Desde o instante em que nossos olhos se encontraram, eu soube que nos tornaríamos algo inevitável. O que eu não sabia era que esse amor viria vestido de caos, e que, tarde demais, eu descobriria o quanto ele seria capaz de me destruir.
Mesmo com medo, eu me entreguei por inteiro. Te dei meu corpo, minha alma, meus silêncios mais profundos. Se tivesse me pedido, eu teria te dado até a própria vida. Confessei meus medos, meus defeitos, minhas partes mais frágeis, e você as beijou como quem segura uma rosa sem se importar com os espinhos.
Mas, com o tempo, o teu amor evaporou como fumaça ao vento. O que antes me aquecia passou a me consumir lentamente, como uma sanguessuga faminta. Você alimentou meus medos, ampliou minhas feridas, transformou inseguranças em cicatrizes abertas.
Você destruiu minha alma aos poucos e, depois, me abandonou como se eu nunca tivesse significado nada. Depois de tantos anos de promessas, de planos construídos entre juras e esperanças, restou apenas o vazio.
E foi uma destruição tão profunda que já não reconhecia meu próprio reflexo. Ainda assim, você deixou sua marca cravada em mim, como uma cicatriz eterna, lembrando cruelmente que nunca me permitiu acreditar que eu poderia existir, amar ou ser amada longe de você.
-DH-










