was it obvious to everybody else that i'd fallen for a lie?
you were never on my side . . . fool me once, fool me twice
are you death or paradise? now you'll never see me cry
já era esperado que cédric lucien baptiste devote valentinois viesse para a ilha de treatan, afinal, ele é um príncipe herdeiro vindo de monaco. não que seja elegante perguntar, mas sei que ele já conta com seus vinte e dois anos, e não esconde a fama de instável, mas é sabido que seu lado protetor compensa. se não tivesse sangue azul, eu diria que é um descendente direto de vassili schneider, porque não poderiam ser mais idênticos!
⏳ 𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒 .
cédric foi criado até os sete anos pela sua mãe, visto que seu pai era um general do exército que estava trabalhando em operações no exterior. ele nunca entendeu bem isso, mas também nunca sentiu falta de uma figura paterna, pois seu tio era isso e muito mais.
aos sete anos, sua mãe faleceu o deixando para trás. ele recém estava começando a aprender a usar seus poderes então foi a primeira vez que entrou em uma de suas memórias, mas ele não sabia direito o que fazer e como fazer, então ele ficou só observando seu eu do passado brincando de montar blocos na sala, enquanto sua mãe morria em algum lugar daquela casa.
depois disso, a pressão sobre cédric aumentou mais ainda. era como se, com sete anos, ele tivesse dado mais um passo em direção à vida adulta. os treinamentos se intensificaram e logo ele se viu completamente órfão. seu pai havia morrido e não havia corpo para retornar para monte carlo. ele só deixou de existir e não era nem uma memória para cédric.
sua adolescência foi passada em uma escola para pessoas como ele, a mesma que seu tio e mãe haviam frequentado. os estigmas sobre ele surgiram aí. seu poder era como um vício e assim como todos os vícios, tiravam cédric da realidade. ele entrava em memórias e não voltava mais, ficava em transe em seu quarto e perdia aulas, não ia para festa. revia momentos bons para disfarçar a tristeza e revia momentos ruins para pensar o que poderia ter feito de diferente, mas acima de tudo revia o dia da morte de sua mãe. ele andava pela casa, procurava ela, mas não tinha coragem de chegar perto o suficiente. não nessa época, não até dois anos atrás.
no último ano da escola, as coisas começaram a ficar estranhas. a relação com seu tio piorou e cédric sentia que tinha algo ali, algo na forma como o tio falava sobre a relação dos dois. tudo parecia perfeito demais, tudo parecia… arquitetado. e quando ele finalmente teve coragem de chegar mais perto e olhar no vão da porta, ele viu seu tio enfiando uma adaga no peito de sua mãe. sem pensar duas vezes, a puxando pelo pescoço e atingindo seu peito em cheio. esse fora o milagre da família valentinois. um assassinato.
cédric nunca disse nada. ninguém acreditaria nele e ele acabaria sendo fuzilado. ele sabia que precisava achar uma brecha na sua própria memória, precisava achar uma testemunha, uma prova. qualquer coisa. e por isso, mais do que nunca, cédric até hoje se perde na sua memória. mesmo tendo sendo enviado para o althara, cédric não consegue viver no momento. o príncipe estava faltando em atividades da rotina, alegando problemas de saúde, e às vezes é pego perambulando pelos corredores de madrugada, infringindo regras e piorando a própria imagem.
há alguns meses, cédric começou a fazer um tratamento contra a sua vontade. os médicos alegaram esquizofrenia, mas ele sabe que é completamente são. ele sabe que seu tio desconfia de algo e está tentando dopar ele. mesmo com esse tratamento errôneo, cédric tem ansiedade e depressão e isso sim ele gostaria de tratar, mas infelizmente não pode.
⏳ 𝐄𝐗𝐓𝐑𝐀𝐒 .
jules antoine-louis noghès valentinois (rei de monaco, tio e pai adotivo de cédric; 71 anos).
⏳ 𝐏𝐎𝐖𝐄𝐑 .
imersão memoriográfica. cédric pode reconstruir uma memória própria como um ambiente 3d e imersivo, onde ele pode entrar, caminhar, observar e explorar como se estivesse revivendo a memória num tipo de realidade virtual. ele pode rever detalhes, expressões, observar as coisas de outros ângulos dentro de um perímetro que normalmente varia de 400m até 1km, dependendo do local onde a memória se passa. mesmo podendo ver essa memória dessa maneira, ele não é visto por seu eu do passado e também não pode falar ou mudar algo fisicamente, sendo apenas um observador oculto.
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o natal era certamente uma época estressante. cédric nunca imaginou que fosse passar um natal em circunstâncias tão decadentes. mesmo depois de ter perdido a mãe, os anos que se seguiram foram bons, dentro do possível. quando seu tio ainda tentava fazer o papel de seu pai, era bom. agora, sem ninguém para lhe dar presentes e abraços, cédric falha em encontrar motivos para celebrar. a parte boa de estar naquele lugar era que dentre tantas pessoas com tantos problemas, o monegasco podia ser só mais um. passar despercebido era fácil. nos dias normais cédric era a anormalidade, era quem chamava atenção por sua peculiaridade e língua solta e afiada. ali não. ali ninguém olhava duas vezes para ele. quando alguém finalmente o fez, cédric notou, foi o cozinheiro do palácio que estava ensinando algumas pessoas a decorar cookies. a maioria princesas que estavam ali ou por estarem encantadas pelo cozinheiro, ou porque queriam presentar seus possíveis pretendentes naquela noite. a princípio o loiro havia se aproximado apenas pela curiosidade e pela possibilidade de ingerir um pouco de açúcar. ele tinha um gosto para doces e não poderia negar jamais. talvez tivesse sido isso o que chamou atenção do mais velho, o olhar indeciso de cédric. ele pensava com calma o que deveria dizer que fosse o prevenir de ter que decorar alguma coisa e mesmo assim conseguir comer os cookies. agora era tarde demais. havia sido notado. o monegasco enfiou ambas as mãos nos bolsos do casado de lã batida, indicando o nervosismo de buscar as palavras certas. "eu... eu nunca fiz isso. não sou muito bom com essas coisas." ele não era bom em quase nada, é o que diria se fosse perguntado. cédric não tinha a pior autoestima do mundo, apenas era realista. ele não nasceu para ser bom em cozinhar ou decorar cookies. "o que eu gostaria, na verdade, é alguns do seu sabor favorito."
