adam vc entraria na frente de vários paparazzis para salvar sua linda namorada que tá sendo encurralada por eles hein
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queria dizer que vc é meu trafy fav
Trafy de traficante? Ok, valeu.
hopeless tenderness | cobin
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
Robin tentou evitar, mas um sorriso apareceu em seu rosto mesmo assim. A risada de Adam sempre foi capaz de fazer isso com ela e ainda era mesmo agora que ela tinha uma ferida aberta em seu peito. “Deve ser.” Ela não saberia nada sobre o charme da menina, mas seu amigo sabia. “Ele deu uma carona pros dois numa festa.” Riu, balançando sua cabeça e sentiu uma pontada em seu coração ao fazê-lo. “O Cedrico também gosta dele e da namorada dele também.” Até demais, completou mentalmente. Provavelmente se Theo soubesse o quanto Ced gostava da namorada não acharia ele tão legal assim. Mas não seria ela a contar. Seu papel era apenas brincar com a situação do amigo toda vez que podia.
O sorriso de Robin fez o coração de Adam disparar, as pontas de seus dedos formigaram e ele abriu um sorriso também. "Entendi," falou devagar, sem conseguir associar uma carona ao fato de Cedrico ter salvado a vida de Theo, mas não era como se o rapaz fizesse muito sentido com frequência - era algo que Adam gostava nele. Assentiu, dessa vez olhando para o amigo de Robin, notando que ele olhava para o casal dançando. "Acho que eles são bons amigos," deu de ombros, não era muito sua praia. Mas pensava que Theo e Beam pareciam mais felizes na presença de Cedrico e isso era tudo que importava.
Assim como um bilhete que você passa em segredo quando ainda está no colégio, Robin se abria lentamente ali enquanto dançava com Adam. Já estava até sorrindo. “Eles estavam muito bêbados também, pelo que Cedrico falou. Tentaram pedir um uber pela calculadora ou alguma coisa assim.” Completou, sem entender como conseguia manter aquela conversa quem dirá acrescentar mais informações. A verdade é que sentia seu corpo um tanto pesado com todas as emoções que se misturavam em seu peito. Era mais fácil quando Adam era apenas um fantasma que lhe visitava em seus sonhos, mas agora que ele era real e tocava sua pele Robin não conseguia pensar em outra coisa que não ele. “É, acho que sim.” Alguma versão esquisita de amizade, mas quem era Adam e Robin para falar alguma coisa disso?
Era quase como se estivesse voltado no tempo e tudo estivesse normal de novo. Robin estava em seus braços, eles estavam dançando e conversando como velhos amigos. Se piscasse, Adam estaria um pouco mais novo, Robin um pouco mais baixa, e o coração dos dois ainda bateria no mesmo ritmo. "Já ouvi sobre confundir calculadora com alarme, mas uber é a primeira vez..." falou leve, um pequeno sorriso em seu rosto ao imaginar a cena do casal embriagado tentando pedir um uber. A verdade é que Adam desejava poder voltar ao passado, para um momento mais simples, onde Robin ainda era parte de sua vida, mas nem tudo era tão fácil assim.
Quando algo era familiar deveria ser também confortável, certo? Para Robin não tinha nada de confortável em estar tão perto assim de Adam. Desde que ele tinha terminado com ela, Robin sentiu que ficou paralisada no tempo. Tudo seguiu em frente, menos ela. Agora, dançando ao lado dele, parecia ver o tempo passar de novo. Enxergava o tempo ali no rosto dele, mais maduro, até mesmo mais bonito quando sorria. Porém, não era confortável. “Pois é, deve ser um novo nível de bêbado.” Permitiu que o tom leve entre eles continuasse, podia enganar seu coração sofrido assim. “Você bebe?” Não sabia de onde tinha saído aquela vontade repentina de saber mais sobre ele e se arrependeu de perguntar segundos depois de o fazer.
Sabia que estava somente se iludindo, que eventualmente esse momento peculiar entre eles acabaria e então ele precisaria voltar para a realidade. Uma realidade onde ele e Robin não eram mais nada, onde havia dezenas de coisas sobre ela que ele não mais sabia, onde suas mãos não se achavam mais tão facilmente. Mas preferia não pensar no futuro próximo, aproveitaria aquele momento o quanto pudesse, mesmo que conseguisse sentir seu peito apertado e sua garganta seca. "Not really, no," respondeu em um tom de voz baixo. Um copo de cerveja ou outro, especialmente quando Theo oferecia, mas nada mais do que isso, era uma das coisas que gostava de evitar. "Você?"
De uma forma perigosa, Robin aproveitava o contato que estavam tendo. Claro, ainda sentia seu coração bater em sua garganta e a situação não era confortável, mas ela tinha passado anos sem vê-lo, anos sem saber nada sobre Adam, não podia aproveitar seu toque? Não podia matar o desejo dormente de sua pele de ser tocada por ele? De ter a certeza de que Adam poderia ser mais do que um fantasma que assombrava seus sonhos? Robin podia se permitir aproveitar isso pela duração de uma música. “Não muito.” Nem ao menos gostava da sensação do álcool em sua língua, porém estaria mentindo se dissesse não recorrer a ele uma vez ou outra. Podia perceber pelos outros casais que dançavam ao lado que a música estava terminando, o que decepcionou Robin. Mas ela deveria saber, nada bom durava muito em sua vida. “Hm, acho que a mãe do Cedrico parou de olhar pra cá.”
