mas prin vc não acha que sua relação com o roman já é meio caminho andado pra um relacionamento incrível? pense a respeito
Talvez sim. Mas se não der certo é todo caminho andado para minha desgraça profunda.
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Com o computador aberto a sua frente, Roman apoiava a cabeça nas mãos de forma cansada, exausta e sem esperança. O documento do word aberto há horas não sofria alteração alguma há muito tempo e Roman só conseguia encarar a página com as milhares de correções sem ideia por onde começar. Para piorar o que já estava ruim, muito ruim, estava na faculdade. Preso, com o apocalipse acontecendo do lado de fora do prédio. Tudo porque precisava buscar algumas assinaturas e certificados para prosseguir com a pesquisa. Não conseguiu nem um e nem outro, tampouco trabalhar no que precisava e poderia até aquele momento. Já havia mencionado o tornado do lado de fora na cidade? Sem paciência, Roman cruzou o braço sobre o teclado e apoiou a cabeça em seu braço, olhando para o colo enquanto pegava o celular no bolso da calça e digitava a mensagem com a mão livre.
Roman: You up?
Naquele momento Sofia achava muito irônico que Sun City tivesse esse nome. Onde estava o sol? A cidade mais ensolarada da região não tinha um resquício do brilho dourado que era tão característico. E é claro que um tornado tinha que acontecer justo no dia que ela tinha uma escavação para fazer, essa era a sorte de ser mestranda. Será que nunca teria sorte?! Estava cansada de encarar seu computador e escrever palavras complicadas sobre um tema que as vezes achava que odiava. Não odiava de verdade, porém era difícil se lembrar disso quando ficava encarando uma tela por tempo demais. Ainda estava no seu departamento, olhando para a janela como se esperasse que o céu abrisse magicamente e ela ainda pudesse sair, quando seu celular vibrou em seu colo.
Sofia: infelizmente
Sofia: onde você tá? tudo bem?
Roman: infelizmente? Roman: na sala individual da biblioteca. depende do que você entende por tudo bem Roman: seguro sim mas bem não
Soltou uma risada anasalada quando a luz do celular se iluminou em seu colo e ele lia a mensagem em tom desesperado de Sofia. Era engraçado como ambos eram tão ligados que dividiam o mesmo momento de vida, e também o mesmíssimo sentimento sobre isso. Ergueu a cabeça da mesa, esticando as costas e fechando o tela do computador. Não queria atrapalhar o desempenho de Sofia, mas considerando que não estava conseguindo fazer nenhum progresso e havia um tornado do lado de fora da universidade, duvidava que a outra também conseguisse alguma produtividade diante disso. Se levantou da cadeira e organizou suas coisas, colocando a mochila nas costas já saiu da sala, digitando a mensagem que poderia melhorar boa parte do seu dia.
Roman: onde você está?
Sofia: essa chuva tá me dando todos os tipos de depressão existentes
Sofia: tô na mesma
Mesmo que permanecesse com raiva do tornado do lado de fora, Sofia conseguiu sorrir com a mensagem de seu amigo. Era bom saber que ele estava seguro, mas era ainda melhor saber que ele estava perto; se sentia um pouco melhor só com isso. Roman e ela pareciam sempre viver o mesmo momento de suas vidas e quando ela tinha um dia bom, ele provavelmente estava tendo um também. Então não se surpreendeu com as mensagens frustradas dele porque, bem, era exatamente como se sentia também. Sorriu quando a tela de seu celular acendeu novamente, agradeceu mentalmente o fato de estar a uma distância perfeitamente segura de Roman.
Sofia: no meu dpto, no primeiro lab vindo daí
Sofia: se quiser compartilhar da minha desgraça, a porta tá só encostada
Roman sabia que ele e Sofia tinham algo muito especial. Não saberia jamais explicar como o sentimento nasceu em seu peito; tinha a impressão que ele estava lá desde que ele chegou ao mundo, só esperando florescer quando a conheceu. Talvez fosse egoísmo e egocentrismo de sua parte, mas duvidava que quaisquer outras pessoas tinham algo tão especial assim. Por isso, era um tanto óbvio que ela também estaria na faculdade, tentando, escrever sua tese, assim como ele. Tinha a impressão que seus pés sabiam o caminho até o departamento dela ainda que seus olhos estivessem fechados. "Tão ruim assim?" Perguntou conforme entrava no ambiente e fechava a porta atrás de si. "Pensei em jogar o computador pela janela e falar que perdi por causa do tornado." Resmungou enquanto se sentava ao lado da amiga, deixando a bolsa sobre a mesa. "Mas aí não teria uma boa desculpa pela versão que tá guardada no drive."
“Um pouco melhor agora.” Sofia sorriu ao ver seu amigo entrar, se esquecendo por alguns minutos o porquê de estar tão irritada. Toda vez que via o rosto de Roman precisa esquecer de quaisquer emoções negativas. “Sinto falta de quando não existia internet, nesse caso eles iriam fazer o que?” Apesar de seu tom reclamão ter voltado, ela ainda sorria. Era grata por Roman estar ali no mesmo lugar que ela, principalmente enquanto o mundo se acabava. “Sabe onde eu deveria estar agora? Em uma escavação! A primeira em meses e, olha só, o dia tá perfeito…” Apontou para a janela e a cena cinza que ela exibia, suspirando. “Todo mundo foi embora, mas eu fiquei porque me recusei a acreditar que a chuva ia durar.” Seu otimismo irreal sempre lhe causava dores de cabeça. “Pathetic, uh?” Voltou-se para seu amigo, uma risada cansada saindo de seus lábios enquanto apoiava o rosto em sua mão.
"Missed me that much?" Brincou, como se algo não tivesse se agitado dentro de seu peito. Era difil manter naturliadade nessas horas, mas já havia treinado isso há tempos. "Te dar uma máquina de escrever, é claro. Ou você acha mesmo que em um mundo com pós graduação existe alguma paz?" Apesar do tom de brincadeira, era o que Roman realmente acreditava. "Pensa pelo lado positivo, pelo menos você não estaria no meio do barro." Roman era viciado em ver o lado bom das coisas, mas isso só acontecia quando estava com Sofia. "You still at the restaurant?" Pensando bem, haviam muitas coisas que Roman só entendia, ainda que o básico, por causa de Sofia. A dona da música que havia feito o trocadilho era uma delas. "Nah, just hopeful." Deu um peteleco no nariz dela sem força alguma. "Pensa bem, pelo menos você tem a faculdade inteira pra você durante a maior chuva já vista na cidade."
“Ou a desgraça é melhor quando compartilhada com alguém, um dos dois.” Deu de ombros, sabendo muito bem que tinha sim sentido muita falta dele e que sempre o queria ao seu lado. “Eu queimaria todos os papéis então! Seria o novo Nero e as árvores a minha Roma!” Levantou seus braços de maneira exasperada. Sofia até citava o império romano com frequência, uma consequência de estar sempre com Roman. “Acho que eu preferia estar no meio do barro,” choramingou, afundando seu rosto ainda mais na palma de sua mão. “In this corner I’m haunting.” Um sorriso genuíno apareceu em seu rosto, sentia algo incandescente toda vez que Roman comentava sobre algo que ela gostava, poucas vezes sentiu que alguém a entendia como ele - ou que se importasse como ele. “Esse é um jeito de ver as coisas…” Levantou seu rosto, um tanto pensativa. “Mas nós temos a faculdade inteira! É isso, chega de choramingar!” Como se tivesse injetado adrenalina, Sofia apoiou suas mãos na mesa, decidida a melhorar seu humor e o de seu amigo. “A gente não vai pensar no que deu errado, ok? Ah! Posso te mostrar uma coisa?”
"Eu deveria me preocupar ou...?" Brincou. Já havia ouvido muito trocadilhos por causa de seu nome, mas era sempre especial quando a brincadeira acontecia com Sofia, assim como outras coisas que compartilhava com ela e pareciam tão sem graças em sua ausência. "Você vai ter outras oportunidades. Só precisa terminar sua dissertação primeiro." Batucou os dedos na tela do computador que ela usava. "Deveríamos fazer um levantamento de quantas músicas citam ou dão a entender, ativamente, sobre fantasmas." A ideia pipocou em sua cabeça como algo brilhante. "Mas só vale o que você já tem salvo no spotify." Pontuou. Mal teve tempo de acompanhar a súbita mudança de humor de Sofia, erguendo uma das sobrancelhas no processo. "É agora que você se transformar em Nero? Não vai me dar direito as últimas palavras?" Se levantou, guardando o celular no bolso.
“Não… só estou de saco cheio de tentar escrever qualquer coisa.” Falou um tanto irritada e muito cansada. Era para ter saído a campo naquele dia, não precisaria pensar em sua dissertação assim… que azar. “Então nunca mais!” Jogou seus braços para cima num ato dramático, sentindo que precisava choramingar contra o ombro de seu amigo mas sabia que ele sentia todas àquelas coisas também e decidiu não ser um peso. “Isso é genial! Você deve ter bem mais que eu, tenho certeza.” Se lembrava de mais duas ou três músicas que escutava com frequência e citava fantasmas, uau, realmente era um tema recorrente. “Só se elas forem ‘Sofia, você é a melhor pessoa que já conheci e ter você na minha vida deu sentido a tudo’, se não eu não quero saber.” Brincou, caminhando até uma das mesas que ficava mais perto da janela, onde várias peças de escavações descansavam. “Vem aqui.”
"No dia em que você defender vai se lembrar desse momento." Bagunçou os cabelos da outra. Era engraçado como Roman se mostrava sempre positivo quando se tratava de Sofia e sua tese, mas não aplicava esse mesmo otimismo ao seu caso. "Vai dar certo e você tem tempo até entregar a primeira versão. Por que não tenta fazer outra coisa e deixar pra mexer nisso mais tarde ou amanhã? Talvez o mundo acabe hoje mesmo e você não precise nem se preocupar mais com isso." Brincou, ouvindo um trovão no mesmo instante. "Viu?!" Apontou para a janela. "Maybe. Give me your first shoot." Tentaria de tudo para que ela se esquecesse os problemas e por alguns minutos pensasse em algo que não fosse a dissertação e a visita do campo. "Muito genérico, não acho que vai ficar legal quando contar isso pra outra pessoa. Tem outra sugestão?" Por breves segundos, sorriu; talvez em algum mundo ela soubesse que suas palavras eram verdadeiras. "What I'm looking?" Perguntou ao parar do lado da amiga, observando as peças a sua frente.
Sofia fingiu um olhar irritado por Roman ter bagunçado seus cabelos, mas logo estava sorrindo. Era difícil não sorrir na companhia de seu amigo. “Tô contando com isso, Sun City só tem um objetivo hoje: se destruir inteira.” Olhou para janela por poucos segundos, seu olhar migrando para o rosto de Roman rapidamente. Sentia um morno em seu peito toda vez que ele fazia aquilo, tentava ser otimista por ela; sabia que não era natural para ele e, não sabia explicar, mas sentia-se muito especial ao lado dele. “A Taylor tem várias, ‘but if he’s a ghost then i can be a phantom’…” Pensando melhor talvez fosse perder aquela brincadeira. “Sua vez agora.” Mas emos falavam mais sobre fantasmas, será que não? “Escolhe você suas últimas palavras então, vamos algo original e criativo.” Desafiou, com suas sobrancelhas levantadas e um certo palpitar em seu peito. Sofia sempre se pegava pensando que Roman era o único amigo de que precisava, duvidava que algum dia tivesse tanta conexão com outra pessoa. “Você tá vendo esse colar e a pulseira?” Olhou para Roman animada, “Eles eram usados no kula, que era mais ou menos um ritual de troca entre duas pessoas ou mais, eu te dou o colar, você me dá a pulseira… E eles viajavam centenas de quilômetros só pra isso, acredita?” Era meio surreal estar olhando para aquelas peças. “Era uma festa muito grande só pra você trocar algo com alguém, só pra você se sentir especial basicamente.” Então arriscou um olhar para o amigo, ainda sorrindo. “Desde que trouxeram, fiquei pensando em te mostrar. Meio que eu viajaria centenas de quilômetros pra te entregar um colar.”
"Essa eu não sei se conheço." Conhecia várias, pensando bem. Mas buscando de cabeça, não se lembrava exatamente esse trecho. "Não é do Folklore ou Evermore, certo?" Provavelmente os álbum que realmente conhecia. "There's a ghost in my room I think I'll name it after all of you. Vegas, All Time Low." Sentiu o peito se apertar, sempre se lembrava de Sofia quando ouvia essa música. Não fazia sentido, mas muita coisa em sua vida não fazia mesmo. "Vai, próxima música." Desviou os próprios pensamentos. "Até tu, Brutus?" Colocou as mãos sobre o peito magro, com sua melhor expressão de decepção. A observou em silêncio, as vezes se esquecendo de olhar as peças a sua frente, já que essas eram o motivo da explicação. Mas era um pouco difícil se atentar nelas enquanto Sofia parecia tão etérea enquanto lhe explicava o assunto com tanta facilidade. Roman as vezes acreditava que Sofia nascia sabendo tudo o que sabia, como um dom natural. Havia tantas coisas que ele admirava nela que se sua tese fosse sobre ela, teria entrego o arquivo sem maiores preocupações a tempos atrás. Continuou a olhando, sentindo como se fogos de artifícios explodissem em seu coração, um frio na base de sua coluna. "Eu também viajaria muitos quilômetros por você." Sorriu, todos seus órgãos se derreterem. "Mas dessa vez eu não precisei." Tirou do bolso da calça preta duas pulseiras de miçangas; uma com bolinhas pretas e brancas intercaladas, com Swemo escrito em letrinhas pretas e outra com pedrinhas brancas e marrons, com Cowboy Like Me escrito em letras douradas. "Eu vi que era algo que os swifities fazem pra trocar durante o show e eu, hm, achei que você ia gostar. Descobri que sou horrível com atividades manuais e o Lucas pior ainda, demoramos quase uma hora pra fazer essas duas." Riu baixinho, colocando a pulseirinha no braço da amiga e a preta e branca no seu. "Don't say I never gave you anything."
“Reputation.” Respondeu, sentindo um morno em seu peito que Roman conhecesse os outros dois álbuns de tal forma que era capaz de reconhecer quando uma música não pertencia a eles. Sabia que era a responsável por isso e sentia algo voar em seu estômago. “Acho que lembro dessa…” Assim como seu amigo, Sofia também se interessava em tudo que era importante para ele. Na verdade, as vezes contemplava ter um caderno apenas para anotar tudo que Roman gostava. “Your smile, my ghost, I fell to my knees. This Love, Taylor Swift.” A letra veio naturalmente em sua mente e Sofia acabou demorando um segundo a mais observando o rosto de seu amigo. Era comum que se perdesse observando a pinta que ele tinha na bochecha ou então como seus fios cobriam uma de suas sobrancelhas e era adorável, sério, talvez hipnotizante. “Você chama isso de original?” Riu, finalmente desviando seu olhar. Sofia não entendeu de início o que Roman queria dizer, não até ver duas pulseiras em sua mão e sentir seu coração se agitar. “Você e o Lucas fizeram essas pulseiras?” Tinha humor em seu tom e uma leve incredulidade, os dois não eram as melhores pessoas em trabalhos manuais e as pulseiras pareciam perfeitas. Eram perfeitas. “É difícil de acreditar.” Mantinha seu olhar na pulseira que agora enfeitava seu braço, um sorriso enorme em seus lábios. Sabia, no entanto, que não era tão difícil. Não, fazia sentido que Roman fizesse algo assim assim como fazia sentido que Sofia se sentisse tão feliz ao lado dele. “I love it, thank you.” Voltou a olhar para ele, pensando se era visível em suas íris claras o quanto aquilo tinha sido importante para ela. “Agora que eu já falei um monte, que tal você me falar direito como seu dia estava indo?” Roman tinha esse hábito de lhe deixar reclamar sobre seu dia horrível e não falar sobre o que o incomodava apenas para que ela tivesse esse espaço. Mas Sofia sempre o buscava por fim, sempre queria retribuir o que ele era para ela.
