✰ Has your muse ever cyber stalked someone, (& were they caught)?
Não. Com exceção de seus aplicativos de relacionamento, Argus se mantém afastado de redes sociais, exatamente pelo ímpeto de acabar seguindo alguém.
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✰ Has your muse ever cyber stalked someone, (& were they caught)?
Não. Com exceção de seus aplicativos de relacionamento, Argus se mantém afastado de redes sociais, exatamente pelo ímpeto de acabar seguindo alguém.

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“Shut up and listen. I’m talking.”/ Alejandro
❝ — Ouvir você falando sobre isso é maçante, Alejandro, a culpa não é minha se não consigo esperar a próxima pausa. Minha avó não era tão repetitiva. Quer dizer, eu não sei, porque não a conheci… Mas ela não deveria ser. Isso não faz com que eu consiga parar de me perguntar sobre a injustiça de você ser tão belo, mas tão chato. Pé no saco mesmo, como Pippo diria. ❞ Encostando o quadril à mesa para garantir o equilíbrio durante os segundos seguintes, estendeu um dos braços, agarrando as vestes do psicólogo e puxando-o para si em um único movimento gracioso e violento. Para que a balança do outro não fosse perdida, envolveu a cintura alheia com o braço livre. O bastante para fazê-lo sentir e não machucá-lo. O descômodo, porém, não poderia ser evitado, visto que contatos físicos não acarretavam reações positivas do argentino em primeiro momento. ❝ — Deixe-me mostrar um tópico muito mais interessante a ser abordado, o que acha? Minha boca pode ser facilmente calada assim, cariño, e todos nós sairemos daqui felizes. ❞
☠ – has your muse ever killed anyone? Has it been in cold blood or self-defense? Both?
Tirando da contagem as vidas dos vampiros que o docente tão alegremente tirou, não. Por mais que haja em seu interior algum desejo de fazê-lo, e certamente planos para destituir o rei grego de seu cargo (e vida), Argus nunca sujou suas mãos de sangue de fato.
☼ : Does your muse like daytime or nighttime more?🏨 : How well does your muse sleep?❤ : What are your muse’s thoughts on love? If they are not in a relationship, do they believe that they will ever find a perfect someone for them?
☼ = Does your muse like daytime or nighttime more?
Dia, especificamente a manhã. Argus funciona muito melhor durante este período.
🏨 = How well does your muse sleep?
Na maior parte do tempo, muito bem. Acostumou-se a dormir um sono quieto, sem sonhos. Com exceção durante as noites tempestuosas, durante as quais tende a ser afligido por pesadelos e memórias ruins do passado.
❤ = What are your muse’s thoughts on love? If they are not in a relationship, do they believe that they will ever find a perfect someone for them?
Argus acredita que o amor é uma boa coisa e realmente inveja aqueles que a possuem. Nunca se viu realmente arrebatado de forma romântica por ninguém, o amor platônico sendo o único sentimento que frequentemente se vê tendo pelos discentes que acaba protegendo. Com sua visão do mundo cética, Argus não acredita exatamente em almas gêmeas, mas algo bem perto disso. Deixa a cargo do destino encontrar alguém para si, no entanto. Destino, lê-se eu e Punk.

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(FLASHBACK)
generaledwxrd
Pelos deuses de todos os panteões, Argus! Eu não estou gritando com você! - Edward defendeu-se, só então parando para observar o estado físico do professor. Olhou-o atentamente, como se esquadrinhasse cada detalhe e suspirou, tocando seus ombros. - Tem sido necessário usar demais as habilidades, não é? - Perguntou o óbvio, balançando levemente a cabeça. Afastando a mão do ombro do amigo em seguida, Edward a levou ao cabelo e percorreu os dedos pelos fios, frustrado. - Eu sei que eu sou ótimo, mas isso não deveria estar acontecendo, Argus e… Você não consegue senti-las? - Interrompeu-se surpreso, arqueando as sobrancelhas. - Porque eu consigo e… Melina! Ela está segura, não é? Visitei o quarto dela e não a vi, então deduzi que você já tivesse colocado ela em algum lugar seguro. - Explicou, tirando a adaga de prata da cintura e olhando em volta rapidamente. - Já volto. - Disse, misturando-se as sombras em seguida. Apareceu do outro lado do corredor no exato momento em que um vampiro entrara correndo na direção de Argus e o empalou por trás, fazendo-o cair. Deixou o corpo cair e tirou o punhal, limpando-o com um lenço que tirara do bolso, razoavelmente manchado. Tornou a se aproximar do professor e riu baixo. - Como íamos dizendo, sim, eu quero um cigarro, por favor. Eu preferia uma bebida, mas isso deixaremos para depois que tudo ficar bem. Então já descobriu como matar essas coisas? Ou precisa de uma aula?