Adam somente assentiu para a resposta de Robin, não sabendo exatamente como deveria prosseguir a partir dali. Entendia que logo mais a música acabaria, eles teriam que se separar e então ele teria que passar um bom tempo cuidando de suas feridas mal cicatrizadas. Dois corações partidos, quatro mãos ensanguentadas e a culpa pesando sobre seus ombros. Para sempre seria assim, certo? Esperava que, ao contrário dele, o coração de Robin já tivesse sarado e saudável após todo esse tempo. Do ponto de visto de Adam, ele já havia aceitado há muito tempo que nunca mais seria a mesma coisa. Seu coração para sempre carregaria cicatrizes e pontos mal fechados. "Ah," murmurou baixo, olhando na direção da mãe do rapaz. Sabia que deveria se afastar, mas sentiu suas mãos quase que involuntariamente apertando a cintura de Robin, como se não quisesse deixá-la ir. Entre uma respiração e outra, Adam encarou o rosto de seu único amor. "Thank you for the dance, Robin," disse baixo, seu tom de voz ao falar o tão doce nome saindo quase como uma adoração.
Talvez fosse cruel dizer que Robin preferia quando não sabia onde Adam estava, o que estava fazendo ou o que havia mudado em sua vida, mas talvez fosse a verdade. Apesar de sentir algumas coisas mornas com a proximidade de seus corpos ali, sentia principalmente que sua dor havia ficado maior. Como um rosto podia ser tão familiar e mesmo assim não lhe contar nada sobre o outro? Robin tentava ser racional - era a maneira que encontrava de não enlouquecer, porém estava muito emotiva. Adam a deixava assim. Se dava conta que se tirasse todo traço de Adam em si, teria que apagar sua própria existência. Bom, era exatamente isso que ela sentia que tinha acontecido nos últimos anos. Robin não conseguia ser, não conseguia existir sem ele. Ao sentir um aperto sobre sua cintura, precisou engolir em seco. Aquilo era uma tortura, ainda bem que a música estava terminando. “Yeah, you too.” Limpou sua garganta para depois estampar um sorriso sem graça. “Good night.” Trouxe seus braços de volta ao lado de seu corpo, sem saber exatamente como tornar aquilo menos constrangedor.
Era engraçado, pensou Adam. Por tantos anos, viveu sua vida longe de Robin, seu corpo funcionando perfeitamente, assim como suas funções motoras; ali, no entanto, naquele instante vazio onde não eram nada - e ao mesmo tempo tudo - um pro outro, Adam sentiu seu corpo inteiro fraquejar, como se estivesse reclamando fisicamente da distância que precisaria manter de Robin ali em diante. "Good night, Robin," respondeu suave, um sorriso pequeno, porém verdadeiro, em seu rosto. Se deixou observá-la por mais alguns momentos, sabendo que passaria muitas notas em claro lembrando exatamente da forma que as luzes iluminavam sua bela face. Sabia que tinha que ser ele a se afastar, afinal era o justo, por mais que todo seu corpo protestasse contra aquela perspectiva. "Thanks again," murmurou por fim, antes de dar alguns passos para trás, permitindo que corpos alheios preenchessem a distância entre ele e Robin.
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
Robin tentou evitar, mas um sorriso apareceu em seu rosto mesmo assim. A risada de Adam sempre foi capaz de fazer isso com ela e ainda era mesmo agora que ela tinha uma ferida aberta em seu peito. “Deve ser.” Ela não saberia nada sobre o charme da menina, mas seu amigo sabia. “Ele deu uma carona pros dois numa festa.” Riu, balançando sua cabeça e sentiu uma pontada em seu coração ao fazê-lo. “O Cedrico também gosta dele e da namorada dele também.” Até demais, completou mentalmente. Provavelmente se Theo soubesse o quanto Ced gostava da namorada não acharia ele tão legal assim. Mas não seria ela a contar. Seu papel era apenas brincar com a situação do amigo toda vez que podia.
O sorriso de Robin fez o coração de Adam disparar, as pontas de seus dedos formigaram e ele abriu um sorriso também. "Entendi," falou devagar, sem conseguir associar uma carona ao fato de Cedrico ter salvado a vida de Theo, mas não era como se o rapaz fizesse muito sentido com frequência - era algo que Adam gostava nele. Assentiu, dessa vez olhando para o amigo de Robin, notando que ele olhava para o casal dançando. "Acho que eles são bons amigos," deu de ombros, não era muito sua praia. Mas pensava que Theo e Beam pareciam mais felizes na presença de Cedrico e isso era tudo que importava.
