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@bcnningficld

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Quer alguma coisa? Uma água, um chá, um café, um baseado…?
Não conheço o último, mas aceito uma água, sim, obrigado.
cellxenas:
Tudo o que Cellaena queria era poder dar um belo de um passeio por aí sem nem ao menos se dar ao luxo de prestar atenção no caminho ou similares. Soube que ao longe tudo começava a ficar mais esbranquiçado por conta de uma nevasca que estava vindo, mas estava torcendo que por aqueles lados não estivesse chegando nada, apenas para que pudesse chegar até os estábulos para dar um passeio à cavalo, sua atividade favorita. A sensação de liberdade era maravilhosa que a garota luz sequer sabia explicar, apenas amava ela e por isso que estava certeiramente vestida para o passeio e pronta para tomar as rédeas do primeiro cavalo que surgisse à sua frente, só não esperava que fosse um empregado a lhe dizer que não poderia porque a nevasca havia atingido o lugar. Era sério aquilo? A topázio respirou fundo antes de sair a passos pesados e ir para a primeira janela que encontrasse para ver a realidade ridícula. “Eu não mereço me sentir como um pássaro preso novamente.”
Aquela não era a primeira joia que Henry ouvia reclamar pela proibição dos Thorn a respeito de deixarem a mansão. Embora tivesse muitas objeções ás opiniões e decisões dos idealizadores da Corte de Luz, devia concordar com eles naquele aspecto: se as garotas não desejassem ficar aquecidas no interior da casa por vontade própria, deveriam ser proibidas de saírem. Seria trágico se uma delas fosse encontrada morta por hipotermia em meio à neve. “Tenho certeza de que não merece isso, senhorita” concordou, cauteloso. Aquela joia em particular parecia bastante irritadiça, talvez acabasse pisando em seu pé se o príncipe escolhesse as palavras erradas. “Mas também não merece acabar adoecendo. Tem certeza de que gostaria de sair nesse tempo?”
Henry não podia acreditar no que os Thorn estavam fazendo. Persuadir casais a se apaixonarem para então elevarem o valor até mesmo das joias mais baratas? Duvidava que, mesmo com os prejuízos, qualquer um naquela família teria de viver na pobreza ao fim da temporada. Mais uma vez: o que havia acontecido ao romantismo? Aquele momento pedia por um herói, um devoto — secreto — de Diniel. Henry aproximou-se de um grupo de pessoas, abrigadas do frio na sala, e se pronunciou: “Pois eu não permitirei que o romance morra por conta desses tiranos. Posso completar as dívidas dos casais necessitados, tudo que peço em troca é sua história de amor.”

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thxndrr:
Se havia uma característica que poderia marcar a personalidade de Aurora tanto quanto sua língua afiada era o coração mole. Por mais que por fora parecesse ser mais séria, a generosidade e a empatia da joia se faziam presente desde muito nova; lembrava-se de levar moradores de rua para jantar à mesa com sua família, ou de estar sempre adotando animais que definitivamente não tinham condições de cuidar. E se ser uma garota de luz tinha mudado quase toda sua personalidade, essa parte ainda era intocada e inexplorada. Diferente do seu gosto por transgressões. Era inacreditável, por mais que tentasse manter-se distante de confusões, era como se estas a perseguissem, como se a palavra caos fosse alguma espécie de segundo nome ou maldição. Daquele vez, entretanto, fora algo completamente proposital. caminhava pelas extensas propriedades quando ouviu um piar bem baixinho. Dentro do tronco oco da árvore ela encontrou um ninho, duas caquinhas de ovo jaziam ali, mas os filhotes estavam mortos, enquanto o pássaro que ela deduziu ser a mãe estava caído no chão, uma asinha aparentemente fraturada. Podiam culpá-la por ter se disposto a levá-la para casa? “— Certo, eu te mostro. Mas apenas se me prometer que não vai contar. Cross your heart?¹ ” Perguntou uma última vez, parada no quinto degrau das escadas que levava aos quartos. As duas mãos bem escondidas atrás do corpo, que só foram reveladas quando ela obteve uma afirmativa. “— See? She’s hurt, the poor little thing².”
