São quase oito da manhã e os primeiros raios de sol penetram pela janela; irradiando por toda a extensão das suas costas, nuca e pelo lado esquerdo do seu rosto.
Eu te encaro de longe, recostada no parapeito da porta, na esperança de que minha mente retenha esse momento com o mínimo de fidedignidade.
Através do espelho, eu ou você?
Os dois?
Um só.
São apenas reflexos... alguns princípios de sombra... e você é... tão... l i n d o!
O tempo parou.
Os ponteiros do relógio não mais se movem.
Tic, tac - só se for de trás pra frente; pois, nesse momento, fecho os olhos e imagino: filme. De nós dois. De um só. Só. Nosso.
Abro os olhos e constato - estou chorando.
Assustado, você ergue minha cabeça, me toca com a ponta de seus dedos e me atinge no mais profundo de minha pele... pressiona minha mão na sua...
“O que houve?”
E descubro que desaprendi como dizer...
“A dor de cabeça piorou? Dipirona ou buscopan?”
“Eu amo você.”
- Ana Carla Martucci









