Ter um relacionamento incerto com alguém não era algo comum para Korey. Brosey e Davey apostavam que aquilo não era apenas um caso qualquer, e o Gryff realmente acreditava naquilo, sabia muito bem que não conseguia deixar as coisas em uma base supérflua como os dois melhores amigos de Miller. Acreditava que, mesmo que eles só tivessem trocado alguns beijos no salão comunal um dia, ainda era muito válido que continuassem a se envolver. Não fora uma coisa de uma semana, Korey não estava esquecendo a namorada morta, só revivera um antigo sentimento seu. No terceiro ano Aurora era como um sol, e continuara sendo por todo aquele tempo, só havia se eclipsado por alguns fatores. Dois nomes, Phillip Broekhart e Isla Ramsay. Aqueles eram dois grandes motivos que impediram Korey de fazer Aurora sua primeira e única namorada. Também não se arrependera do namoro com Isla, nunca se arrependeria. Mesmo que por boa parte do relacionamento tivesse sido carnal e alucinógeno, ainda fora o primeiro amor de uma mente conturbada. Com Aurora as coisas haviam se acalmado, pelo menos. Ele não cabulava aulas para ir até um canto específico escondido no castelo, não deixava de fazer suas lições para vê-la (por mais que quisesse, sempre pensava que ela devia estar fazendo algo muito mais interessante), e ainda estava completamente envolvido naquilo. Portanto, mesmo que tivesse acabado de beijá-la, queria algum laço a mais. Mas não dentro daquele armário de vassouras, não tão privado, queria ter um relacionamento assumido, porém ainda pensava em situações para fazer o pedido de modo que não parecesse mais um capítulo banal. Compusera uma música para Isla quando a pedira, logo depois foram comprar os anéis em uma joalheria do centro londrino. A vendedora os expulsara da loja, dizendo que não era local para pessoas como eles entrarem. Porém Korey pagou as quinze parcelas de preços altíssimos em dinheiro, à vista. Precisou tirar os óculos apenas uma vez para que a mulher reconhecesse seus olhos, ainda parecia muito com o velho primeiro ministro. Na época o casal rira bastante sempre que olhavam para as próprias alianças, o moreno ainda sentia a falta do peso que a prata maciça fazia em seu dedo anular. Por costume girava de vez em quando o anel invisível dali, anel este que estava trancado em uma gaveta de seu quarto. Mas a tatuagem que fizera ainda era bem visível, o clima frio não o deixava ficar muito tempo sem uma jaqueta, mas ainda poderiam ver “love” em seu antebraço. Na época pensaram em tatuar os nomes, mas dar nome aos bois não era uma boa opção, então a garota tivera a ideia de colocar em palavras o que representava aquele sentimento. Isla acreditava em algo mais transcendental que a palavra amor, mas entendia quando o namorado explicava que para ele o corpo era como um eterno diário. Pensar em marcar algo nele era ter algo importante o suficiente para se lembrar. Certo que também havia tatuagens completamente sem sentido algum em seu corpo, mas contanto que não usasse muitas roupas curtas, estava bem. Sorria apenas de pensar em qual seria a história após o pedido, preocupava-se de se precipitar em algo, então esperaria somente o baile passar. Apenas o baile passar, era aquele evento que estava definindo as coisas no momento.