[ 🎀 ]ㅤ.ㅤwhat is their main love language ? / [ 🧭 ]ㅤ.ㅤwhere would they go if they could disappear tomorrow ? / [ 🧩 ]ㅤ.ㅤwhat’s a truth about themselves they refuse to admit ?
🎀gift giving. cédric tem dinheiro de sobra, então para ele o ato de gastar com alguém é parte do cotidiano, mas que representa diretamente o ato de pensar em alguém. ele gosta de presentear quem ele ama com coisas com significado e não apenas caras. mas caras também.
🧭 ele sempre quis sumir, não importa para onde. poderia se teletransportar para uma caverna no meio do nada e se sentiria feliz.
🧩 que ele não poderia ter feito nada para impedir a morte da mãe e que ele foi irresponsável demais a ponto de se viciar no próprio poder.
ᘛ featuring : @cedricversion
ᘛ scenary : onde for melhor
❛ cedric? ❜ o timbre denota uma surpresa que toca o cenho feminino ao notá-lo ali no canto, mas há também suavidade. uma que pertence apenas a ele e seus irmãos mais novos. e talvez seja um tanto indevida, visto que, como primeiro na linha de sucessão de seu próprio trono, o monegasco está hierarquicamente acima dela. só que, ainda assim, é difícil para carissa ignorar aquele instinto que surge ao vê-lo mal, que a puxa em sua direção e a compele a correr os dedos pelas mechas de cabelo umidas pelo suor. ❛ o que aconteceu? você não parece bem. ❜
"carissa..." cédric não era de nomes completos, mas com ela parecia certo. ele entendia com certa dificuldade a relação dos dois. ele não tinha muitas pessoas próximas que se importassem com ele daquela maneira. era sempre de um jeito mútuo de amigos, mas com ela era um pouco a mais. diferença de idade e título não pareciam importar para ele, pois ele tão frequentemente se via tão pequeno perto dela. independente de altura, também. ele sentiu seu corpo tremer com um calafrio, aceitando o toque dela de bom grado. "acho que estou tendo um efeito colateral do meu remédio, mas não sei dizer com certeza. isso é péssimo, não é? eu deveria saber." ele correu as mãos pelo rosto, para cima e para baixo algumas vezes, tentando acordar de um transe. era assim que ele se sentia. "que dia é hoje? da semana?" isso era um pouco mais comum, a confusão mental que se instalava às vezes.
o som de uma enfermaria era característico e cédric odiava. mesmo dentro de um palácio como aquele, a enfermaria conseguia transmitir aquela mesma sensação fantasmagórica de um hospital. ele estava cansado daquilo tudo e normalmente conseguia evitar o local, afinal de contas ele tinha vindo para a althara com seus próprios médicos e não precisava estar ali. nunca. esse era o ponto de toda a preparação da família valentinois. não precisar dos outros. claro que isso iria acabar mais cedo ou mais tarde, pois cédric quase morreu. bem, ele não iria morrer de verdade com tantos profissionais na sua volta, mas ele fez uma bela cena. depois de tanto ter suas veias acessadas, nas mãos, nos braços, de todos os ângulos possíveis, o médico acabou optando por fazer um acesso central em cédric. tudo para a melhor administração de remédios, é claro, mas o monegasco simplesmente não poderia aceitar. ter um acesso periférico já era assustador demais, um central acendia todas as luzes de alerta na sua cabeça. ele não pensou duas vezes antes de arrancar o acesso no pescoço, causando uma dor em si mesmo e raiva nos médicos que o acompanhavam. foi tudo muito rápido, mas como punição os médicos "precisaram" testar todas as suas veias novamente. era uma punição simples, uma provocação e nada mais, mas agora ele estava sentado do lado de fora da enfermaria com as mãos e braços manchados de machucados que se espalhavam. era vergonhoso, um lembrete do quão fraco ele era. uma de suas mãos tremia enquanto ele passava uma compressa pelos machucados, tentando acalmar a pele onde múltiplos furos tinham sido feitos. se fossem apenas os furos, não estaria tão machucado. eles enfiaram e contorceram todas as agulahs que podiam, "procurando" a veia correta. e é claro que klaus o achou. mesmo gostando da amizade dos dois e da cumplicidade que mantinham, cédric não queria falar sobre isso. falar sobre isso seria assumir suas falhas. a voz dele era tão calma quanto podia ser e ainda assim não foi o suficiente para cédric se abrir. "eu não minto para você, klaus. não é... não é sobre mentir. a verdade está na sua frente: estou machucado. o resto é resto." ainda não olhava para ele, suas mãos agora mais calmas, porém ainda tentando limpar as manchas de sangue com a compressa embebida em antisséptico.