Assim como um bilhete que você passa em segredo quando ainda está no colégio, Robin se abria lentamente ali enquanto dançava com Adam. Já estava até sorrindo. “Eles estavam muito bêbados também, pelo que Cedrico falou. Tentaram pedir um uber pela calculadora ou alguma coisa assim.” Completou, sem entender como conseguia manter aquela conversa quem dirá acrescentar mais informações. A verdade é que sentia seu corpo um tanto pesado com todas as emoções que se misturavam em seu peito. Era mais fácil quando Adam era apenas um fantasma que lhe visitava em seus sonhos, mas agora que ele era real e tocava sua pele Robin não conseguia pensar em outra coisa que não ele. “É, acho que sim.” Alguma versão esquisita de amizade, mas quem era Adam e Robin para falar alguma coisa disso?
Era quase como se estivesse voltado no tempo e tudo estivesse normal de novo. Robin estava em seus braços, eles estavam dançando e conversando como velhos amigos. Se piscasse, Adam estaria um pouco mais novo, Robin um pouco mais baixa, e o coração dos dois ainda bateria no mesmo ritmo. "Já ouvi sobre confundir calculadora com alarme, mas uber é a primeira vez..." falou leve, um pequeno sorriso em seu rosto ao imaginar a cena do casal embriagado tentando pedir um uber. A verdade é que Adam desejava poder voltar ao passado, para um momento mais simples, onde Robin ainda era parte de sua vida, mas nem tudo era tão fácil assim.
Quando algo era familiar deveria ser também confortável, certo? Para Robin não tinha nada de confortável em estar tão perto assim de Adam. Desde que ele tinha terminado com ela, Robin sentiu que ficou paralisada no tempo. Tudo seguiu em frente, menos ela. Agora, dançando ao lado dele, parecia ver o tempo passar de novo. Enxergava o tempo ali no rosto dele, mais maduro, até mesmo mais bonito quando sorria. Porém, não era confortável. “Pois é, deve ser um novo nível de bêbado.” Permitiu que o tom leve entre eles continuasse, podia enganar seu coração sofrido assim. “Você bebe?” Não sabia de onde tinha saído aquela vontade repentina de saber mais sobre ele e se arrependeu de perguntar segundos depois de o fazer.
Sabia que estava somente se iludindo, que eventualmente esse momento peculiar entre eles acabaria e então ele precisaria voltar para a realidade. Uma realidade onde ele e Robin não eram mais nada, onde havia dezenas de coisas sobre ela que ele não mais sabia, onde suas mãos não se achavam mais tão facilmente. Mas preferia não pensar no futuro próximo, aproveitaria aquele momento o quanto pudesse, mesmo que conseguisse sentir seu peito apertado e sua garganta seca. "Not really, no," respondeu em um tom de voz baixo. Um copo de cerveja ou outro, especialmente quando Theo oferecia, mas nada mais do que isso, era uma das coisas que gostava de evitar. "Você?"
De uma forma perigosa, Robin aproveitava o contato que estavam tendo. Claro, ainda sentia seu coração bater em sua garganta e a situação não era confortável, mas ela tinha passado anos sem vê-lo, anos sem saber nada sobre Adam, não podia aproveitar seu toque? Não podia matar o desejo dormente de sua pele de ser tocada por ele? De ter a certeza de que Adam poderia ser mais do que um fantasma que assombrava seus sonhos? Robin podia se permitir aproveitar isso pela duração de uma música. “Não muito.” Nem ao menos gostava da sensação do álcool em sua língua, porém estaria mentindo se dissesse não recorrer a ele uma vez ou outra. Podia perceber pelos outros casais que dançavam ao lado que a música estava terminando, o que decepcionou Robin. Mas ela deveria saber, nada bom durava muito em sua vida. “Hm, acho que a mãe do Cedrico parou de olhar pra cá.”
Adam somente assentiu para a resposta de Robin, não sabendo exatamente como deveria prosseguir a partir dali. Entendia que logo mais a música acabaria, eles teriam que se separar e então ele teria que passar um bom tempo cuidando de suas feridas mal cicatrizadas. Dois corações partidos, quatro mãos ensanguentadas e a culpa pesando sobre seus ombros. Para sempre seria assim, certo? Esperava que, ao contrário dele, o coração de Robin já tivesse sarado e saudável após todo esse tempo. Do ponto de visto de Adam, ele já havia aceitado há muito tempo que nunca mais seria a mesma coisa. Seu coração para sempre carregaria cicatrizes e pontos mal fechados. "Ah," murmurou baixo, olhando na direção da mãe do rapaz. Sabia que deveria se afastar, mas sentiu suas mãos quase que involuntariamente apertando a cintura de Robin, como se não quisesse deixá-la ir. Entre uma respiração e outra, Adam encarou o rosto de seu único amor. "Thank you for the dance, Robin," disse baixo, seu tom de voz ao falar o tão doce nome saindo quase como uma adoração.