A informação se fixou em seu cérebro; sentindo como se fosse de extrema importância que soubesse aquele tipo de coisa. Não por ele, por Sofia. Sempre parecia adequado que soubesse um tanto de conhecimento que fossem útil para ela, que fosse importante e de valor para ela. Lhe soava natural de certo modo, agradar a outra. "Red?" Chutou, não tendo certeza que álbum era aquela música, no entanto a olhando, sentindo como aquelas palavras soaram, Roman se sentiu atingindo. Bem ali, no meio do peito, sentindo sua cabeça rodar um pouco. Era difícil lidar com aquilo tudo o tempo todo, sabendo como as coisas aconteciam frequentemente em seu coração. Se deixava sonhar por um segundo em como seriam aquelas palavras ditas em um momento sincero e não uma brincadeira entre amigos. "Eu não lembro de mais nenhuma." Riu meio sem humor, desviando o olhar a balançando a cabeça por uns segundos e olhando para os pés. "You win." Sorriu gentilmente, tentando voltar a realidade. "Foi um trabalho complicado, e acho que não conseguiria ter feito sozinho." Olhava com carinho as peças na mão da outra, as achando até mais bonitas agora que estavam na posse da outra. "Let me." Pegou com cuidado da mão dela a pulseira e colocou em seu pulso delicado, colocando a sua própria no próprio pulso. "Kinda swifities besties." Sorriu. "Uma merda." Deu os ombros, com um sorriso triste. "Um desastre climático e eu tenho que escrever uma tese. A qual não consigo nem olhar sem ter vontade de pular da janela."
“1989. Acho que preciso te educar mais na discografia da Taylor.” A verdade era que não sabia como o amigo aguentava tanto já que estava sempre explicando a ele a história por trás de todas as músicas da cantora. Mas eles se divertiam, bom, Sofia gostava de pensar que sim. “Eu estava mesmo torcendo pro você dessa vez, quem sabe na próxima.” Sorriu, empurrando o ombro do amigo levemente. Em alguns momentos como aquele, Sofia queria poder entrar dentro da mente de Roman e descobrir tudo o que rodava ali. Era o assunto que mais lhe interessava, o que ele pensava, a forma como as coisas o atingiam. “Vocês se superaram, ficaram ótimas.” Seu olhar se alternava entre a pulseira e Roman, seu coração ainda completamente derretido com o presente. “Parece que a gente até combinou. Eu te falando sobre as peças, você com uma pulseira para mim…” Tudo entre os dois sempre se encaixava. “All my days I’ll know your face, bestie.” Se lembrou daquela letra automaticamente, então encostou sua pulseira na dele com um sorriso genuíno em seu rosto. “Em que parte você tá? Acha que consigo te ajudar em algo?” Se pudesse escreveria tudo para Roman, tudo bem que não estava escrevendo nem sua própria tese, mas se achava capaz de fazer isso pelo seu melhor amigo.
Uma coisa que Sofia provavelmente não sabia era que Roman estava disposto a aprender qualquer coisa que ela quisesse ensiná-lo. Ele estava pronto para ouvir sobre seus artistas favoritos e sua visão sobre cada um deles. Roman era uma pessoa muito aberta a conhecer coisas novas e não torcia o nariz para quase nada; ainda assim, tinha uma disposição além do normal para tudo o que Sofia representava. “É, acho que sim,” respondeu orgulhoso do trabalho artesanal que havia feito. Pensou que poderia fazer mais um milhão de pulseiras para ela, só para vê-la sorrir daquela forma de novo, por algo que ele mesmo tinha feito. “And I'll hold the door for you.” Seu sorriso era tranquilo, e ele a olhava com carinho. Como poderia ser diferente? Entre tantas coisas que sentia, o carinho transbordava por seus poros. Ele amava Sofia, isso era óbvio há tempos, mas o carinho e o zelo que tinha por ela se espalhavam por todo o seu corpo. Com a ponta dos dedos, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, prendendo-a gentilmente atrás de sua orelha. “Revisão da discussão. Não falta tanto assim, só se eu tivesse vontade de fazer.” Ele riu. “Mas chega de falar de mim, e a sua?”
Uma das coisas que Sofia havia aprendido ao longo dos seus anos de estudo era que os seres humanos eram, em resumo, muito simples. Mesmo com seus sentimentos complexos, suas dúvidas e medos, tudo era tão simples quanto abrir os olhos pela manhã; quanto fechar os olhos ao sentir o sol no seu rosto pela manhã. Simples quanto os dedos de Roman colocando seus fios no lugar, como o sorriso que apareceu em seus lábios e a vontade de deixar um beijo no rosto dele. “É impressionante como a vontade nunca vem, né?” Riu também, porque era natural e sempre ria com ele. “Ah, não, não. Eu sempre fico falando e falando sobre mim e você tenta fugir, mas hoje não.” Sofia levou seu indicador ao peito de Roman numa tentativa de o empurrar. “Na verdade, acho que nós dois precisamos nos distrair e…” Os olhos dela pausaram sobre a janela e a chuva que caía lá fora e, como na maior parte de seus dias, uma música começou a tocar em sua mente imediatamente. “Vem aqui,” rindo, Sofia segurou a mão de Roman e o puxou para fora do laboratório. “Você vai odiar, vai odiar mesmo…” Ainda rindo, ela olhava para seu melhor amigo com um leve arrependimento porque ele ia mesmo odiar a ideia que ela teve. “Mas… se transformam limão em limonada, a gente pode transformar a chuva em… ok, não pensei nessa parte direito. Mas! As vezes a chuva não é tão ruim quanto eu pensei e a gente pode aproveitar.” Sofia então soltou a mão do seu amigo e entrou no meio da chuva. “Você vem?”
Sofia não estava errada; Roman não tinha o costume de falar muito sobre si mesmo, até porque não gostava de atrair atenção para si durante uma conversa. O que ele realmente gostava era de ouvir Sofia falar sobre qualquer coisa: o tempo, sua dissertação, música, filmes, sua família e, mais do que tudo, Roman adorava ouvi-la falar sobre ela mesma. Balançou a cabeça em sinal negativo, incapaz de conter o sorriso apaixonado que surgia em seus lábios ao sentir o toque firme em seu peito. Mais ainda, era incapaz de controlar as palpitações desgovernadas do coração ao encarar o perfil da outra. Amor era algo complicado, principalmente quando não era correspondido. "An?" Perguntou, um tanto atônito e confuso. Não havia entendido o que Sofia havia dito, perdido que estava nos detalhes de seu rosto, deixando-se levar. "Sofia..." A careta se formou automaticamente em seu rosto ao perceber o que estava acontecendo. Passou as mãos sobre o rosto, soltando uma risada cansada. "Um banho. De cachoeira." Tentou completar o raciocínio dela, ainda que não estivesse de acordo com aquilo tudo. Pensou bastante, por muito tempo, e, por mais que não estivesse inclinado à ideia de sair no estacionamento da faculdade enquanto chovia (e chovia muito!), não conseguia negar algo que Sofia quisesse. Deu um passo após o outro até ficar de frente para a garota, sentindo as gotas molharem seu corpo. "Squadra bagnata, squadra fortunata." Brincou, passando o dedo em uma mecha molhada de Sofia. "Feliz?" Perguntou com um sorriso no rosto, afastando a franja dos olhos.
“ISSO! Um banho de cachoeira.” Talvez nunca tivera um sorriso tão largo quanto naquele momento. Sofia não entendia como Roman sempre parecia saber exatamente aquilo que estava pensando, como se seus pensamentos sempre passassem pela mente dele antes de serem ditos. Não existia um mundo onde eles não se encontrariam, disso ela sabia bem, tudo só fazia sentido porque Roman e ela eram amigos. Ela sabia que ele ia entrar no meio da chuva com ela, sabia que ele não queria muito, mas que iria. Não se preocupou quando ele demorou, era mestra em esperar o tempo de seu amigo e principalmente em ser sua a mão em que ele se apoiaria. “Muito!!!” Levou suas mãos até a testa do outro, tentando afastar os fios molhados dos olhos dele. Chovia muito mesmo, as gotas caíam firmes sobre sua pele, mas Sofia não estava arrependida, não mesmo. “Ei! Você lembra de quando te obriguei a ver High School Musical comigo? Você vai ter que dançar comigo na chuva agora.” Aquilo não precisava ser algo que só acontecia em filmes, pensou e então estendeu mais uma vez a mão para seu amigo. “Tudo bem se você não souber dançar valsa porque eu também não faço ideia de como é.”
Existia algo mágico na forma como Sofia sorria e enchia o peito de Roman. Talvez aquilo fosse a razão de todas as coisas, não era? O amor estava ali, nos detalhes, nas ações que ele fazia em prol de outra pessoa, principalmente quando o intuito era simples: fazê-la sorrir. Roman não era alguém que ficava se questionando ou elaborando como fazer tal feito; as coisas simplesmente aconteciam, e ele era grato por ter o prazer de viver cada uma delas. Era tão satisfatório vê-la alegre daquela forma que as gotas grossas de chuva não o incomodavam, não quando algo muito melhor estava à sua frente, com as bochechas rosadas e os olhos brilhando. "An?" Arregalou os olhos de susto. "Eu não..." Fez uma careta, talvez aquilo estivesse muito além das suas habilidades sociais. "Sabia que teria algum prejuízo ao assistir àqueles filmes com você." Brincou, soltando um suspiro cansado em meio a uma risada. Olhou-a por alguns instantes, enquanto perguntas que começavam com um sonoro "e se?" pairavam em sua mente. Deu um passo à frente e, de forma tímida, colocou uma mão na cintura de Sofia, sentindo os dedos esquentarem sobre a roupa molhada. Olhou-a com cuidado, como se estivesse pedindo permissão por aquele toque. Procurou pela sua outra mão, segurando-a com carinho enquanto fazia o seu melhor. "Já é muito Troy Bolton da minha parte?"
Roman estudava história, em breve seria um excelente mestre na área e Sofia se dedicava a estudar a humanidade, como ela havia começado e como se mantinha então era natural dizer que os dois viviam muito dentre o que era real e ainda assim naquele momento Sofia poderia jurar que estava vivendo dentro de um filme. Seu dia tinha sido arruinado, não conseguiu ir à escavação que tanto queria e então como num passe de mágica a presença de Roman foi capaz de transformar tudo isso. É claro que seus olhos brilhavam, é claro que seu sorriso era grande, nunca tinha estado tão feliz. “Prejuízo??? É uma honra.” Fingiu que estava ofendida mas até a chuva sabia como seu coração batia forte e alegre dentro do peito. Quando seu melhor amigo a olhou, os dedos dele tocando com cuidado sua cintura, Sofia sorriu para ele. Aquele toque não lhe era estranho apesar de não conseguir se lembrar de Roman já havia segurado sua cintura antes, mas era certo, era a pessoa que ela mais confiava no mundo, estava tudo bem. “Só entre nós? Você é muito melhor que ele.” Colocou a mão livre sobre o ombro do outro, aproximando também seu corpo ao dele. Nenhuma música tocava de fato, porém dentro de sua mente Sofia podia ouvir a melodia claramente e ela deu o primeiro passo para que eles entrassem no ritmo. Agora sabia como Gabriella havia se sentido, entendia a necessidade de rodopiar na chuva, ela faria qualquer coisa com Roman também, inclusive aquelas que não faziam sentido.
Roman até que poderia ser considerado alguém inteligente. Tinha bons conhecimentos, estava atualizado sobre as novidades globais em relação a entretenimento e política, entendia muito bem de história greco-romana em geral (até mesmo em níveis não muito saudáveis ou socialmente aceitáveis) e era bom com cálculos. Até achava que entendia Sofia muito bem, ou pelo menos achava que entendia, até aquele momento. Aquelas palavras ressoaram, formando ondas que ecoavam por cada canto de sua mente. Não sabia o que ela queria dizer com aquilo, tampouco onde queria chegar; mas soube que algo se acendeu dentro do seu peito, como uma chama. "So, can I have this dance?" Sorriu timidamente, sentindo a música lenta tocar em sua cabeça. Não sabia de onde vinha sua coragem ou impulso, mas talvez estivesse tão envolvido naquele cenário que criaram que Roman apenas deixou sua mão puxar Sofia para um pouco mais perto. "Maybe we're stuck in the middle of romantic crises of an athlete and a nerd." Sorria de forma tão leve que parecia realmente esquecer dos problemas acadêmicos que o assombravam, girando Sofia delicadamente sob a água que os molhava de forma quase mágica. "Or two nerds." Talvez não tivesse se dado conta do que havia acabado de dizer; era delicado, sutil e quase imperceptível, mas estava ali. "Talvez não tenhamos que correr para conciliar o teatro, o basquete e a competição de química. Seria só entre escavação e revisão bibliográfica na biblioteca da universidade."
Era a primeira vez que Sofia dançava na chuva, ela nem ao menos acreditava que aquele tipo de coisa acontecia fora da ficção. Quem seria louco o bastante para se molhar inteiro por motivo nenhum? Aparentemente, Sofia. E Roman porque ele sempre a seguia. Ela sorria para seu amigo, a chuva grossa atrapalhando sua visão um pouco, mas não para que não pudesse ver os fios molhados de Roman se juntando em sua testa. Sofi entendia agora, nenhuma montanha era mesmo tão alta ou oceano tão fundo que os dois não conseguissem superar juntos. Tinham transformado a chuva em algo bom, seus corpos se moviam junto com ela, ela já não era mais capaz de os parar. Era como prender um raio dentro de uma garrafa, essa era a chance de encontrar alguém como Roman, Sofia sabia o quanto era sortuda. De fato rodopiava em meio a sua sorte. “Um filme muito melhor, não acha?” Riu um pouco, essa história dificilmente teria a bilheteria do filme original. Sua risada não conseguiu disfarçar o pulo que seu coração deu, no entanto. Era… engraçado? Não, outra coisa…. Bom, era alguma coisa imaginar que os dois podiam protagonizar seu próprio romance. Mas Sofia tinha certeza de que era só um modo de dizer. “Eu sempre achei que eles deviam ter feito uma versão da faculdade mesmo.” Sem pensar muito, Sofia soltou a mão de Roman e tentou afastar alguns fios dos olhos do amigo, seus braços depois repousando sobre o pescoço dele, ainda dançando conforme a música imaginária. “Você se sente um pouco melhor?” Perguntou com a voz mansa.
"This one is for the actual geeks." Sorriu, sentindo que o ato expandia sua alma. Era engraçado que nem mesmo a chuva gelada, que ensopava suas roupas e fazia com que a camiseta preta grudasse em seu corpo, poderia fazê-lo sentir frio ou qualquer tipo de desconforto. Não existia nenhum lugar no mundo em que preferisse estar, a não ser ali — com o corpo de Sofia sob seu toque delicado e o rosto lindo dela, alegre, em sua visão. "Never beating the nerd allegations." Uma das coisas que mais gostava era como ambos pareciam coexistir em um nicho social no qual se completavam. Roman era capaz de citar uma lista de gostos muito específicos de Sofia, e, no fundo, sabia que ela poderia fazer o mesmo. Às vezes, sentia que Sofia era sua versão feminina em outra vida. Seu corpo se arrepiou com o toque delicado no cabelo, sentindo uma mistura de coisas quando os braços dela se acomodaram de forma tão segura e relaxada em seu pescoço. "Sim," Sua voz baixa, rouca; potencialmente se perdendo no que havia se resguardado e construído por tanto tempo. Seus olhos a observavam com carinho, às vezes se perdendo no caminho e encarando os lábios rosados. Engoliu seco. Respirou fundo, uma, duas vezes. Sentindo as gotas da chuva caírem sobre seu pescoço, molhando o contato entre sua pele e a dela, percebia os caminhos translúcidos que a água traçava no rosto dela — e como seus cílios pareciam mais escuros agora, úmidos, fazendo com que seus olhos brilhassem ainda mais. Tudo aquilo parecia um impulso muito claro. Não havia nada que Roman pudesse fazer para impedir. Aos poucos, quase com receio, Macnair inclinava o rosto para mais perto de Sofia, deixando que seus lábios ficassem a meros milímetros dos dela, compartilhando a mesma respiração sob aquela chuva.
Em meio as gotas pesadas da chuva, Sofia se deu conta de que Roman era a constante entre o sentimento de familiaridade que sentia em relação ao mundo. Mesmo quando pisava em lugar pela primeira vez, sentia-se habituada e Roman sempre estava ao seu lado. Todas os íntimos sentimentos que possuía tinham um toque de seu melhor amigo, eram preenchidos por ele. Seu musical preferido, sua tese, a chuva que caía do céu. Tudo, de alguma forma, era Roman. Mesmo quando não estavam juntos - o que eram pouquíssimas vezes - a gravidade ainda os empurravam para se encontrarem, podiam não estar juntos mas nunca estavam separados. “At least I’m not a nerd alone.” Encostou seu rosto no peito dele por alguns segundos, o ritmo do coração de seu amigo a trazia uma paz inexplicável. Sentia que enquanto aquele órgão batesse ela realmente nunca estaria só.
Sofia sorriu com a resposta dele, tudo aquilo era só mais uma de suas tentativas de fazer Roman se sentir melhor, de ser seu porto seguro como ele era o dela. Nada a deixava mais orgulhosa de si mesma e essa devia ser a explicação para o formigamento que tomou o fundo de seu estômago, mas nada tinham a ver com o timbre de seu amigo, não. Aos poucos a música imaginaria que dançavam foi se esvaindo, o barulho da chuva a única coisa que podia escutar e então nem isso. Gostava de como o silêncio era sempre confortável ao lado do amigo e se Sofia prestasse um pouco mais de atenção perceberia que o silêncio as vezes dizia muita, muita coisa. Como um pedido incerto, uma vontade mais certeira, um sentimento que se assemelhava a crianças pintando desenhos: os limites nunca eram respeitados. Sofia não escutava, porém via. Via a forma que a luz brilhava como um prisma ao redor do rosto de Roman e como as sobrancelhas dele se curvavam toda vez que ele questionava algo dentro de sua cabeça. Viu ele se aproximar e em nenhum momento achou estranho. Roman mais perto? Era natural. Achou que ele fosse dizer algo, talvez um sussurro, ela nao sabia que algumas coisas eram ditas no silêncio, na respiração perto da sua ou como a sua pareceu faltar ao se dar conta do que estava para acontecer. “Roman?” Era um questionamento, mas não soou tanto como um e sim como um pedido. E o que Sofia queria? Ela não tinha tanta certeza.
Ser um bom entendedor de história era saber que o ciclo sempre se repetia. Anos e anos de acontecimentos históricos gravados em diversas linguagens, em papiros e livros grossos, mostravam que, desde que o mundo é mundo, os padrões acerca da humanidade eram os mesmos. No entanto, antes de qualquer coisa se tornar um padrão cíclico, as coisas aconteciam pela primeira vez. E quando marcos históricos tinham o seu início, muitas vezes não se sabia o quão importante era tudo aquilo. Roman, no entanto, sabia exatamente da importância daquele momento; sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, e que o mundo — ao menos aos seus olhos — seria um lugar completamente diferente a partir do momento seguinte. Em algum lugar no livro de sua própria trajetória estaria escrito como Roman subiu as mãos devagar até que ambas estivessem segurando cada lado do rosto de Sofia. Também estaria escrito em como sua respiração ficou pesada, e sua garganta se movimentou quando engoliu seco ao ouvir seu nome em um sussurro inédito — em um tom que jamais havia escutado na voz da outra. Sobretudo, estaria registrado em como seu rosto se inclinou para frente, e seus lábios se pressionaram contra os dela, enquanto seu coração disparava no peito. Naquele momento, Roman sabia: nada mais seria como antes.
Desde que conhecera Roman, Sofia teve que repetir incontáveis vezes que não, eles não estavam juntos. Só que eles nunca estiveram separados também. Onde Sofia ia, Roman seguia e o inverso também era verdade. Quando Roman sorria quase sempre o motivo era Sofia. Todos os últimos filmes que assistiu foram ao lado dele; quando escutava sua nova música preferida era sempre para ele que ela mandava. Ela mesmo havia dito naquele mesmo dia, sabia que viajaria milhares de quilômetros apenas para encontrá-lo. Então nunca estiveram juntos, não, só nunca estiveram separados também. Grudados como ímãs e, num paradoxo, eram duas metades iguais que ainda assim não se separavam. A física não precisava fazer sentido, nem mesmo a história ou a sociologia, nem a chuva que caía, muito menos o ato de dançar sem que música alguma tocasse. Nada precisava ser explicado ao mesmo tempo em que tudo fazia sentido. As mãos de Roman no rosto de Sofia, o espaço ínfimo entre eles, duas bocas se tocando. Coisas que não faziam sentido e não precisavam de explicação. Sofia já nem escutava o barulho da chuva, os dois estavam envoltos no silêncio. Ela só conseguia pensar que Roman entendia cada pensamento que passava por sua cabeça e cada hora de seus dias estavam cheios da presença dele e ela não era nada que não um mosaico de memórias construídas ao lado dele. Então Sofia o beijou de volta porque fazia sentido e porque não fazia, suas mãos envolveram o corpo dele e por um segundo ela acreditou que talvez eles pudessem ser um império que nunca colapsaria.
Sofia estava por todos os lugares; em pequenos detalhes da sua rotina como a música que escutava, a série que havia aprendido a gostar porque agora assistiam juntos, em suas playlists musicais porque sabia que ela gostava de ouvir algumas músicas específicas enquanto dirigiam para outro lugar. Ela estava em seu pensamento antes de dormir, e também logo que acordava, estava também nas notificações do seu celular e nos agradecimentos de sua dissertação. Sofia ocupava cada momento de sua vida de uma forma que Roman jamais poderia se desvencilhar, nem se quisesse. Apaixonar-se por ela não era nada além de uma obviedade. Não existia qualquer chance de o destino de Roman ser diferente do que era; ser perdidamente apaixonado por quem Sofia era, de toda e qualquer forma. Agora Sofia estava sobre seus lábios, sobre suas mãos, retribuindo o beijo que parecia uma explosão cósmica. Sentiu tudo dentro de si virar algo que Roman não tinha ideia, uma bagunça, um caos completo e nada racional. Mas havia sido racional a sua vida inteira de maneira quase exaustiva, seria justo viver pelo o que sentia ao menos uma vez. Passou um dos braços pelo pescoço de Sofia enquanto sua outra mão se firmou em sua cintura, a trazendo para mais perto; Roman sempre a queria mais perto.
Depois de tantos anos, Sofia sentia novamente milhares de borboletas voando desgovernadas dentro de seu estômago. A mão de Roman em seu pescoço, a firmeza em sua cintura, a forma como seus lábios se encaixavam, sentia sua pele formigar em todos os lugares que ele tocava. Não sabia exatamente o que aquilo significava para os dois ou, primeiro, para si mesma. Sabia o que sentia, sabia que aquele era o mesmo Roman que estava sempre ao seu lado, que tinha presenciado todas as suas fases, que tinha ficado apesar de tudo. E se ele a conhecia tanto então era natural que soubesse como puxá-la para mais perto, que soubesse a beijar mais do que qualquer um. Era assustador, mas era também incrível. Deixou ser levada por ele e segurou o seu rosto para se certificar de que aquilo estava mesmo acontecendo. Não conhecia tão bem as linhas do rosto de Roman, mas seria capaz de dizer que sempre foi um desejo seu de saber tudo sobre ele. Deixou que a ponta de seus dedos mapeassem toda a pele que encontrava como virava as páginas de seus livros favoritos, curiosa e com carinho.
O sentimento por Sofia não começou de forma instantânea, não foi amor à primeira vista e muito menos irracional; não foi aquele tipo de amor que surge sem saber da onde, sem saber o porquê. Roman sabia exatamente o porquê de ter se apaixonado por sua melhor amiga, sabia porque sentiu o sentimento ser construído pouco a pouco. Não foi algo que lhe pegou de surpresa, Roman estava ciente de tudo o que acontecia sob o seu peito. Sabia tão bem que muitas vezes lutava contra, por entender que no relacionamento de amizade que tinham, não havia espaço para uma paixão avassaladora como sentia. No entanto, por mais racional que fosse, por mais que tivesse ciência daquilo que sentia, Roman não tinha tanto controle como gostava de pensar, mas agora tinha Sofia em seus lábios e isso lhe pareceu o suficiente, ao menos por agora. O toque em sua pele era o bastante para que todo seu corpo se acendesse e o beijo se tornasse mais intenso. Enquanto desejava que aquele momento nunca tivesse fim, o motorista de um carro que passava ao seu lado não pensava da mesma forma ao buzinar para que o casal saísse do meio da via, fazendo com que Roman saísse do transe que o envolvia e o olhasse para Sofia com uma feição assustada e um tanto receosa.
O barulho da buzina despertou do mundo imaginário que os dois tinham criado naqueles poucos minutos e Sofia se assustou ao se afastar de Roman abruptamente. Toda a cor do rosto de seu amigo havia sumido e aos poucos ela própria se dava conta do que tinha acontecido ali. “Nossa, que mal educado.” Comentou, olhando na direção do carro que já se afastava. Tudo bem que eles estavam errados de estarem no meio da pista, mas ela precisava da distração. Quando voltou a encarar Roman, sabia que precisava dizer alguma coisa, principalmente porque parecia que ele iria vomitar a qualquer momento. “Tá tudo bem, não esquenta.” Segurou o braço dele na tentativa de mantê-lo ali. “Eu sei o que você vai dizer e tá tudo bem, de verdade.” Assentiu com vigor então puxando Roman para longe da chuva. “Hoje foi um dia difícil, nada aconteceu como a gente queria e a chuva… enfim, a gente se deixou levar… super normal.” Sentia seu coração bater apressado no peito, precisava consertar aquilo antes que virasse um problema. “Tá tudo bem,” repetiu mais uma vez, talvez para convencer a si mesma. “Ainda somos só eu e você.”
vc acha q sua mãe sabe jogar rpg mesmo ou vc acha q até hoje ela só finge?
Ela nunca nem chega a jogar, sempre começa a jogar charme em cima do meu pai e aí ele fica todo perdido e ela vence ele sem nunca nem jogar um dado.
com todo o respeito ao cedrico mas a amizade com o roman é muuuuito maior né diva tipo nao tem comparação nao sentam na mesma mesa de amizade de novo com todo o respeito do mundo minha diva mas nao da pra comparar os dois
Obviamente. Mas é isso que eu quis dizer, o Roman e eu fazemos tudo juntos, somos quase a mesma pessoa e eu não quero perder ou estragar isso de jeito nenhum. Não iria suportar mesmo.
já pensou em namorar seu melhor amigo? juntar o melhor dos dois mundos?
É sempre mais complicado do que parece.
Eu já namorei um grande amigo meu e depois perder tudo deixa um vazio terrível. Não quero nunca e nem suportaria que isso acontecesse comigo e com o Roman.

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e vc e o roman estao de boa mesmo depois daquele pequeno detalhe?
A gente tá ótimo!
quem tem boca vai a roma: concorda?
Concordo, gosto muito desse ditado popular.
amiga verdade q vc tem tesão em magrelos com uma leve cara de drogados? se for bom em historia vc ja tira a calcinha ne
Tipo o Matthew Mcconaughey em clube de compras dallas? Sendo que é o filme que ele tá menos atraente.
então vc lembra do roman cantando wonderwall pra vc?
Eu lembro de cantar wonderwall com Roman, sim.
era legal se alguém fizesse um cover de you belong with me da ts durante o festival né pra vc poder olhar pro roman e finalmente Perceber (já contou pra alguém do beijo vida?)
Perceber...?
Não contei e não vou contar, ok? A gente não precisa transformar isso em uma coisa enorme, tá tudo bem.

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vdd q o roman cantou wonderwall olhando no fundo dos seus olhos enquanto o lucas vomitava no canto?
Não lembro do Lucas ter vomitado em momento nenhum... Será que foi alguma coisa que ele comeu?
you take my hand and drag me headfirst; eternal light
@bellisofia
Com o computador aberto a sua frente, Roman apoiava a cabeça nas mãos de forma cansada, exausta e sem esperança. O documento do word aberto há horas não sofria alteração alguma há muito tempo e Roman só conseguia encarar a página com as milhares de correções sem ideia por onde começar. Para piorar o que já estava ruim, muito ruim, estava na faculdade. Preso, com o apocalipse acontecendo do lado de fora do prédio. Tudo porque precisava buscar algumas assinaturas e certificados para prosseguir com a pesquisa. Não conseguiu nem um e nem outro, tampouco trabalhar no que precisava e poderia até aquele momento. Já havia mencionado o tornado do lado de fora na cidade? Sem paciência, Roman cruzou o braço sobre o teclado e apoiou a cabeça em seu braço, olhando para o colo enquanto pegava o celular no bolso da calça e digitava a mensagem com a mão livre.
Roman: You up?
Naquele momento Sofia achava muito irônico que Sun City tivesse esse nome. Onde estava o sol? A cidade mais ensolarada da região não tinha um resquício do brilho dourado que era tão característico. E é claro que um tornado tinha que acontecer justo no dia que ela tinha uma escavação para fazer, essa era a sorte de ser mestranda. Será que nunca teria sorte?! Estava cansada de encarar seu computador e escrever palavras complicadas sobre um tema que as vezes achava que odiava. Não odiava de verdade, porém era difícil se lembrar disso quando ficava encarando uma tela por tempo demais. Ainda estava no seu departamento, olhando para a janela como se esperasse que o céu abrisse magicamente e ela ainda pudesse sair, quando seu celular vibrou em seu colo.