❝ — Não? ❞ Semicerrou os olhos. ❝ — Talvez eu esteja um pouco sensível demais, realmente. ❞ Estendeu as mãos espalmadas, estreitando os ombros como se indicando que não possuía culpa pelo acontecimento. ❝ — De fato. Um pouco cansativo, sem ter ninguém para me alimentar depois... As pessoas parecem cansadas demais, tenho medo de acabar desmaiando-as. Mas irá melhorar. Ao menos ainda possuo uma beleza exótica e demoníaca. ❞ Garantiu, analisando os dedos estendidos de forma um tanto quanto triste. Em breve suas cicatrizes estariam mais em evidência do que nunca. ❝ — Agora consigo, antes não. Digamos que minhas emoções estavam um pouco... Fora de controle. E eu posso ou não ter destruído uma amizade e um casamento hoje. ❞ Explicou, sendo impossível conter um pequeno sorriso de canto, como se houvesse conseguido uma grande conquista em sua vida. A mera lembrança dos famintos olhos celestes o fez soltar um riso baixo. Ansiava por novamente arrancar reações do mesmo, afinal. ❝ — Ah, sim, ela está. Foi a primeira coisa de que me certifiquei. Minha pequenina está nos bons cuidados do diretor Aengus, no abrigo nuclear da academia. Ótimo raciocínio. ❞ Elogiou. Apesar do desespero pelo qual passara mais cedo, agora o humor se suavizara. Em fato, Argus poderia se considerar detentor de ótimo humor no presente momento. Franziu o cenho diante do pedido do general, apenas percebendo a movimentação às suas costas quando o vampiro grunhiu, ao cair no chão. Certo deleite acabou transparecendo. ❝ — Muito obrigado. ❞ Uma pequena mesura. ❝ — Hum... Eu apenas as incapacito com eletricidade e desmembro. Mas se desejar me mostrar novos métodos, sempre será bem-vindo. ❞
❝ when you are not the starring role in someone else's heart. ❜ — ⌜BERTOPOULOS⌟
Conforme a madrugada arrastava-se sobre Avalon, Argus se permitiu explorar outros locais da academia à procura de mais herdeiros perdidos. Embora enxergasse pouca possibilidade encontrar algo além de corpos mortos no caminho, acabou aventurando-se mais profundamente no dormitório masculino, vasculhando quarto por quarto à procura de alguém e checando os nomes em uma lista mental. Seguindo calmamente pelo corredor, certo arrepio na espinha o acometeu ao checar a placa do próximo quarto. De maneira displicente, empurrou a maçaneta, sabendo que o ocupante do mesmo era ainda mais letal do que si. Ela não cedeu em um primeiro momento, portanto o professor a forçou até conseguir acesso ao ambiente, sentindo as entranhas revirarem no momento em que adentrou o quarto. Doença... O cheiro pungente trouxe preocupação ao semblante do catedrático, os olhos rapidamente esquadrinhando o local com dupla atenção, os dedos ainda apertando a maçaneta dourada com força, lentamente amassando o metal entre os dígitos sem perceber o feito. Ao finalmente pousar os olhos sobre a forma imóvel na cama, reconheceu a silhueta musculosa do herdeiro italiano e não hesitou em ir até o mesmo.
❝ — Arno? ❞ Chamou, quase um sussurro amedrontado. Passos rápidos o levaram para a beirada da cama, examinando clinicamente o lençol encharcado que cobria o corpo do mais novo. Onde estava o natural tom olivado da tez alheia? E aquelas olheiras... Ainda que Arno as tivesse, nunca foram tão profundas. Pousou uma das mãos sobre a testa do italiano, encontrando-a em chamas. Incrédulo, arrastou os dedos pelo rosto do maior, tentando encontrar sinais de consciência em sua figura. Como Arno poderia ter decaído tão depressa? O que havia acontecido nos poucos dias em que o contato entre ambos não acontecera? Provavelmente deveria ser aquele amargo patrono do Bertolazzo, doente tanto da mente quanto do corpo, desejando corromper a bela criatura com sua essência depravada. ❝ — Arno? Por favor, fale comigo. ❞ Pediu, procurando uma das mãos do rapaz. Percebeu, tarde demais, que os próprios dedos começaram a sangrar ao tocar os dele. Pequeninos cortes espalhavam-se por suas palmas, exatamente onde havia encostado em Arno. Onde estavam aqueles malditos anéis que o deixavam sob controle?