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
Robin tentou evitar, mas um sorriso apareceu em seu rosto mesmo assim. A risada de Adam sempre foi capaz de fazer isso com ela e ainda era mesmo agora que ela tinha uma ferida aberta em seu peito. “Deve ser.” Ela não saberia nada sobre o charme da menina, mas seu amigo sabia. “Ele deu uma carona pros dois numa festa.” Riu, balançando sua cabeça e sentiu uma pontada em seu coração ao fazê-lo. “O Cedrico também gosta dele e da namorada dele também.” Até demais, completou mentalmente. Provavelmente se Theo soubesse o quanto Ced gostava da namorada não acharia ele tão legal assim. Mas não seria ela a contar. Seu papel era apenas brincar com a situação do amigo toda vez que podia.
O sorriso de Robin fez o coração de Adam disparar, as pontas de seus dedos formigaram e ele abriu um sorriso também. "Entendi," falou devagar, sem conseguir associar uma carona ao fato de Cedrico ter salvado a vida de Theo, mas não era como se o rapaz fizesse muito sentido com frequência - era algo que Adam gostava nele. Assentiu, dessa vez olhando para o amigo de Robin, notando que ele olhava para o casal dançando. "Acho que eles são bons amigos," deu de ombros, não era muito sua praia. Mas pensava que Theo e Beam pareciam mais felizes na presença de Cedrico e isso era tudo que importava.
Assim como um bilhete que você passa em segredo quando ainda está no colégio, Robin se abria lentamente ali enquanto dançava com Adam. Já estava até sorrindo. “Eles estavam muito bêbados também, pelo que Cedrico falou. Tentaram pedir um uber pela calculadora ou alguma coisa assim.” Completou, sem entender como conseguia manter aquela conversa quem dirá acrescentar mais informações. A verdade é que sentia seu corpo um tanto pesado com todas as emoções que se misturavam em seu peito. Era mais fácil quando Adam era apenas um fantasma que lhe visitava em seus sonhos, mas agora que ele era real e tocava sua pele Robin não conseguia pensar em outra coisa que não ele. “É, acho que sim.” Alguma versão esquisita de amizade, mas quem era Adam e Robin para falar alguma coisa disso?
Era quase como se estivesse voltado no tempo e tudo estivesse normal de novo. Robin estava em seus braços, eles estavam dançando e conversando como velhos amigos. Se piscasse, Adam estaria um pouco mais novo, Robin um pouco mais baixa, e o coração dos dois ainda bateria no mesmo ritmo. "Já ouvi sobre confundir calculadora com alarme, mas uber é a primeira vez..." falou leve, um pequeno sorriso em seu rosto ao imaginar a cena do casal embriagado tentando pedir um uber. A verdade é que Adam desejava poder voltar ao passado, para um momento mais simples, onde Robin ainda era parte de sua vida, mas nem tudo era tão fácil assim.
Quando algo era familiar deveria ser também confortável, certo? Para Robin não tinha nada de confortável em estar tão perto assim de Adam. Desde que ele tinha terminado com ela, Robin sentiu que ficou paralisada no tempo. Tudo seguiu em frente, menos ela. Agora, dançando ao lado dele, parecia ver o tempo passar de novo. Enxergava o tempo ali no rosto dele, mais maduro, até mesmo mais bonito quando sorria. Porém, não era confortável. “Pois é, deve ser um novo nível de bêbado.” Permitiu que o tom leve entre eles continuasse, podia enganar seu coração sofrido assim. “Você bebe?” Não sabia de onde tinha saído aquela vontade repentina de saber mais sobre ele e se arrependeu de perguntar segundos depois de o fazer.
Sabia que estava somente se iludindo, que eventualmente esse momento peculiar entre eles acabaria e então ele precisaria voltar para a realidade. Uma realidade onde ele e Robin não eram mais nada, onde havia dezenas de coisas sobre ela que ele não mais sabia, onde suas mãos não se achavam mais tão facilmente. Mas preferia não pensar no futuro próximo, aproveitaria aquele momento o quanto pudesse, mesmo que conseguisse sentir seu peito apertado e sua garganta seca. "Not really, no," respondeu em um tom de voz baixo. Um copo de cerveja ou outro, especialmente quando Theo oferecia, mas nada mais do que isso, era uma das coisas que gostava de evitar. "Você?"

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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
Robin tentou evitar, mas um sorriso apareceu em seu rosto mesmo assim. A risada de Adam sempre foi capaz de fazer isso com ela e ainda era mesmo agora que ela tinha uma ferida aberta em seu peito. “Deve ser.” Ela não saberia nada sobre o charme da menina, mas seu amigo sabia. “Ele deu uma carona pros dois numa festa.” Riu, balançando sua cabeça e sentiu uma pontada em seu coração ao fazê-lo. “O Cedrico também gosta dele e da namorada dele também.” Até demais, completou mentalmente. Provavelmente se Theo soubesse o quanto Ced gostava da namorada não acharia ele tão legal assim. Mas não seria ela a contar. Seu papel era apenas brincar com a situação do amigo toda vez que podia.
