Sua interação com homens se dava de forma curiosa, já que nunca conviveu com muitos destes. De certa forma, quando saía pelas noites vestida como um deles, eles se demonstravam bem menos cordiais do que aqueles que a abordaram no baile. Porém, havia algo de diferente na forma no qual Neil D’Brooke a desafiava. Enquanto todos os homens daquele baile se demonstravam assustadoramente gentis, o futuro duque parecia querer provocá-la e aquilo não podia ser mais desagradável, e ao mesmo tempo, intrigante. Ao menos, ele não a entediava, como todos os outros. Sentiu vontade de rir ao ser pega em meio ao improviso do rapaz, ao mesmo tempo que agradeceu mentalmente por isso. “Bem, Vossa Graça, quem me convidou para dançar foi o senhor…Devo dizer que não tem mais ninguém por aqui que eu possa culpar” argumentou, mantendo a cordialidade em seu tom de voz. No entanto, como resultado da última afirmação masculina, a expressão de Esther se neutralizou, enquanto voltavam para a posição inicial da dança. A Dugmore pousou sua mão no ombro do rapaz com cautela, já imaginando que em qualquer momento erraria os passos. Antes disso, a jovem já começou a sentir seu rosto queimar em revolta pelo que ele havia dito. Pela primeira sentira-se pessoalmente ofendida. Poderia dizer até…Magoada. “Estava aprendendo a ler, escrever…Tentando conhecer o mundo. Aprendendo a ser gentil com as pessoas, me informando o suficiente para não me importar com a opinião de homens de título” homens como você, era o que ela queria falar, mas se conteve. “Pode parecer chocante para você, Sr. D’Brooke, mas…” e foi aí que percebeu que enquanto cuspia aquelas palavras com a maior firmeza que conseguia e demonstrava sua revolta, Esther não havia errado um passo se quer. Além disso, nunca havia dançado com tanta naturalidade ou deixado se guiar daquela maneira. “Meu Deus, eu estou realmente dançando?” questionou quase para si mesma, deixando um sorriso orgulhoso aparecer em sua expressão. Seria ódio o responsável por sua pequena conquista? Talvez…Era melhor acreditar nisso do que na competência de seu par.
𝑚𝑖𝑠𝑒𝑟𝑦 𝑙𝑜𝑣𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑎𝑛𝑦 ⠀.⠀⠀⧽⠀⠀⠀ de fato, aquilo era culpa de cornelius; ele havia convidado a mulher. contra todas as chances, ele havia decidido agir como era esperado que o fizesse — mas da mesma forma que existe uma explicação para que não se brinque com fogo, girar num salão com esther possuía consequências. tal qual sua pisada forte, a língua da moça fatal. ela não guardava para si os pensamentos e, no instante que conseguiu identificar certo peso na expressão dela, ele soube que havia cutucado num lugar impróprio.
neil era um otário, certo. mas ele não era cego ou completamente apático ao seu redor. ele sabia perceber quando havia afetado alguém. quando a dugmore trouxe a tona sua indiferença a opinião de homens de títulos, homens como ele, d’brooke sentiu que aquela era uma causa perdida e mais uma vez por sua própria culpa. a mão na cintura alheia, os olhos observando os escuros que ela possuía com atenção. esteve na expectativa da despedida dela, mas, ao invés disso, foi puxado a constatar algo que nem mesmo ele havia percebido, diante de toda a tensão na superfície. eles estavam dançando, disciplinadamente. esther estava se movendo ao seu comando; algo que nem ele havia notado que estava impondo, porque estava no completo automático. ela sorriu e ele sentiu algo quente lhe aquecer o peito por uma fração de segundos, algo que foi capaz de lhe despontar um sorriso pequeno nos lábios da mesma forma que ela o fazia.
“é, você está dançando... parece que quando você não está concentrada em acertar, acaba fazendo exatamente isso... você é do contra até nisso, aparentemente” ele resmungou, antes de dar um último giro com o corpo feminino no eixo onde reservaram para si. a música foi substituída por aplausos e risos excitados. cornelius apertou uma última vez as mãos que seguravam esther, antes de recuar um passo e lhe reverenciar com a mais educada expressão que um cavalheiro poderia ter — ainda que em seu canto de boca se exibisse um vestígio de sorriso cínico. “tente discutir com os outros rapazes de título e você ficará bem, ao menos na dança!” sussurrou, antes de ser chamado pelos olhos de sua mãe. estavam radiantes e aquilo o fez sentir a sensação de dever cumprido, mesmo que estivesse longe disso, no fim das contas.
por cima do ombro, ele espiou esther dugmore uma última vez. sem que ela visse — sem que ninguém visse, ele sorriu. sorriu porque pela primeira vez em todos os debutes que havia participado, ninguém havia o divertido ou se mostrado tão distante de toda a patética regra como aquela mulher havia conseguido.