Sofia: infelizmente
Sofia: onde você tá? tudo bem?
Roman: infelizmente? Roman: na sala individual da biblioteca. depende do que você entende por tudo bem Roman: seguro sim mas bem não
Soltou uma risada anasalada quando a luz do celular se iluminou em seu colo e ele lia a mensagem em tom desesperado de Sofia. Era engraçado como ambos eram tão ligados que dividiam o mesmo momento de vida, e também o mesmíssimo sentimento sobre isso. Ergueu a cabeça da mesa, esticando as costas e fechando o tela do computador. Não queria atrapalhar o desempenho de Sofia, mas considerando que não estava conseguindo fazer nenhum progresso e havia um tornado do lado de fora da universidade, duvidava que a outra também conseguisse alguma produtividade diante disso. Se levantou da cadeira e organizou suas coisas, colocando a mochila nas costas já saiu da sala, digitando a mensagem que poderia melhorar boa parte do seu dia.
Roman: onde você está?
Sofia: essa chuva tá me dando todos os tipos de depressão existentes
Sofia: tô na mesma
Mesmo que permanecesse com raiva do tornado do lado de fora, Sofia conseguiu sorrir com a mensagem de seu amigo. Era bom saber que ele estava seguro, mas era ainda melhor saber que ele estava perto; se sentia um pouco melhor só com isso. Roman e ela pareciam sempre viver o mesmo momento de suas vidas e quando ela tinha um dia bom, ele provavelmente estava tendo um também. Então não se surpreendeu com as mensagens frustradas dele porque, bem, era exatamente como se sentia também. Sorriu quando a tela de seu celular acendeu novamente, agradeceu mentalmente o fato de estar a uma distância perfeitamente segura de Roman.
Sofia: no meu dpto, no primeiro lab vindo daí
Sofia: se quiser compartilhar da minha desgraça, a porta tá só encostada
Roman sabia que ele e Sofia tinham algo muito especial. Não saberia jamais explicar como o sentimento nasceu em seu peito; tinha a impressão que ele estava lá desde que ele chegou ao mundo, só esperando florescer quando a conheceu. Talvez fosse egoísmo e egocentrismo de sua parte, mas duvidava que quaisquer outras pessoas tinham algo tão especial assim. Por isso, era um tanto óbvio que ela também estaria na faculdade, tentando, escrever sua tese, assim como ele. Tinha a impressão que seus pés sabiam o caminho até o departamento dela ainda que seus olhos estivessem fechados. "Tão ruim assim?" Perguntou conforme entrava no ambiente e fechava a porta atrás de si. "Pensei em jogar o computador pela janela e falar que perdi por causa do tornado." Resmungou enquanto se sentava ao lado da amiga, deixando a bolsa sobre a mesa. "Mas aí não teria uma boa desculpa pela versão que tá guardada no drive."
“Um pouco melhor agora.” Sofia sorriu ao ver seu amigo entrar, se esquecendo por alguns minutos o porquê de estar tão irritada. Toda vez que via o rosto de Roman precisa esquecer de quaisquer emoções negativas. “Sinto falta de quando não existia internet, nesse caso eles iriam fazer o que?” Apesar de seu tom reclamão ter voltado, ela ainda sorria. Era grata por Roman estar ali no mesmo lugar que ela, principalmente enquanto o mundo se acabava. “Sabe onde eu deveria estar agora? Em uma escavação! A primeira em meses e, olha só, o dia tá perfeito…” Apontou para a janela e a cena cinza que ela exibia, suspirando. “Todo mundo foi embora, mas eu fiquei porque me recusei a acreditar que a chuva ia durar.” Seu otimismo irreal sempre lhe causava dores de cabeça. “Pathetic, uh?” Voltou-se para seu amigo, uma risada cansada saindo de seus lábios enquanto apoiava o rosto em sua mão.
"Missed me that much?" Brincou, como se algo não tivesse se agitado dentro de seu peito. Era difil manter naturliadade nessas horas, mas já havia treinado isso há tempos. "Te dar uma máquina de escrever, é claro. Ou você acha mesmo que em um mundo com pós graduação existe alguma paz?" Apesar do tom de brincadeira, era o que Roman realmente acreditava. "Pensa pelo lado positivo, pelo menos você não estaria no meio do barro." Roman era viciado em ver o lado bom das coisas, mas isso só acontecia quando estava com Sofia. "You still at the restaurant?" Pensando bem, haviam muitas coisas que Roman só entendia, ainda que o básico, por causa de Sofia. A dona da música que havia feito o trocadilho era uma delas. "Nah, just hopeful." Deu um peteleco no nariz dela sem força alguma. "Pensa bem, pelo menos você tem a faculdade inteira pra você durante a maior chuva já vista na cidade."
“Ou a desgraça é melhor quando compartilhada com alguém, um dos dois.” Deu de ombros, sabendo muito bem que tinha sim sentido muita falta dele e que sempre o queria ao seu lado. “Eu queimaria todos os papéis então! Seria o novo Nero e as árvores a minha Roma!” Levantou seus braços de maneira exasperada. Sofia até citava o império romano com frequência, uma consequência de estar sempre com Roman. “Acho que eu preferia estar no meio do barro,” choramingou, afundando seu rosto ainda mais na palma de sua mão. “In this corner I’m haunting.” Um sorriso genuíno apareceu em seu rosto, sentia algo incandescente toda vez que Roman comentava sobre algo que ela gostava, poucas vezes sentiu que alguém a entendia como ele - ou que se importasse como ele. “Esse é um jeito de ver as coisas…” Levantou seu rosto, um tanto pensativa. “Mas nós temos a faculdade inteira! É isso, chega de choramingar!” Como se tivesse injetado adrenalina, Sofia apoiou suas mãos na mesa, decidida a melhorar seu humor e o de seu amigo. “A gente não vai pensar no que deu errado, ok? Ah! Posso te mostrar uma coisa?”
"Eu deveria me preocupar ou...?" Brincou. Já havia ouvido muito trocadilhos por causa de seu nome, mas era sempre especial quando a brincadeira acontecia com Sofia, assim como outras coisas que compartilhava com ela e pareciam tão sem graças em sua ausência. "Você vai ter outras oportunidades. Só precisa terminar sua dissertação primeiro." Batucou os dedos na tela do computador que ela usava. "Deveríamos fazer um levantamento de quantas músicas citam ou dão a entender, ativamente, sobre fantasmas." A ideia pipocou em sua cabeça como algo brilhante. "Mas só vale o que você já tem salvo no spotify." Pontuou. Mal teve tempo de acompanhar a súbita mudança de humor de Sofia, erguendo uma das sobrancelhas no processo. "É agora que você se transformar em Nero? Não vai me dar direito as últimas palavras?" Se levantou, guardando o celular no bolso.
“Não… só estou de saco cheio de tentar escrever qualquer coisa.” Falou um tanto irritada e muito cansada. Era para ter saído a campo naquele dia, não precisaria pensar em sua dissertação assim… que azar. “Então nunca mais!” Jogou seus braços para cima num ato dramático, sentindo que precisava choramingar contra o ombro de seu amigo mas sabia que ele sentia todas àquelas coisas também e decidiu não ser um peso. “Isso é genial! Você deve ter bem mais que eu, tenho certeza.” Se lembrava de mais duas ou três músicas que escutava com frequência e citava fantasmas, uau, realmente era um tema recorrente. “Só se elas forem ‘Sofia, você é a melhor pessoa que já conheci e ter você na minha vida deu sentido a tudo’, se não eu não quero saber.” Brincou, caminhando até uma das mesas que ficava mais perto da janela, onde várias peças de escavações descansavam. “Vem aqui.”
"No dia em que você defender vai se lembrar desse momento." Bagunçou os cabelos da outra. Era engraçado como Roman se mostrava sempre positivo quando se tratava de Sofia e sua tese, mas não aplicava esse mesmo otimismo ao seu caso. "Vai dar certo e você tem tempo até entregar a primeira versão. Por que não tenta fazer outra coisa e deixar pra mexer nisso mais tarde ou amanhã? Talvez o mundo acabe hoje mesmo e você não precise nem se preocupar mais com isso." Brincou, ouvindo um trovão no mesmo instante. "Viu?!" Apontou para a janela. "Maybe. Give me your first shoot." Tentaria de tudo para que ela se esquecesse os problemas e por alguns minutos pensasse em algo que não fosse a dissertação e a visita do campo. "Muito genérico, não acho que vai ficar legal quando contar isso pra outra pessoa. Tem outra sugestão?" Por breves segundos, sorriu; talvez em algum mundo ela soubesse que suas palavras eram verdadeiras. "What I'm looking?" Perguntou ao parar do lado da amiga, observando as peças a sua frente.
Sofia fingiu um olhar irritado por Roman ter bagunçado seus cabelos, mas logo estava sorrindo. Era difícil não sorrir na companhia de seu amigo. “Tô contando com isso, Sun City só tem um objetivo hoje: se destruir inteira.” Olhou para janela por poucos segundos, seu olhar migrando para o rosto de Roman rapidamente. Sentia um morno em seu peito toda vez que ele fazia aquilo, tentava ser otimista por ela; sabia que não era natural para ele e, não sabia explicar, mas sentia-se muito especial ao lado dele. “A Taylor tem várias, ‘but if he’s a ghost then i can be a phantom’…” Pensando melhor talvez fosse perder aquela brincadeira. “Sua vez agora.” Mas emos falavam mais sobre fantasmas, será que não? “Escolhe você suas últimas palavras então, vamos algo original e criativo.” Desafiou, com suas sobrancelhas levantadas e um certo palpitar em seu peito. Sofia sempre se pegava pensando que Roman era o único amigo de que precisava, duvidava que algum dia tivesse tanta conexão com outra pessoa. “Você tá vendo esse colar e a pulseira?” Olhou para Roman animada, “Eles eram usados no kula, que era mais ou menos um ritual de troca entre duas pessoas ou mais, eu te dou o colar, você me dá a pulseira… E eles viajavam centenas de quilômetros só pra isso, acredita?” Era meio surreal estar olhando para aquelas peças. “Era uma festa muito grande só pra você trocar algo com alguém, só pra você se sentir especial basicamente.” Então arriscou um olhar para o amigo, ainda sorrindo. “Desde que trouxeram, fiquei pensando em te mostrar. Meio que eu viajaria centenas de quilômetros pra te entregar um colar.”
"Essa eu não sei se conheço." Conhecia várias, pensando bem. Mas buscando de cabeça, não se lembrava exatamente esse trecho. "Não é do Folklore ou Evermore, certo?" Provavelmente os álbum que realmente conhecia. "There's a ghost in my room I think I'll name it after all of you. Vegas, All Time Low." Sentiu o peito se apertar, sempre se lembrava de Sofia quando ouvia essa música. Não fazia sentido, mas muita coisa em sua vida não fazia mesmo. "Vai, próxima música." Desviou os próprios pensamentos. "Até tu, Brutus?" Colocou as mãos sobre o peito magro, com sua melhor expressão de decepção. A observou em silêncio, as vezes se esquecendo de olhar as peças a sua frente, já que essas eram o motivo da explicação. Mas era um pouco difícil se atentar nelas enquanto Sofia parecia tão etérea enquanto lhe explicava o assunto com tanta facilidade. Roman as vezes acreditava que Sofia nascia sabendo tudo o que sabia, como um dom natural. Havia tantas coisas que ele admirava nela que se sua tese fosse sobre ela, teria entrego o arquivo sem maiores preocupações a tempos atrás. Continuou a olhando, sentindo como se fogos de artifícios explodissem em seu coração, um frio na base de sua coluna. "Eu também viajaria muitos quilômetros por você." Sorriu, todos seus órgãos se derreterem. "Mas dessa vez eu não precisei." Tirou do bolso da calça preta duas pulseiras de miçangas; uma com bolinhas pretas e brancas intercaladas, com Swemo escrito em letrinhas pretas e outra com pedrinhas brancas e marrons, com Cowboy Like Me escrito em letras douradas. "Eu vi que era algo que os swifities fazem pra trocar durante o show e eu, hm, achei que você ia gostar. Descobri que sou horrível com atividades manuais e o Lucas pior ainda, demoramos quase uma hora pra fazer essas duas." Riu baixinho, colocando a pulseirinha no braço da amiga e a preta e branca no seu. "Don't say I never gave you anything."
“Reputation.” Respondeu, sentindo um morno em seu peito que Roman conhecesse os outros dois álbuns de tal forma que era capaz de reconhecer quando uma música não pertencia a eles. Sabia que era a responsável por isso e sentia algo voar em seu estômago. “Acho que lembro dessa…” Assim como seu amigo, Sofia também se interessava em tudo que era importante para ele. Na verdade, as vezes contemplava ter um caderno apenas para anotar tudo que Roman gostava. “Your smile, my ghost, I fell to my knees. This Love, Taylor Swift.” A letra veio naturalmente em sua mente e Sofia acabou demorando um segundo a mais observando o rosto de seu amigo. Era comum que se perdesse observando a pinta que ele tinha na bochecha ou então como seus fios cobriam uma de suas sobrancelhas e era adorável, sério, talvez hipnotizante. “Você chama isso de original?” Riu, finalmente desviando seu olhar. Sofia não entendeu de início o que Roman queria dizer, não até ver duas pulseiras em sua mão e sentir seu coração se agitar. “Você e o Lucas fizeram essas pulseiras?” Tinha humor em seu tom e uma leve incredulidade, os dois não eram as melhores pessoas em trabalhos manuais e as pulseiras pareciam perfeitas. Eram perfeitas. “É difícil de acreditar.” Mantinha seu olhar na pulseira que agora enfeitava seu braço, um sorriso enorme em seus lábios. Sabia, no entanto, que não era tão difícil. Não, fazia sentido que Roman fizesse algo assim assim como fazia sentido que Sofia se sentisse tão feliz ao lado dele. “I love it, thank you.” Voltou a olhar para ele, pensando se era visível em suas íris claras o quanto aquilo tinha sido importante para ela. “Agora que eu já falei um monte, que tal você me falar direito como seu dia estava indo?” Roman tinha esse hábito de lhe deixar reclamar sobre seu dia horrível e não falar sobre o que o incomodava apenas para que ela tivesse esse espaço. Mas Sofia sempre o buscava por fim, sempre queria retribuir o que ele era para ela.
