O gelo como estado interno
Sinto que dentro de mim mora todo esse mundo de gelo "em formação" que é Inverno (A mão esquerda da escuridão), e que em mim habitam "sementes ao vento daquele mundo sem flores". Nem tudo nasce, nem tudo germina. Morar em mim é morar em Inverno. Pois a vida é imensa e em sua imensidão tudo existe. Pedregulhos, montanhas, Montes, desfiladeiros e vulcões. O duro com o pulsante coexistindo. E o frio também existe, um frio infértil.
"Nessa cidade infértil e fria, ainda me lembro do primeiro floco de neve e como ele brilhava enquanto caia, eu me lembro de tudo muito bem"
Cena sublime que carrega seus diferentes nomes. Há tempos mais invernais que outros, e o inferno tão parecido com inverno, é imaginado como quente. Ainda não sei bem dizer as diferenças e semelhanças do frio e do calor. Há dias de frio gostoso que o cinza acolhe, e há aqueles que doem os ossos e sangram as rachaduras. A temperatura é corporal e molda todo um estado de coisas.
A frieza protege. Como determinadas decisões tomadas friamente para que se possa seguir. Ou uma pessoa fria, seja pelas condições ou por sua natureza, onde não vemos qualquer toque de um outro ali.
A arte e as palavras me mostram camadas de neve e terra, ou água que existem e mudam toda uma pesquisa sobre o olhar. Pois a vida com sua voracidade indizivel e delicada pede sempre que eu encontre novos corrimões para escorregar minhas mãos por novos sentidos e temperaturas.
Ainda há e sempre haverá novas formas de dizer das coisas. E certos dizeres para serem criados e encontrados demandam uma longa viagem.
"uma rosa vermelha nasceu em um solo congelado, sem ninguém por perto para tweetar" taylor swift, nem tudo é compartilhável. Nos silêncios e solidões trabalhos e escaladas inteiras ocorrem, a rosa é sorte, é o milagre sem garantias de acreditar no frio pelas manhãs (Ursula).
- Palavras dos outros que costuro com as minhas.