O sorriso de Robin fez o coração de Adam disparar, as pontas de seus dedos formigaram e ele abriu um sorriso também. "Entendi," falou devagar, sem conseguir associar uma carona ao fato de Cedrico ter salvado a vida de Theo, mas não era como se o rapaz fizesse muito sentido com frequência - era algo que Adam gostava nele. Assentiu, dessa vez olhando para o amigo de Robin, notando que ele olhava para o casal dançando. "Acho que eles são bons amigos," deu de ombros, não era muito sua praia. Mas pensava que Theo e Beam pareciam mais felizes na presença de Cedrico e isso era tudo que importava.
Assim como um bilhete que você passa em segredo quando ainda está no colégio, Robin se abria lentamente ali enquanto dançava com Adam. Já estava até sorrindo. “Eles estavam muito bêbados também, pelo que Cedrico falou. Tentaram pedir um uber pela calculadora ou alguma coisa assim.” Completou, sem entender como conseguia manter aquela conversa quem dirá acrescentar mais informações. A verdade é que sentia seu corpo um tanto pesado com todas as emoções que se misturavam em seu peito. Era mais fácil quando Adam era apenas um fantasma que lhe visitava em seus sonhos, mas agora que ele era real e tocava sua pele Robin não conseguia pensar em outra coisa que não ele. “É, acho que sim.” Alguma versão esquisita de amizade, mas quem era Adam e Robin para falar alguma coisa disso?
Era quase como se estivesse voltado no tempo e tudo estivesse normal de novo. Robin estava em seus braços, eles estavam dançando e conversando como velhos amigos. Se piscasse, Adam estaria um pouco mais novo, Robin um pouco mais baixa, e o coração dos dois ainda bateria no mesmo ritmo. "Já ouvi sobre confundir calculadora com alarme, mas uber é a primeira vez..." falou leve, um pequeno sorriso em seu rosto ao imaginar a cena do casal embriagado tentando pedir um uber. A verdade é que Adam desejava poder voltar ao passado, para um momento mais simples, onde Robin ainda era parte de sua vida, mas nem tudo era tão fácil assim.
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@coopdam
Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
Robin tentou evitar, mas um sorriso apareceu em seu rosto mesmo assim. A risada de Adam sempre foi capaz de fazer isso com ela e ainda era mesmo agora que ela tinha uma ferida aberta em seu peito. “Deve ser.” Ela não saberia nada sobre o charme da menina, mas seu amigo sabia. “Ele deu uma carona pros dois numa festa.” Riu, balançando sua cabeça e sentiu uma pontada em seu coração ao fazê-lo. “O Cedrico também gosta dele e da namorada dele também.” Até demais, completou mentalmente. Provavelmente se Theo soubesse o quanto Ced gostava da namorada não acharia ele tão legal assim. Mas não seria ela a contar. Seu papel era apenas brincar com a situação do amigo toda vez que podia.
O sorriso de Robin fez o coração de Adam disparar, as pontas de seus dedos formigaram e ele abriu um sorriso também. "Entendi," falou devagar, sem conseguir associar uma carona ao fato de Cedrico ter salvado a vida de Theo, mas não era como se o rapaz fizesse muito sentido com frequência - era algo que Adam gostava nele. Assentiu, dessa vez olhando para o amigo de Robin, notando que ele olhava para o casal dançando. "Acho que eles são bons amigos," deu de ombros, não era muito sua praia. Mas pensava que Theo e Beam pareciam mais felizes na presença de Cedrico e isso era tudo que importava.
hopeless tenderness | cobin
@coopdam
Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
Robin se assustou um pouco com a risada de Adam, talvez até tenha o olhado com uma expressão confusa mas não saberia dizer o que exatamente seu rosto fazia naquele momento. Era um pouco perturbador perceber o quão familiar aquele riso era, Robin conseguiria reconhecer o som em qualquer lugar. Voltou a se situar na conversa a tempo de escutar ele falar da namorada de Theo, um sorriso quase travesso formou em seu rosto ao olhar para o casal. “Ela é engraçada mesmo, mas acho que não entendi uma palavra do que ela fala.” Ainda mantinha seus olhos sobre os dois, pensando que Cedrico era mesmo muito doido. “Ele é legal as vezes,” implicava com o amigo com carinho, “não, ele se acha o senhor legal.” Talvez Ced fosse mesmo, o que ela nunca admitiria em voz alta. “Mas é meio besta.” Essa era sua coisa preferida sobre ele.
De novo, Adam riu e pensou que talvez, só talvez, fosse mais fácil fazer aquilo ao lado de Robin. Assim como parecia mais fácil o ar sair de seus pulmões quando ela estava presente. Mas o que ele sabia? "Acho que é o charme dela," respondeu sincero. Não conhecia tanto assim a namorada de Theo, mas pelo pouco que havia visto ela parecia ser exatamente daquele jeito e era esse o motivo que atraia tanto as pessoas para seu lado - inclusive Theo, pensou. "Pelo que Theo fala dele ele parece ser muito legal mesmo. Ele me disse que o Cedrico salvou a vida dele?" Falou confuso. "O Theo exagera às vezes, mas parece gostar bastante do seu amigo." Percebeu, por acaso, o quanto estava falando e de novo se viu perguntando se poderia associar aquele fato com a presença de Robin. Provavelmente sim.
hopeless tenderness | cobin
@coopdam
Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.