❝ — Arno, por favor... ❞ Novamente tentou, forçando a calmaria no tom de voz. Suspirou profundamente, ignorando o modo com que o sangue fervia. Não o preocupava a perspectiva de não conseguir socorrer o italiano, mas sim a de sugar-lhe alguma energia vital. Estava fraco, afinal, demonstrando mais da aparência demoníaca do que gostaria, e Arno sempre fora sua maior fonte de alimentação. Sua própria pele queimava com a possibilidade de tomar um pouco do elixir que era a essência do Bertolazzo, o mais doce néctar que já experimentara. Retrocedeu. Era um monstro. Como poderia pensar em recuperar a própria força enquanto Arno jazia quase sem vida diante de si? Suas cicatrizes coçavam, brilhando em um tom verde ácido, todo o corpo pedindo pelo alívio que o rapaz representava. Mordendo os lábios, Argus fez algo que há muito tempo já não se via capaz: rezou. Pela sua alma, pela de Arno. Rezou para todos os deuses que conhecia, mesmo os antigos politeístas sobre os quais havia lido em suas pesquisas e nunca encontrado nenhum protegido em parte alguma do mapa. Se cedesse ao ímpeto arrebatador, não seria capaz de se perdoar. Ser tão pueril quanto o Bertolazzo não merecia ser contaminado pelo pecado que as mãos de Argus carregavam.
Hesitante, levantou-se da cama. Deslizou as garras demoníacas pelos pequenos vãos entre as gavetas trancadas do criado mudo, abrindo uma após a outra, à procura das joias que Arno costumava carregar nos dedos. Um vislumbre multicolorido o levou a apanhar o primeiro deles, um arco dourado incrustado com uma pedra de ametista. Apressou-se em novamente procurar as mãos do rapaz, vestindo o dedo anelar do mais jovem com a gema. ❝ — Qual anel é este, Arno? ❞ Indagou, a mão livre tocando a face do mais novo de forma terna e cuidadosa, ainda que iniciasse a sangrar copiosamente pelo contato prolongado. Argus ignorou-a, não sentindo dor alguma, como já lhe era de praxe, e concentrando-se no bem estar do Bertolazzo. ❝ — Please, my celestial boy... Eu preciso de você comigo. ❞ Suspirou profundamente, rendendo-se ao único comando que forçaria o mais novo a respondê-lo diretamente. ❝ — Diga-me: o que este evita? ❞ Por mais que tentasse, a mente não conseguia lembrar-se da descrição feita por Arno em uma das noites durante as quais haviam ficado até tarde em seu escritório. Lembrava-se do jovem confortavelmente deitado entre suas pernas, as mãos estendidas defronte ambos, os indicadores lentamente apontando o que cada uma das pedras de seus anéis significava. A mente estava confusa demais para nomear cada uma delas, entretanto, e tentara apagar aquele momento da mente mais de uma ou duas vezes. Mais de mil vezes.
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De pensar que estava quase morta para revirar os olhos com a reação do professor não levou mais do que alguns segundos. ❛➵ Sério? ❜ Ela estreitou os olhos, bufando teimosamente para a reação do outro. Ela sabia que não era boa em sobrevivência em ambientes hostis, mas ela estava viva, isso deveria contar para alguma coisa, certo? ❛➵ Achei que seu trabalho era tranquilizar os alunos, não deixá-los mais nervosos. ❜ Ela murmurou, sabendo que provavelmente aquele não era jeito de se falar com um professor, mas não era exatamente uma situação descrita em nenhum livro de regras de etiquetas. Em contra partida a sua mal criação, o professor ofereceu lhe ajudar, deixando uma Veridiana sem falas, o que provavelmente era algo inédito. ❛➵ É.. ahn.. acho ótima ideia. ❜ Ela balbuciou, vendo o professor procurando por algo, quando ela notou a mancha de sangue em sua camisa. ❛➵ Se eu eu fosse você não usaria isso para a para a mancha. Ela interviu, vendo os olhos do mais velho correrem pelos títulos Acredite em mim, todos os que estão aqui só vão terminar de destruir sua camisa. Sem ofensas. ❜ Ela maneou a cabeça para o lado, se aproximando do docente, analisando o tecido com os olhos semicerrados. ❛➵ Água fria e Vinagre. ❜ Sentenciou ela. ❛➵ Ou água oxigenada. Mas nenhum deles você vai encontrar aqui, a não ser que alguém ande temperando salada ou pintando o cabelo na hora do trabalho, certo? ❜
Ela riu da própria piada, que ao passar de apenas dois segundos ela notou não ter graça alguma. ❛➵ Certo. ❜ Ela bateu palmas esmaecendo seu sorriso, transformando em apenas uma linha, ao notar a atmosfera pesada ao seu redor, saindo do pequeno aposento em um passo largo. ❛➵ Para que lado você disse que era aquele abrigo mesmo? ❜
❝ — Minha vida é na contramão, pequenina. O lado bom de se não ter nenhuma vigilância é que você pode colocar quanto medo desejar nos alunos, desde que consiga fazê-los sair da situação perigosa à salvo. O dano psicológico pode ser analisado depois, contanto que todos os seus dedinhos ainda estejam nos lugares corretos. ❞ Respondeu, nem um pouco ofendido pelo tom da jovem. