Caso não floresça, a gente suborna a primavera.
Alugue felicidade
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PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
he wasn't even looking at me and he found me

Janaina Medeiros
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❣ Chile in a Photography ❣
Cosimo Galluzzi
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Caso não floresça, a gente suborna a primavera.
Alugue felicidade

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Poderia ser só a minha incapacidade de ir embora, mas não é. É mais sobre a minha vontade de ficar mesmo. Ficar mesmo naquele dia em que eu bati a porta e prometi não voltar mais. Uma semana, três dias e quinze horas depois eu voltei. Te falei de tantas coisas, despejei meu meio mundo em você e não tinha a mínima noção do que estava fazendo. Às vezes a gente só quer falar, entende? E no meio de tanta coisa pra falar eu fui ficando. Você foi duvidando e eu fui te convencendo. Fui voltando a cada vez que pensava em ir. Mas não, nunca foi por não saber ir embora. Sempre foi só por querer ficar no meio dessa gente toda que já cansou de chegar. Você é a minha linha de chegada preferida, mesmo que eu precisasse enfrentar uma maratona por essa cidade inteira pra cruzar por você.
Camila Costa. - trechos de nós.
“Você me esqueceu”, ele me diz. E eu fico pensando em arranjar qualquer desculpa que fuja do real fato de eu ter esquecido. Eu tento fugir de todas as razões pelas quais fazem eu esquecer e, principalmente, as que fazem eu ME esquecer.
Mudo de assunto, você faz um rodeio e consegue voltar ao início; o silêncio se estende e eu sequer consigo te falar que peco em minhas ausências até comigo.
Até mesmo comigo, que deveria ser protagonista da minha própria história. Mas eu tenho medo de te dizer que minhas faltas andam frequentes e que eu não consigo suportar nem mesmo a minha existência morna.
Eu tenho medo de você desistir de mim e pensar que sou só desequilíbrio.
Eu tenho medo que você possa se dar conta de todo o meu caos e fugir disso tudo... Porque se fosse eu, eu fugiria sem mesmo olhar pra trás.
Na verdade, sendo honesta, eu já fugi e nem sei o caminho de volta.
Eu tenho medo, porque eu sei que no fim será só eu e meus tropeços.
Eu tenho medo, porque eu sei que no fundo será o vazio.
Eu tenho medo, porque eu sei que, na síntese, o resultado é dor.
Eu tenho medo, e nem te falo porque tudo desemboca na ideia do mundo descobrir que eu sou frágil um bocado e não toda essa heroína que eu inventei ser.
E eu, infelizmente, não posso me salvar. Nem te salvar. Eu tenho medo de você me olhar e me enxergar fraca o suficiente por não conseguir carregar todo esse peso sozinha.
Eu não consigo, assumo. Mas deixa eu imaginar que sim.
A conversa acaba comigo olhando pro chão, porque eu nunca fui boa em enfrentar os meus problemas e acabo sempre tentando fugir deles.
E de mim. “Você me esqueceu”, ele diz. E eu só sei pensar em silêncio que eu também me esqueci mas que sequer me cobro.

