Sempre Ă© alguĂ©m, mas nunca sou eu. JĂĄ cansei de contar quantas vezes eu fui dormir esperando uma mensagem, que parecia ser implorada, e ela nunca chegou. Sabe que sensação Ă© essa? A de que muitas vezes a nossa existĂȘncia nĂŁo tenha um motivo, um propĂłsito ou importĂąncia. E acredito que seja justamente por isso, que a maioria se perca e acredite viver melhor em um mundo onde a justificativa Ă© evitĂĄvel.
Eu jĂĄ entendi, que a tristeza Ă© algo que me acompanha e eu aprendi a acolher ela, a nĂŁo deixar que ela me devaste tanto, a cada onda que me encontra. Abracei a tragĂ©dia que Ă© viver sem expectativas, mas sempre dou uma rissda quando penso nisso, porque parece ser inacreditĂĄvel, mas olha bem para mim, a minha experiĂȘncia aqui Ă© realmente surpreendente.
Existe realmente uma luz no final do tĂșnel, que nos mostra que tudo vai dar certo? Devemos ter esperança? Ă errado desistir? Mas desistir de que? De ser renegado, sobrecarregado, abandonado? Ă errado se cansar de esperar algo melhor? Ă errado se sentir frustrado por nĂŁo ter vivido nem metade do que as pessoas prĂłximas jĂĄ vivenciaram? Acredito que tambĂ©m seja errado nĂŁo ser escolhido para ser amado, Ă© como se durante toda a existĂȘncia, dia apĂłs dia, vocĂȘ perca um pedaço seu e com ele, se torne menos visĂvel. AĂ vocĂȘ entende que vocĂȘ "ainda estĂĄ aqui", mas vocĂȘ nĂŁo pertence a esse lugar.
Ă tĂŁo humilhante viver dessa forma, com esses questionamentos, que me pergunto se Ă© necessĂĄria essa continuidade, nĂŁo Ă© possĂvel que um ser humano exista apenas para servir de sustentação para os outros. Ă como se eu fosse uma ponte, e servisse apenas de passagem para as pessoas atravessarem, e isso me machuca, mas eu nĂŁo demonstro, afinal quem iria me ajudar? Na verdade quem perceberia que eu jĂĄ nĂŁo estou bem hĂĄ anos, e que talvez eu nem seja mais o mesmo. Talvez eu de fato nunca tenha sido nada, por isso passo tĂŁo desapercebido.
Queria finalizar de uma forma brilhante, mas nĂŁo existe beleza na dor, nĂŁo existe salvação para quem jĂĄ desistiu. Me despeço com um conselho, aprenda a se sensibilizar com a dor do outro, note os olhares, se importe o suficiente em perder alguns minutos com alguĂ©m que esteja precisando, talvez seja a Ășltima oportunidade dessa pessoa se sentir notada.
- Brener e seus clichĂȘs.