Começara a divagar sobre como arrumaria as coisas para dali quatro semanas, como abordaria Diggle quando a ouviu comentar sobre esquecer alguém com doces. Olhou-a e riu divertidamente com o comentário, claro que estaria indo para a cozinha. “Alguns Gryffs estão mesmo pegando essa doença dos Huffles de irem para a cozinha a todo o momento. Juro que nesses meus pequenos passeios já vi vários alunos descendo para incomodar os elfos. Não sei como os monitores continuam tão cegos quanto a isso, digo, deve ter alguma lei na monitoria que diz para não punir tão severamente os esfomeados.” Obviamente ver não era o mesmo que abordar. Korey sempre conseguia se esconder muito bem quando avistava um de seus colegas de Casa fora do horário pelos corredores. Também não delatava ninguém, apenas constatava que a pessoa estava sozinha e que, pela rota, seguia um bom caminho. Bom, menos uma vez quando avistara um Gryffindor descendo para as masmorras, mas também não quisera se intrometer com aqueles assuntos de meia-noite. Talvez aquele aluno tivesse simplesmente saindo com uma Slytherin, não era impossível, ele próprio fazia aquele mesmo caminho há um ano. “Devo me sentir lisonjeado? Dizem que doces causa mais insônia e eu tenho um modo rápido de curar isso.” Apoiou sua outra mão na da garota que passara a segurar seu braço e aproximou-se rapidamente para encostar seu nariz ao dela. Aurora não era uma garota baixa, tinha altura mediana para garotas assim como Korey tinha para garotos. Então naturalmente ele era pelo menos uma cabeça maior e não poderia se importar menos com aquilo. “You catch me. Eu estava realmente indo me encontrar com uma garota no pátio, cabelos cacheados, ruiva e desse tamanho” demonstrou com a mão, com uma expressão falsamente séria “Não sou grande fã de saídas noturnas com quaisquer garotas” Revelou olhando para Aurora de maneira que ela soubesse que era verdade. Korey também não era um grande fã de mentiras, seus pensamentos iam longe demais e remoê-los sempre lhe causava insônia. Não que tivesse muitos motivos para aquilo, mesmo com a bateria de remédios, Davey quase o amarrava na cama quando começava a se mexer demais durante a noite. Enfim, não precisava remoer mais coisas. No entanto aquilo que pensara no armário voltara a sua mente com o comentário da outra sobre Broekhart. Era uma dúvida quase besta, mas que primeiramente tivera medo de perguntar. Mas daí vira que já tinham certo nível de intimidade, e imaginou que não se ofenderia com a resposta, sendo ela qual fosse. “Sim, esse Broekhart… Hogwarts já têm galãs o suficiente para me ter pelos corredores indo de armário de vassoura a armário de vassoura, tipo seu amigo” pausara por segundos para soltar sua pergunta em seguida “Falando no bom e velho Phillip…” coçou a nuca e mordeu fortemente o lábio antes de continuar “Aquele armário me fizera pensar um pouquinho, estou com a pulga atrás da orelha… Vocês já estiveram naquele estágio? Tipo… é, sexo. Sei que são amigos e tudo mais, eu não me incomodo com isso, mas estou perguntando pelo bem do meu sono.” Defendeu-se em um tom quase despreocupado, mas no fundo temendo a resposta. Phillip afinal sempre fora a alusão do que Korey nunca seria, e o sortudo que sempre tivera Aurora ao seu lado. “Também seria completamente compreensível, Phill é um cara bonito, boa pinta o Slytherin e você é uma garota livre para fazer o que bem entender.” Um bico formou-se em seus lábios quando dera de ombros, fingindo uma indiferença de forma extremamente ruim.
Quando Aurora parara em sua frente, Korey passou os braços pela sua cintura e inclinou-se para frente. Conseguia arriscar um ou dois passos enquanto se envolvia naquele beijo, mas logo parou. Sabia perfeitamente que não iriam a lugar algum daquele modo. Provavelmente apenas dariam voltas e mais voltas pelo castelo. Não que o Gryffindor se preocupasse em estar no dormitório, ou ir para onde queria ir inicialmente. Por ele, poderiam ficar daquele modo até a manhã seguinte, simplesmente andando, conversando e beijando, mas entendia que em algum ponto precisariam voltar para a torre. Mas, enquanto aquele ponto ainda não se fazia presente, se aprofundava ainda mais em Aurora, sentindo seu gosto da forma mais agradável e tornando aquilo um pouco mais íntimo. Notara que o maço de cigarros sumira de seu bolso apenas depois de ter recebido a mordida no lábio, de repente estava encarando Miller com um de seus cigarros na boca. Aquele ainda não era o rosa, tivera a competência de pegar um reserva-para-Brosey, um L.S. mentolado que estava jogado na cabeceira de sua cama. “Não, Aurora não faz isso.” Antes que a garota encontrasse a varinha para acendê-lo, Korey havia o tirado de sua boca, mantendo a proximidade para voltar a pegar o maço no bolso de sua calça. Tornou a colocar o cigarro no maço e de volta em seu bolso. Dirigiu a garota um olhar sério, um pouco preocupado demais, como se estivesse prestes a transgredir o espaço de uma obra de arte. “Não meus vícios, Sunrise, eles não são bons. Nenhum deles me fez bem e esse é o único que posso manter, por favor, não faça isso consigo mesma. Se eu não aguento ser responsável por isso, deixe-me ser a prevenção, ao menos.” Colocou uma de suas madeixas louras soltas atrás de sua orelha e acariciou seu maxilar com o polegar como fazia em beijos calmos. “Aos onze anos, eu nunca fui uma pessoa normal.” Revirou os olhos e tornou a sorrir, tirando a expressão preocupada de anteriormente, gostava bastante das perguntas que eram feitas, mas tinha certo receio de Aurora acabar afastando-o por alguma resposta peculiar que viesse a dar.