Henry fitou a ave com curiosidade. Embora fosse um entusiasta do reino animal, tinha certa dificuldade em lidar com os pequeninos, sempre com medo de feri-los; seu verdadeiro talento era domar bichos de maior porte, como cavalos e cachorros grandes. Não sabia o que fazer para ajudar o pobre pássaro em um tempo daqueles, com o solo coberto de neve e sem sinal de minhocas e insetos. “Hope to die¹” completou, desenhando uma cruz no próprio peito, à altura do coração, como a joia havia sugerido. “Não vou contar a ninguém, tem minha palavra. Mas o que pretende fazer com ela?” O animal parecia tão frágil... era triste imaginar o risco que corria, porém Henry só podia esperar que acabasse cedendo ao ferimento antes do fim do inverno.
Janeiro, o mês mais frio de todo o ano, com a neve caindo, e ainda assim Henry insistia em deixar o prédio principal de Wisteria Hollow. Estava há cerca de meia hora na estufa, sentado em um canto isolado mergulhado na leitura quando o breu começou a tomar o local — não pelo horário, mas sim pela cruel nevasca que cobria o teto de vidro. Levantou-se rapidamente e tentou abrir a porta. A altura da neve havia triplicado. Foi apenas quando se virou, desistindo de sair, que notou a presença de @azvlea do outro lado da estufa. Aquilo mudava toda a situação. Henry poderia perder o jantar e passar uma noite preso, na expectativa de um tempo melhor pela manhã, suportaria o frio; no entanto, não podia deixar uma donzela naquelas condições. “Não tema, Srta. Brigham, vou sair e buscar ajuda” anunciou, voltando mais uma vez para a porta. Era um homem forte, contudo, o vento e a densa camada de neve dificultavam seu trabalho, de modo que apenas alguns centímetros foram deslocados. “A qualquer momento...”
zcanya:
Fora surpreendente para ela que o outro lhe lançasse o recipiente com “água”, portanto, Anya quase caíra ao dar um passo à frente a fim de pegar o frasco, olhando-o de forma intimidadora. “Eu estou de ressaca em um estábulo! Tenha sensibilidade!” A joia bufou, revirando os próprios olhos e abrindo o frasco a fim de cheirar o conteúdo. Não tinha cheiro de álcool. Grr é água. “Você não vai me ouvir dizer ‘você venceu’.” A Jaspe encolheu os próprios ombros quando ouvira o questionamento, imaginando que o outro estaria a julgando por ser uma joia e não ser interessante para os compradores que a visse em um estado como o anterior, porém, se estava ali para ser bebido… “Olha, não me julgue, mas ‘tava ali pra beberem e eu bebi, né? Acabou que tudo deu meio certo.” Tudo teria dado certo se ela não tivesse recebido um castigo, mas, claro, quando o assunto era Culpepper não poderia dar tudo certo no final da noite. “Você acha que eu não iria reparar se uma pulseira de diamantes estivesse no meu pulso? E nem me venha dizer que estou sonhando demais porque tem um príncipe, um embaixador, um minerador e sabem-se lá mais quantas pessoas ricas nesse lugar. Eles sequer pensaram que nós merecemos algum presente. Olha mim de vestido em um estábulo! Ninguém reconhece nossos esforços para nada mesmo.” A joia não precisava dizer tudo aquilo, entretanto, volto a repetir: na presença dos funcionários e das joias, ela não precisava ser uma garota treinada para parecer perfeita aos olhos dos compradores. “Você chama o cavalo de bobão?” Questionou ao olhá-lo um tanto preocupada. “E o príncipe trouxe o cavalo? Isso, meus amigos, é o que eu chamo de amor.” E, ao citar Henry Benningfield, Anya se viu abrindo um sorriso largo com as lembranças cômicas do outro. “Você sabia que eu trabalhava no lugar mais frequentado pelo príncipe, senhor que mexe com cavalos? É, o bordel!” E, antes que o outro pensasse que ela era uma antiga meretriz, completou rapidamente: “Não, não era uma das garotas. Eu só faxinava o lugar mesmo. Ele ia lá direto e reto, sério. Achei até meio surpreendente saber que ele vai casar. Acho que cansou de vagabundar por aí… Quantos anos ele tem? Trinta? Acho que trinta. Pois é, não se pode vagabundar muito depois dos trinta.” Talvez o fato de enfrentar a morte uma vez tenha tirado o medo de Sacnite de uma segunda. “Hey! Todo mundo sabe que cavalo assustado é o pior tipo.” E quando o cavalariço se aproximou, Anya dera apenas alguns passos antes de hesitar, separando os próprios lábios. “Quem me garante que ele não vai perder a cabeça e me perseguir?”
