I know it's gotta stop, love, but I don't know how || Hyan
O dia havia sido incrivelmente agradĂĄvel para Hannah. Ela e Dave haviam ido juntos atĂ© a loja de departamentos para providenciar novos contĂȘineres e tapeuĂ©res para a padaria. Isso estava definitivamente na lista de seus hobbies, e Dave tinha simplesmente um dom natural para fazĂȘ-la rir. ApĂłs aquele show do festival, eles foram para o lago e acabaram trocando uns beijos, mas ambos concordaram que ali sĂł poderia existir amizade. Era bom, de qualquer forma. Havia tempo que a garota procurava uma amizade assim, leve, que nĂŁo devesse nada e nem se sentisse pressionada fazer dever. Depois da loja de departamentos, os dois foram tomar um milk-shake no shopping, e acabaram por aproveitar e assistir um filme. Realmente, havia sido um dia alegre.
Estavam no carro cantando musicas antigas o mais alto que podiam, chamando atenção dos pedestres e motoristas alheios quando finalmente chegaram na rua da Let Them Eat. Nana estacionou, e se espreguiçou ao sair do carro, sentindo aquele sol leve de fim de tarde batendo em seu corpo. Aquela luz gostosa preenchia a padaria, e trazia uma sensação de lar para a ruiva.
âQue Ă©, vai ficar aĂ que nem um gato ou vai entrar?â Dave disse, a fazendo interromper o momento de paz. Lhe lançando um olhar maligno, mostrou a lĂngua e caminhou atĂ© ele, que jĂĄ estava na porta, pronto pra entrar. âNĂŁo posso evitar, mozi. Faz parte da minha natureza,â ela respondeu empinando o nariz, enquanto passava pela porta que ele segurava aberta pra ela rindo. As gargalhadas dos dois encheram o lugar, e a primeira coisa que ela notou era que nĂŁo havia ninguĂ©m no caixa, e ela percebera com a visĂŁo perifĂ©rica que havia um cliente.
âAly, Aly, cadĂȘ vocĂȘ, minha pequena pimpante?â ela gritou na direção da cozinha, enquanto dava um tapa amistoso na bunda do moreno passou correndo em direção ao vestiĂĄrio para colocar o uniforme, dando uma risada. Onde aquela menina estava? Ela era um docinho de pessoa, mas nĂŁo era bom deixar um cliente sozinho na loja. Respirou fundo com preguiça, encarando a porta de seu escritĂłrio, que a chamava com vontade, lhe lançando imagens de sua cadeira giratĂłria ultra confortĂĄvel. Queria largar aquela pessoa na loja sozinha do mesmo modo que a morena havia feito, mas sabia que nĂŁo podia. Esticando os braços uma ultima vez, começou a se mexer.
Andou atĂ© o balcĂŁo e passou por debaixo da catraca, ligando a caixa registradora. âHey dude, posso ajudar em alguma coisa?â ela perguntou ao rapaz, erguendo a cabeça para olhĂĄ-lo pela primeira vez, dando de cara com um cara definitivamente mais perto do que calculara.Â
A primeira coisa que ouviu foram as risadas, risadas que remetiam a Bryan lembranças de momentos nĂŁo vividos e que traziam consigo emoçÔes complexas para o cĂ©rebro do estudante de medicina. Qual nome dar quando tudo que queremos Ă© deitar na terra e entrelaçar seus dedos na grama, ou talvez em uma cabeleira ruiva? Mordeu seu delicioso bolo de laranja e se inclinou na cadeira para que conseguisse visualizar os possĂveis novos clientes por de trĂĄs da enorme mesa rosa cheia de doces, suas pernas instintivamente se preparavam para levantar e ir chamar Aly, mas logo notou que nĂŁo precisaria. Sua atenção foi sugada pela garota de cabelos vermelhos e voz rouca que passou por ele correndo.Â
Sem conseguir cumprimentar a dona da loja - Bryan deduziu isso quando a garota entrou na cozinha atrĂĄs de Aly -  e elogiĂĄ-la pelos bolos e principalmente pelos brownies mĂĄgicos, o garoto ficou encarando... David. Sim, esse era o nome dele. Ele o conhecia da faculdade desde o dia que Dave esbarrou em Bryan com batata fritas no nariz. "Eu jĂĄ volto." Falou antes de entrar correndo pela mesma porta que Hannah entrou, deixando Bryan sozinho mais uma vez. Ătimo, pensou o garoto. Levantou e começou a andar de um lado para o outro. O incomodo que costumava ter em sua cabeça tinha voltado, era como se houvesse alguĂ©m gritando em seu ouvido mas ele nĂŁo conseguia ouvir. Mordeu o lĂĄbio e voltou a se sentar na mesinha um pouco antes de conseguir ver um vulto ruivo passar de baixo do balcĂŁo. Por algum motivo aparente Bryan se levantou no instante e foi atrĂĄs dela no balcĂŁo, alguma coisa puxava sempre puxava o garoto para aquela padaria, talvez fosse a prĂłpria dona, ou quem sabe Alyssa, era uma chance Ășnica de descobrir. Ou nĂŁo.Â
Se encostou no balcĂŁo e sua boca jĂĄ estava aberta para falar alguma coisa idiota e retardada do tipo: se eu fosse uma cauda, com certeza iria atrĂĄs do seu bolo. Mas por sorte dos dois, ele nĂŁo teve tempo de falar. A ruiva se virou e os dois ficaram um de cara pro outro. Os olhos de Bryan foram atraĂdos primeiramente pelos lĂĄbios rosados da garota em milĂ©simos de segundos depois jĂĄ conseguia sentir seus pulmĂ”es sendo contraĂdo pelos batimentos fortes e acelerados do coração tornando sua respiração cada vez mais acelerada. Seu olhar subiu calmamente atĂ© encontrar o olhar da cozinheira. à ela, conseguiu pensar. Bryan se prendeu a essa frase e a repetiu diversas vezes na cabeça. à ela. Ă ela. Ă ela. ELA! A dona do par de olhos azuis que ele tanto queria descobrir estava ali na sua frente. à ela. Engoliu em seco e quando foi soltar o ar foi traĂdo pelos prĂłprios lĂĄbios que sussurraram sĂł uma palavra num tom confidente alto o bastante para que sĂł a garota ouvisse. "Nana..."Â













