Primeiro amor e para sempre existem sim! Claro que existem! Não adianta tentar chutar o tamanho da cicatriz apenas por uma ferida aberta. As pessoas tem tanto medo de machucar, medo de serem abandonadas, que acabam machucando e abandonando. É muita insegurança procurando ser algum sentimento. Sentimentos banais que não valem nem um “eu gosto um pouco de você” estão sendo usados como “combustíveis da paixão”, “amores além da vida”. É muita pouca coisa querendo ser amor. Buscam tanta intensidade em coisas banais, em declarações, ou aparências, e esquecem de simplesmente se gostarem. Saem juntos, sorriem pra todo mundo, andam de mãos dadas, tiram fotos. Mas e o sentimento? E o gostar? E o “amor”? Como é se deitar com alguém na mesma cama, e na manhã seguinte, não reconhecer a pessoa? Onde está o amor quando você não conhece mais a pessoa que dorme do seu lado? Onde está o amor, quando todo mundo quer mostrar o quanto está escandalosamente feliz pros outros, mas por dentro não há nada? Por que se contentar com essa felicidade oca? Paixões de plástico, amores de pelúcia. E depois? Depois o amor que não existe. O mundo que precisa de amor. A gente nunca é culpado, engraçado, né? A vida tem culpa. A gente não. A vida é de quem mesmo? Ah, sua?! Engraçado, se é seu, se te pertence, as coisas boas e ruins vão junto. Se quer um relacionamento bom, por que não procura construir algo sólido ao invés de pegar carona em algo já pronto? Porque não se reaproveita amor, não. Amor nasce, e precisa de cuidado. Precisa de muito cuidado. E também, precisa de dedicação. Precisa de carinho, precisa de presença, precisa de espaço, mas também de proximidade. Amor é complicado. Mas amor, acima de tudo, dura. E existe. E pode ser para sempre, além, talvez. Não adianta culpar o amor ou dizer que desiste dele, quando nem ao menos conheceu um “eu gosto muito de você”, ou um “eu quero estar do seu lado quando tudo estiver desabando”. Mal conseguem lidar com amizades, mal conseguem ganhar a confiança de um cachorro e querem amores eternos de filmes e finais felizes aos dezesseis anos de idade. Final feliz, a gente guarda pro fim! Exatamente por isso são finais. Depois de uma vida inteira, você descobre se seu fim foi feliz ou não. Amor não está em falta. Mas pessoas que saibam cultivar um, sim.