Ele é bonito feito um poema do Leminski. Marginal. E de vez em quando sorrindo canto. Mafioso. Aquele riso é tão lindo e gostoso que é tudo mel. Sou água e sal.
Ana
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@anafavorin
Ele é bonito feito um poema do Leminski. Marginal. E de vez em quando sorrindo canto. Mafioso. Aquele riso é tão lindo e gostoso que é tudo mel. Sou água e sal.
Ana

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A vida estática e a sensibilidade.
É difícil demais, ou eu mesma é que não aprendi a suportar as dores. É pesado demais ou minhas pernas inúteis é que não são capazes de me sustentar. Não tem graça, por que estão sorrindo? Não tem a menor graça. Estão malucos. Vez ou outra é o Sol que nasce ali, mas logo depois é tudo noite outra vez. Hora de dormir, toque de recolher. Eu vou acordar amanhã e as coisas estarão estáticas, exatamente como estavam antes que eu adormecesse. Quando foi que meus olhos se fecharam? Quando? Amanhã a mesma coisa. A mesma rotina exasperada e triste. A morte insistentemente à minha porta, a dor, as lágrimas. Funerais e funerais lotando minha agenda. Eu nunca compareço. Eu nunca mando flores. Eu nunca sinto muito. Talvez eu sinta em demasia. Em demasia. A insanidade é tão vizinha, que diria Chico, até pensei que fosse minha. Não me cabe. Meço-me com tamanha frieza e cálculo que a insanidade não me cabe. E eu não caibo na imensidão triste, de uma azul de Gogh, de um girassol murcho, de uma acidez dolorida. Eu não caibo no mundo imensamente minúsculo que teima em nos abraçar por todos os lados.
Ana Favorin
Como diria Cazuza, como diria João, somos iguais na desgraça, na vida, severa e sofrida que a gente tem que viver. Somos filhos da seca, somos sempre do sertão, já que se o Sol não racha o solo, a dor nos racha o coração.
Ana Favorin
FOTOGRAFIA
Um segundo
inteiro
de poesia.
Meus ontens são eternos.
Ana

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Onde depositar o meu tempo morto? Nas costas do velho, espelho vermelho que reflete tão torto. Vermelha moldura, vermelha candura sangue, sangue, Vermelha loucura. Tic taque insistente do relógio indecente que badala ao final do tempo da gente.
Ana Favorin, Tempo rubro
Na verdade, eu não sei pertencer. Na verdade eu nunca compreendi o que significa, de fato, amar. Essa entrega me parece tão vertiginosa. As coisas se desencaixando de seus lugares para flutuar em minha cabeça. Me sinto como uma nuvem, densa e sem forma. Aparentemente leve. Mas Deus sabe, meu Deus, meu Eu, a gente sabe que estou prestes a desabar. E quem segura meu temporal? Minha insanidade devastadora, meus gritos e gargalhadas que não se demoram em abraço algum. Quem é capaz de segurar meus pés para que não rodem o mundo?
Ana Favorin
Que lugar mais perfeito! Não saberia descrever o quanto me senti bem por aqui! Parabéns pelo incrível trabalho! Um beijo. ♥
Obrigada. <3
Você fez de mim sua heroína e eu nunca quis esse título. Eu nunca fui capaz de sustentar expectativas porque meus erros massacram os sonhos que depositam em mim. Eu nunca poderia me confundir com a tua felicidade. Eu te desaponto e desfaço teu riso. Eu juro que no fim das contas eu só queria que as coisas ficassem bem. Eu não posso ser a tua felicidade porque eu não tenho um Deus, porque eu não caibo nas caixinhas morais, porque minha humanidade é toda falha, toda risco, inconsequência. Sou toda um erro. Desde o início.
Ana.
Por baixo da roupa, a combinação Dentro o corpo, a respiração. Ofegante, delirante… Rendida, pura renda e cinta liga, à paixão.
EFÊMERA