A informação se fixou em seu cérebro; sentindo como se fosse de extrema importância que soubesse aquele tipo de coisa. Não por ele, por Sofia. Sempre parecia adequado que soubesse um tanto de conhecimento que fossem útil para ela, que fosse importante e de valor para ela. Lhe soava natural de certo modo, agradar a outra. "Red?" Chutou, não tendo certeza que álbum era aquela música, no entanto a olhando, sentindo como aquelas palavras soaram, Roman se sentiu atingindo. Bem ali, no meio do peito, sentindo sua cabeça rodar um pouco. Era difícil lidar com aquilo tudo o tempo todo, sabendo como as coisas aconteciam frequentemente em seu coração. Se deixava sonhar por um segundo em como seriam aquelas palavras ditas em um momento sincero e não uma brincadeira entre amigos. "Eu não lembro de mais nenhuma." Riu meio sem humor, desviando o olhar a balançando a cabeça por uns segundos e olhando para os pés. "You win." Sorriu gentilmente, tentando voltar a realidade. "Foi um trabalho complicado, e acho que não conseguiria ter feito sozinho." Olhava com carinho as peças na mão da outra, as achando até mais bonitas agora que estavam na posse da outra. "Let me." Pegou com cuidado da mão dela a pulseira e colocou em seu pulso delicado, colocando a sua própria no próprio pulso. "Kinda swifities besties." Sorriu. "Uma merda." Deu os ombros, com um sorriso triste. "Um desastre climático e eu tenho que escrever uma tese. A qual não consigo nem olhar sem ter vontade de pular da janela."
“1989. Acho que preciso te educar mais na discografia da Taylor.” A verdade era que não sabia como o amigo aguentava tanto já que estava sempre explicando a ele a história por trás de todas as músicas da cantora. Mas eles se divertiam, bom, Sofia gostava de pensar que sim. “Eu estava mesmo torcendo pro você dessa vez, quem sabe na próxima.” Sorriu, empurrando o ombro do amigo levemente. Em alguns momentos como aquele, Sofia queria poder entrar dentro da mente de Roman e descobrir tudo o que rodava ali. Era o assunto que mais lhe interessava, o que ele pensava, a forma como as coisas o atingiam. “Vocês se superaram, ficaram ótimas.” Seu olhar se alternava entre a pulseira e Roman, seu coração ainda completamente derretido com o presente. “Parece que a gente até combinou. Eu te falando sobre as peças, você com uma pulseira para mim…” Tudo entre os dois sempre se encaixava. “All my days I’ll know your face, bestie.” Se lembrou daquela letra automaticamente, então encostou sua pulseira na dele com um sorriso genuíno em seu rosto. “Em que parte você tá? Acha que consigo te ajudar em algo?” Se pudesse escreveria tudo para Roman, tudo bem que não estava escrevendo nem sua própria tese, mas se achava capaz de fazer isso pelo seu melhor amigo.
Uma coisa que Sofia provavelmente não sabia era que Roman estava disposto a aprender qualquer coisa que ela quisesse ensiná-lo. Ele estava pronto para ouvir sobre seus artistas favoritos e sua visão sobre cada um deles. Roman era uma pessoa muito aberta a conhecer coisas novas e não torcia o nariz para quase nada; ainda assim, tinha uma disposição além do normal para tudo o que Sofia representava. “É, acho que sim,” respondeu orgulhoso do trabalho artesanal que havia feito. Pensou que poderia fazer mais um milhão de pulseiras para ela, só para vê-la sorrir daquela forma de novo, por algo que ele mesmo tinha feito. “And I'll hold the door for you.” Seu sorriso era tranquilo, e ele a olhava com carinho. Como poderia ser diferente? Entre tantas coisas que sentia, o carinho transbordava por seus poros. Ele amava Sofia, isso era óbvio há tempos, mas o carinho e o zelo que tinha por ela se espalhavam por todo o seu corpo. Com a ponta dos dedos, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, prendendo-a gentilmente atrás de sua orelha. “Revisão da discussão. Não falta tanto assim, só se eu tivesse vontade de fazer.” Ele riu. “Mas chega de falar de mim, e a sua?”
Uma das coisas que Sofia havia aprendido ao longo dos seus anos de estudo era que os seres humanos eram, em resumo, muito simples. Mesmo com seus sentimentos complexos, suas dúvidas e medos, tudo era tão simples quanto abrir os olhos pela manhã; quanto fechar os olhos ao sentir o sol no seu rosto pela manhã. Simples quanto os dedos de Roman colocando seus fios no lugar, como o sorriso que apareceu em seus lábios e a vontade de deixar um beijo no rosto dele. “É impressionante como a vontade nunca vem, né?” Riu também, porque era natural e sempre ria com ele. “Ah, não, não. Eu sempre fico falando e falando sobre mim e você tenta fugir, mas hoje não.” Sofia levou seu indicador ao peito de Roman numa tentativa de o empurrar. “Na verdade, acho que nós dois precisamos nos distrair e…” Os olhos dela pausaram sobre a janela e a chuva que caía lá fora e, como na maior parte de seus dias, uma música começou a tocar em sua mente imediatamente. “Vem aqui,” rindo, Sofia segurou a mão de Roman e o puxou para fora do laboratório. “Você vai odiar, vai odiar mesmo…” Ainda rindo, ela olhava para seu melhor amigo com um leve arrependimento porque ele ia mesmo odiar a ideia que ela teve. “Mas… se transformam limão em limonada, a gente pode transformar a chuva em… ok, não pensei nessa parte direito. Mas! As vezes a chuva não é tão ruim quanto eu pensei e a gente pode aproveitar.” Sofia então soltou a mão do seu amigo e entrou no meio da chuva. “Você vem?”
Sofia não estava errada; Roman não tinha o costume de falar muito sobre si mesmo, até porque não gostava de atrair atenção para si durante uma conversa. O que ele realmente gostava era de ouvir Sofia falar sobre qualquer coisa: o tempo, sua dissertação, música, filmes, sua família e, mais do que tudo, Roman adorava ouvi-la falar sobre ela mesma. Balançou a cabeça em sinal negativo, incapaz de conter o sorriso apaixonado que surgia em seus lábios ao sentir o toque firme em seu peito. Mais ainda, era incapaz de controlar as palpitações desgovernadas do coração ao encarar o perfil da outra. Amor era algo complicado, principalmente quando não era correspondido. "An?" Perguntou, um tanto atônito e confuso. Não havia entendido o que Sofia havia dito, perdido que estava nos detalhes de seu rosto, deixando-se levar. "Sofia..." A careta se formou automaticamente em seu rosto ao perceber o que estava acontecendo. Passou as mãos sobre o rosto, soltando uma risada cansada. "Um banho. De cachoeira." Tentou completar o raciocínio dela, ainda que não estivesse de acordo com aquilo tudo. Pensou bastante, por muito tempo, e, por mais que não estivesse inclinado à ideia de sair no estacionamento da faculdade enquanto chovia (e chovia muito!), não conseguia negar algo que Sofia quisesse. Deu um passo após o outro até ficar de frente para a garota, sentindo as gotas molharem seu corpo. "Squadra bagnata, squadra fortunata." Brincou, passando o dedo em uma mecha molhada de Sofia. "Feliz?" Perguntou com um sorriso no rosto, afastando a franja dos olhos.
“ISSO! Um banho de cachoeira.” Talvez nunca tivera um sorriso tão largo quanto naquele momento. Sofia não entendia como Roman sempre parecia saber exatamente aquilo que estava pensando, como se seus pensamentos sempre passassem pela mente dele antes de serem ditos. Não existia um mundo onde eles não se encontrariam, disso ela sabia bem, tudo só fazia sentido porque Roman e ela eram amigos. Ela sabia que ele ia entrar no meio da chuva com ela, sabia que ele não queria muito, mas que iria. Não se preocupou quando ele demorou, era mestra em esperar o tempo de seu amigo e principalmente em ser sua a mão em que ele se apoiaria. “Muito!!!” Levou suas mãos até a testa do outro, tentando afastar os fios molhados dos olhos dele. Chovia muito mesmo, as gotas caíam firmes sobre sua pele, mas Sofia não estava arrependida, não mesmo. “Ei! Você lembra de quando te obriguei a ver High School Musical comigo? Você vai ter que dançar comigo na chuva agora.” Aquilo não precisava ser algo que só acontecia em filmes, pensou e então estendeu mais uma vez a mão para seu amigo. “Tudo bem se você não souber dançar valsa porque eu também não faço ideia de como é.”
Existia algo mágico na forma como Sofia sorria e enchia o peito de Roman. Talvez aquilo fosse a razão de todas as coisas, não era? O amor estava ali, nos detalhes, nas ações que ele fazia em prol de outra pessoa, principalmente quando o intuito era simples: fazê-la sorrir. Roman não era alguém que ficava se questionando ou elaborando como fazer tal feito; as coisas simplesmente aconteciam, e ele era grato por ter o prazer de viver cada uma delas. Era tão satisfatório vê-la alegre daquela forma que as gotas grossas de chuva não o incomodavam, não quando algo muito melhor estava à sua frente, com as bochechas rosadas e os olhos brilhando. "An?" Arregalou os olhos de susto. "Eu não..." Fez uma careta, talvez aquilo estivesse muito além das suas habilidades sociais. "Sabia que teria algum prejuízo ao assistir àqueles filmes com você." Brincou, soltando um suspiro cansado em meio a uma risada. Olhou-a por alguns instantes, enquanto perguntas que começavam com um sonoro "e se?" pairavam em sua mente. Deu um passo à frente e, de forma tímida, colocou uma mão na cintura de Sofia, sentindo os dedos esquentarem sobre a roupa molhada. Olhou-a com cuidado, como se estivesse pedindo permissão por aquele toque. Procurou pela sua outra mão, segurando-a com carinho enquanto fazia o seu melhor. "Já é muito Troy Bolton da minha parte?"
Roman estudava história, em breve seria um excelente mestre na área e Sofia se dedicava a estudar a humanidade, como ela havia começado e como se mantinha então era natural dizer que os dois viviam muito dentre o que era real e ainda assim naquele momento Sofia poderia jurar que estava vivendo dentro de um filme. Seu dia tinha sido arruinado, não conseguiu ir à escavação que tanto queria e então como num passe de mágica a presença de Roman foi capaz de transformar tudo isso. É claro que seus olhos brilhavam, é claro que seu sorriso era grande, nunca tinha estado tão feliz. “Prejuízo??? É uma honra.” Fingiu que estava ofendida mas até a chuva sabia como seu coração batia forte e alegre dentro do peito. Quando seu melhor amigo a olhou, os dedos dele tocando com cuidado sua cintura, Sofia sorriu para ele. Aquele toque não lhe era estranho apesar de não conseguir se lembrar de Roman já havia segurado sua cintura antes, mas era certo, era a pessoa que ela mais confiava no mundo, estava tudo bem. “Só entre nós? Você é muito melhor que ele.” Colocou a mão livre sobre o ombro do outro, aproximando também seu corpo ao dele. Nenhuma música tocava de fato, porém dentro de sua mente Sofia podia ouvir a melodia claramente e ela deu o primeiro passo para que eles entrassem no ritmo. Agora sabia como Gabriella havia se sentido, entendia a necessidade de rodopiar na chuva, ela faria qualquer coisa com Roman também, inclusive aquelas que não faziam sentido.
Roman até que poderia ser considerado alguém inteligente. Tinha bons conhecimentos, estava atualizado sobre as novidades globais em relação a entretenimento e política, entendia muito bem de história greco-romana em geral (até mesmo em níveis não muito saudáveis ou socialmente aceitáveis) e era bom com cálculos. Até achava que entendia Sofia muito bem, ou pelo menos achava que entendia, até aquele momento. Aquelas palavras ressoaram, formando ondas que ecoavam por cada canto de sua mente. Não sabia o que ela queria dizer com aquilo, tampouco onde queria chegar; mas soube que algo se acendeu dentro do seu peito, como uma chama. "So, can I have this dance?" Sorriu timidamente, sentindo a música lenta tocar em sua cabeça. Não sabia de onde vinha sua coragem ou impulso, mas talvez estivesse tão envolvido naquele cenário que criaram que Roman apenas deixou sua mão puxar Sofia para um pouco mais perto. "Maybe we're stuck in the middle of romantic crises of an athlete and a nerd." Sorria de forma tão leve que parecia realmente esquecer dos problemas acadêmicos que o assombravam, girando Sofia delicadamente sob a água que os molhava de forma quase mágica. "Or two nerds." Talvez não tivesse se dado conta do que havia acabado de dizer; era delicado, sutil e quase imperceptível, mas estava ali. "Talvez não tenhamos que correr para conciliar o teatro, o basquete e a competição de química. Seria só entre escavação e revisão bibliográfica na biblioteca da universidade."
Era a primeira vez que Sofia dançava na chuva, ela nem ao menos acreditava que aquele tipo de coisa acontecia fora da ficção. Quem seria louco o bastante para se molhar inteiro por motivo nenhum? Aparentemente, Sofia. E Roman porque ele sempre a seguia. Ela sorria para seu amigo, a chuva grossa atrapalhando sua visão um pouco, mas não para que não pudesse ver os fios molhados de Roman se juntando em sua testa. Sofi entendia agora, nenhuma montanha era mesmo tão alta ou oceano tão fundo que os dois não conseguissem superar juntos. Tinham transformado a chuva em algo bom, seus corpos se moviam junto com ela, ela já não era mais capaz de os parar. Era como prender um raio dentro de uma garrafa, essa era a chance de encontrar alguém como Roman, Sofia sabia o quanto era sortuda. De fato rodopiava em meio a sua sorte. “Um filme muito melhor, não acha?” Riu um pouco, essa história dificilmente teria a bilheteria do filme original. Sua risada não conseguiu disfarçar o pulo que seu coração deu, no entanto. Era… engraçado? Não, outra coisa…. Bom, era alguma coisa imaginar que os dois podiam protagonizar seu próprio romance. Mas Sofia tinha certeza de que era só um modo de dizer. “Eu sempre achei que eles deviam ter feito uma versão da faculdade mesmo.” Sem pensar muito, Sofia soltou a mão de Roman e tentou afastar alguns fios dos olhos do amigo, seus braços depois repousando sobre o pescoço dele, ainda dançando conforme a música imaginária. “Você se sente um pouco melhor?” Perguntou com a voz mansa.
"This one is for the actual geeks." Sorriu, sentindo que o ato expandia sua alma. Era engraçado que nem mesmo a chuva gelada, que ensopava suas roupas e fazia com que a camiseta preta grudasse em seu corpo, poderia fazê-lo sentir frio ou qualquer tipo de desconforto. Não existia nenhum lugar no mundo em que preferisse estar, a não ser ali — com o corpo de Sofia sob seu toque delicado e o rosto lindo dela, alegre, em sua visão. "Never beating the nerd allegations." Uma das coisas que mais gostava era como ambos pareciam coexistir em um nicho social no qual se completavam. Roman era capaz de citar uma lista de gostos muito específicos de Sofia, e, no fundo, sabia que ela poderia fazer o mesmo. Às vezes, sentia que Sofia era sua versão feminina em outra vida. Seu corpo se arrepiou com o toque delicado no cabelo, sentindo uma mistura de coisas quando os braços dela se acomodaram de forma tão segura e relaxada em seu pescoço. "Sim," Sua voz baixa, rouca; potencialmente se perdendo no que havia se resguardado e construído por tanto tempo. Seus olhos a observavam com carinho, às vezes se perdendo no caminho e encarando os lábios rosados. Engoliu seco. Respirou fundo, uma, duas vezes. Sentindo as gotas da chuva caírem sobre seu pescoço, molhando o contato entre sua pele e a dela, percebia os caminhos translúcidos que a água traçava no rosto dela — e como seus cílios pareciam mais escuros agora, úmidos, fazendo com que seus olhos brilhassem ainda mais. Tudo aquilo parecia um impulso muito claro. Não havia nada que Roman pudesse fazer para impedir. Aos poucos, quase com receio, Macnair inclinava o rosto para mais perto de Sofia, deixando que seus lábios ficassem a meros milímetros dos dela, compartilhando a mesma respiração sob aquela chuva.
