Eu sĂł quero que vocĂȘ entendaâŠĂ s vezes eu fico quieta, mas nĂŁo estou braba. SĂł estou quieta, tenho os meus momentos, gosto da minha prĂłpria solidĂŁo. Nem sempre o que eu digo Ă© verdade, mas eu nunca minto para vocĂȘ. A tpm nĂŁo Ă© a culpada, meu humor nĂŁo Ă© o culpado, em algumas ocasiĂ”es o culpado Ă© vocĂȘ. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu te mando embora querendo que vocĂȘ fique. Penso em nĂŁo te querer mais sonhando em como te ter mais um pouco. Fico com raiva de vocĂȘ e isso passa. Quero mais carinho e isso me cansa. Penso que vocĂȘ Ă© um ser inatingĂvel, um ser que vive num mundo fechado a mil chaves e cadeadosâŠquero que vocĂȘ entenda: eu gosto de demonstraçÔes de amor, paixĂŁo, seja lĂĄ o que for. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que te faço tantas perguntas para me sentir segura. Tenho medo de te perder. Tenho um medo danado de vocĂȘ nĂŁo mais me querer. NĂŁo quero que nenhum mal te aconteça, mas nĂŁo sei bem como demonstrar isso, meto os pĂ©s pelas mĂŁos e falo o que nĂŁo devo. Falo sem parar, falo sem pensar. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que o nĂŁo, Ă s vezes, Ă© sim. Que o sim, Ă s vezes, Ă© nĂŁo. Que o talvez para mim nĂŁo tem vez. Que acima de tudo eu te gosto demais e isso faz com que eu me torne grande e pequena e adulta e criança e confusa e certa. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu nĂŁo gosto quando vocĂȘ vai embora. NĂŁo gosto quando vocĂȘ esconde o que sente. NĂŁo gosto quando vocĂȘ nĂŁo me dĂĄ a menor bola. NĂŁo gosto quando vocĂȘ nĂŁo gosta de esclarecer as coisas. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu sei do seu medo e da sua falta de coragem. Sei que vocĂȘ se esconde atrĂĄs do cansaço, do sono ou da falta de saco para certos assuntos. Sei que vocĂȘ inventa desculpas para vocĂȘ mesmo. E eu te digo: tambĂ©m tenho medo. Muito medo. Mas disfarço melhor do que vocĂȘ. Seguro a onda melhor do que vocĂȘ. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que estarei aqui para sempre. Por mais que vocĂȘ me mande embora. Por mais que as coisas compliquem. Por mais que o mundo acabe. Por mais que vocĂȘ nĂŁo me ame. Se eu falo que estĂĄ tudo bem, quero que vocĂȘ pergunte de novo. E de novo. De vez em quando eu finjo que tudo estĂĄ numa boa, mas tambĂ©m tenho o meu lado fraco. Preciso de colo. De atenção. De mĂŁo na cabeça. De mĂșsica de ninar. Eu gosto do desespero. Se eu estou triste, quero vocĂȘ ao lado. Se eu estou braba, quero vocĂȘ ao lado. Se eu estou num dia bom, quero vocĂȘ ao lado. Se meu dia foi pĂ©ssimo, quero vocĂȘ ao lado. Quero o seu desespero. O meu desespero. Se eu viro as costas, quero vocĂȘ andando atrĂĄs. Se eu digo que nĂŁo te quero mais, quero vocĂȘ gritando e me pedindo para te querer novamente. Nem sempre as minhas açÔes condizem com as minhas palavras. Me conheça. Me decifre. Me ame. Me ache. Me devore.
Clarissa CorrĂȘa. (via inverbos)



