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O amor cresce como erva daninha, nas frestas dos nossos dias, nos encontros efêmeros e improváveis. O amor cresce dentro da tua cabeça, modifica tuas pupilas, acelera teus sentidos. O amor cresce nas árvores que permitem, no solo fértil de um riso infantil, nas páginas de qualquer livro dado com carinho. O amor cresce nas dedicatórias. Nos rascunhos de cartas que nunca foram entregues e nos túmulos molhados de chuva e lágrimas. O amor cresce em tudo o que é essencialmente humano, nos menores espaços, onde não se pode imaginar. E depois é arrancado. Descartado como o joio que estraga o trigo. Não há espaço para o amor em nossas fissuras, em nossos pequenos vazios. Mas há qualquer aceitação nesse ciclo vicioso. O amor cresce, nós o arrancamos.
Ana Favorin
Gogh na parede da sala, ventos azuis misturados à tua fala. O som abafado dos teus olhos doentios… tinham que ser, os tons de azul, tão sombrios?
Ana Favorin
Sejamos sinceros, não há mais nada que te pertença nos destroços. Já acabou, chefe. Você pode ir embora. Não há mais motivo para ficar e tentar resgatar algo de nosso aqui, não há mais nada além da dor que já nos causamos. Vá embora, chefe. Encare a grandeza do universo e inescapabilidade como parte da existência que tanto tem refletido, que tanto tem buscado esgotar. Eu não faço parte disso. Eu não faço mais. No meu último aniversário não soprei velas, não desejei coisa alguma. Chorei como todos os anos por sentir a morte mais perto e a absurda vontade de viver a singularidade de cada instante. Você aprendeu comigo. Passou a encarar os dias como frágeis invólucros que abrigam efêmeros cristais munidos de medos, paixões e desejos. Já é capaz de extrair das horas o que elas trazem de melhor, embora o espelho que mora nos olhos dos outros estejam te enlouquecendo. Volte para casa, chefe. E aceite o fato de que eu nunca mais estarei lá.
Capitolina,
da rua de matacavalos onde a infância ainda acena.
tô ouvindo tom & lendo issa tu lendo busson & ouvindo maysa vai vendo cada um num vento mas curtindo a mesma brisa
Você queria que eu parasse de usar aquele vestido verde. O mesmo de sempre. Com a mesma dor costurada aos anos que carrego com ele. E o cristal no pescoço e a voz embargada e o cabelo cobrindo o riso nervoso. Você queria mudar tudo em mim. Tudo que reflete meu ontem, tudo que traz qualquer coisa de riso adolescente e ingênuo. Qualquer de mim que te tenha pertencido, tocado, amado. Nada mais aqui é teu, mas os ares são os mesmos e o vestido e o riso e o cristal no pescoço. A casa é a mesma, com as janelas para a rua, a floreira de onze horas, os beirais brancos e as paredes azuis. A casa é a mesma, o corpo é o mesmo. Inabitados. Ao léu.
Ana Favorin

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Quaisquer olhares. Nas Ruas. Nos bares. Encontro. Sôfregos, trôpegos Ébrios. Pronto.
Efêmera Capitu
Tua não presença e tudo que arde em mim
Abro os olhos, preenchida dessa ausência que é tua, que entra pelas frestas iluminadas de sol e poeira cósmica. E que me toma. E me dói. No escuro infinito que são meus pensamentos, você vaga, inconstante. Se há algum lampejo de sanidade, corro. Desligo o celular e vivo o cotidiano caos de ser estável. Mas sou loucura também, entregue a não existência do juízo, da medida, do equilíbrio. Me deixa te tocar, na sutilidade do instante que somos, na fragilidade humana que nos permite ser e sentir. Me deixa pisar descalça, em silêncio, no cantinho da tua vida, nem que seja pra passar, virar uma fotografia no ontem que se encerra. Os ontens são eternos também. Me deixa escrever teu nome, incontáveis vezes no diário que não tenho. Me deixar ser tua, que esse milésimo basta pra te tornar perene em mim.
Perdoa o fluxo, mas nesse texto desconexo estão os pedaços de mim.