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O par de óculos escuros mais famoso da poesia brasileira vai desfilar pelas ruas de pedra. É que a próxima edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece de 29 de junho a 3 de julho de 2016, resolveu homenagear uma moça carioca fora do cânone literário: a poeta Ana Cristina César.
a fotografia é um tempo morto fictício retorno à simetria secreto desejo do poema censura impossível do poeta
como rasurar a paisagem, Poética. p. 191.

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Charles Peixoto, Ana, Armando e Cacaso. Rio, 1982.
Francisco Alvim por Ana Cristina Cesar. s/d.

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Aqui minha Filha, chega. Você acaba de chegar. Não escapa mais das quatro paredes. Querida, nossa história terminou no hospital. A gente não tem coragem.
Ana Cristina Cesar, Poética. p. 293.
faz três semanas espero depois da novela sem falta um telefonema de algum ponto perdido do país
-Ana Cristina Cesar, Poética. p. 239
Folha de S.P. 31/10/83
ela quis queria me matar quererá ainda, querida?
Ana Cristina Cesar, Poética. p 102

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Onde seus olhos estão as lupas desistem. O túnel corre, interminável pouco negro sem quebra de estações. Os passageiros nada adivinham. Deixam correr Não ficam negros Deslizam na borracha carinho discreto pelo cansaço que apenas se recosta contra a transparente escuridão.
Ana Cristina Cesar, O que desliza IN Poética. p. 112.
Sou linda; gostosa; quando no cinema você roça o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais quem desejo, que me assa viva, comendo coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no cinema é escuro e a tela não importa, só o lado, o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora este sabe onde me encontro até de olhos fechados; falo pouco; encontre; esquina da Concentração com Difusão, lado esquerdo de quem vem, jornal na mão, discreta.
Ana Cristina Cesar, Anônimo IN Poética. p.28.