- Eu não peguei doença nenhuma! -protestou Aurora, ajeitando a mão na dele e olhando para cima com um sorriso divertido no rosto. - É que tem esse garoto e eu não consigo tirar ele da minha cabeça! Mas estou considerando começar a andar mais pelos corredores de madrugada só para tentar esbarrar com ele de novo. Nunca acreditei muito em destino, mas isso é certamente um sinal. - encolhendo os ombros, ela roubou um selinho dele e riu, tornando a olhar para frente. Não poderia estar mais do que satisfeita por ter encontrado com ele naquela noite. Algumas coisas ela via o garoto como uma grande possibilidade para respirar fundo e encher seus pulmões de ar fresco. Ele era diferente. E quando ela dizia isso não falava só da forma de falar, vestir ou agir, mas sim diferente em um todo. Korey era diferente de tudo que ela já havia conhecido e ela gostava disso, talvez gostasse até demais. Adorava passar o tempo com ele e ficar observando o quanto ele era inquieto, que sempre estava com uma música na cabeça, que batia as mãos e olhava em volta, isso quando não inventava de tocar alguma coisa somente com as mãos. Entretanto o que ela mais amava em Kief era toda aquela confiança em si mesmo e sobre quem era. Ela nunca sentiu nada assim. Aurora, na verdade, sentia-se um tanto quanto perdida na maioria das vezes. Parecia fora de sintonia com sua família, era diferente das pessoas de sua casa e não sabia quase nada sobre si mesma. Mascarava sua própria confusão com preocupação. Sentimento esse que era quase sempre dirigido a Carlotta e aos comentários maldosos que essa mesma recebia. Odiava que falassem da amiga e ficava preocupada sempre que percebia que Meloni escutava coisas ruins demais. - Hm... Acho que devia sim. E qual seria esse seu método? - olhando para ele, Miller retirou a mão do braço do rapaz e a levou até os próprios cabelos, onde colocou uma mexa loira atrás da orelha. - Ai meu deus, você está ficando com Lily Evans? Cuidado parar o Potter não descobrir, viu? Se você apanhar por causa de outra garota, eu não vou cuidar de você. - brincando, a menina apertou levemente a mão dele e sorriu. Percebendo o ar de seriedade que os olhos do menino haviam adquirido, ela se permitiu fita-lo por alguns instantes só para pensar em como ele era bonito e em como ela tinha sorte por estar ali. - Então estou supondo que eu não seja uma qualquer. - comentou. Na verdade, Aurora nunca foi muito de ligar para isso. Mesmo sendo melhor amiga de Phillip, ela achava isso sobre qual tipo cada menina era uma coisa muito tola e por isso não poderia se importar menos. Entretanto, saber que Korey não estaria andando no corredor com qualquer outra garota a deixou um tanto quanto feliz para não se dizer esperançosa.
Ao ouvir o nome de Phillip, ela virou o rosto para poder encarar o gryffindor ao seu lado. De novo não. - Eu e o Finn? Deus, não. Bem que ele gostaria, na verdade. - com um riso escapando de seus lábios, a menina pensou em quantas vezes já não havia dado foras em Phillip no meio das brincadeiras que trocavam. Eram naturais e nem um pouco verdadeiras. O menino tinha toda essa lábia e todo o charme, sabia que ele não fazia por mal, era somente uma parte de quem ele era e rendia boas risadas sempre que isso acontecia. Ao ficarem mais íntimos as cantadas diminuíram e foram trocas por simples palavras normais. Percebendo que Korey ainda parecia incomodado, ela respirou fundo e decidiu contar a verdade. Ele teria que saber de qualquer forma caso eles fossem levar aquilo que tinham adiante. - Na verdade, nós meio que nos conhecemos assim...? Ele estava fugindo da família neurótica dele e foi pra um acampamento trouxa, eu estava lá e ai que eu passei o verão todo dando foras nele. Na última noite nós tivemos alguma coisa, não foi sexo. Nunca fizemos isso e não vamos fazer. Não foi nada além de alguns beijos em uma festa que não deram em nada. Então, não. Nunca estivemos nesse estagio. Eu parei ele, se quer saber. - sua voz saiu um pouco mais séria que o normal, sabia que deveria ser um assunto delicado e que ele provavelmente não iria gostar de ouvir. Olhou para o gryffindor. pelo canto dos olhos, um pouco nervosa com a reação que poderia ter. Não seria o primeiro cara que se afastava dela por causa de Phillip, entretanto ela não ligava muito para todos os outros, mas ligava para Korey. Ligava até demais e não saberia bem como reagir se ele se afastasse dela por isso. - Não diga que você vai se afastar por causa disso, por favor. - sussurrando com um tanto de insegurança na voz, Aurora tornou a ajeitar a mão na dele. - Acontece bastante, você sabe. - encolheu os ombros, dando um sorriso incomodado para ele. - Não precisa se preocupar com ele. É só um amigo e nada mais. - não achando palavras boas o suficiente para tentar evitar algum futuro problema, aquelas foram as únicas coisas que saíram de sua boca. Um pouco nervosa, ela pegou a mão do garoto que estava entrelaçada com a sua e levou-a aos lábios, beijando-a e roçando de leve o nariz, logo voltou a abaixar as mãos desejando que ele não desistisse dela por causa de Phillip. O problema era que ela realmente entendia caso ele o fizesse. Broekhart sempre parecia intimidar os garotos, não só por ser da slytherin como também por ser incrivelmente bonito, portanto muito deles se afastavam dela e ela já estava começando a aceitar isso até Korey se aproximar. Gostava dele e qualquer pessoa poderia perceber isso.