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laurent havia jurado para si mesmo que não deixaria mais nenhuma página de fofoca ditar o rumo dos seus dias. aquela ressaca maldita já tinha se dissipado, mas o gosto amargo da humilhação ainda insistia em voltar sempre que alguém mencionava o evento. tudo isso fervia em sua cabeça, mas ele mantinha o semblante sereno, como fora instruído. a regra era clara: não reagir, não ceder, não pronunciar-se sem supervisão. como se tivesse voltado a ser a porra de um adolescente. engolir a própria dignidade em nome da imagem. e foi justamente essa sensação de estar enjaulado que o fez aceitar aquela sugestão absurda de praticar ioga. no início, deitado sobre o tapete, achou aquilo uma perda de tempo. inspirar, expirar, esvaziar a mente. hm… não era tão ruim. estava quase convencido que a ioga realmente funcionava, até que um ruído dissonante o distraiu. murmúrios, risadinhas abafadas e olhares que não sabiam ser discretos. ele não precisava ouvir todas as palavras para compreender que era o alvo. abriu apenas um olho, desconfiado. reconheceu as suspeitas e bufou, levantando-se em um só movimento. caminhou devagar na direção da pessoa, com o queixo erguido. escolheu o confronto porque o silêncio não lhe era conveniente. ‘ o que foi, putain? ’ murmurou, deixando o francês deslizar carregado de desprezo. ‘ você não tem o que fazer? fait chier! ’
cédric gostava de se exercitar e ioga era uma das poucas coisas de seu agrado ultimamente. ao longo da sua curta, mas tempestuosa vida, o monegasco aprendeu a apreciar o simples ato de conseguir realizar coisas. ultimamente ele estava privado disso, mas a althara não era de todo ruim quando ele podia dedicar um pedaço de sua tarde para esticar seus poucos músculos no pátio com outras pessoas tão pouco adeptas que faziam ele parecer um guru. mesmo enferrujado, ele ainda lembrava das coisas que fazia quando ainda podia. ele estava genuinamente em seu próprio mundo, pois quando um laurent lefevre furioso começou a reclamar em francês bem perto de si, cédric não pode conter sua expressão de surpresa. ele observou a cena por um segundo, antes de revirar os olhos e se dirigir ao príncipe. "sérieux, mec! t’es pas habitué aux vannes?" seu tom era de desdém e desgosto, seu rosto contorcido. apoiou seu corpo com as mãos, sua cabeça tombando para o lado como se estudasse laurent. "não estrague a ioga dos outros. não escutou o que a instrutora falou? respiração profunda e contemplação. se algumas pessoas não conseguem controlar as línguas isso é problema delas." olhou de soslaio para as mulheres que estavam fofocando sobre o outro. entendia, até certo ponto. o monegasco também odiava quando as pessoas falavam dele, mas daí tentar partir para cima das pessoas por isso? isso já era demais para ele.
𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊 o canto de sua boca se ergueu, mas seus olhos se estreitaram de forma quase preguiçosa, decidindo acompanhar o amigo na brincadeira. ‘ em outra ocasião, quem sabe, eu possa te confessar tudo o que se passa nessa mente… perturbada. só espero que seja recíproco. ’ era uma mentira confortável. ele sabia que não havia momento algum em que realmente colocaria para fora os monstros que carregava. mas deixava-se enganar pela ideia de que poderia. talvez fosse menos doloroso imaginar que um dia seria capaz. quando cédric revelou seu “pecado”, klaus inclinou a cabeça, abrindo um sorriso que dessa vez veio mais solto e genuíno. ‘ terrível mesmo. pelo menos sabemos que seu pecado capital não é a gula. eu, se tivesse que apostar, diria… avareza. ’ seu tom era provocativo enquanto fingia avaliar o monegasco. ao ouvir o comentário sobre seus ditados, apenas ergueu os ombros, sem se defender. em durmoren, esse tipo de comportamento era natural. eles preferiam se esconder atrás de metáforas e frases de efeito, como se o enigma fosse mais confiável do que a verdade. então, devagar, ergueu o indicador e tocou o próprio peito. ‘ eu... malandro? que bom que enganei mais um, então. ’ inclinou-se de leve na poltrona, como se compartilhasse com cédric seu grande mecanismo de defesa. talvez realmente fosse. ‘ o segredo não é ser malandro, é fingir que é. isso basta para evitar que te façam de otário. ’ os olhos, pesados e atentos, se fixaram em cédric por tempo suficiente para causar um pequeno incômodo. ‘ eu não posso me dar o luxo de perder um amigo como você. ’ não tinha nada de grandioso naquela fala, mas havia verdade. o vukovic não colecionava amigos. cédric, no entanto, permanecia. talvez porque aceitasse seu silêncio, ou porque não parecia querer nada além do que niklaus já conseguia oferecer. não havia réplica para a fala seguinte. ele compreendia o raciocínio, mas para si mesmo o raciocínio era outro. estímulos o incomodavam. gostava de se anestesiar, de reduzir o mundo até o ponto em que o teto bastava para preenchê-lo. ‘ que bom que consegue encontrar conforto na simplicidade. ’