Em meio as gotas pesadas da chuva, Sofia se deu conta de que Roman era a constante entre o sentimento de familiaridade que sentia em relação ao mundo. Mesmo quando pisava em lugar pela primeira vez, sentia-se habituada e Roman sempre estava ao seu lado. Todas os íntimos sentimentos que possuía tinham um toque de seu melhor amigo, eram preenchidos por ele. Seu musical preferido, sua tese, a chuva que caía do céu. Tudo, de alguma forma, era Roman. Mesmo quando não estavam juntos - o que eram pouquíssimas vezes - a gravidade ainda os empurravam para se encontrarem, podiam não estar juntos mas nunca estavam separados. “At least I’m not a nerd alone.” Encostou seu rosto no peito dele por alguns segundos, o ritmo do coração de seu amigo a trazia uma paz inexplicável. Sentia que enquanto aquele órgão batesse ela realmente nunca estaria só.
Sofia sorriu com a resposta dele, tudo aquilo era só mais uma de suas tentativas de fazer Roman se sentir melhor, de ser seu porto seguro como ele era o dela. Nada a deixava mais orgulhosa de si mesma e essa devia ser a explicação para o formigamento que tomou o fundo de seu estômago, mas nada tinham a ver com o timbre de seu amigo, não. Aos poucos a música imaginaria que dançavam foi se esvaindo, o barulho da chuva a única coisa que podia escutar e então nem isso. Gostava de como o silêncio era sempre confortável ao lado do amigo e se Sofia prestasse um pouco mais de atenção perceberia que o silêncio as vezes dizia muita, muita coisa. Como um pedido incerto, uma vontade mais certeira, um sentimento que se assemelhava a crianças pintando desenhos: os limites nunca eram respeitados. Sofia não escutava, porém via. Via a forma que a luz brilhava como um prisma ao redor do rosto de Roman e como as sobrancelhas dele se curvavam toda vez que ele questionava algo dentro de sua cabeça. Viu ele se aproximar e em nenhum momento achou estranho. Roman mais perto? Era natural. Achou que ele fosse dizer algo, talvez um sussurro, ela nao sabia que algumas coisas eram ditas no silêncio, na respiração perto da sua ou como a sua pareceu faltar ao se dar conta do que estava para acontecer. “Roman?” Era um questionamento, mas não soou tanto como um e sim como um pedido. E o que Sofia queria? Ela não tinha tanta certeza.
Ser um bom entendedor de história era saber que o ciclo sempre se repetia. Anos e anos de acontecimentos históricos gravados em diversas linguagens, em papiros e livros grossos, mostravam que, desde que o mundo é mundo, os padrões acerca da humanidade eram os mesmos. No entanto, antes de qualquer coisa se tornar um padrão cíclico, as coisas aconteciam pela primeira vez. E quando marcos históricos tinham o seu início, muitas vezes não se sabia o quão importante era tudo aquilo. Roman, no entanto, sabia exatamente da importância daquele momento; sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, e que o mundo — ao menos aos seus olhos — seria um lugar completamente diferente a partir do momento seguinte. Em algum lugar no livro de sua própria trajetória estaria escrito como Roman subiu as mãos devagar até que ambas estivessem segurando cada lado do rosto de Sofia. Também estaria escrito em como sua respiração ficou pesada, e sua garganta se movimentou quando engoliu seco ao ouvir seu nome em um sussurro inédito — em um tom que jamais havia escutado na voz da outra. Sobretudo, estaria registrado em como seu rosto se inclinou para frente, e seus lábios se pressionaram contra os dela, enquanto seu coração disparava no peito. Naquele momento, Roman sabia: nada mais seria como antes.
Desde que conhecera Roman, Sofia teve que repetir incontáveis vezes que não, eles não estavam juntos. Só que eles nunca estiveram separados também. Onde Sofia ia, Roman seguia e o inverso também era verdade. Quando Roman sorria quase sempre o motivo era Sofia. Todos os últimos filmes que assistiu foram ao lado dele; quando escutava sua nova música preferida era sempre para ele que ela mandava. Ela mesmo havia dito naquele mesmo dia, sabia que viajaria milhares de quilômetros apenas para encontrá-lo. Então nunca estiveram juntos, não, só nunca estiveram separados também. Grudados como ímãs e, num paradoxo, eram duas metades iguais que ainda assim não se separavam. A física não precisava fazer sentido, nem mesmo a história ou a sociologia, nem a chuva que caía, muito menos o ato de dançar sem que música alguma tocasse. Nada precisava ser explicado ao mesmo tempo em que tudo fazia sentido. As mãos de Roman no rosto de Sofia, o espaço ínfimo entre eles, duas bocas se tocando. Coisas que não faziam sentido e não precisavam de explicação. Sofia já nem escutava o barulho da chuva, os dois estavam envoltos no silêncio. Ela só conseguia pensar que Roman entendia cada pensamento que passava por sua cabeça e cada hora de seus dias estavam cheios da presença dele e ela não era nada que não um mosaico de memórias construídas ao lado dele. Então Sofia o beijou de volta porque fazia sentido e porque não fazia, suas mãos envolveram o corpo dele e por um segundo ela acreditou que talvez eles pudessem ser um império que nunca colapsaria.
Sofia estava por todos os lugares; em pequenos detalhes da sua rotina como a música que escutava, a série que havia aprendido a gostar porque agora assistiam juntos, em suas playlists musicais porque sabia que ela gostava de ouvir algumas músicas específicas enquanto dirigiam para outro lugar. Ela estava em seu pensamento antes de dormir, e também logo que acordava, estava também nas notificações do seu celular e nos agradecimentos de sua dissertação. Sofia ocupava cada momento de sua vida de uma forma que Roman jamais poderia se desvencilhar, nem se quisesse. Apaixonar-se por ela não era nada além de uma obviedade. Não existia qualquer chance de o destino de Roman ser diferente do que era; ser perdidamente apaixonado por quem Sofia era, de toda e qualquer forma. Agora Sofia estava sobre seus lábios, sobre suas mãos, retribuindo o beijo que parecia uma explosão cósmica. Sentiu tudo dentro de si virar algo que Roman não tinha ideia, uma bagunça, um caos completo e nada racional. Mas havia sido racional a sua vida inteira de maneira quase exaustiva, seria justo viver pelo o que sentia ao menos uma vez. Passou um dos braços pelo pescoço de Sofia enquanto sua outra mão se firmou em sua cintura, a trazendo para mais perto; Roman sempre a queria mais perto.
Depois de tantos anos, Sofia sentia novamente milhares de borboletas voando desgovernadas dentro de seu estômago. A mão de Roman em seu pescoço, a firmeza em sua cintura, a forma como seus lábios se encaixavam, sentia sua pele formigar em todos os lugares que ele tocava. Não sabia exatamente o que aquilo significava para os dois ou, primeiro, para si mesma. Sabia o que sentia, sabia que aquele era o mesmo Roman que estava sempre ao seu lado, que tinha presenciado todas as suas fases, que tinha ficado apesar de tudo. E se ele a conhecia tanto então era natural que soubesse como puxá-la para mais perto, que soubesse a beijar mais do que qualquer um. Era assustador, mas era também incrível. Deixou ser levada por ele e segurou o seu rosto para se certificar de que aquilo estava mesmo acontecendo. Não conhecia tão bem as linhas do rosto de Roman, mas seria capaz de dizer que sempre foi um desejo seu de saber tudo sobre ele. Deixou que a ponta de seus dedos mapeassem toda a pele que encontrava como virava as páginas de seus livros favoritos, curiosa e com carinho.
you take my hand and drag me headfirst; eternal light
@bellisofia
Com o computador aberto a sua frente, Roman apoiava a cabeça nas mãos de forma cansada, exausta e sem esperança. O documento do word aberto há horas não sofria alteração alguma há muito tempo e Roman só conseguia encarar a página com as milhares de correções sem ideia por onde começar. Para piorar o que já estava ruim, muito ruim, estava na faculdade. Preso, com o apocalipse acontecendo do lado de fora do prédio. Tudo porque precisava buscar algumas assinaturas e certificados para prosseguir com a pesquisa. Não conseguiu nem um e nem outro, tampouco trabalhar no que precisava e poderia até aquele momento. Já havia mencionado o tornado do lado de fora na cidade? Sem paciência, Roman cruzou o braço sobre o teclado e apoiou a cabeça em seu braço, olhando para o colo enquanto pegava o celular no bolso da calça e digitava a mensagem com a mão livre.
Roman: You up?
Naquele momento Sofia achava muito irônico que Sun City tivesse esse nome. Onde estava o sol? A cidade mais ensolarada da região não tinha um resquício do brilho dourado que era tão característico. E é claro que um tornado tinha que acontecer justo no dia que ela tinha uma escavação para fazer, essa era a sorte de ser mestranda. Será que nunca teria sorte?! Estava cansada de encarar seu computador e escrever palavras complicadas sobre um tema que as vezes achava que odiava. Não odiava de verdade, porém era difícil se lembrar disso quando ficava encarando uma tela por tempo demais. Ainda estava no seu departamento, olhando para a janela como se esperasse que o céu abrisse magicamente e ela ainda pudesse sair, quando seu celular vibrou em seu colo.
Sofia: infelizmente
Sofia: onde você tá? tudo bem?
Roman: infelizmente? Roman: na sala individual da biblioteca. depende do que você entende por tudo bem Roman: seguro sim mas bem não
Soltou uma risada anasalada quando a luz do celular se iluminou em seu colo e ele lia a mensagem em tom desesperado de Sofia. Era engraçado como ambos eram tão ligados que dividiam o mesmo momento de vida, e também o mesmíssimo sentimento sobre isso. Ergueu a cabeça da mesa, esticando as costas e fechando o tela do computador. Não queria atrapalhar o desempenho de Sofia, mas considerando que não estava conseguindo fazer nenhum progresso e havia um tornado do lado de fora da universidade, duvidava que a outra também conseguisse alguma produtividade diante disso. Se levantou da cadeira e organizou suas coisas, colocando a mochila nas costas já saiu da sala, digitando a mensagem que poderia melhorar boa parte do seu dia.
Roman: onde você está?
Sofia: essa chuva tá me dando todos os tipos de depressão existentes
Sofia: tô na mesma
Mesmo que permanecesse com raiva do tornado do lado de fora, Sofia conseguiu sorrir com a mensagem de seu amigo. Era bom saber que ele estava seguro, mas era ainda melhor saber que ele estava perto; se sentia um pouco melhor só com isso. Roman e ela pareciam sempre viver o mesmo momento de suas vidas e quando ela tinha um dia bom, ele provavelmente estava tendo um também. Então não se surpreendeu com as mensagens frustradas dele porque, bem, era exatamente como se sentia também. Sorriu quando a tela de seu celular acendeu novamente, agradeceu mentalmente o fato de estar a uma distância perfeitamente segura de Roman.
Sofia: no meu dpto, no primeiro lab vindo daí
Sofia: se quiser compartilhar da minha desgraça, a porta tá só encostada
Roman sabia que ele e Sofia tinham algo muito especial. Não saberia jamais explicar como o sentimento nasceu em seu peito; tinha a impressão que ele estava lá desde que ele chegou ao mundo, só esperando florescer quando a conheceu. Talvez fosse egoísmo e egocentrismo de sua parte, mas duvidava que quaisquer outras pessoas tinham algo tão especial assim. Por isso, era um tanto óbvio que ela também estaria na faculdade, tentando, escrever sua tese, assim como ele. Tinha a impressão que seus pés sabiam o caminho até o departamento dela ainda que seus olhos estivessem fechados. "Tão ruim assim?" Perguntou conforme entrava no ambiente e fechava a porta atrás de si. "Pensei em jogar o computador pela janela e falar que perdi por causa do tornado." Resmungou enquanto se sentava ao lado da amiga, deixando a bolsa sobre a mesa. "Mas aí não teria uma boa desculpa pela versão que tá guardada no drive."
“Um pouco melhor agora.” Sofia sorriu ao ver seu amigo entrar, se esquecendo por alguns minutos o porquê de estar tão irritada. Toda vez que via o rosto de Roman precisa esquecer de quaisquer emoções negativas. “Sinto falta de quando não existia internet, nesse caso eles iriam fazer o que?” Apesar de seu tom reclamão ter voltado, ela ainda sorria. Era grata por Roman estar ali no mesmo lugar que ela, principalmente enquanto o mundo se acabava. “Sabe onde eu deveria estar agora? Em uma escavação! A primeira em meses e, olha só, o dia tá perfeito…” Apontou para a janela e a cena cinza que ela exibia, suspirando. “Todo mundo foi embora, mas eu fiquei porque me recusei a acreditar que a chuva ia durar.” Seu otimismo irreal sempre lhe causava dores de cabeça. “Pathetic, uh?” Voltou-se para seu amigo, uma risada cansada saindo de seus lábios enquanto apoiava o rosto em sua mão.
"Missed me that much?" Brincou, como se algo não tivesse se agitado dentro de seu peito. Era difil manter naturliadade nessas horas, mas já havia treinado isso há tempos. "Te dar uma máquina de escrever, é claro. Ou você acha mesmo que em um mundo com pós graduação existe alguma paz?" Apesar do tom de brincadeira, era o que Roman realmente acreditava. "Pensa pelo lado positivo, pelo menos você não estaria no meio do barro." Roman era viciado em ver o lado bom das coisas, mas isso só acontecia quando estava com Sofia. "You still at the restaurant?" Pensando bem, haviam muitas coisas que Roman só entendia, ainda que o básico, por causa de Sofia. A dona da música que havia feito o trocadilho era uma delas. "Nah, just hopeful." Deu um peteleco no nariz dela sem força alguma. "Pensa bem, pelo menos você tem a faculdade inteira pra você durante a maior chuva já vista na cidade."
“Ou a desgraça é melhor quando compartilhada com alguém, um dos dois.” Deu de ombros, sabendo muito bem que tinha sim sentido muita falta dele e que sempre o queria ao seu lado. “Eu queimaria todos os papéis então! Seria o novo Nero e as árvores a minha Roma!” Levantou seus braços de maneira exasperada. Sofia até citava o império romano com frequência, uma consequência de estar sempre com Roman. “Acho que eu preferia estar no meio do barro,” choramingou, afundando seu rosto ainda mais na palma de sua mão. “In this corner I’m haunting.” Um sorriso genuíno apareceu em seu rosto, sentia algo incandescente toda vez que Roman comentava sobre algo que ela gostava, poucas vezes sentiu que alguém a entendia como ele - ou que se importasse como ele. “Esse é um jeito de ver as coisas…” Levantou seu rosto, um tanto pensativa. “Mas nós temos a faculdade inteira! É isso, chega de choramingar!” Como se tivesse injetado adrenalina, Sofia apoiou suas mãos na mesa, decidida a melhorar seu humor e o de seu amigo. “A gente não vai pensar no que deu errado, ok? Ah! Posso te mostrar uma coisa?”