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De uns tempos pra cá, tenho acordado no susto. Sempre com a estranha sensação de estar atrasado para um compromisso que não existe. Sempre com aquela angústia desnecessária de estar devendo ao mundo um poema que nunca será escrito.
Eu me chamo Antônio.
Eu só quero que você entenda…às vezes eu fico quieta, mas não estou braba. Só estou quieta, tenho os meus momentos, gosto da minha própria solidão. Nem sempre o que eu digo é verdade, mas eu nunca minto para você. A tpm não é a culpada, meu humor não é o culpado, em algumas ocasiões o culpado é você. Eu só quero que você entenda que eu te mando embora querendo que você fique. Penso em não te querer mais sonhando em como te ter mais um pouco. Fico com raiva de você e isso passa. Quero mais carinho e isso me cansa. Penso que você é um ser inatingível, um ser que vive num mundo fechado a mil chaves e cadeados…quero que você entenda: eu gosto de demonstrações de amor, paixão, seja lá o que for. Eu só quero que você entenda que te faço tantas perguntas para me sentir segura. Tenho medo de te perder. Tenho um medo danado de você não mais me querer. Não quero que nenhum mal te aconteça, mas não sei bem como demonstrar isso, meto os pés pelas mãos e falo o que não devo. Falo sem parar, falo sem pensar. Eu só quero que você entenda que o não, às vezes, é sim. Que o sim, às vezes, é não. Que o talvez para mim não tem vez. Que acima de tudo eu te gosto demais e isso faz com que eu me torne grande e pequena e adulta e criança e confusa e certa. Eu só quero que você entenda que eu não gosto quando você vai embora. Não gosto quando você esconde o que sente. Não gosto quando você não me dá a menor bola. Não gosto quando você não gosta de esclarecer as coisas. Eu só quero que você entenda que eu sei do seu medo e da sua falta de coragem. Sei que você se esconde atrás do cansaço, do sono ou da falta de saco para certos assuntos. Sei que você inventa desculpas para você mesmo. E eu te digo: também tenho medo. Muito medo. Mas disfarço melhor do que você. Seguro a onda melhor do que você. Eu só quero que você entenda que estarei aqui para sempre. Por mais que você me mande embora. Por mais que as coisas compliquem. Por mais que o mundo acabe. Por mais que você não me ame. Se eu falo que está tudo bem, quero que você pergunte de novo. E de novo. De vez em quando eu finjo que tudo está numa boa, mas também tenho o meu lado fraco. Preciso de colo. De atenção. De mão na cabeça. De música de ninar. Eu gosto do desespero. Se eu estou triste, quero você ao lado. Se eu estou braba, quero você ao lado. Se eu estou num dia bom, quero você ao lado. Se meu dia foi péssimo, quero você ao lado. Quero o seu desespero. O meu desespero. Se eu viro as costas, quero você andando atrás. Se eu digo que não te quero mais, quero você gritando e me pedindo para te querer novamente. Nem sempre as minhas ações condizem com as minhas palavras. Me conheça. Me decifre. Me ame. Me ache. Me devore.
Clarissa Corrêa
Cheguei à janela e olhei para o céu, um movimento que faço várias vezes até sentir o meu dia concluído e esperar a vinda do novo. Entendi, de repente, porque gosto tanto da noite, desde sempre: pelo silêncio dela. Eu sei que o silêncio pode ser ameaçador. Sei que muitas vezes põe pra tocar, no volume mais alto, músicas que nossos sentimentos cantam e que falam de coisas que a gente nem sempre quer ouvir. Mas o silêncio é também alimento. O silêncio é também descanso.
Ana Jácomo.

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eu tenho medo. hoje, pela primeira vez, confessei pra mim mesma em voz alta o meu medo. e não é dos outros, é de mim. eu tenho medo de mim. eu tenho medo do que posso me tornar. eu tenho medo até do que, em parte, já me tornei. e é um medo como um fogueira em que o fogo começa pequeninho e vai crescendo, subindo, consumindo tudo em volta - destruindo talvez seja a palavra certa. “mas você é tão boa”, me dizem. mas eu não sei, retruco - só em pensamento. até hoje eu encaro as fotografias de quando era criança sem entender bem quem é que está ali. logo me reconheço. me olho no espelho e vejo o traço que nunca mudou: os olhos. o vazio dos olhos. lá está ele. incansável. interminável. insone. eu tenho medo desse buraco negro, medo de abrir a “caixa de pandora” e descobrir que só pássaros negros e mortos vivem ali. “mas você é calma”, me dizem. mas eu não sei, retruco de novo - só em pensamento, de novo. eu tenho medo desse fantasma que fica à espreita só aguardando eu fraquejar pra colocar porta abaixo e me vencer de novo. eu nunca fui boa em vencer. eu tenho medo de descobrirem que eu não sou nada do que pensaram que eu fosse. eu tenho medo desse gelo que cresce de dentro pra fora e não de fora pra dentro. eu tenho medo de que os psicólogos cansem, de que os psiquiatras esgotem as receitas de remédios, de que as pessoas sangrem nos meus estilhaços sem controle. eu tenho medo de o mundo desistir de mim antes de eu desistir dele. “mas você passa tanto amor”, me dizem.
mas eu não sei. eu não sei.
e eu nem retruco.
Ficou na memória dos meus olhos o clarão do sorriso dos seus. Depois disso, tudo o que sorri pra mim com algum sol faz eu lembrar de você.
Ana Jácomo

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não sei te esquecer
dizem que o primeiro a dizer: eu te amo, é o último a parar de chorar. deve ser por isso que as estrelas são cadentes quando o sol se vai.