Robin conseguia sentir o vento gelado em seus braços, mas não estava nem próxima de sentir frio. As mãos de Adam em sua cintura eram capazes de aquecer todo o seu corpo e faziam isso de tal forma que Robin conseguia sentir tudo dentro de si derreter Odiava aquela sensação, queria mais do que tudo nunca mais sentir o toque dele sobre si, mas também era incapaz de se mover se não no ritmo da música que tocava. “É, ele é… diferente .” Não falava por mal, seu tom era como se estivesse constatando um fato. “Mas parece legal.” Não saberia dizer exatamente o que era “parecer legal”, porém disse o que pareceu certo. Era bom que Adam possuísse amigos, alguém se importava com ele, Robin torcia para que Theo fosse isso já que ela não podia ser (apesar de ainda ser).
Adam riu, o que um chocou um pouco. Mas parecia que estar perto de Robin o fazia voltar a ter todos seus antigos costumes, até seu coração reconhecia a presença dela, como uma sombra que nunca o deixou. "Diferente é um jeito gentil de falar, sim," sorriu um pouco, sentindo-se leve pela primeira vez naquele dia - e em muito tempo, na verdade. "É, ele tem um bom coração. E a namorada dele é muito engraçada..." Olhou para o casal citado, vendo os dois dançando de uma forma desengonçada juntos, sem se importar com o que os outros poderiam pensar - Adam queria poder ser assim. "E o Cedrico?" Perguntou, como se tivesse qualquer conexão com o assunto, mas a verdade é que precisava saber se ele era um bom amigo também, se Robin tinha pessoas em sua vida que se importavam com ela. Por mais que ele se importasse, até demais, não mais fazia parte da vida dela.
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
Era engraçado como sua visão funcionava quando não queria ver algo específico. Desde que tinham começado a dançar, talvez desde que tinha percebido a presença de Adam no sítio, Robin evitava olhar em seu rosto. Porém, mesmo agora que encarava os pais do amigo ainda conseguia vê-lo de relance. Era uma boa metáfora para sua vida, mesmo que não estivesse focada em Adam nos últimos anos, ele sempre estivera ali em algum canto de sua mente. “Desde o início da faculdade. Ele joga futebol.” Aquilo não explicava nada, mas em sua cabeça fez sentido, foi em um jogo que conheceu Cedrico. “Quando você conheceu aquele seu amigo?” Não se lembrava do nome dele, mas estava mesmo curiosa em saber quem era o responsável por deixar Robin e Adam no mesmo lugar novamente.
Por alguns segundos, Adam se permitiu olhar o rosto de Robin. Sentia todos os pontos - mal costurados - de seu coração se abrirem novamente só de olhar para ela. Logo mais o sangue escorrido chegaria em seus pulmões e ele não conseguiria respirar, então a fim de evitar sua morte precoce, desviou o olhar novamente para as árvores. "Ah sim." Não sabia bem como o rapaz jogar futebol se conectava com o que havia perguntado, mas não era como se fosse questionar Robin sobre. Se bem que ainda conseguia lembrar de algumas vezes ter ido com ela assistir jogos de futebol de seu colégio, então na verdade até que fazia sentido. "O Theo? Eu conheci ele por acaso numa festa. Ele é... excêntrico, mas é muito gente boa e me trata como se eu fosse amigo dele. Gosto dele," ainda não tinha certeza se era realmente amigo de Theo, mas não diria isso a Robin.

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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
O pior, Robin ia percebendo, era que ela não o odiava. Não, o que sentia por Adam era uma segunda coisa muito pior: uma ternura sem esperança. Desde que tinha ouvido sobre a tia dele e a situação de sua avó, o coração da menina parecia incapaz de se consertar. Queria ter estado ao lado dele e então se lembrava que o motivo de não estar era ele mesmo. Não tinha esperança. “Eu também não.” Assentiu, agora voltando seu olhar sobre o casal mencionado, que dançava a alguns metros deles. Robin não conseguia se imaginar assim, rodopiando de felicidade em seu próprio casamento. Só aconteceria numa realidade alternativa. “Eles são legais. Os pais do Cedrico.” Não sabia porque tinha falado isso, talvez pela pontada de inveja que sentia ao observá-los.
Ao ouvir as palavras de Robin, Adam deixou que seu olhar caísse sobre o casal mencionado. Percebeu que eles ficavam muito bonitos juntos e exalavam uma paz e serenidade que somente um casal juntos há mais de vinte anos poderia exalar. Seu peito se apertou, pois lembrou o quanto ele e Robin também foram familiares um para o outro há alguns anos, um nunca existia sem o outro. E agora ali estavam eles, a centímetros de distância física, mas com anos e traumas de distância emocional. E era tudo culpa dele. "Eles parecem mesmo. Você conhece o Cedrico há muito tempo?" Perceber que os amigos de Robin já não eram mais seus amigos também causava uma sensação agridoce em Adam.
