04:48 â 28 de junho. sete meses depois, o universo ainda escreve o seu nome em mim; em algum lugar, nossa histĂłria continua.
o destino deve estar nos olhando agora,
com aquele silĂȘncio de quem fez de tudo.
como quem diz:
"eu coloquei vocĂȘs no mesmo caminho,
fiz o tempo conspirar,
cruzei os passos mais de uma vez.
e, ainda assim,
vocĂȘs escolheram se perder."
o destino deve estar nos olhando,
decepcionado.
hoje, faz sete meses que eu conheci o Caio,
veio dos meus sonhos como eu tanto pedi.
hoje, faz sete meses em que eu te amo, Caio.
lembro exatamente de quando tudo começou.
vocĂȘ me ganhou sem fazer esforço.
foi acontecendo aos poucos,
como se o destino jĂĄ tivesse decidido antes da gente.
eu estava sozinha.
vocĂȘ tambĂ©m.
e, entre uma conversa e outra,
um riso despretensioso,
um "até amanhã" que sempre virava mais uma hora de ligação,
a gente aconteceu.
de repente, jĂĄ fazia parte da rotina procurar vocĂȘ em tudo.
o amor tem dessas crueldades silenciosas.
um gosto aqui.
um costume ali.
uma mĂșsica.
um filme.
letterbox.
e foi tĂŁo fĂĄcil imaginar um futuro.
a gente fazia planos como quem acredita que o tempo nĂŁo muda as pessoas.
falava sobre nĂłs como se o verbo "ficar" fosse pequeno demais
para tudo o que jĂĄ existia ali.
por um instante,
eu realmente achei que a nossa história só estava começando.
e entĂŁo, sem aviso,
alguma coisa mudou.
nĂŁo foi de uma vez.
foi aos poucos,
como tudo aquilo que machuca de verdade.
vieram as dĂșvidas,
os silĂȘncios que nunca existiram entre nĂłs.
uma tempestade feita de coisas que nem eram nossas,
mas que, de algum jeito,
conseguiram nos alcançar.
o que parecia eterno começou a escapar pelos nossos dedos.
e, até hoje,
eu nĂŁo sei dizer em que momento deixamos de ser "nĂłs".
talvez tenha sido em uma conversa que nĂŁo tivemos.
em um medo que nenhum dos dois confessou.
ou em alguma despedida que aconteceu sem que percebĂȘssemos.
sĂł sei que, quando olhei para trĂĄs,
vocĂȘ jĂĄ seguia um rumo,
e eu tentava entender como duas pessoas que prometiam caminhar juntas
acabaram aprendendo a seguir sozinhas.
o mais difĂcil nunca foi aceitar a distĂąncia.
foi descobrir que a saudade mora nas coisas pequenas.
ela aparece quando lembro do jeito que vocĂȘ me olhava,
do cuidado escondido em gestos simples,
da forma como o mundo parecia desacelerar quando eu estava perto de vocĂȘ.
eu sinto falta do seu beijo.
do seu cheiro.
dos seus olhos encontrando os meus como se soubessem exatamente onde era o meu lugar.
sinto falta do seu jeito,
do calor do seu abraço,
da paz que existia sem que precisĂĄssemos dizer uma palavra.
e a pior parte da saudade
Ă© que ela nunca leva embora os detalhes.
ela faz questĂŁo de deixĂĄ-los vivos,
como se a memĂłria soubesse exatamente onde ainda dĂłi.
Ă s vezes eu fecho os olhos
e volto para aqueles fins de semana
como quem revisita um lugar que nunca deixou de existir.
a gente se perdia em beijos
até a madrugada esquecer de ir embora.
e quando o sol nascia,
a primeira coisa que eu encontrava
era o seu sorriso bagunçando o meu.
vocĂȘ ria enquanto passava a mĂŁo no meu cabelo,
me puxava de volta quando eu fingia querer levantar,
me prendia no seu abraço
como se o resto pudesse esperar mais cinco minutos.
eu ainda sinto falta da tensĂŁo boa entre um beijo e outro.
do jeito que nossos corpos pareciam se reconhecer
antes mesmo de qualquer palavra.
e, quando o tempo finalmente desacelerava,
a gente sĂł permanecia ali.
vocĂȘ, eu,
e o silĂȘncio confortĂĄvel
de quem acreditava que aquela cama
era o lugar mais seguro do mundo.
corpos colados,
respiraçÔes misturadas,
coraçÔes acelerados
gemidos que diziam tudo o que as palavras nunca conseguiram.
eu gostava do seu jeito de fingir inocĂȘncia.
dessa cara de quem nunca faria nada,
quando eu sabia exatamente o perigo que existia por trĂĄs do seu sorriso.
vocĂȘ me olhava
e eu jĂĄ perdia qualquer tentativa de manter a postura.
porque bastava chegar perto,
encostar seus lĂĄbios em meus seios,
me olhar com esse seu sorriso de cantoâŠ
e eu esquecia completamente do resto do mundo.
eu me sentia no paraĂso,
mas nĂŁo por causa do lugar.
era porque existia um universo inteiro
escondido entre o seu sorriso,
as suas mĂŁos procurando as minhas,
minhas unhas cravadas em suas costas.
aquele olhar que dizia muito mais
do que qualquer palavra teria coragem de dizer.
que saudade de nĂłs, que vontade de amor
que saudade, vontade, amor.
vocĂȘ prendia todo o meu cabelo sobre um dos ombros
com um cuidado que contrastava com a intensidade
do calor dos nossos corpos,
deixando minha nuca completamente Ă sua mercĂȘ.
sinto falta dos seus olhos me encarando daquele jeito,
como se me desejassem antes mesmo de me tocar.
vocĂȘ me puxava pela cintura atĂ© nĂŁo existir espaço entre nĂłs.
como se o mundo inteiro pudesse esperar mais alguns minutos,
como se, naquele instante,
a Ășnica coisa que realmente importasse
fosse me manter nos seus braços.
e, entre todas as ausĂȘncias em que carrego,
a nossa ainda Ă© a mais bonita.
porque ela continua me fazendo querer viver
tudo aquilo outra vez.
eu me recuso a acreditar que o universo nos apresentou
só para nos transformar em lembrança.
Ă s vezes penso que o destino ainda nos observa,
em silĂȘncio,
esperando que a gente
encontre o caminho de volta.
como se soubesse de uma pĂĄgina que nĂłs ainda nĂŁo lemos.
porque esse fim nunca fez sentido.
Ă© impossĂvel que todas as coincidĂȘncias,
todos os encontros improvĂĄveis,
todas as promessas feitas de olhos fechados,
tenham existido apenas para terminar assim.
eu gosto de imaginar que existe um lugar
onde nĂłs demos certo.
um universo em que vocĂȘ ficou.
em que eu nĂŁo precisei aprender a sentir saudade.
em que o tempo nĂŁo foi cruel
e o amor nĂŁo chegou atrasado.
talvez o destino esteja decepcionado com esta versĂŁo da nossa histĂłria.
mas eu ainda tenho esperança
de que, em alguma outra dimensĂŁo,
ele finalmente tenha conseguido nos manter juntos.
porque hĂĄ amores que nĂŁo acabam.
eles apenas continuam
em um universo onde ninguém precisou dizer adeus.
e ainda existe alguma coisa em vocĂȘ
capaz de incendiar cada parte de mim
com um Ășnico olhar.
Ă© estranho como o tempo passa,
mas o meu corpo continua reconhecendo vocĂȘ
como se nunca tivesse aprendido a esquecer.