de mil pra um de um pra mil entre tantos, agora você é só mais um você não brilha, não mais em verdade, agora você não existe mais. como estrela cadente passou, brilhou, apagou.
Camylle Caldas
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te digo, branquinho às quatro da manhã não há dor que cesse não há ferida que cicatrize não há flor nos espinhos não há nada além do que tá errado te digo e repito, branquinho vai doer, além disso vai sangrar e vai arder e a sensação será de eternidade mas eu te digo mais, branquinho às seis da manhã a escuridão se esvai a vida surge, novamente coexistem lua e sol céu e terra preto e branco quando você deixar esse quarto, branquinho além da dor que você conhece bem você verá os pássaros, as plantas o ar, a terra a gelada com os amigos a caminhada no pôr-do-sol verá que existe um mundo lá fora, afterall.
Camylle Caldas
se eu tiver que ir na noite desaparecer dos teus olhos sumir de ti, me esconder se eu tiver que ir tuas fotos apagar suas roupas não mais vestir ver sozinha o luar se eu tiver que ir resistir a tua atração teu toque abstrair recusar toda a emoção mas se eu tiver que ir e o meu cheiro permanecer meu endereço não mudar teu sangue esfriar mas pulsar para queimar se você não esquecer meus bilhetes não perder meus lábios querer beijar e não mais nunca mais querer parar se eu tiver que ir e o seu coração doer
me permita ficar.
Camylle Caldas
eu odeio seu sono eterno eu odeio que você não poderia dar a mínima eu odeio seu jeito "moderno" eu odeio quando você mente eu odeio quando você esconde eu odeio que você não possa sequer dar uma chance eu odeio que eu nem consigo rimar porque eu estou tão cheia de ódio agora que os meus olhos não conseguem mais flutuar como barcos no meu mar prestes a transbordar eu odeio quando você é rude quando se comporta como um ser oco e torna seus sentimentos num museu de mágoas antigas se jogue no que lhe é novo mergulhe no mar eu sei que você sabe que pode nadar eu gosto quando você tenta gosto quando se liberta amaria te ver arriscar mas você não se permite, meu amor lembre-se da revolução francesa do poder do risco e da tentativa esqueça da autodefesa me dê a mão e lute junto a mim tenho certeza que, se você me permitir meu bem, transformo sua amargura em sobremesa.
Camylle Caldas

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Subitamente, os gritos, que mais pareciam flechas disparadas contra mim, cessam. Sinto a madeira procurar seu alvo no meu interior, perfurando lentamente o meu pulmão - compremetendo minha respiração -, atijindo o seu alvo: meu coração. Procuro por ar, mas meu nariz já não parece exercer tão bem sua função. Recorro para a minha boca, que se encontra trêmula, e posso notar falta de saliva, não consigo respirar. Meus olhos se encontram em tempestade, minhas mãos em terremoto, minha cabeça um vulcão entrando em erupção. Toda cor que eu conhecia até então, me parece nunca ter existido, não as enxergo mais. Não consigo respirar. O sentimento de culpa me abraça, e eu me familiarizo à esse abraço. Quando pude enxergar, vi que envolvido a mim estava um monstro. O mesmo monstro que me machucou, me atirou flechas, me fez sangrar, fez com que eu me tornasse um conjunto de fenômenos climáticos que provocam desastres. Me olhei no espelho e o monstro não estava mais lá, eu estava só. E esse era o meu maior pesadelo. O monstro tinha cabelos ruivos e olhos familiares, uma outra versão de mim. Tornei-me minha própria e maior inimiga. Sou sol e chuva. Sou fogo e água. Sou terra e mar. Me faço sangrar e me curo. Grito de raiva e de calmaria. Todo esse entorpercimento no meu corpo, eu conheço bem. Toda essa aflição e agonia, eu conheço bem. Enquanto tento voltar à minha sobriedade, me assusto com a destruição que vou encontrando em meu corpo, todas as cicatrizes, todas as mortes e ferimentos, todo o pânico instaurado. Não foi a primeira vez - e bem sei que não será a última. Todavia, sempre parecerá a primeira. Os médicos e remédios podem tentar, mas nunca vão desvendar o segredo pra salvar o meu mundo do meu pior fenômeno climático: minha cabeça.