ᶠˡᵃˢʰᵇᵃᶜᵏ ✽ "comigo as coisas sempre são recíprocas." sorriu de maneira carinhosa. era bom ter alguém que o entendia e cédric jamais julgaria o outro. bem, talvez julgasse um pouco, pois mesmo embaixo de todas as camadas de cicatrizes, ele ainda era ele, mas o ponto era que julgamento ou não, cédric não poderia apontar o dedo para klaus. ele não podia apontar o dedo para quase ninguém nesse mundo, para falar a verdade. "eu guardarei isso como uma promessa. irei cobrar a confissão." fez um gesto na gola da camisa, como se fosse um padre ajeitando a roupa. não sabia se o outro entenderia, mas, ao mesmo tempo, não poderia falar em voz alta qualquer deboche contra a religião. não que ele fosse ateu, apenas… disposto a fazer piada com tudo. "eu comi duas barras de chocolate no meu quarto. isso conta como gula ou avareza? eu não queria dividir com ninguém. eu acho que é um pouco de ambos…" deu de ombros, rindo. ele precisava engordar, mas seu corpo não andava permitindo isso. então de que adianta ele fazer sala para aquelas pessoas? fingiu uma febre e ficou trancafiado, remediado e comendo chocolate. se perguntava se klaus tinha saídas tão fáceis como as dele para situações assim. de certa forma, cédric tinha sorte em alguns dias. "de resto eu não sou muito de avareza. eu adoro gastar dinheiro. isso é uma maneira de você me convencer a te comprar um presente caro? o que você quer? um audemars piguet? um iate? uma quadra de tênis privada com o seu nome?" apesar do tom de brincadeira, era a mais pura verdade. cédric sempre soube gastar. por mais que fosse uma pessoa mentalmente humilde, - e isso apenas devido ao fato de ter crescido entre bilionários, então não existia outra realidade para ele humilhar - o príncipe monegasco estava nesse exato momento usando um modelo do relógio citado. era naturalidade para ele. "eu estava só brincando, eu sei que no fundo você é só um grande otário." inclinou-se de volta, dando uma batidinha com a sua testa no ombro dele como quem tenta tranquilizar. voltou para a sua posição inicial com um olhar curioso no rosto. "e quando dois fingidores se encontram, quem engana quem?" porque por mais cru que fosse com klaus e com as pessoas com que se importava, cédric ainda tentava parecer forte e… 'malandro'. levava a vida dessa maneira despreocupada, pois achava que não tinha direitos. não direito a isso ou aquilo, direitos. "você não vai me perder, klaus." franziu o cenho, quase que bravo com aquela fala. cédric era leal, acima de tudo. jamais deixaria um amigo para trás. eles sofrem juntos, mas um dia teriam paz juntos. ele acreditava nisso. de uma maneira ou de outra, isso era. "se eu morrer eu prometo que vou te assombrar. eu vou ser um fantasma divertido!" girou seu pulso, com o cigarro entre seus dedos. mas ele sabia que pessoas como ele e klaus não tinham medo de morrer, tinham medo de algo pior do que a morte. "e você, na sua." a imagem era clara: klaus dentro de um quarto e cédric fora. em alguma fresta da porta fechada, eles achavam uma amizade.
❝Talvez eu tenha bebido um pouquinho... Ou me distraído mais do que deveria, não vou negar.❞ Confidenciou em meio a uma risadinha baixa, leve rubor se fazendo presente na face da Petrova. Por alguns segundos ponderou se deveria ou não entregar a flor, até compreender que ele já sabia a resposta e com isso ela sorriu mais aliviada e deixou a flor nas mãos dele. Ainda que, não evitasse de brincar mais um pouco. ❝Apenas cuidado, não sei se estou em condições de te guiar até o suposto amor da sua vida por uma noite se for uma das minhas flores!❞
✽ “acho que foi uma noite em que todos nós fizemos isso.” a tranquilizou com sinceridade. não era necessário ela pensar demais nos próprios poderes. ninguém ali estava fazendo isso e existiam pessoas com poderes bem mais perigosos do que os dela. poderes que botavam medo até em cédric. ela tinha um poder encantador que poderia gerar confusões, sim, mas encantador de qualquer jeito. cédric puxou a flor para perto do seu rosto quando ela cedeu, um sorriso brincalhão em seus lábios. “acho que estou com um frio na barriga. sintoma precoce?” perguntou, enquanto levava a flor para perto do nariz. era um aroma doce e forte, pungente. cédric deixou ser tomado por ele, enquanto pensava no que dizer. ele abriu os olhos, que não percebeu ter fechado, e constatou com a voz mais séria que poderia conjurar: “eu estou me sentindo leve... definitivamente mais propenso a achar o amor da minha vida hoje. diria que estou sentindo os efeitos?”
