𝐄𝐮 𝐒𝐨𝐥𝐭𝐨
Hoje,
eu te solto.
Te deixo livre pra voar —
e voltar, se quiser.
Te liberto do meu apego ansioso,
mesmo sem saber direito como lidar.
Eu te solto, meu bem,
não por sentir menos —
pelo contrário:
a cada dia,
sinto mais.
E esse sentir demais...
provoca, machuca,
te afasta.
A gente prometeu algo leve.
Mas é que eu
sou feita de tempestades.
Sinto demais.
Me entrego demais.
Nunca quis te sufocar,
nem te afastar.
Eu só queria ser amada.
Ser vista.
E, do seu jeito,
você me amou.
Você me viu.
E eu —
não soube lidar.
Eu tinha o mundo.
Agora,
restou o eco.
O reflexo.
Perdão pela intensidade.
É que eu não sei amar pela metade.
Hoje, eu te solto.
Mas não te esqueço.
Te guardo —
no peito frágil e cansado,
descansando no caos do acaso,
desejando o retorno do teu abraço.
E se por acaso quiser voltar...
mesmo com o corpo cansado,
o coração calejado,
e o medo entranhado —
ainda assim,
sempre haverá um espaço reservado.
Meu corpo é teu templo.
Meu coração,
teu lar.
Anne Miller