Camylle Caldas
Carta n°1 para o meu cérebro
Sei o que tu demandas. Vivencio tuas guerrilhas. Sei do devastador barulho e da podridão do silêncio. Ouço os angustiantes ruídos dos ratos em teu quarto, sinto a calmaria do nadar dos peixes em teu aquário. Teus gritos e tentativas de autosabotagem te destroem, e a cada um degrau, tu desces dois. Me é estranha tua inércia ao ouvir os relatos de tentativas de assassinato que tu sofreste. Posso assistir-te gritar, mas nada ouço. Tento acalmar-te, mas contigo choro. Faço questão de me comunicar, e mesmo assistindo-te gritar, minha voz é a única que eu ouço. Aos poucos, sua imagem tornou-se gradativamente dispersa no ar e tudo que vejo é o meu reflexo no espelho na sala, no mesmo lugar em que você estava.
Após um certo tempo, pude notar; eu é quem sou seu assassino. Teu barulho e teu silêncio, sou eu. Tua calmaria e tua angústia, sou eu. Quem te sabotou, fui eu. Teu fantasma no espelho da minha sala, sou eu. Assim como uma moeda, somos duas faces de um mesmo objeto. Você, sou eu.
Quando ando pelas ruas amedrontada, não é piada; Quando falam algo impróprio e me sinto culpada, não é piada; Quando o desejo sexual masculino se torna mais relevante que o respeito pelo meu corpo, não é piada; Quando dizem que eu deveria lavar louça, caso contrário, homem nenhum vai me querer, não é piada; Quando eu tenho medo de me vestir do jeito que me sentir mais confortável porque pode ser tornar algo perigoso, tenho meu direito de ir e vir dilacerado, não é piada; Sou mulher, não sou piada. Somos mulheres, não somos máquinas de perfeição, lazer e prazer. Somos mulheres, também falhamos e nos cansamos. Somos mãe, filha, irmã, tia, sobrinha, às vezes, até somos pai. Não somos um objeto qualquer, também sentimos. Sou mulher, luto como mulher, jogo futebol como mulher, sou forte como mulher. Não sou piada.
Camylle Caldas
Eu sei, meu amor, que as coisas não têm ido tão bem. As ruas estão lotadas e não para de chover. Eu reconheço, meu bem, que o gelo sob qual estamos caminhando para encontrar a fonte do arco-íris tá fininho, bem fininho. Mas, preste atenção: o que mais poderíamos esperar dessa fusão? Eu, composta de tempestades intermináveis e fogo de chama eterna, enquanto você, se mostra a constante leveza e tranquilidade do ar que respiramos às 4h00 da matina. A vida apareceu pra nós e quer nos levar para diferentes estradas. Todavia, sabemos que opostos se atraem; não precisamos de estradas distintas, nós somos a estrada, somos o perigo. Me acalma com tua tranquilidade que eu te aqueço com a minha chama. Me segura firme que eu te hipnotizo com a minha dança. Ainda chove lá fora e as pessoas continuam indo e vindo, afim de fazer mais barulho que os trovões. Aqui dentro, não há de chover mais. Para toda fusão, haverá uma solidificação.
Camylle Caldas

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let me kiss your neck kiss your chest kiss you all underneath allow me to feel the warm keep me safe and sound between your arms let me feel you licking my legs and what's in between let me feel you inside me now you're driving me insane can't help but moaning while you say my name i can feel your body in and above mine introducing me to a new thing believe when i say you're the love of my life because swimming in the deep ocean cant get me wet as you do and travelling to the sun cant warm me the way you do i love you
todo dia com você parece o primeiro dia da minha vida
a voz do teu hardrock completa as minhas músicas indie e eu não sei como nem porquê os números da sua exatidão se encaixam completamente nas letras da minha poesia
Ele fizera com que tudo fosse sensualmente doloroso. Suas mãos percorriam o meu corpo, como seus sapatos marcavam cada nota alta da canção. Ele atuara como guia turístico no meu próprio corpo, e o guiava como um argentino em seu traje de dança. Com seus tons vibrantes de vermelho natural, seus braços prendiam os meus em uma mistura ardente com meu vermelho. Ele realmente dominara a arte de dançar um pensamento triste. Seu jogo de sapateado desenhava tatuagens sob minha pele, que nunca mais tornara a ser a mesma; esta foi abduzida e seduzida pelo tom de tango daquela voz. Como um fantoche, dancei a sua solidão. Submeti-me à tua vastidão. Mas, sei agora que de nada valera meus saltos altos, se teus sapatos já não sabem mais dançar. Despi-me e prometi-me ser tua, e tu preferistes o silêncio. No te preocupes, mi amor, el dolor que tu causó se ha ido. Prefiro ignorar o teu silêncio, tocando meu violino.
