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❝ — Talvez não, eu não saberia dizer. Receio que todas as raças possam causar algum nível de estranheza natural a quem não as conhece ou não as vê como sua configuração de comum. Pode ser que as fadas tenham a mesma visão sobre nós, quem sabe? ❞ Mantendo a expressão neutra, Sergei apanhou uma taça de champanhe da bandeja do garçom mais próximo. Por incrível que fosse e a despeito de sua rígida criação, o soviético possuía pouco ou nenhum preconceito contra terceiros, independentemente do assunto. Isso devia-se ao fato de que seus sentimentos, assim como maior parte das sensações, haviam sido aprisionados junto da alma em um delicado relicário que jazia guardado no quarto do príncipe mais novo da Argentina. Segundo o filósofo Allport, o preconceito seria resultado de uma frustração; sendo um ser desprovido de emoções, Sergei nunca pudera se frustrar com coisa alguma. ❝ — Não seria uma coisa ruim, apenas uma mudança de ambiente. Nossos próprios corpos já são jaulas e a mente é a chave. Mas não acredito que sejam capazes de fazê-lo, portanto pode se tranquilizar, Vossa Alteza. Interagir com os seres feéricos pode tirar um pouco da sua preocupação dos ombros. Ou quem sabe tomar um pouco de champanhe? Eles sabem escolher bebidas, ao menos. ❞
❝ —— Conhecê-las eu conheço e acho que pouco provável que esteja em meu poder dizer o que é comum ou não, afinal dizem que não é comum nascer como nascemos, mas está certo, quem sabe o que acham de nós, não é mesmo? ❞ Um sorriso foi oferecido ao russo enquanto voltava a observar a multidão de fadas dançando, o brilho, as cores, tudo nelas atraia Elizabeth como uma luz atraindo um inseto que mesmo sabendo seu destino continuava a seguir a luminosidade como um desejo de morte. Como todo Warlock Lizzie tinha o desejo de morte, só lhe falavam os meios para realizar tais desejos. A taça foi levada aos lábios e o gosto doce da bebida feérica inundou o paladar da herdeira causando um tremor leve de seus ombros. ❝ —— Depende da sua definição de ruim, não é mesmo? Eu não gosto de lugares pequenos, tão pouco de me ver fisicamente presa, já basta mentalmente, se vou para o inferno por ter nascido eu quero pelo menos aproveitar minha imortalidade ao máximo e ser escravizada por fadas não é bem minha definição de aproveitar. O único com quem consigo interagir é Pierre, algumas vezes Kasim e seu irmão, mas Achatius tem algo que me deixa inquieta, talvez seja sua obsessão por criaturas extintas. Isso devo concordar, já experimentou aqueles pequenos shots coloridos? São um pouco doce, mas maravilhosos e a comida também está muito boa, acho que é isso que acontece quando eles finalmente usam seus dotes culinários de verdade ao invés de só usarem magia. ❞ Deu de ombros antes de se inclinar um pouco para trás tomando uma taça do garçom que passava por seu lado. ❝ —— Nenhuma das selecionadas é de seu país ou selecionado, algum motivo especial para não terem mandado ninguém? Ou apenas foi falta de sorte? ❞
