"Você já disse, madame” provocou-a, com um sorriso lateral pintado nos lábios. Ainda assim, vinha gostando da companhia de Anya, não a julgava de forma alguma. Se alguém deveria ser julgado eram os compradores, isso sim! Por estar determinado a não se casar com uma jovem do Velho Mundo, não havia distribuído presentes — em outro cenário, teria comprado algo para cada uma delas — e sentia-se um tanto culpado diante da declaração da joia. Talvez devesse providenciar uma pulseira de diamantes para ela... em anonimato, é claro. “São um bando de mãos de vaca mesmo. Depois do casamento é bom depenar o infeliz só pelo gosto da vingança” sugeriu, sem remorsos. Henry costumava desgostar dos homens da alta sociedade, geralmente tão frios e calculistas e julgadores. Interpretar o cavalariço vinha sendo uma tarefa até que fácil! Isto é, até sua pessoa se tornar o tópico da conversa. Queria se defender! Anya estava certa quanto aos fatos, mas provavelmente imaginava todas as coisas erradas a seu respeito. E trinta anos? Não estava tão longe daquela idade, porém ainda se considerava digno de um brilho juvenil. “Eu não tenho trinta anos!” Não. Não. Não. Seu primeiro deslize. Por sorte, era treinado para improvisos. “Quer dizer, eu nasci no mesmo ano que o príncipe e não tenho trinta anos. Vinte sete é a idade correta. Ainda temos tempo de vagabundear.” E então, pensando mais uma vez no que Anya havia dito, encontrou uma inconsistência no discurso dela. Henry arqueou uma sobrancelha. “Espera, você trabalhou em um bordel daqui? Não era para vocês todas serem de Osfro e esses lugares aí?” Bem, talvez ela tivesse se referido momentaneamente a outro príncipe, um de verdade... ou mentido para provar seu argumento. “Hamlet é inofensivo, confie” falou, por fim, antes que ela pudesse respondê-lo. Permitindo-se a ousadia, segurou a mão de Anya e a puxou para perto, fazendo com que tocasse o cavalo. Em resposta, o animal apenas bufou e inclinou a cabeça na direção dela. “Viu? Agora de volta à sua história...”
mcevc:
Arqueou uma das sobrancelhas com a questão dele pois duvidava que um livro daqueles refletiria quem ela era, na verdade, nem ela sabia muito bem se definir “Eu acredito que não” mas a sua resposta foi por água a baixo quando ouviu a analise dele, já que estava correta, a fazendo deixar com um sorriso impressionado nos lábios “Não, não está errado” assentiu, sentindo-se estranha por ter sido lida com tanta facilidade “Mas acho me sinto em desvantagem, já que o senhor consegue me ler tão bem enquanto eu fico de mãos atadas. Acho que eu terei que espiar qual tipo de leitura você prefere” disse num tom divertido, já que ela provavelmente faria isso por pura pirraça de ter sido espionada por ele “Ou pode simplesmente me contar suas leituras favoritas Henry” completou, experimentando o nome dele em seus lábios. Estava aliviada por saber que ele, mesmo sabendo de sua leitura, não havia pensado menos dela ou pelo menos, não havia demonstrado ter uma opinião diferente do que ele havia exposto.
Ainda que não fosse exatamente orgulhoso de seu status social como filho do governador de Adoria, Henry duvidava que Maeve não tivesse uma informação sequer a seu respeito. Mesmo assim, optou por seguir o jogo dela e não soar como um imbecil arrogante deduzindo que ela não estava “de mãos atadas”. “Não seja por isso. Sou um grande apreciador de poesia” declarou, caminhando na direção das prateleiras correspondentes ao gênero. Passou propositalmente seu único livro publicado — mais uma vez, não queria parecer exibido — e separou uma obra de Shakespeare e uma de John Donne, entregando-as nas mãos da Rubi. Todavia, não as soltou. “`Pronto, agora pode ler parte da minha alma à vontade. Ou prefere que eu leia algo para a senhorita?” questionou-a, com boa vontade para as duas alternativas.