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
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Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
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Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
Não se lembrava da última vez que tinha dançado. Provavelmente foi com Adam em algum baile do colégio, tal pensamento fez seu coração se apertar. Será que tudo que tivera de bom em sua vida era atrelado a ele? Por quanto tempo isso permaneceria assim? Gostaria que ele tivesse respondido que sim, ela estava pisando em seu pé, assim poderia se desculpar e acabar com aquela cena. Era isso mesmo que ela queria? Ou o toque dele em sua pele fazia Robin ansiar por mais? Eram perguntas que ela não tinha coragem de responder. “Gostei, foi… ótima.” Não sabia ter uma conversa casual com ele. “E você?” O que será que ele tinha achado da cerimônia e todo o discurso de amor eterno? Imaginava que nada daquilo fosse familiar para ele.
Os ombros de Adam estavam tensos e por mais que tentasse respirar de forma controlada, o rapaz sentia que de nada adiantava. A proximidade com Robin deixava todo seu corpo formigando e ele não sabia dizer onde começava e onde terminava. "Sim. Foi muito bonita. Eles, an, são um casal muito bonito," disse devagar, não sabendo exatamente como elaborar uma sentença. "Eu nunca tinha ido em um casamento antes," limpou a garganta "pelo menos não que eu me lembre." Havia sido muito gentil da parte de Theo chamá-lo, até porque Adam nem tinha certeza se o rapaz realmente o considerava como um amigo.
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
Robin podia contar quantas vezes as árvores tinham balançado no último minuto e tentava fazer sua respiração sincronizar com o movimento das folhas. O ar precisava sair e entrar de seus pulmões assim como as folhas se mexiam para lá e para cá, mesmo que isso parecesse impossível agora. Como podia um fantasma ser real e ser capaz de toca-la? A pergunta verdadeira, na verdade, era: como podia alguém tão importante ser um estranho? “Muito bonita.” E era de fato, mas Robin estava feliz que estava chegando ao fim também. Ela não suportaria ficar mais um dia fingindo que não parava de pensar na situação de Adam, no que ele teve que enfrentar nos últimos anos. “Eu tô pisando no seu pé?”
Adam não sabia o que fazer. Por um lado, ele queria puxar Robin para mais perto, encostar a cabeça em seu ombro e aproveitar a sensação confortante que a garota sempre lhe causava. Por outro, Adam tinha vontade de correr dali, o que não seria nenhuma novidade, visto que era uma tendência covarde sua. "Ah, não. Tudo bem," respondeu de imediato, aproveitando a distração para olhar para os seus pés. Não sabia o que estava fazendo, inclusive desde quando sabia dançar? Mas parecia que não precisava fazer muito, seu corpo só seguia aquilo que Robin começou. "Você, hm, gostou da festa?"
hopeless tenderness | cobin
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.
Quantos anos faziam desde que os corpos dos dois estiveram tão próximos assim? E quantos anos faziam desde que Robin começou a desejar que ficassem próximos novamente? Mais do que podia suportar. Ao tocar Adam, parecia que todas suas células se tornavam hipersensíveis, super capazes de reconhecer quem estavam tocando. O responsável por sua espera, por parte de sua dor. Seu corpo estava se mexendo no ritmo na música? Ela não saberia dizer, não escutava nada além de seu coração. Sabia que estivera parada no tempo desde que ele a deixou, mas achou que estava melhor. Agora percebia que estava longe disso.
Adam estava ciente de algumas coisas. A primeira delas era de que seus pés estavam se movendo, o que era bom, afinal ele deveria estar dançando com Robin. A segunda era que suas mãos estavam suando e ele torcia para que a menina não percebesse isso. A terceira era que seu coração batia descompassado, numa arritmia frenética que tudo tinha a ver com a mulher em seus braços. A quarta coisa era que a cerimônia estava realmente bonita, especialmente porque seus olhos não saiam de outro lugar que não a iluminação do local. A última, porém não menos importante, coisa era que a respiração de Robin atingia diretamente seu rosto e ele precisava fazer um esforço enorme para não olhar para ela. Há quanto tempo a música tocava? Não sabia se devia dizer alguma coisa, mas estava começando a se sentir sufocado. Limpou a garganta, ainda olhando para outro lugar. "Bonita a cerimônia..."
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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
Não, não tinha nada ok sobre aquilo. Robin não se sentia ok sobre muitas coisas há muito tempo e aquela era uma delas. “Mhm.” Respondeu em um murmúrio, olhando para as árvores atrás de Adam. Não conseguiria disfarçar a sensação morna que sentiu em sua cintura com o toque dele ali se o encarasse. Sentia os olhos da mãe de Cedrico sobre si, então colocou sua mão no ombro do outro, se xingando mentalmente. Era no mínimo engraçado estar naquela posição, com Adam mais baixo que ela e seu corpo rígido sob o toque dele. “Is this okay?”
