Finalmente estava solto o verdadeiro Kaa, que vinha se segurando dentro da falsa carcaça simpática a muitos meses, desde sua ultima tortura na caloura da Lufa-Lufa. Pobrezinha. A mesma pediu transferência depois de 3 meses de aula. A verdade é que o rapaz não tinha necessidade ou vontade de ter um limite, muito menos desejo de provar para alguém que poderia ser mal, como a maioria dos “vilões” daquela escola, que se diziam terríveis malfeitores, tão terríveis que andavam em grupinho e faziam bullying com as pessoas. Honestamente, Kaa só queria ver o mundo explodir e faria qualquer coisa para isso. Desde o instante que botara o olho sobre Cathy, sabia que a menina provavelmente era do tipo durona que não se abalaria tão fácil, o que só servia para animar mais o rapaz, mas talvez a verdade fosse que ele estilo rígido dela trazia uma certa atração pelo rapaz, pois era consideravelmente raro pessoas do estilo “foda-se” no castelo mas que também não fossem filhos de vilões mal amados. Soltou um sorriso ao fim da frase da menina, contente com a firmeza dela. “Claro, claro. Você tem toda a razão. Então vamos só conversar o que acha?” questionou o rapaz rindo e andando ao redor da menina, com a varinha dela na mão. “Sabe, sua varinha não parece muito maleável, então vamos fazer um acordo, enquanto você falar, ela permanece inteira, quando você se tornar entediante…” não completou a frase, apenas torcendo um pouco o objeto da menina, mostrando o que estava disposto a fazer. “Bom, vamos começar falando de você Cathy, querida.” apontou para ela com sua varinha. “De onde você vem mesmo? Tudo que sei de você é que é uma viciada de primeira linha, aliás, isso me lembra outra pergunta… onde consegue tantos “materiais”?” perguntou fazendo aspas no ar com seus dedos.
Conversar? Que tal se eu lhe desse um chute no meio de saco, isso seria muito mais divertido. A petulância do rapaz começava a irritá-la profundamente, mas ela estava certa de que aquele era exatamente o seu objetivo, e ela não iria dar a ele o gostinho da satisfação em conquistar seu objetivo. Pillard manteria a sua calma o quanto fosse necessário até conseguisse se soltar e acabar com a raça de Kaa. Maldita curiosidade que agora a fizera ficar presa naquela árvore e com uma companhia tão desagradável. Mas, bem, se ele sabia o que fazer com algemas, Catherine sabia muito bem como manusear objetos muito mais perigosos. Uma onda de cólera subiu por sua espinha quando o rapaz ameaçara quebrar sua varinha. Quem ele pensava que era para achar que poderia trata-la daquela maneira? Ele claramente não sabia com quem estava mexendo. A garota então respirou fundo e esforçou-se para manter-se calma. “Quando eu me tornar entediante?! Quem foi que mentiu pra você e disse que eu sou seu bobo da corte? Que eu tenho o dever de te manter entretido?” Ela fingia estar confusa, e sua voz era carregada de sarcasmo e desgosto. “Eu vim do útero da minha mãe, assim como você veio do da sua, ou você veio diretamente do inferno pra cá? Não tenho certeza. E não que seja de seu interesse, mas meu pai trabalha como boticário então eu tenho acesso a qualquer tipo de ingrediente e substância.” Respondeu-o com certo desinteresse, enquanto o encarava. Se ele acreditava que ela tinha uma história de vida excitante e animada, teria uma surpresa um tanto desagradável. “Inclusive substâncias altamente venenosas.” Disse, com um sorriso malicioso estampando seus lábios enquanto ela o encarava com uma de suas sobrancelhas erguidas. O garoto tinha que estar ciente de que todos os atos têm suas consequências e reações. Catherine não era a pessoa mais agradável e simpática do mundo, mas também estava longe de ser uma pseudo-vilã ou assassina, contudo, “E posso lhe perguntar o motivo por trás desse súbito falso interesse na minha vida?” A morena agora se recostou na árvore de maneira despreocupada enquanto o encarava profundamente.