- O que? Ei, eu não vou me viciar com um só! - protestou, avançando em cima dele para tentar pegar o cigarro novamente. Mesmo com o braço esticado ela ainda não conseguiu ser mais rápida que o garoto que já havia pegado não só o cigarro como o maço. - Okay, eu posso ter soado como todos os adolescentes do mundo, mas estou falando sério. Vamos, Korey. - cruzou os braços, prendendo o riso que tanto queria sair por seus lábios. Ela poderia estar falando sério, mas Merlin sabia o quanto ela estava achando incrivelmente legal ele estar cuidando ela. Não que de fato precisasse, só que somente de perceber o jeito com ele a olhava seu coração parecia bater um pouco mais rápido do que o normal, ele se importava com ela o suficiente para lhe lançar olhar incrivelmente preocupado para o fato de que ela estava fazendo a mesma coisa que ele fazia várias vezes durante o dia. Era um bom começo. Ao sentir o carinho em seu maxilar, Aurora tombou a cabeça para o lado, fechando rapidamente os olhos e sorrindo. - Era só um. - sussurrou, colocando a mão por cima da dele e voltando a olha-lo. Assentiu, concordando com o que ele falava, mas ela não estava ouvindo de verdade. Havia se perdido nos olhos castanhos do garoto que estava perto o suficiente para que ela não ficasse com vergonha de estar o admirando tão intensamente. Ao olhar ele daquela forma, Miller se perguntava quantas outras coisas ele havia vivido, quantos outros mistérios ele tinha que ela não sabia e nem poderia ou iria saber, quando o olhava assim, de perto, via o quanto eram diferentes, o quanto eram incrivelmente opostos em quase tudo e que mesmo assim, mesmo com as diferenças, Aurora tinha a plena certeza de que estava se apaixonando pelo garoto que estava a sua frente e não sentia medo, nem insegurança, a única coisa que sentia era uma grande vontade de se entregar para tudo aquilo que sentia. Ao ver que ele tinha terminado de falar, ela abriu um sorriso largou e roubou um beijo. - Você se preocupa demais. - rindo, ela roçou o nariz no dele e lhe deu um selinho. Seus braços estavam apoiados nos ombros do rapaz, não de forma que machucasse, mas sim de uma forma que ela pudesse mexer na parte de cima do cabelo dele sem se sentir incomodada ou com dor. - Mas okay, seus vícios são seus e eu realmente acho que precisa achar um vicio novo. Não faço isso mais, eu juro. - brincando para poder retirar o tom sério da conversa, ela se afastou e começou a andar em direção a cozinha. Não pegou a mão dele dessa vez, não sabia se podia e nem tinha ideia do quanto ele havia ficado incomodado com a história de Phillip, portanto preferiu não arriscar nada que pudesse deixa-lo ainda mais desconfortável. Não queria que ele fosse embora. - Onze? Sério? - olhou-o espantada. - Você vai morrer muito mais cedo do que eu pensava. - soltando uma risada, Aurora adquiriu uma expressão séria por um tempo e então percebeu o que havia dito. Não bastava só ter admitido que havia tido um quase caso com seu melhor amigo, ela ainda deveria dizer que ele iria morrer logo e certamente ele iria se apaixonar por ela. - Ai meu deus, desculpe. - colocou a mão sobre os lábios, olhando-o com uma expressão culpada. - Sério, desculpe. É que você era muito novo e só... A gente pode fingir que eu não disse isso e ir para a cozinha que como se nada tivesse acontecido? Por favor?