Adam engoliu em seco, sentindo sua garganta doer. Quantos anos faziam desde a última vez que havia tocado em Robin? Ele nem conseguia lembrar se havia sido um abraço, um beijo, ou somente um carinho. E embora seu coração apertasse e todos os ossos do seu corpo doessem com o contato, era como voltar pra casa. Robin sempre seria assim. "Yeah," falou em um fio de voz, olhando pra qualquer lugar que não os olhos castanhos. Onde seus dedos tocavam a cintura de Robin ele sentia um formigamento e se estivesse dentro de seus sentidos conseguiria ouvir a música romântica, mas não estava.

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Robin estava perfeitamente estática observando as pessoas que dançavam a sua frente, mas também consciente de que Adam estava ao seu lado, há poucos metros de distância. Tentava fazer o seu melhor em ignorar tudo o que sentia com a proximidade e estava fazendo um trabalho decente até ouvir a voz da mãe de Cedrico dizendo que os dois deveriam dançar também. Teria inventado alguma desculpa se já não estivesse sendo empurrada pela mais velha.
Adam não sabia o que encontraria ali. Pensava que só veria um casamento e aproveitaria da companhia engraçada de Theo. Nunca imaginou que se depararia com Robin, de todas as pessoas, e que acabaria descobrindo coisas que o machucariam. Agora, a pedido da noiva (?), estava há alguns segundos de dançar com quem, um dia, jurou ser o amor de sua vida. "Hm..." limpando a garganta, Adam colocou as mãos na cintura de Robin com cuidado, não sabendo se realmente deveria fazer aquilo. "Is this okay?"
robrown:
Dizer que mesmo depois de tantos anos a dor de Adam ainda conseguia ser sua dor era algo impressionante seria mentir. Ela tinha tentado por anos matar o que sentia por ele, porém só conseguiu transformar seu amor em saudade e tristeza e isso era refletido ali. Aos poucos, assimilava a notícia por completo. A tia dele tinha falecido quando eles ainda estavam na escola, quando ainda estavam juntos. Algo assim definitivamente mudaria alguém o suficiente para que ele deixasse tudo para trás. Robin não se iludiria ao ponto de acreditar que talvez ele havia a deixado somente por esse motivo, isso seria capaz de tirar todas as faixas que havia colocado sobre seu coração machucado e ela não tinha forças para fazê-lo. Mal tinha forças para sustentar seu olhar tão triste sem ceder à vontade que queimava e seu peto de tocar seu rosto e dizer para ele que tudo ficaria bem. Também não podia afirmar isso, não saberia dizer nem se ela mesmo ficaria bem.
Naquele momento, mais do que em qualquer dia desde que haviam se separado, Robin se sentia paralisada no tempo. Olhava o rosto de Adam e conseguia ver claramente porque nunca tinha conseguido seguir em frente de verdade, as pequenas rugas ao redor de seus olhos e o toque de seu braço sob seus dedos gritavam para ela que algo sempre a puxaria em sua direção. Lutando contra isso, colocou sua mão no bolso de sua calça, não queria que ele notasse que seus dedos tremiam. “Tá bom.” Respondeu, distraída. Tinha a tendência de dissociar quando falava de seus problemas e naquele assunto específico principalmente. Não queria parar de tomar os comprimidos, eles a ajudavam e Robin defenderia o quanto precisasse, mas sabia que Adam não desistira. Por fim, decidiu deixar que ele pensasse que ela colaboraria com sua ideia, apesar de não ser verdade. “Se você precisar de ajuda com sua avó ou algo assim… hm, pode me dizer, eu ajudaria.”
Adam assentiu, não sabendo se um dia sequer teria coragem de pedir realmente ajuda pra qualquer um, em especial Robin. “Certo.” Observou ela com cuidado, notando a forma como seus cabelos se enrolavam perto de seu rosto, como seus lábios ainda eram bem desenhados. Mesmo que aparentasse um cansaço antes desconhecido por ele, ela ainda era a mesma Robin. Um pouco mais alta que ele, é claro. Um pouco mais velha também. Mais calejada pela vida e pelos problemas da vida adulta, mas ainda assim. Indiscutivelmente, ela ainda era sua Robin. Não, não sua. Isso ela já não era há muitos anos e talvez, de fato, nunca fosse voltar a ser. Mas seu coração ainda a reconhecia como sendo dona dele, seu corpo ainda reagia como se ela fosse a única em sua vida. As borboletas em seu estômago ainda voavam livremente ao escutar sua voz. De fato, Robin não era mais dele, mas era inegável que Adam seria ainda por um bom tempo - e por que não para sempre? - dela e de mais ninguém.
E talvez fosse egoísta. Talvez Adam não devesse tentar encaixar Robin novamente em sua vida, especialmente com todas as coisas erradas que estava envolvido. Mas estava cansado e a sensação de estar em casa nunca fora tão grande como quando estava com Robin. Então por que não mantê-la em sua vida, mesmo que de longe? A uma distância segura, onde ela não precisaria se envolver em suas bagunças e ele pudesse somente vê-la se tornando a pessoa que ele sabia que ela ainda seria? “Você... você gostaria de vê-la? Minha vó. Ela ficaria feliz de ver você... quando voltarmos e você precisar do remédio, pode ir buscá-lo lá em casa. Você pode dizer não, é claro.”