"Eu deveria me preocupar ou...?" Brincou. Já havia ouvido muito trocadilhos por causa de seu nome, mas era sempre especial quando a brincadeira acontecia com Sofia, assim como outras coisas que compartilhava com ela e pareciam tão sem graças em sua ausência. "Você vai ter outras oportunidades. Só precisa terminar sua dissertação primeiro." Batucou os dedos na tela do computador que ela usava. "Deveríamos fazer um levantamento de quantas músicas citam ou dão a entender, ativamente, sobre fantasmas." A ideia pipocou em sua cabeça como algo brilhante. "Mas só vale o que você já tem salvo no spotify." Pontuou. Mal teve tempo de acompanhar a súbita mudança de humor de Sofia, erguendo uma das sobrancelhas no processo. "É agora que você se transformar em Nero? Não vai me dar direito as últimas palavras?" Se levantou, guardando o celular no bolso.
“Não… só estou de saco cheio de tentar escrever qualquer coisa.” Falou um tanto irritada e muito cansada. Era para ter saído a campo naquele dia, não precisaria pensar em sua dissertação assim… que azar. “Então nunca mais!” Jogou seus braços para cima num ato dramático, sentindo que precisava choramingar contra o ombro de seu amigo mas sabia que ele sentia todas àquelas coisas também e decidiu não ser um peso. “Isso é genial! Você deve ter bem mais que eu, tenho certeza.” Se lembrava de mais duas ou três músicas que escutava com frequência e citava fantasmas, uau, realmente era um tema recorrente. “Só se elas forem ‘Sofia, você é a melhor pessoa que já conheci e ter você na minha vida deu sentido a tudo’, se não eu não quero saber.” Brincou, caminhando até uma das mesas que ficava mais perto da janela, onde várias peças de escavações descansavam. “Vem aqui.”
"No dia em que você defender vai se lembrar desse momento." Bagunçou os cabelos da outra. Era engraçado como Roman se mostrava sempre positivo quando se tratava de Sofia e sua tese, mas não aplicava esse mesmo otimismo ao seu caso. "Vai dar certo e você tem tempo até entregar a primeira versão. Por que não tenta fazer outra coisa e deixar pra mexer nisso mais tarde ou amanhã? Talvez o mundo acabe hoje mesmo e você não precise nem se preocupar mais com isso." Brincou, ouvindo um trovão no mesmo instante. "Viu?!" Apontou para a janela. "Maybe. Give me your first shoot." Tentaria de tudo para que ela se esquecesse os problemas e por alguns minutos pensasse em algo que não fosse a dissertação e a visita do campo. "Muito genérico, não acho que vai ficar legal quando contar isso pra outra pessoa. Tem outra sugestão?" Por breves segundos, sorriu; talvez em algum mundo ela soubesse que suas palavras eram verdadeiras. "What I'm looking?" Perguntou ao parar do lado da amiga, observando as peças a sua frente.
Sofia fingiu um olhar irritado por Roman ter bagunçado seus cabelos, mas logo estava sorrindo. Era difícil não sorrir na companhia de seu amigo. “Tô contando com isso, Sun City só tem um objetivo hoje: se destruir inteira.” Olhou para janela por poucos segundos, seu olhar migrando para o rosto de Roman rapidamente. Sentia um morno em seu peito toda vez que ele fazia aquilo, tentava ser otimista por ela; sabia que não era natural para ele e, não sabia explicar, mas sentia-se muito especial ao lado dele. “A Taylor tem várias, ‘but if he’s a ghost then i can be a phantom’…” Pensando melhor talvez fosse perder aquela brincadeira. “Sua vez agora.” Mas emos falavam mais sobre fantasmas, será que não? “Escolhe você suas últimas palavras então, vamos algo original e criativo.” Desafiou, com suas sobrancelhas levantadas e um certo palpitar em seu peito. Sofia sempre se pegava pensando que Roman era o único amigo de que precisava, duvidava que algum dia tivesse tanta conexão com outra pessoa. “Você tá vendo esse colar e a pulseira?” Olhou para Roman animada, “Eles eram usados no kula, que era mais ou menos um ritual de troca entre duas pessoas ou mais, eu te dou o colar, você me dá a pulseira… E eles viajavam centenas de quilômetros só pra isso, acredita?” Era meio surreal estar olhando para aquelas peças. “Era uma festa muito grande só pra você trocar algo com alguém, só pra você se sentir especial basicamente.” Então arriscou um olhar para o amigo, ainda sorrindo. “Desde que trouxeram, fiquei pensando em te mostrar. Meio que eu viajaria centenas de quilômetros pra te entregar um colar.”
"Essa eu não sei se conheço." Conhecia várias, pensando bem. Mas buscando de cabeça, não se lembrava exatamente esse trecho. "Não é do Folklore ou Evermore, certo?" Provavelmente os álbum que realmente conhecia. "There's a ghost in my room I think I'll name it after all of you. Vegas, All Time Low." Sentiu o peito se apertar, sempre se lembrava de Sofia quando ouvia essa música. Não fazia sentido, mas muita coisa em sua vida não fazia mesmo. "Vai, próxima música." Desviou os próprios pensamentos. "Até tu, Brutus?" Colocou as mãos sobre o peito magro, com sua melhor expressão de decepção. A observou em silêncio, as vezes se esquecendo de olhar as peças a sua frente, já que essas eram o motivo da explicação. Mas era um pouco difícil se atentar nelas enquanto Sofia parecia tão etérea enquanto lhe explicava o assunto com tanta facilidade. Roman as vezes acreditava que Sofia nascia sabendo tudo o que sabia, como um dom natural. Havia tantas coisas que ele admirava nela que se sua tese fosse sobre ela, teria entrego o arquivo sem maiores preocupações a tempos atrás. Continuou a olhando, sentindo como se fogos de artifícios explodissem em seu coração, um frio na base de sua coluna. "Eu também viajaria muitos quilômetros por você." Sorriu, todos seus órgãos se derreterem. "Mas dessa vez eu não precisei." Tirou do bolso da calça preta duas pulseiras de miçangas; uma com bolinhas pretas e brancas intercaladas, com Swemo escrito em letrinhas pretas e outra com pedrinhas brancas e marrons, com Cowboy Like Me escrito em letras douradas. "Eu vi que era algo que os swifities fazem pra trocar durante o show e eu, hm, achei que você ia gostar. Descobri que sou horrível com atividades manuais e o Lucas pior ainda, demoramos quase uma hora pra fazer essas duas." Riu baixinho, colocando a pulseirinha no braço da amiga e a preta e branca no seu. "Don't say I never gave you anything."
“Reputation.” Respondeu, sentindo um morno em seu peito que Roman conhecesse os outros dois álbuns de tal forma que era capaz de reconhecer quando uma música não pertencia a eles. Sabia que era a responsável por isso e sentia algo voar em seu estômago. “Acho que lembro dessa…” Assim como seu amigo, Sofia também se interessava em tudo que era importante para ele. Na verdade, as vezes contemplava ter um caderno apenas para anotar tudo que Roman gostava. “Your smile, my ghost, I fell to my knees. This Love, Taylor Swift.” A letra veio naturalmente em sua mente e Sofia acabou demorando um segundo a mais observando o rosto de seu amigo. Era comum que se perdesse observando a pinta que ele tinha na bochecha ou então como seus fios cobriam uma de suas sobrancelhas e era adorável, sério, talvez hipnotizante. “Você chama isso de original?” Riu, finalmente desviando seu olhar. Sofia não entendeu de início o que Roman queria dizer, não até ver duas pulseiras em sua mão e sentir seu coração se agitar. “Você e o Lucas fizeram essas pulseiras?” Tinha humor em seu tom e uma leve incredulidade, os dois não eram as melhores pessoas em trabalhos manuais e as pulseiras pareciam perfeitas. Eram perfeitas. “É difícil de acreditar.” Mantinha seu olhar na pulseira que agora enfeitava seu braço, um sorriso enorme em seus lábios. Sabia, no entanto, que não era tão difícil. Não, fazia sentido que Roman fizesse algo assim assim como fazia sentido que Sofia se sentisse tão feliz ao lado dele. “I love it, thank you.” Voltou a olhar para ele, pensando se era visível em suas íris claras o quanto aquilo tinha sido importante para ela. “Agora que eu já falei um monte, que tal você me falar direito como seu dia estava indo?” Roman tinha esse hábito de lhe deixar reclamar sobre seu dia horrível e não falar sobre o que o incomodava apenas para que ela tivesse esse espaço. Mas Sofia sempre o buscava por fim, sempre queria retribuir o que ele era para ela.
A informação se fixou em seu cérebro; sentindo como se fosse de extrema importância que soubesse aquele tipo de coisa. Não por ele, por Sofia. Sempre parecia adequado que soubesse um tanto de conhecimento que fossem útil para ela, que fosse importante e de valor para ela. Lhe soava natural de certo modo, agradar a outra. "Red?" Chutou, não tendo certeza que álbum era aquela música, no entanto a olhando, sentindo como aquelas palavras soaram, Roman se sentiu atingindo. Bem ali, no meio do peito, sentindo sua cabeça rodar um pouco. Era difícil lidar com aquilo tudo o tempo todo, sabendo como as coisas aconteciam frequentemente em seu coração. Se deixava sonhar por um segundo em como seriam aquelas palavras ditas em um momento sincero e não uma brincadeira entre amigos. "Eu não lembro de mais nenhuma." Riu meio sem humor, desviando o olhar a balançando a cabeça por uns segundos e olhando para os pés. "You win." Sorriu gentilmente, tentando voltar a realidade. "Foi um trabalho complicado, e acho que não conseguiria ter feito sozinho." Olhava com carinho as peças na mão da outra, as achando até mais bonitas agora que estavam na posse da outra. "Let me." Pegou com cuidado da mão dela a pulseira e colocou em seu pulso delicado, colocando a sua própria no próprio pulso. "Kinda swifities besties." Sorriu. "Uma merda." Deu os ombros, com um sorriso triste. "Um desastre climático e eu tenho que escrever uma tese. A qual não consigo nem olhar sem ter vontade de pular da janela."
“1989. Acho que preciso te educar mais na discografia da Taylor.” A verdade era que não sabia como o amigo aguentava tanto já que estava sempre explicando a ele a história por trás de todas as músicas da cantora. Mas eles se divertiam, bom, Sofia gostava de pensar que sim. “Eu estava mesmo torcendo pro você dessa vez, quem sabe na próxima.” Sorriu, empurrando o ombro do amigo levemente. Em alguns momentos como aquele, Sofia queria poder entrar dentro da mente de Roman e descobrir tudo o que rodava ali. Era o assunto que mais lhe interessava, o que ele pensava, a forma como as coisas o atingiam. “Vocês se superaram, ficaram ótimas.” Seu olhar se alternava entre a pulseira e Roman, seu coração ainda completamente derretido com o presente. “Parece que a gente até combinou. Eu te falando sobre as peças, você com uma pulseira para mim…” Tudo entre os dois sempre se encaixava. “All my days I’ll know your face, bestie.” Se lembrou daquela letra automaticamente, então encostou sua pulseira na dele com um sorriso genuíno em seu rosto. “Em que parte você tá? Acha que consigo te ajudar em algo?” Se pudesse escreveria tudo para Roman, tudo bem que não estava escrevendo nem sua própria tese, mas se achava capaz de fazer isso pelo seu melhor amigo.
Uma coisa que Sofia provavelmente não sabia era que Roman estava disposto a aprender qualquer coisa que ela quisesse ensiná-lo. Ele estava pronto para ouvir sobre seus artistas favoritos e sua visão sobre cada um deles. Roman era uma pessoa muito aberta a conhecer coisas novas e não torcia o nariz para quase nada; ainda assim, tinha uma disposição além do normal para tudo o que Sofia representava. “É, acho que sim,” respondeu orgulhoso do trabalho artesanal que havia feito. Pensou que poderia fazer mais um milhão de pulseiras para ela, só para vê-la sorrir daquela forma de novo, por algo que ele mesmo tinha feito. “And I'll hold the door for you.” Seu sorriso era tranquilo, e ele a olhava com carinho. Como poderia ser diferente? Entre tantas coisas que sentia, o carinho transbordava por seus poros. Ele amava Sofia, isso era óbvio há tempos, mas o carinho e o zelo que tinha por ela se espalhavam por todo o seu corpo. Com a ponta dos dedos, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, prendendo-a gentilmente atrás de sua orelha. “Revisão da discussão. Não falta tanto assim, só se eu tivesse vontade de fazer.” Ele riu. “Mas chega de falar de mim, e a sua?”
Uma das coisas que Sofia havia aprendido ao longo dos seus anos de estudo era que os seres humanos eram, em resumo, muito simples. Mesmo com seus sentimentos complexos, suas dúvidas e medos, tudo era tão simples quanto abrir os olhos pela manhã; quanto fechar os olhos ao sentir o sol no seu rosto pela manhã. Simples quanto os dedos de Roman colocando seus fios no lugar, como o sorriso que apareceu em seus lábios e a vontade de deixar um beijo no rosto dele. “É impressionante como a vontade nunca vem, né?” Riu também, porque era natural e sempre ria com ele. “Ah, não, não. Eu sempre fico falando e falando sobre mim e você tenta fugir, mas hoje não.” Sofia levou seu indicador ao peito de Roman numa tentativa de o empurrar. “Na verdade, acho que nós dois precisamos nos distrair e…” Os olhos dela pausaram sobre a janela e a chuva que caía lá fora e, como na maior parte de seus dias, uma música começou a tocar em sua mente imediatamente. “Vem aqui,” rindo, Sofia segurou a mão de Roman e o puxou para fora do laboratório. “Você vai odiar, vai odiar mesmo…” Ainda rindo, ela olhava para seu melhor amigo com um leve arrependimento porque ele ia mesmo odiar a ideia que ela teve. “Mas… se transformam limão em limonada, a gente pode transformar a chuva em… ok, não pensei nessa parte direito. Mas! As vezes a chuva não é tão ruim quanto eu pensei e a gente pode aproveitar.” Sofia então soltou a mão do seu amigo e entrou no meio da chuva. “Você vem?”
Sofia não estava errada; Roman não tinha o costume de falar muito sobre si mesmo, até porque não gostava de atrair atenção para si durante uma conversa. O que ele realmente gostava era de ouvir Sofia falar sobre qualquer coisa: o tempo, sua dissertação, música, filmes, sua família e, mais do que tudo, Roman adorava ouvi-la falar sobre ela mesma. Balançou a cabeça em sinal negativo, incapaz de conter o sorriso apaixonado que surgia em seus lábios ao sentir o toque firme em seu peito. Mais ainda, era incapaz de controlar as palpitações desgovernadas do coração ao encarar o perfil da outra. Amor era algo complicado, principalmente quando não era correspondido. "An?" Perguntou, um tanto atônito e confuso. Não havia entendido o que Sofia havia dito, perdido que estava nos detalhes de seu rosto, deixando-se levar. "Sofia..." A careta se formou automaticamente em seu rosto ao perceber o que estava acontecendo. Passou as mãos sobre o rosto, soltando uma risada cansada. "Um banho. De cachoeira." Tentou completar o raciocínio dela, ainda que não estivesse de acordo com aquilo tudo. Pensou bastante, por muito tempo, e, por mais que não estivesse inclinado à ideia de sair no estacionamento da faculdade enquanto chovia (e chovia muito!), não conseguia negar algo que Sofia quisesse. Deu um passo após o outro até ficar de frente para a garota, sentindo as gotas molharem seu corpo. "Squadra bagnata, squadra fortunata." Brincou, passando o dedo em uma mecha molhada de Sofia. "Feliz?" Perguntou com um sorriso no rosto, afastando a franja dos olhos.