a companhia de cédric era um bálsamo em sua rotina , então era bom passar um tempo daquela noite insuportável ao lado de alguém que realmente gostava . niklaus franziu o nariz com a pergunta do outro , fazendo um esforço para parecer pensativo , embora sua mente já estivesse navegando por águas escuras e confusas , aquelas mesmas que insistiam em puxá-lo para baixo a cada dia . ‘ claro , sou um homem de muitos pecados . mas prefiro confessá-los em um confessionário , não para uma lareira . ’ respondeu com sarcasmo , sua voz baixa e cadenciada . embora não fosse uma mentira ... o vukovic carregava muitos pecados para um corpo tão frágil . o comentário seguinte de cédric foi como se ele tivesse lido a sua mente . ‘ todo dia saí um malandro e um otário de casa . ’ murmurou , o olhar deslizando pelo salão , indicando as figuras dispersas na sala como se aquela fosse a opinião irrefutável da noite . quando cédric ofereceu o cigarro , niklaus não hesitou em aceitar . tragou profundamente , sentindo a fumaça preencher seus pulmões , como se fosse um breve anestésico para a inquietação que o consumia por dentro . ao expirar lentamente , encarou o amigo com um sorriso no canto dos lábios . ‘ você me conhece tão bem . ’ estava falando sobre o cigarro , claro . talvez ninguém o conhecesse tão bem assim . ‘ isso requer muita energia . ’ niklaus pendeu a cabeça para o lado , franzindo o nariz . ‘ prefiro ficar deitado encarando o teto . muito mais produtivo . ’ na maioria das vezes , ele precisava se obrigar a dormir para silenciar os ecos da própria voz . devolveu o cigarro para o amigo depois de mais uma tragada . ‘ já viu algo interessante durante essas madrugadas ? ’
✽ cédric mantinha suas mãos ocupadas brincando com um dos botões de sua camisa, observando klaus com o canto do olhar. sabia que o outro não estava num estado de saúde mental tão perfeito quanto o adequado, mas ele também não estava. cédric tinha seus próprios fantasmas e era por isso que gostava da amizade do outro. ali, mesmo em meio àquela festa, ele não precisava fingir estar bem. podia ser sincero e talvez isso fosse o suficiente para lhe trazer felicidade momentânea. “você não estaria confessando para a lareira, estaria confessando para mim… seu querido amigo.” brincou. sabia o porquê de klaus não falar nada naquele momento. eles estavam sendo tão observados que não podiam falar livremente. “quer saber meu último pecado?” sussurrou, com um sorriso no rosto. “eu pulei o almoço. terrível, não é?” arqueou uma sobrancelha, como quem pondera algo. acabou caindo na risada logo em seguida. para alguém com uma vida daquelas, cédric tinha um riso fácil. tentava, mesmo que falhando na maioria das vezes, levar a vida de maneira calma e leve. rir da desgraça própria. “você e seus ditados…” cédric não estava criticando, porque ele vivia dizendo coisas tão dignas quanto. “eu sinto que todos os dias o otário sou eu. eu preciso começar a ser o malandro. assim, tipo você…” provocou, indicando com o queixo para o amigo fumando todo jogado na poltrona. a imagem descrita de um malandro, mesmo que o monegasco soubesse que não é bem assim. “se eu não soubesse nem quando você precisa de um cigarro, acho que iria perder meu papel como seu amigo.” cédric cruzou as pernas, levando os pés para perto da chama. de repente, se perguntou porque o fogo ainda não tinha dito nada. aquele fogo escutava a conversa das pessoas? e pensava no que dizer? ou era apenas como um baralho de cartas aleatórias? qualquer que fosse, estava quieta. “se ficar deitado, você sabe o que acontece. caminhar mantém meu cérebro… atento ao mundo real. mesmo com o menor dos estímulos.” era uma benção, pensando na pele dos seus pés cheio de bolhas, conseguir ficar só deitado encarando o teto. tinha certeza que niklaus passava pelos seus próprios problemas ao encarar o teto, mas não existia competição de sofrimento entre os dois. só existia sofrimento. “já vi algumas. pessoas pensando na vida, conheci alguns vermelhos legais, animais perdidos… mas na grande maioria das vezes gosto de olhar para o céu. observar os pássaros que ainda estão acordados voando ao redor do castelo. o som das árvores, o ritmo delas. são coisas que eu não consigo reproduzir com o meu celular.” nenhum daqueles vídeos de sons noturnos ajudavam. não eram reais, não faziam sentido. além disso, cédric estava perdendo o direito ao seu celular na maioria das noites. ficava sem opção. cédric puxou seu cigarro das mãos de klaus, para poder tragar de novo.
Caliban deixou que o silêncio se estendesse por um instante, observando o rapaz com aquele olhar que mais parecia pesar e medir as palavras antes de soltá-las. Um canto do lábio ergueu-se, quase imperceptível. ❝Vinte e dois, então... Idade de achar que já se viu o suficiente, mas ainda longe de ter encarado os piores fantasmas.❞ Girou levemente a taça nas mãos, deixando o vinho tingir o cristal de rubro, como se o movimento fosse mais interessante que o próprio assunto. ❝Não é que me perca nas memórias, Cedric... É que algumas se recusam a me soltar. São como paredes que se fecham em volta, mesmo quando jura que está no mundo aberto.❞ Ao ouvir o palpite sobre sua idade, soltou um riso curto, seco. ❝Quarenta? Que bondade a sua. Alguns dias me sinto com sessenta, outros, com vinte, embora raramente pelos motivos certos. Inclinou-se ligeiramente para frente, como quem devolve a provocação. ❝E não sei se sombrio é a palavra correta. Prefiro dizer... Calejado. A sombra é só a cicatriz visível de onde a luz já não entra.❞ Por fim, ergueu a taça num brinde contido, os olhos fixos nos dele. ❝Talvez um dia você descubra que certas perguntas só encontram resposta quando já é tarde demais. Até lá... Aproveite seus vinte e dois. Eles passam antes que perceba.❞
