — sentiu.Era o primeiro sofa caro que teve na vida.
Era um sofá florido, com flores magenta abertas sobre folhas em tons de ferrugem, como se carregasse um outono inteiro em repouso. Havia algo nele que pulsava memória, mesmo antes de existir dentro de casa.
Comprou sem medir.
Sem negociar.
Como quem reconhece um destino.
Na sala rústica e leve, ele encontrou seu lugar entre objetos que também contavam histórias: um telefone antigo vermelho, um quadro de caju, lembranças espalhadas em formas e cores. Logo vieram as crianças, com suas mãos melecadas de massinha,canetinhas coloridas seus risos soltos, seus corpos pequenos que pulavam sem pedir licença.
O sofá acolheu tudo.
As cabaninhas de lençol
As festas barulhentas.
Os primeiros namoros tímidos.
Os ensaios de banda desafinados.
Os jantares que começavam com comida e terminavam em confissão.
Com o tempo, chegaram os pintcher —Teddy,Julieta e Cassia arranhadores profissionais, donos de si. Escolheram o sofá como reino. E ele, generoso, aceitou as marcas.
Mas não foram só garras que o marcaram.
Ali também se deitaram dores.
Dores densas, silenciosas, daquelas que não gritam — apenas permanecem.
O tempo passou, como sempre passa.
E um dia disseram:
— Já deu. Está velho. Precisa ser trocado.
Mas como se troca aquilo que testemunhou uma vida inteira?
Cobriram.
Vestiram-no com um tecido listrado, largo, em tons de cinza escuro, quase chumbo. Não era mais o mesmo — mas ainda era ele.
E assim seguiu.
Viu as crianças crescerem, partirem, deixarem 3 lugares vazios que ninguém mais ocupava do mesmo jeito. Restaram o casal — e Cássia, a pintcher, soberana absoluta daquele território de memórias.
Depois vieram as ausências maiores.
Os sogros
O pai
Um irmão.
Primos.
Amigos.
E, um dia, Cássia também se foi.
A casa ficou mais silenciosa.
O sofá, mais pesado.
Até que — como quem insiste em recomeçar — nasceu o primeiro neto.
E o riso voltou.
Pequeno, desajeitado, novo.
O sofá, já gasto, pareceu ceder um pouco mais sob aquele peso leve. Como se reconhecesse: a vida ainda passava por ali.
— Agora sim, disseram. Está na hora.
Mas não estava.
Nunca estava.
Cobriram de novo.
Dessa vez, em tom palha — resistente, prático, preparado para os novos gatos, para as novas histórias, para as novas marcas.Vieram Fellini e Fridha
Porque já não era mais sobre o sofá.
Era sobre tudo o que não cabia fora dele.
Na última viagem do tempo, o sofá virou azul-jeans, como um arremedo de juventude transviada. Um protesto contra o correr dos dias, uma última memória da família reunida. Vieram mais gatos,Pixinguinha, Dandara e Ozzy,adoradores do sofá azul.
E ele permaneceu — um abraço acolhedor, segurando os que partiram.
Anos depois, quando a casa finalmente foi esvaziada, ninguém discutiu o destino do móvel.
Não havia decisão possível.
O sofá não foi vendido.
Não foi doado.
Não foi descartado.
Foi deixado ali.
No mesmo lugar.
Como se ainda houvesse alguém prestes a se sentar.
Como se o tempo, por respeito, tivesse decidido não tocá-lo mais.
E dizem — entre poeira e silêncio — que, em certas tardes, o tecido ainda afunda levemente.
Como se memórias, discretas, continuassem chegando para descansar, ao inves de partir.
.
mami, você me mandou isso hoje e me tocou num lugar profundo, resgatou memórias e me deixou com os olhos mais que marejados. que sorte ser sua filha e herdar um pouco da sua sensibilidade.
você também me acalma e me bagunça na mesma medida.
me traz a sensação de saber quem você é de antes.
mexe no meu sono.
mexe nos meus medos.
mexe também com meu sorriso.
faz montanha russa parecer pequena.
e eu não consigo decifrar quase nada quando o assunto é você.