Ok, agora o papo é íntimo e sério pra mim.
No desenvolver de uma pessoa ela é ensinada a se comportar de certa forma e sentir determinadas coisas de acordo com determinada demanda.
Aqui eu fui ensinada a fazer a minha parte e não fazer drama.
Tenho 22 e não sei distinguir o que é realmente importante e o que é drama. Nesse minuto, to dividida entre: i) isso é algo que já dura muito tempo e agora foi somente mais uma gota d'água e o copo esborrou por hoje ou ii) eu tô de tpm e isso é drama.
Geralmente o item ii) leva a melhor e eu sempre acabo silenciando o assunto até que a raiva e tristeza passe, só que dessa vez não. Dessa vez escolhi escrever com raiva. Pra ler depois e ver se tudo isso que eu to sentindo agora se aplica.
As mães sempre dizem que o amor entre os filhos é igual e que não existe isso de preferência entre um e outro. Eis que talvez isso seja uma mentira ouu eu dei o azar de cair no ponto fora da curva.
Isso porque é e sempre foi tão claro pra mim que aqui em casa não é tudo igual, que eu já aprendi a lidar com isso e o maior e o mecanismo de defesa que eu mais odeio é o de ligar o foda-se e se fechar pra qualquer tipo de sentimento. Eu tenho certeza que isso afeta nas outras áreas da minha vida.
Eu sei que aqui somos cinco, mas nunca, e eu repito: nunca, a minha opinião ou vontade foi levada a sério pelo resto e, quando acatada, ninguém tinha a animação de fazer o que eu queria e no final parecia que todo mundo tava fazendo aquilo por obrigação.
Até hoje a minha voz não é ouvida e eu aprendi a lidar, com o que eu entendo, como indiferença.
Eu puxo um assunto, falo sobre algo e rapidamente sou ignorada por saiba-deus-o-que ou qualquer outra coisa nada relevante (e eu não tô falando somente do desvio de atenção com o celular, antes fosse). Isso não acontece uma vez por mês/quinzena/semana. Acontece todos os dias, sempre com alguém diferente. Raras são as vezes em que eu consigo terminar o que tenho pra dizer sem ser interrompida ou completamente ignorada e, sim, isso vai especialmente pra minha mãe.
Quando reclamo, o que chamam isso aqui em casa? drama.
Sempre falaram muito dos 3 genros que meu pai ia ter. Daí chegou o momento e: ninguém fez absolutamente nada sobre o assunto. Não to falando de proibir as coisas, mas perceba: o apartamento sempre teve 3 mulheres, 2 quartos e nenhum homem fora o pai, a mais velha começa a namorar e o namorado, por morar longe, passa os fins de semana* se hospedando no apartamento (se hospedando, sim, porque é tratado como visita sempre). O ponto é: eu, que não namoro, que passo somente os fins de semana em casa, sou obrigada a me portar de acordo com as visitas em casa, a assistir o que ele quer, me vestir "devidamente" e fazer tudo sem, mais uma vez, reclamar.
*Vale ressaltar que são TODOS OS FINS DE SEMANA
Se eu já reclamei? Sim. Se algo foi feito? Não. Chamaram de que? Drama.
Eu acredito que se algo é importante pra uma pessoa não pode ser taxado como drama. A pessoa se sente errada em sentir o que ela está sentindo. Isso não deveria acontecer.
Esse é o tópico que pode ficar MESES incubado que basta uma gotinha pra que tudo volte novamente.
Hoje foi mais uma gota d'água. Coisa besta, pra quem não sente e se incomoda sempre com isso. Mas eu me incomodo e hoje incomodou mais que o normal.
As vezes não tenho carona pra voltar da faculdade e venho de ônibus. Chego por volta das 22h e venho andando da esquina pra cá, um pedaço esquisito e que já fui quase assaltada algumas vezes.
Hoje chamei pra me buscarem e, depois de muito pedir, disseram que iam me buscar. Liguei, liguei e ninguém atendeu. Vim andando só e um cara entrou na rua na minha frente. Assobiei o som tipico daqui e casa e nada. O cara passou reto me olhando e eu saí correndo pra casa. Cheguei e, com a maior cara de supresa, sou recebida com "nossa, você nao ia ligar?"
Assim, se você está esperando uma ligação, o mínimo que se faz é ficar com o celular perto, certo? Eu também acho.
Aplicando ao início do texto? Sobre o amor (ou tratamento diferenciado) que as maes dão aos filhos? Minha irmã tá no 3° ano da faculdade e todo dia vão levar ela. Quando larga tarde da noite, vão buscar de carro. Minha irmã mais velha chega às SETE da noite e vão buscá-la de carro na avenida, pra ela não ter que andar o 'pedaço esquisito da rua'. Eu preciso adular e implorar pra que alguém ande comigo da parada (que é na esquina) até em casa.
Hm kkk bjs acho que deu pra entender.
Assim, os filhos não são iguais. Não é suficiente jogar numa forma e esperar que todos saiam iguais, isso não vai acontecer. As pessoas são diferente e têm necessidades diferentes.
Resumindo, eu sei que, durante esse tempo todo, a única coisa que virei expert em fazer é ignorar o que acontece e seguir o caminho só, em todos os momentos. Cada vez que a gota d'água cai, a única vontade que eu tenho é me distanciar, precisar menos, e seguir meu caminho, só.