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itsleere:
Antes de se tornar uma jóia, Laoghaire costumava escapar de casa para ir até os pubs e dançar em bailes públicos, repletos de cerveja barata, som de gaita de foles e bandolim, adorava sentir a música lhe comandando e como ela librava como a corda de um violino no ritmo da música, porém, desde que adentrara a corte luz não podia negar que dançar tornou-se um tanto problemático. Passos, coreografias…. racionalizaram a coisa mais pura e sagrada para a Byrne e isso não tinha perdão. No entanto, ela ainda gostava demais de dançar para se privar, ainda mais em tão boa companhia. — A honra seria toda minha. — Ela respondeu com um sorriso ladino antes de lhe tocar os dedos com a destra, girando em suas sapatinhas antes de aterrizar nos braços do mais velho com um sorriso estupefato e um pouco se ar, dado a surpresa do fato. — Isso não é da coreografia! — Ela exclamou ela, não em reprimenda, não em choque, mas em extrema alegria. Tinha acabado de gostar muito do moreno e ela tinha a impressão que gostaria ainda mais até o fim daquela noite.
{ flashback: vaiel’s day }
Por mais que não fosse o encrenqueiro incorrigível que alguns viam, seguir regras nunca havia sido o forte de Henry, principalmente tratando-se de arte. Com a dança não era diferente. “Não é” concordou, satisfeito pela Jade não se incomodar com aquele estilo. Os casais que seguiam a coreografia encaravam Laoghaire e ele espantados a cada deslize cometido pelos dois. Henry a guiava imitando os outros em alguns momentos e ousando passos mais arriscados em outros, trazendo um dinamismo maior para a dança, ainda adequada para o ritmo da música.
Ainda assim, entre uma inovação e outra, surgia uma janela mais acomodada para conversações. “A coreografia por si só é um tanto sem graça, não acha?” Um sorriso lateral apareceu em seu rosto, brincalhão, antes de girá-la mais uma vez.
rcxnnz:
“Não querendo ser rude mas acho que posso ter minha própria opinião sobre o quadro.” Para amenizar um pouco as palavras, deixou o sorriso nos lábios. Desde a conversa no dia de Vaiel que Roxanne percebia que o comprador parecia um tanto inseguro diante das telas que pinta. Com a mão limpa, segurou com delicadeza o pulso alheio deixando as duas palmas sujas uma do lado da outra. “Veja essas cores. São tão vivas, chamativas, coloridas. Duvido que algo nada agradável aos olhos saia disso.” Comentou gentilmente, tentando convencê-lo.
Henry suspirou, ponderando se a boa vontade de Roxanne seria suficiente para não detestar seus quadros. Bem, qual era o pior cenário possível? Uma garota daquelas não teria a ousadia de fazer um comentário grosseiro como o de Caden, certo? Provavelmente havia sido educada para expressar até mesmo as piores opiniões com certa delicadeza. “Tudo bem” falou, derrotado. “Com uma condição: honestidade. Se a senhorita não gostar, por favor me diga.” Fingimentos perturbavam quase tanto quanto ofensas diretas. Henry estendeu uma mão na direção do atelier e deixou que Roxanne fosse à frente. Chegando lá, descobriu uma das telas, com pinceladas suaves e imprecisas, sem assinatura. Havia deixado outras pela sala, escondidas por lençóis brancos, apenas não esperava que a Âmbar fosse desejar vê-las.