✽ “santos, você realmente fala como um velho!” tinha em seu rosto a expressão de maior desgosto, por mais que não estivesse realmente bravo com algo. era quase uma peculiaridade. uma condescendência a qual o atraía, da maneira mais básica possível. era como conversar com um livro empoeirado. “eu não acho que já vi o suficiente, se minha opinião ainda vale de algo na sua análise. na verdade, acho que a vida tem coisas piores para me mostrar… mas eu não posso falar em voz alta o que a vida já me trouxe. para que você, detentor de toda a sabedoria possa julgar o que é demais ou não. não posso falar porque morreria por isso. cortariam a minha língua e me jogariam no mar. então não me importo o que acha. você parece ser o tipo de pessoa que acha que sabe de tudo por ter quarenta anos, mas um velho de oitenta olha para você e vê o mesmo que você quando olha para mim. então talvez ao invés de se achar o dono da verdade, talvez tente ser um pouco mais humilde. eu não quero competir com você sobre quem sabe mais ou viveu mais.” pessoas com mentalidade de que sabem de tudo não eram do gosto de cédric. ele podia ter vinte e dois anos, mas sua vida era uma merda e o que ele deveria fazer sobre isso? comemorar que tinha mais merda no seu caminho conforme ele for ficando mais velho? ele queria mais era se jogar de uma das torres daquele palácio… mas essa era outra coisa que seu psiquiatra disse não ser produtiva. “isso me soa como problema psicológico, se a minha história com eles é indicação de algo. talvez uns antidepressivos ajudem.” seu tom era ríspido, agora que ele já tinha perdido a paciência, mas suas palavras eram verdadeiras. se o outro sofria tanto assim pelo passado, talvez estivesse na hora de procurar ajuda. o que entretinha a mente de cédric era a dúvida se o outro era mente aberta com essas coisas ou se seguiria na sua mentalidade enferrujada de até então. o monegasco precisava beber. ele procurou na mesa por outra taça de qualquer coisa e achou uma de vinho tinto, virando num gole só. “motivos certos?” ele engasgou um pouco com a bebida, precisando de um segundo ou dois. “quem sabe você não é o problema e não o julgamento das pessoas, huh? sessenta por essa personalidade empoeirada ou vinte pelo rostinho bonitinho, não é? bom, eu chutei nos quarenta e acho que cheguei mais perto.” sessenta era um exagero sem tamanho. sessenta era claramente um chute na personalidade dele, não no rosto. e cédric era, sim, até certo nível, fútil. ele cresceu num país como monaco, ser bonito, esteticamente agradável, era parte do trabalho. cédric passou a adolescência inteira saindo em capas de revista, se expondo como príncipe e como um grande partido. a maior ofensa que alguém poderia dar para ele seria falar do seu rosto. maluco? sim. inconsequente? sim. sem pudor? principalmente. ele não ligava. “não seja pedante.” cédric revirou os olhos, ainda se recuperando do vinho que acabou de ingerir. “nem condescendente. de novo.” avisou, incrédulo. era como falar com um oráculo preso num sótão. frases de efeitos milenares e sabedoria duvidosa. “não tente me ensinar sobre a passagem do tempo. não apenas é prepotente, como também é cruel, senhor… eu não achei que fosse chegar aos vinte e dois, então não tenho motivos para achar que vivi pouco.”
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Esse é um starter para @cedricversion no jardim das luminárias
Estava buscando aproveitar o baile da melhor forma que conseguia, claro, tinha de manter alguma compostura já que apareceria na TV, não poderia manchar a reputação de sua família. Porém, a pobre Perpétua também acabava por se perder em seus pensamentos muito rápido, o suficiente para que considerasse que não seria tão ruim assim se ela bebesse um gole da fonte do pecado. Talvez fosse a curiosidade ou talvez quisesse saber como era ser magicamente afetada em suas ações, o mais próximo que tinha do efeito que seu dom causava nas pessoas. Em suma, estava verdadeiramente animada e com isso acenou freneticamente quando avistou Cedric. ❝Hey! Aqui! Vem ver essa flor que eu achei!❞ Chamou empolgada, apenas quando ele se aproximou mostrou a flor rosada que tinha em mãos. ❝Não é linda? Na verdade, não sei se achei ela aqui ou se eu mesma criei... Acho que é melhor você não cheirar ela então... Mas é uma pena por que ela tem um ótimo cheiro! Na verdade, me lembra meu perfume eu acho, mas ele é floral então faz sentido.❞
✽ o jardim das luminárias agradou profundamente cédric, principalmente a mesa no centro, onde uma variedade imensa de comida estava disposta. entre conversas e situações levemente desconfortáveis, o monegasco se aproveitou das frutas e bebidas para se distrair. a decoração estava belíssima também, o que chamou sua atenção. tinham belas flores, dignas de buquês. ele estava distraído se permitindo mexer em algumas delas, mortas já, quando escutou alguém lhe chamar. perpétua estava segurando uma flor curiosamente parecida com uma que ele tinha acabado de ver num arranjo, mas ele escolheu manter aquela informação para si mesmo ao escutar a confusão em sua voz. “você não tem certeza?” não existia acusação em sua voz, apenas curiosidade. ele caminhou até ela, observando como era, sim, uma bela flor. “é uma flor realmente linda... aposto que deve ter um aroma muito bom... acho que só tem uma maneira de descobrir se é uma flor sua ou não, não é?” ele estendeu a mão e tocou levemente na dela, esperando que ela solte a flor. o monegasco sorriu, dando uma piscada rápida para perpétua, como quem diz: 'entre na brincadeira, eu já sei a resposta'. conseguiria ela ler a sinceridade no seu coração, ou seus poderes englobariam apenas sentimento de amor? cédric não a conhecia bem e não sabia dizer, mas esperava que a resposta fosse sim.