Camylle Caldas
Senti minha pele arder como consequência da infiltração da luz solar invadindo minha superfície, que é apenas mais uma que o sol perfura com vigor, mais uma alma invadida entre bilhões e tantas que transitam em uma estrada rumo ao nada. Há rumores e relatos afirmando que esse percurso é totalmente habitado por almas existentes (e não viventes), almas que se situam em algum espaço vácuo localizado entre a lucidez e a insanidade. As pessoas viventes em seus mundos [particulares] dizem que estas almas-andarilhas-existentes-da-estrada são poucas por não saberem pr'onde ir, e vasculharem os sete cantos do mundo como se fosse o quintal de uma casa onde tenham morado durante toda sua infância; Já os andarilhos dizem que os lúcidos é que são totalmente insanos, por saberem pr'onde ir. Os loucos faziam de ponto de encontro as encruzilhadas encontradas nas estradas e estavam sempre embriagados, acompanhados de poesia e música, juntamente com o cheiro de tabaco que infiltrava no ar à medida que a luz apagava e a lua cantarolava. Eles eram nada. Nós éramos nada. Nós somos nada. Não passamos de almas andarilhas que habitam os cantos das salas. Nós seremos nada, mas à parte disso, temos em nós todos os sonhos e lugares do mundo.
Highway, de Camylle Caldas
Nunca tive uma alma centrada, e acho graça ao ver Maria retratar a alma humana de forma flutuante e livre, quando a maior parte das nossas preocupações e questionamentos, nela se instalam. Atreveria dizer que dispomos de uma alma hidrográfica. E quão atmosféricos seriam então, os nossos olhos? Estes que tudo vêem, tudo sabem, tudo mudam. Estes que medem a altitude do nosso oceano. Estes que chovem, trovejam e relampejam. Estes que brilham ao nascer do sol. Estes que, sobretudo, ficam entre o céu e a terra. Cérebro e coração. Encontro em mim a falta de um coração inteiro, não que este tenha sido sepultado; é apenas migalha de um pão, uma vez pertencente a um único e grande pedaço, atraente por olhos de muitos; agora se tornou uma partícula a parte, repartida aos quatro cantos do mundo. E por fim, toda vida em meu corpo humano, se encontre em todos eles.
Camylle Caldas

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rua, lua, noite. carros, sinais, buzinas. jeans rasgado, agasalho, lucky strike. pós-trabalho, cansaço, sorriso disfarçado. apartamento, prozac, sepultamento. manhã, sol, rua. lucky strike, café, bom dia, seu zé. mais um dia entre 365, em que acordei depois que morri.
Camylle Caldas
Caótico. Tudo ao meu redor se torna cada vez menos lógico. O barulho da chuva me faz sorrir e o raio de sol me faz sangrar, mas, tenho sentido as gotas d'água misturarem-se as lágrimas do me pranto. Meu senhor, quem dera ter a sabedoria que a vida lhe deu, entender o que se passa por aqui, ainda estou tentando entender meu arché. Sinto-me como fogo ardendo em chamas, em eterna mudança; não sou agora o que fui a três minutos atrás, tampouco serei amanhã, a mesma que fui agora. O tempo tem escorrido cada vez mais rápido, despercebido como o ar que preenche meus pulmões e esfria a floresta, que logo evapora-se e torna-se chuva, junto ao meu pranto, a hidratar a terra. Seria até metódico, talvez até utópico, se os erros do instinto humano não fossem tão infalíveis, chegando a serem até insubstituíveis e desprezíveis.
Camylle Caldas