cwrdh:
❛ —— Obrigada. ❜❜ a garota respondeu com uma genuína gratidão, afastando-se alguns passos do balde e passando a mão livre pela barra do seu vestido para ajeitá-lo. Ao menos não se encontrava com nenhuma roupa de serviçal! Seria péssimo ser vista com as roupas que era obrigada a usar na casa dos D’Elia. Inclusive, a pergunta do herdeiro acabou sendo mais um incentivo para fazer com ela voltasse a pensar no seu passado. Nunca havia tido nenhum pretendente assumido, muito menos tinha recebido um pedido formal de casamento ou tão pouco tinha sido cortejada da maneira apropriada. O motivo para aquilo? Oras, esse era um assunto particularmente curioso! Seus queridos tios faziam questão de boicotar qualquer relacionamento de Coraline, pois sabiam que existiam muito mais chances de que a Hybern se apossasse de sua fortuna quando estivesse devidamente casada. No entanto, ainda sim, não era como se a garota soubesse daquilo. Em vez disso, Cora fora induzida a pensar era que seu tio era rigoroso demais para permitir qualquer envolvimento amoroso fora do casamento. E, justamente por temer represálias, ela nunca tinha permitido que algum de seus enamorados chegassem a lhe dar algum presente que chamasse a atenção. ❛ —— Agradeço pelos elogios, Henry. Mas eu não tinha nenhum pretendente oficial em vista. Meu tio era bem rigoroso em relação a relacionamentos fora do casamento e, bem, ele acreditava que ainda era cedo demais para que rapazes me cortejassem. ❜❜ a explicação nada mais era do que o ponto de vista de Coraline de toda a situação, por isso, as palavras não poderiam soar mais verdadeiras.
Cedo demais? Henry imaginava que Coraline já estivesse em seus vinte e dois anos ao menos, mais próxima de ser considerada madura demais para ser solteira do que jovem demais para ser cortejada. Ainda assim, seria rude verbalizar aquele pensamento, assim como insistir em questionar aquela história; talvez houvesse algo que ela não desejava compartilhar. “Bom, eu aposto que você ainda vai receber muitas flores até o fim da temporada” falou, ao piscar um olho para ela. Não era uma promessa, mas sim o que Henry esperava dos outros compradores. Se não cortejassem Coraline presenteando-a, ele ficaria extremamente desapontado com o gênero masculino no geral, aparentemente extinguindo o romantismo desde a época da cavalaria. Viver naqueles tempos podia se mostrar decepcionante. “À propósito, também preciso agradecê-la. Não sei se foram seus conselhos ou a volta do slush ou uma combinação dos dois, mas já estou há alguns dias sem beber e otimista. Obrigado, Coraline.” Não era a primeira vez que Henry arriscava a sobriedade, no entanto, era a primeira desde que fora forçado pelo pai a ficar longe de qualquer entorpecente. Desta vez ele se sentia bem, forte... talvez cedo demais.
hydcnseek:
Estava confortavelmente acomodada na poltrona de couro, a caneta tinteiro batucando sobre a prancheta com um som oco enquanto cruzava uma das pernas sobre a outra, de um modo muito mais confortável do que a mesura requerida para uma dama de seu calibre. Verdade fosse dita, Sabrina não sabia exatamente porque marcava aquele tipo de reunião: geralmente eram escorregadios quando perguntava algo mais pessoal, mas talvez este fosse o ponto principal. Deveria se encontrar com um dos compradores naquela tarde cinzenta, mas ele tinha se atrasado. Típico. Imprevistos acontecem, Sabrina, sua mãe murmurou em sua mente, mas foi incapaz de reprimir o franzir de nariz. “Imprevistos acontecem, é claro. Falta de respeito, também.” Resmungou, revirando os olhos ao escutar a maçaneta da porta alarmar a chegada de uma nova figura na saleta. “Em que posso ajudar?” Pendeu a cabeça para o lado de maneira cordial, ainda que o estresse a fizesse implorar por um pedaço de bolo, apoiando o rosto em uma das mãos a medida em que elx adentrava no recinto.
