⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀podia sentir os batimentos ecoando pelo corredor, competindo com a sola dos sapatos de couro, enquanto marchava rumo aos elevadores. A cena tinha ficado tatuada em sua retina, junto com todas as outras que assombravam sua memória. Precisava de outro lugar para ir, precisava desviar-se da multidão em choque, ele era um carreirista afinal, um que tinha vencido de forma violenta - igual a todos os outros antes dele -, não deveria se incomodar com a cena e, ainda assim, se incomodava. A mão tremula o denunciava, precisava de algo que confortasse a alma e acalmasse o corpo, talvez um gole ou outro, ajudaria a esquecer e pegar no sono. Era um bom plano. Entre os conflitos internos e a briga para tirar da retina aquilo que não saia de sua mente, o corpo chocou-se ao de um terceiro. ━━ Você não olha por onde anda? ━━ questionou, como se não fosse ele o culpado por aquela colisão, as mãos batendo a própria roupa, limpando a poeira invisível e mantendo o teatro de ser intocável, que vivia em pedestal. ━━ Não vai durar um segundo nesse lugar se não souber sair do caminho. ━━ bufou.