niklaus estava afundado em uma das poltronas como quem havia esquecido o próprio corpo ali . a sala era quente demais . sentia os olhos arderem com o calor e a iluminação alaranjada não colaborava com sua percepção já falha . não tinha intenção de participar do jogo , estava ali por pura necessidade fisiológica . ficar de pé o tempo todo começava a se tornar ... exaustivo . ele recostou a cabeça por um instante , apenas o suficiente para não parecer desfalecido . então , quando percebeu cédric passando perto , não chamou seu nome , apenas ergueu uma das mãos e segurou o tecido da camisa dele , puxando-o com uma força moderada para chamar a sua atenção . ‘ finalmente . senta aqui . ’ deu espaço na poltrona ao lado , batendo duas vezes com os dedos na almofada como quem chama um gato arisco . ‘ você quer se confessar , cédric ? ’ havia um brilho febril nos olhos de niklaus , mas ele tentava mantê-lo sob controle . era difícil , porém . ultimamente sua cabeça parecia uma sala com muitas portas abertas ao mesmo tempo . precisava da presença das poucas pessoas que podia considerar amigo . cédric era um deles . ‘ não vejo a hora de deitar na minha cama . ’
✽ noite estranha, era o que era. cédric tinha começado muito bem, mas depois de certas situações desconfortáveis, até ele acabou devidamente cansado. por mais que não estivesse especialmente frio, ele sentiu seu corpo tremendo. o tecido que cobria sua pele era fino, uma mistura de cetim e chiffon que pouco fazia além de ser mais extravagante que o gosto de cédric. depois de um encontro desagradável com aquela lareira, tudo que ele queria fazer era ficar longe, porém... ainda era fogo. mágico ou não, fogo. resolveu se aproximar um pouco e apenas escutar as conversas quando sentiu seu corpo sendo levemente puxado. ele sorriu ao ver que era klaus. aceitou o convite para sentar, aliviado por ter uma companhia. quase fez menção de sentar na mesma cadeira que klaus, mas não quis criar uma cena. a amizade dos dois era boa, mesmo que ambos tivessem fantasmas que os assombrassem. “eu não tenho nada para confessar. você é o contrário, imagino?” provocou, encolhendo seu corpo em cima da poltrona. buscou em seu bolso o seu maço de cigarros amigo, acendendo um. “essa lareira é pior do que inteligencia artificial. só diz coisas poéticas e sem sentido. confesse seus pecados para mim, prometo comentários mais agradáveis.” nesse exato momento saltou uma faísca de dentro da lareira, como um aviso. cédric olhou para klaus, como quem diz: 'tá vendo?'. o monegasco tragou seu cigarro profundamente, deixando a cabeça pender para trás. era disso que ele precisava, assim como klaus. “toma, você parece precisar tanto quanto eu.” estendeu a mão magra para o outro, com o cigarro entre os dedos. “fume e logo você vai estar deitado.” não tinha colocado nada no cigarro além do tabaco, mas fumar ajudava a passar o tempo. cédric não compartilhava da mesma vontade de ir para cama. ele nunca queria ir para a cama. memórias demais, sono de menos. “e eu, perambulando pelo palácio.”
poderia dizer que não se envolve nos problemas alheios, mas isso seria uma bela mentira. o negócio de aleksei é justamente saber o que acontece —— não como fofoca, mas como algo bem mais útil. discreto. ainda assim, os olhos carregam mais humor do que real curiosidade enquanto observa o modo teatral com que o duque, que falava com o príncipe monagesco, se afasta da conversa. ❛ amigo seu? ❜
✽ cédric começava a ponderar se tinha um ímã para pessoas estranhas. tudo bem que ele não era a pessoa mais normal daquele lugar, verdade seja dita, mas até para ele existiam limites. quando o duque se afastou, ele soltou um alto suspiro que não sabia estar segurando. a pergunta veio como um alívio, pois o monegasco estava completamente disposto a se expor. “pelos santos, não! dá para acreditar que aquele senhor estava dando em cima de mim? ele já teve... sei lá, umas dez esposas! e agora quer logo eu?” o desgosto na voz de cédric estava claro. e ele nem se importava de falar aquilo em voz alta, que as câmeras o pegassem em cheio! seria um prazer. “confesso que gosto de pessoas mais velhas, mas ele não é mais velho! ele é só... velho.” o loiro concluiu, virando sua taça de champagne. “eu estava esperando ser salvo por alguém, mas acho que às vezes nós precisamos nos impor sozinhos.”
Apesar da aura quase misteriosa, Sofiya dificilmente era vista evitando jornalistas e suas perguntas comprometedoras. Afinal, o que tinha a temer se possuía chances infinitas para encontrar a resposta perfeita? Uma leve hesitação que era desfeita, o desgosto apagado de seu semblante apesar do questionamento patético. Entrevistas eram simples em um contexto como aquele. E a reação do povo era demasiado positiva para ser ignorada. Fora esse o pensamento em sua mente ao acomodar-se em frente à lareira, ciente dos rumores a respeito de quão afiada a lareira poderia ser. "Uma combinação interessante." Murmurou a figura inanimada, a atenção sobre os herdeiros. "Duas coroas tão distintas, porém, igualmente manchadas pela tragédia. Com herdeiros extremamente apegados ao passado... O que fariam se pudessem mudar algo que ocorreu? Apenas um detalhe. Qual seria ele?"
✽ cédric soltou um grunhido, quase como um cachorro chutado. era uma reclamação silenciosa, pois ele com certeza não estava preparado para escutar aquilo. esperou que a lareira fosse ser algo mais voltado para fofocas ou coisas que pudessem incriminar os herdeiros, afinal, aquelas coisas só eram feitas para criar mais burburinho em relação ao althara. sempre era. mas aquela pergunta... aquilo era mais profundo. cédric olhou para a outra herdeira, observou o seu rosto e julgou ser mais justo que ele respondesse primeiro. “é algo impossível de escolher. pelo menos para mim... todas as coisas que eu mudaria, são imutáveis. as coisas que gostaria de ter feito... eu era jovem demais para fazer.” gostaria de ter salvado sua mãe, mas isso era impossível. sua mãe estava sozinha no mundo e ele era jovem demais. quem sabe seu pai merecesse morrer, quem sabe isso fosse algo atingível, mas não podia dizer isso em voz alta. não quando o mundo interio podia ver. “eu sou o príncipe dos arrependimentos. acho que não deveria entreter tais pensamentos.” concluiu, agora buscando a imagem da outra. o que ela falaria?