Como se não bastasse ter de lidar com as cartas do governador lhe perguntando quando voltaria para casa com uma esposa decente — lê-se uma mulher forte e inteligente o suficiente para deixá-lo nos eixos —, também precisava encontrar uma maneira de driblar os insistentes irmãos Thorn. Haviam marcado uma visita à matchmaker sem ao menos consultá-lo, deixando para avisá-lo no dia da reunião! Henry tentara convencê-los de que não precisava daquilo, todavia, acabou apenas se atrasando para encontrá-la. “Com licença. Tenho uma hora marcada com a senhora” respondeu, adentrando a sala. “Perdoe meu atraso, por favor, houve um... uma falha de comunicação.” Não podia dizer diretamente que estava determinado a deixar Wisteria Hollow sozinho para casar-se com uma selvagem posteriormente, correndo o risco de que seus planos chegassem aos ouvidos do governador.
cwrdh:
A vida tinha sido muito precisa em ensinar a Hybern que oportunidades deveriam ser aproveitadas. Portanto, quem seria ela para recusar uma oferta como aquela vinda do comprador mais influente da temporada? Oh, como seria maravilhoso ver a senhora Culeppper engolir o próprio orgulho ao voltar atrás em um dos seus castigos! E, pensando nisso, não existia um pingo de hesitação em suas palavras quando ela passou a respondê-lo. ❛ —— Eu seria eternamente grata se fizesse isso, Henry. Seria um sonho pra mim poder descansar em meu quarto. ❜❜ ela confidenciou de prontidão, retraindo brevemente seus ombros. De qualquer forma, todos os resquícios de desanimo deixaram o seu corpo quando percebeu que o buquê passava a ser entregue a ela. As mãos trabalharam em alcançar as flores com um certo cuidado e, bem, o sorriso em seu rosto apenas se alargou, as irias castanhas passando a encarar o semblante do príncipe. ❛ —— Não se preocupe quanto a isso. Na verdade, essa é a primeira vez que ganho flores de um rapaz… Então, é, apenas o gesto já foi muito significativo. ❜❜ A verdade era empregada em cada uma de suas palavras e, atipicamente, as suas bochechas passaram a ser adornadas com um certo rubor ao passo a sua cabeça era abaixada. Era vergonhoso admitir aquilo, mas não era como se tivesse sido cortejada alguma vez na vida para ganhar mimos como aquele. ❛ —— Enfim, obrigada por isso. ❜❜
"Vou conversar com ela. Pode deixar isso de lado” falou, acenando casualmente na direção dos materiais de limpeza. Henry já tinha um plano em mente, diria que havia visto Coraline, sua favorita, à beira de desfalecer enquanto limpava as janelas, então ameaçaria deixar Wisteria Hollow de mãos vazias caso continuassem a tratando assim. É claro, também prometeria denunciá-los ao governador, mesmo que na prática o pai não lhe desse ouvidos. Como um bom ator, faria questão de honrar sua reputação e ser o mais dramático possível. “É?” Henry franziu o cenho diante da declaração de Coraline. Ela era uma moça tão bela, simpática também, não via o porquê de nunca ter recebido um agrado tão simples como flores. Na verdade, ele imaginava que todas as joias fossem cortejadas frequentemente antes de serem encontradas pelos Thorn. “Não tinha nenhum pretendente antes de vir para cá? Não consigo acreditar nisso. Você devia ser... o quê? A mais bonita da cidade? Uma das?” Soava mais curioso do que paquerador. Sim, era difícil não se encantar por uma garota como aquela, porem Henry estava genuinamente incomodado com aquela constatação. O que havia acontecido com o romance?

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“Eu já fiz o que precisava fazer” a Jaspe, desconhecendo limites, imitou a voz alheia, abrindo um largo sorriso. “Você usa essa desculpa para beber durante o dia de serviço? Eu não podia fazer isso.” A joia continuava encarando o homem deitado, despreocupadamente; ela, quando ainda era uma servente, não era capaz de fazê-lo. “E tu achas mesmo que eu vou acreditar que é água? Até eu estaria bebendo se não fosse essa ressaca ridícula da noite anterior.” E, assim, ela bufou. Anya não via a necessidade de fingir-se delicada e inocência na presença dos criados da mansão, portanto, sentia-se livre o suficiente para falar o que não poderia ser falado diante da Sra. Culpepper — que havia obrigado a dama a passar a primeira parte do dia limpando banheiros com vômito; Sacnite havia chorado e vomitado novamente. “Eu até teria, mas ninguém me deu presente ontem então eu estou fazendo greve, o que é muito triste pra eles.” Essa não era Anya; talvez fosse Kitty que mandara bilhetes bem interessantes para os compradores na noite anterior. “Ou eu posso estar ignorando todos eles também. Ontem eu posso ter passado dos limites com alucinações causadas por slush. Melhor evitar por enquanto.” Agora sim era Anya. Tomou liberdade em se aproximar dois passos. “Então resolvi aparecer por aqui porque ontem eu tive algumas alucinações com cavalos e, hm, eu posso estar com medo deles agora. É.” Não se atreveu a dar outros passos a frente. O cavalariço estava perto demais de um.