“ISSO! Um banho de cachoeira.” Talvez nunca tivera um sorriso tão largo quanto naquele momento. Sofia não entendia como Roman sempre parecia saber exatamente aquilo que estava pensando, como se seus pensamentos sempre passassem pela mente dele antes de serem ditos. Não existia um mundo onde eles não se encontrariam, disso ela sabia bem, tudo só fazia sentido porque Roman e ela eram amigos. Ela sabia que ele ia entrar no meio da chuva com ela, sabia que ele não queria muito, mas que iria. Não se preocupou quando ele demorou, era mestra em esperar o tempo de seu amigo e principalmente em ser sua a mão em que ele se apoiaria. “Muito!!!” Levou suas mãos até a testa do outro, tentando afastar os fios molhados dos olhos dele. Chovia muito mesmo, as gotas caíam firmes sobre sua pele, mas Sofia não estava arrependida, não mesmo. “Ei! Você lembra de quando te obriguei a ver High School Musical comigo? Você vai ter que dançar comigo na chuva agora.” Aquilo não precisava ser algo que só acontecia em filmes, pensou e então estendeu mais uma vez a mão para seu amigo. “Tudo bem se você não souber dançar valsa porque eu também não faço ideia de como é.”
Existia algo mágico na forma como Sofia sorria e enchia o peito de Roman. Talvez aquilo fosse a razão de todas as coisas, não era? O amor estava ali, nos detalhes, nas ações que ele fazia em prol de outra pessoa, principalmente quando o intuito era simples: fazê-la sorrir. Roman não era alguém que ficava se questionando ou elaborando como fazer tal feito; as coisas simplesmente aconteciam, e ele era grato por ter o prazer de viver cada uma delas. Era tão satisfatório vê-la alegre daquela forma que as gotas grossas de chuva não o incomodavam, não quando algo muito melhor estava à sua frente, com as bochechas rosadas e os olhos brilhando. "An?" Arregalou os olhos de susto. "Eu não..." Fez uma careta, talvez aquilo estivesse muito além das suas habilidades sociais. "Sabia que teria algum prejuízo ao assistir àqueles filmes com você." Brincou, soltando um suspiro cansado em meio a uma risada. Olhou-a por alguns instantes, enquanto perguntas que começavam com um sonoro "e se?" pairavam em sua mente. Deu um passo à frente e, de forma tímida, colocou uma mão na cintura de Sofia, sentindo os dedos esquentarem sobre a roupa molhada. Olhou-a com cuidado, como se estivesse pedindo permissão por aquele toque. Procurou pela sua outra mão, segurando-a com carinho enquanto fazia o seu melhor. "Já é muito Troy Bolton da minha parte?"
Roman estudava história, em breve seria um excelente mestre na área e Sofia se dedicava a estudar a humanidade, como ela havia começado e como se mantinha então era natural dizer que os dois viviam muito dentre o que era real e ainda assim naquele momento Sofia poderia jurar que estava vivendo dentro de um filme. Seu dia tinha sido arruinado, não conseguiu ir à escavação que tanto queria e então como num passe de mágica a presença de Roman foi capaz de transformar tudo isso. É claro que seus olhos brilhavam, é claro que seu sorriso era grande, nunca tinha estado tão feliz. “Prejuízo??? É uma honra.” Fingiu que estava ofendida mas até a chuva sabia como seu coração batia forte e alegre dentro do peito. Quando seu melhor amigo a olhou, os dedos dele tocando com cuidado sua cintura, Sofia sorriu para ele. Aquele toque não lhe era estranho apesar de não conseguir se lembrar de Roman já havia segurado sua cintura antes, mas era certo, era a pessoa que ela mais confiava no mundo, estava tudo bem. “Só entre nós? Você é muito melhor que ele.” Colocou a mão livre sobre o ombro do outro, aproximando também seu corpo ao dele. Nenhuma música tocava de fato, porém dentro de sua mente Sofia podia ouvir a melodia claramente e ela deu o primeiro passo para que eles entrassem no ritmo. Agora sabia como Gabriella havia se sentido, entendia a necessidade de rodopiar na chuva, ela faria qualquer coisa com Roman também, inclusive aquelas que não faziam sentido.
Roman até que poderia ser considerado alguém inteligente. Tinha bons conhecimentos, estava atualizado sobre as novidades globais em relação a entretenimento e política, entendia muito bem de história greco-romana em geral (até mesmo em níveis não muito saudáveis ou socialmente aceitáveis) e era bom com cálculos. Até achava que entendia Sofia muito bem, ou pelo menos achava que entendia, até aquele momento. Aquelas palavras ressoaram, formando ondas que ecoavam por cada canto de sua mente. Não sabia o que ela queria dizer com aquilo, tampouco onde queria chegar; mas soube que algo se acendeu dentro do seu peito, como uma chama. "So, can I have this dance?" Sorriu timidamente, sentindo a música lenta tocar em sua cabeça. Não sabia de onde vinha sua coragem ou impulso, mas talvez estivesse tão envolvido naquele cenário que criaram que Roman apenas deixou sua mão puxar Sofia para um pouco mais perto. "Maybe we're stuck in the middle of romantic crises of an athlete and a nerd." Sorria de forma tão leve que parecia realmente esquecer dos problemas acadêmicos que o assombravam, girando Sofia delicadamente sob a água que os molhava de forma quase mágica. "Or two nerds." Talvez não tivesse se dado conta do que havia acabado de dizer; era delicado, sutil e quase imperceptível, mas estava ali. "Talvez não tenhamos que correr para conciliar o teatro, o basquete e a competição de química. Seria só entre escavação e revisão bibliográfica na biblioteca da universidade."
Era a primeira vez que Sofia dançava na chuva, ela nem ao menos acreditava que aquele tipo de coisa acontecia fora da ficção. Quem seria louco o bastante para se molhar inteiro por motivo nenhum? Aparentemente, Sofia. E Roman porque ele sempre a seguia. Ela sorria para seu amigo, a chuva grossa atrapalhando sua visão um pouco, mas não para que não pudesse ver os fios molhados de Roman se juntando em sua testa. Sofi entendia agora, nenhuma montanha era mesmo tão alta ou oceano tão fundo que os dois não conseguissem superar juntos. Tinham transformado a chuva em algo bom, seus corpos se moviam junto com ela, ela já não era mais capaz de os parar. Era como prender um raio dentro de uma garrafa, essa era a chance de encontrar alguém como Roman, Sofia sabia o quanto era sortuda. De fato rodopiava em meio a sua sorte. “Um filme muito melhor, não acha?” Riu um pouco, essa história dificilmente teria a bilheteria do filme original. Sua risada não conseguiu disfarçar o pulo que seu coração deu, no entanto. Era… engraçado? Não, outra coisa…. Bom, era alguma coisa imaginar que os dois podiam protagonizar seu próprio romance. Mas Sofia tinha certeza de que era só um modo de dizer. “Eu sempre achei que eles deviam ter feito uma versão da faculdade mesmo.” Sem pensar muito, Sofia soltou a mão de Roman e tentou afastar alguns fios dos olhos do amigo, seus braços depois repousando sobre o pescoço dele, ainda dançando conforme a música imaginária. “Você se sente um pouco melhor?” Perguntou com a voz mansa.
"This one is for the actual geeks." Sorriu, sentindo que o ato expandia sua alma. Era engraçado que nem mesmo a chuva gelada, que ensopava suas roupas e fazia com que a camiseta preta grudasse em seu corpo, poderia fazê-lo sentir frio ou qualquer tipo de desconforto. Não existia nenhum lugar no mundo em que preferisse estar, a não ser ali — com o corpo de Sofia sob seu toque delicado e o rosto lindo dela, alegre, em sua visão. "Never beating the nerd allegations." Uma das coisas que mais gostava era como ambos pareciam coexistir em um nicho social no qual se completavam. Roman era capaz de citar uma lista de gostos muito específicos de Sofia, e, no fundo, sabia que ela poderia fazer o mesmo. Às vezes, sentia que Sofia era sua versão feminina em outra vida. Seu corpo se arrepiou com o toque delicado no cabelo, sentindo uma mistura de coisas quando os braços dela se acomodaram de forma tão segura e relaxada em seu pescoço. "Sim," Sua voz baixa, rouca; potencialmente se perdendo no que havia se resguardado e construído por tanto tempo. Seus olhos a observavam com carinho, às vezes se perdendo no caminho e encarando os lábios rosados. Engoliu seco. Respirou fundo, uma, duas vezes. Sentindo as gotas da chuva caírem sobre seu pescoço, molhando o contato entre sua pele e a dela, percebia os caminhos translúcidos que a água traçava no rosto dela — e como seus cílios pareciam mais escuros agora, úmidos, fazendo com que seus olhos brilhassem ainda mais. Tudo aquilo parecia um impulso muito claro. Não havia nada que Roman pudesse fazer para impedir. Aos poucos, quase com receio, Macnair inclinava o rosto para mais perto de Sofia, deixando que seus lábios ficassem a meros milímetros dos dela, compartilhando a mesma respiração sob aquela chuva.
Em meio as gotas pesadas da chuva, Sofia se deu conta de que Roman era a constante entre o sentimento de familiaridade que sentia em relação ao mundo. Mesmo quando pisava em lugar pela primeira vez, sentia-se habituada e Roman sempre estava ao seu lado. Todas os íntimos sentimentos que possuía tinham um toque de seu melhor amigo, eram preenchidos por ele. Seu musical preferido, sua tese, a chuva que caía do céu. Tudo, de alguma forma, era Roman. Mesmo quando não estavam juntos - o que eram pouquíssimas vezes - a gravidade ainda os empurravam para se encontrarem, podiam não estar juntos mas nunca estavam separados. “At least I’m not a nerd alone.” Encostou seu rosto no peito dele por alguns segundos, o ritmo do coração de seu amigo a trazia uma paz inexplicável. Sentia que enquanto aquele órgão batesse ela realmente nunca estaria só.
Sofia sorriu com a resposta dele, tudo aquilo era só mais uma de suas tentativas de fazer Roman se sentir melhor, de ser seu porto seguro como ele era o dela. Nada a deixava mais orgulhosa de si mesma e essa devia ser a explicação para o formigamento que tomou o fundo de seu estômago, mas nada tinham a ver com o timbre de seu amigo, não. Aos poucos a música imaginaria que dançavam foi se esvaindo, o barulho da chuva a única coisa que podia escutar e então nem isso. Gostava de como o silêncio era sempre confortável ao lado do amigo e se Sofia prestasse um pouco mais de atenção perceberia que o silêncio as vezes dizia muita, muita coisa. Como um pedido incerto, uma vontade mais certeira, um sentimento que se assemelhava a crianças pintando desenhos: os limites nunca eram respeitados. Sofia não escutava, porém via. Via a forma que a luz brilhava como um prisma ao redor do rosto de Roman e como as sobrancelhas dele se curvavam toda vez que ele questionava algo dentro de sua cabeça. Viu ele se aproximar e em nenhum momento achou estranho. Roman mais perto? Era natural. Achou que ele fosse dizer algo, talvez um sussurro, ela nao sabia que algumas coisas eram ditas no silêncio, na respiração perto da sua ou como a sua pareceu faltar ao se dar conta do que estava para acontecer. “Roman?” Era um questionamento, mas não soou tanto como um e sim como um pedido. E o que Sofia queria? Ela não tinha tanta certeza.
Ser um bom entendedor de história era saber que o ciclo sempre se repetia. Anos e anos de acontecimentos históricos gravados em diversas linguagens, em papiros e livros grossos, mostravam que, desde que o mundo é mundo, os padrões acerca da humanidade eram os mesmos. No entanto, antes de qualquer coisa se tornar um padrão cíclico, as coisas aconteciam pela primeira vez. E quando marcos históricos tinham o seu início, muitas vezes não se sabia o quão importante era tudo aquilo. Roman, no entanto, sabia exatamente da importância daquele momento; sabia que sua vida nunca mais seria a mesma, e que o mundo — ao menos aos seus olhos — seria um lugar completamente diferente a partir do momento seguinte. Em algum lugar no livro de sua própria trajetória estaria escrito como Roman subiu as mãos devagar até que ambas estivessem segurando cada lado do rosto de Sofia. Também estaria escrito em como sua respiração ficou pesada, e sua garganta se movimentou quando engoliu seco ao ouvir seu nome em um sussurro inédito — em um tom que jamais havia escutado na voz da outra. Sobretudo, estaria registrado em como seu rosto se inclinou para frente, e seus lábios se pressionaram contra os dela, enquanto seu coração disparava no peito. Naquele momento, Roman sabia: nada mais seria como antes.
Desde que conhecera Roman, Sofia teve que repetir incontáveis vezes que não, eles não estavam juntos. Só que eles nunca estiveram separados também. Onde Sofia ia, Roman seguia e o inverso também era verdade. Quando Roman sorria quase sempre o motivo era Sofia. Todos os últimos filmes que assistiu foram ao lado dele; quando escutava sua nova música preferida era sempre para ele que ela mandava. Ela mesmo havia dito naquele mesmo dia, sabia que viajaria milhares de quilômetros apenas para encontrá-lo. Então nunca estiveram juntos, não, só nunca estiveram separados também. Grudados como ímãs e, num paradoxo, eram duas metades iguais que ainda assim não se separavam. A física não precisava fazer sentido, nem mesmo a história ou a sociologia, nem a chuva que caía, muito menos o ato de dançar sem que música alguma tocasse. Nada precisava ser explicado ao mesmo tempo em que tudo fazia sentido. As mãos de Roman no rosto de Sofia, o espaço ínfimo entre eles, duas bocas se tocando. Coisas que não faziam sentido e não precisavam de explicação. Sofia já nem escutava o barulho da chuva, os dois estavam envoltos no silêncio. Ela só conseguia pensar que Roman entendia cada pensamento que passava por sua cabeça e cada hora de seus dias estavam cheios da presença dele e ela não era nada que não um mosaico de memórias construídas ao lado dele. Então Sofia o beijou de volta porque fazia sentido e porque não fazia, suas mãos envolveram o corpo dele e por um segundo ela acreditou que talvez eles pudessem ser um império que nunca colapsaria.
incrível que seu nome do meio é helena que é o nome da música favorita de todos os tempos do roman...
Essa é a música favorita do Roman? Eu não sabia disso.
que música marcou seu ano sofiazinha?
Acho que Fearless? Como pode uma música country de 2008 salvar vidas até hoje, né?

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metas pro ano novo?
Só quero terminar de escrever minha tese.
se vc pudesse dar um (01) conselho pro seu irmão lucas qual vc daria e pq
Acho que: não tenha medo de ser exatamente quem você é. Acho que meu irmão não tem muito jeito com algumas coisas mas ele é tão único e essa é a melhor coisa que alguém pode ser então acho que ele deveria parar de tentar ser qualquer outra coisa.