hvnswl.
hansol apoiou a palma da mão no tronco da árvore, usando-a para impulsionar de leve o corpo para longe de suas raízes. de joelhos em um misto úmido de grama e terra, com as palmas viradas para cima sobre as pernas, foi capaz de sentir-se dissociando antes que os olhos perdessem o foco. por dentro, esperneava em uma súplica para que, ao menos uma vez, o peito cedessse; não havia encontrado nada debaixo da árvore, e por mais que escavasse o espaço entre as costelas com unhas e dentes atrás de uma reação, não sentia nada: nem raiva, nem uma pontada de tristeza, nem uma lágrima. pôs-se em pé, brevemente desculpando-se ao esbarrar em alguém, criando distância entre o corpo e a árvore. enquanto caminhava, um som tímido perfurou a densidade da neblina em sua cabeça, familiar o suficiente para impelir os pés a guiarem-no ao redor do tronco, na direção do ruído. hansol nunca havia visto anthony parecer tão pequeno. “tony,” iniciou, incerto de como chamar a atenção do garoto sem assustá-lo. sabia que o outro não gostaria de ser visto chorando. “você não quer fazer isso aqui,” devagar, pousou a mão sobre o ombro dele. tão baixas que mal excediam um sussurro, as palavras continham toda a gentileza desajeitada que conseguiu conjurar. “vem comigo.” ⋆¸ ♡ —— @anthysgang.
o dia da convergência estava sendo, para anthony, uma experiência um pouco sufocante. havia lidado até que bem com toda a falta que sua família e amigos faziam durantes aqueles dois meses, mas a situação havia mudado totalmente ao ler a carta deixado por seu irmão mais velho e, realizar, novamente, que estava morto, longe demais das pessoas que mais amou em toda sua vida. a única coisa que conseguira fazer após pegar as coisas deixadas a si fora sentar-se no chão e começar a chorar o mais baixo que conseguia no momento, apesar de toda a melancolia que cercava-lhe e fazia-o sentir-se extremamente culpado e arrependido de ter jogado-se daquela janela. gostaria que as coisas tivessem ficado bem e que nada daquilo tivesse acontecido, mas, o que poderia fazer, agora, já preso naquele lugar? os soluços baixos já saíam sem sua permissão e consciência. a voz de hansol o deixara em alerta, um pouco assustado e até mesmo envergonhado pela situação em que se encontrava e em qual fora encontrada pelo mais alto. concordara devagar com o garoto, murmurando um ‘não mesmo’, enxugando as bochechas molhadas pelo choro. ‘ sollie... ’, começou, tímido, não conseguindo encarar o mais novo diretamente. ‘ você... aonde... aonde nós vamos? ’ o tom parecia, no mínimo, amedrontado, reforçado pelo estado deplorável que o mestiço já se encontrava. levantou-se desajeitadamente, andando até o mais novo, ainda segurando os papéis fortemente perto do peito, como se aquilo permitisse que sentisse seu irmão e amado de novo. instintivamente, segurou a mão do moon, dando passos cautelosos para frente, mesmo que nem soubesse que rumo teriam de tomar.

