Vendo a garota o imitar, Henry se deu conta do quão importante deveria ser para os compradores — ao menos os que realmente desejavam adquirir uma esposa naquele lugar, o que não era seu caso — analisar como as joias se comportavam com funcionários e umas com as outras. Não conhecia aquela garota em especial, porém duvidava que fosse agir daquela maneira caso soubesse quem ele era. “Se duvida, experimente” falou, antes de jogar o frasco fechado na direção de Anya. Henry Benningfield não faria isso com uma dama da Corte de Luz, contudo, o príncipe de Adoria não estava mais lá, apenas o personagem de um humilde cavalariço. “Você bebeu slush?” Que tipo de mente sádica os Thorn poderiam ter para não proibir aquelas garotas de ingerirem o alucinógeno? Parecia até mesmo que desejavam que elas não se casassem apenas para aumentarem o quadro de funcionários as escravizando. “Já pensou que a falta de presentes pode ser uma alucinação?” brincou, embora não duvidasse que algo assim poderia acontecer. Henry pôs-se de pé ao ouvir o comentário da garota sobre os animais. Se havia uma criatura que poderia curar aquele medo era seu cavalo. “Não precisa ter medo desse bobão.” Ele o acariciou gentilmente. “O cavalo do príncipe” — não gostava de usar aquela palavra, tendo em vista que seu pai respondia ao rei de Osfro, porém a maioria dos habitantes de Adoria se referia à família Benningfield como a realeza local — “é inofensivo. O pior que pode fazer é se assustar e fugir.” Bastante parecido com o dono, na verdade. Henry aproximou-se da Jaspe e tocou seu braço, puxando-a sutilmente para perto dos dois.
mcevc:
Conforme o susto e a leve raiva passava, cada vez a ideia que um de seus autores favoritos estava realmente conversando com ela e ela tinha sido levemente grossa com ele, a ruiva provavelmente iria se xingar quando chegasse em seus aposentos mais tarde mas agora tentaria arrumar o que havia feito “Para ser completamente honesta com o senhor, agora eu estou com medo do que achará de minha alma se levar em consideração este livro” respondeu levemente, dando uma pequena risada nervosa. Escrita, pintura e qualquer tipo de arte era o que ela mais amava e revirava seu estomago imaginar que alguém que ela tanto admira, crie uma imagem de pura perversidade por alguns parágrafos que descriam tão detalhadamente atos de intimidade “Eu normalmente tenho razão” assentiu, dando de ombros e seguiu o olhar dele para a varanda, sentindo-se sortuda por poder apreciar algo assim, mas voltou o seu olhar para ele ao ouviu sua perguntar “Maeve Kincaid” e fez um pequena reverencia a ele “E o senhor?” Não querendo deixar obvio que tinha praticamente tudo que ele havia escrito.
Henry deixou que uma risada escapasse ao ouvir o comentário da Rubi. De fato, muitas pessoas pensariam pouco de uma garota que lesse tais coisas. “Este livro não reflete a sua personalidade?” questionou, embora a resposta fosse um tanto óbvia pelo modo que Maeve falava. “Pela breve análise que pude fazer, acho que a senhorita deve ser uma jovem curiosa pelos segredos que escondem das donzelas, mas recatada o bastante para não desejar que os outros saibam disso. Estou errado?” De fato, eram poucas evidências que sustentavam aquela teoria. Embora Henry tivesse certo talento e empatia para ler outras pessoas, sabia que muitas vezes acabava se mostrando enganado. Desejava expôr o que pensava não para se exibir, mas sim para tranquilizá-la, afirmando que não a via como menos casta por ler um livro com trechos eróticos. “Henry Benningfield, é um prazer.” Como de costume, curvou-se ligeiramente em um cumprimento.