A casa cheia e o coração vazio.
Com peito apertado e olhos marejados, me pego relembrando o passado, e cobrando o que nĂŁo foi dado. A dĂșvida que nunca se cansa, serĂĄ mesmo que eu nunca fui digna de tal relevĂąncia?
Deixo-me desperceber, e como fumaça o vento me leva, pairando uma imensa nuvem de pensamentos, onde a dĂșvida volta ecoar. SerĂĄ mesmo que nĂŁo mereço ser amada?
Isolo-me e me consolo, faço de mim casulo e meu lar, onde desabrocho lentamente para voltar a me amar. Um processo nada fåcil, mas necessårio de se encarar.
Meu peito sangra e a solidĂŁo me endurece, como se me perdesse na minha prĂłpria existĂȘncia. SerĂĄ que nunca vou me curar? DĂłi, e como dĂłi, uma navalha que estĂĄ sempre a me mutilar. SerĂĄ mesmo que posso ser um lar?
No peito onde jå morou a esperança, hoje não tem muita coisa boa a se contar, fez vazio e cinza tudo que havia por lå. Serå mesmo que posso te amar?
Com um nĂł na garganta me calo, dĂłi muito reprimir tudo com medo do que vĂŁo julgar, logo eu que nunca fui muito de me importar.
Isolo-me outra vez.
E dessa solidĂŁo se fez, meu lar.
Talvez eu não mereça amar.
-Alexia Cerqueira






