Não era apenas distante, como também era calado boa parte das vezes, não costumava falar quando não havia necessidade ou na presença de quem era bem quisto por si. Contudo, era quase impossível não deixar vazar a visão valdumbriana de ser, especialmente quando bailes, de qualquer tipo, o lembravam de Elena e com isso o luto parcial vinha a tona, junto das lembranças desgostosas envolvendo a família. Sequer tinha percebido que havia falado em voz alta até ter sua atenção chamada pelo mais jovem, os olhos se voltando para o garoto enquanto a expressão seguia taciturna. ❝Apenas lembranças, creio eu... Nem todo baile possui um bom desfecho, contudo, é de se esperar que um voltado a caridade acabe melhor.❞ Também recordava do acontecido após a noite do circo, aquele fiasco horrendo que havia se desenrolado, detestava o ódio que pareciam ter pela união entre vermelhos e azuis. Acreditava que o amor transcendia qualquer coisa, especialmente, o sangue e os dogmas da igreja da magia. Porém, isso tinha de permanecer pra ele e não escapar para fora, não frente as câmeras, valdumbrianos sabiam ser discretos majoritariamente. ❝Costuma fazer comentários mais sombrios? Seria errado perguntar o que lhe martirizou em sua vida? Presumindo sua juventude, só pode ter sido algo devastador.❞
✽ lembranças... bem, disso cédric entendia. só de pensar no conceito geral de lembranças e suas memórias, ele já se encontrava em um estado de vontade. vontade de entrar em uma memória. naquela memória específica ou então em uma memória boa, algo que fosse positivo em meio ao caos de sua mente. seu vício era evidente. “não é bom se perder em memórias. acredite, eu sei melhor do que ninguém.” às vezes, até, ele literalmente se perdia em memória. ia parar em lugares que não conhecia tanto e se enfiava em lugares onde não conseguia dar a volta para o início. era desesperador. ele gostaria de saber como era se perder em memórias apenas da maneira figurada. “senhor, eu tenho vinte e dois anos, não dez.” cédric sorriu. não se importava em ser tratado como criança, era curioso e engraçado acima de tudo. “acho que as coisas que me tornaram quem eu sou pouco tem a ver com a minha idade. as coisas comigo pularam questões de idade.” ele não era indiscreto, mas agora olhava para o homem com mais atenção. belo, com certeza, e de mais idade. chutaria uns trinta, talvez menos, mas semicerrou seus olhos. “e o senhor teria... quarenta? não chega a ser o dobro da minha idade, então não se sinta tão velho, mas... com uma idade mais avançada, o que lhe tornou tão sombrio?” era uma brincadeira com a fala do outro, levando ao outro oposto.
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ㅤ⠀⠀˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀⩨͢ㅤ⠀ᶜ͟ˡ͟ᵒ͟ˢ͟ᵉ͟ᵈ⠀𝚂𝚃𝙰𝚁𝚃𝙴𝚁ㅤ⠀ꗃㅤ⠀@cedricversion ˢ̲ᵃ̲ᶦ̲ᵈ : ㅤ⠀❛ you're a terrible flirt you know . ❜
kitty tinha acabado de devolver a taça ao garçom com um sorriso agradecido e um comentário qualquer — algo sobre o vinho estar bom o suficiente para fazer uma garota reconsiderar um casamento — quando ouviu a voz de cédric atrás dela . ela ergueu uma sobrancelha com a acusação dele e respondeu com aquele sorriso meio maroto . ela não estava flertando com ele . só estava sendo ela mesma — na medida do possível , considerando que star não era tão atrevida quanto ela . ‘ com o garçom ? ’ ergueu as sobrancelhas , fingindo estar ofendida . ‘ para a sua informação , eu não flerto com quem carrega bandejas pra lá e pra cá . ’ assim que terminou de falar , seu olhar caiu para a mão esquerda — o anel cintilando no dedo . então , de repente , ela arregalou os olhos , como se tivesse esquecido algo óbvio . ‘ ah , claro . eu devia ter começado por aqui , não é ? ’ falou com um sorriso divertido , porém sincero . ‘ eu estou noiva , o que significa que não flerto com ninguém que não seja o meu noivo . ’ deu um sorriso mais largo , esperando que aquele deslize passasse despercebido pelas câmeras . ‘ mas já que você é tão espertinho , me diz , então ... o que teria feito diferente ? ’
✽ “isso soou tão esnobe, que poderia facilmente ter saído da minha boca.” não havia crítica em sua voz, mas algo mais parecido com um leve toque de orgulho. era uma brincadeira, claro. cédric não se orgulhava de ser inegavelmente esnobe, mas ele tentava não ser. “deve ser tão entediante...” fingiu uma tristeza em sua voz, como se noivar fosse a pior coisa que poderia acontecer em sua vida. na verdade, ele queria já estar do outro lado dessa jornada, com uma aliança firmada. “mas deve ser muito bom já ter encontrado a sua... como dizemos? alma-gêmea.” ele era um pouco cético para essas coisas, mas como quer que fosse, cédric queria poder ter alguém. “principalmente a parte de não ter que se preocupar mais com flertes... eu sinceramente não sou o melhor nesse ramo.” ele tinha seus motivos, qualquer um podia ver, mas até que ponto isso era causado pelos seus problemas e o que era causado pela sua falta de esforço? era difícil dizer. “eu não teria feito nada diferente. eu não flerto com garçons, também.” era uma mentira. uma inocente, mas de toda maneira, mentira. “mas eu não tenho um noivado, então talvez devesse. vai que é um azul disfarçado, igual nos filmes.”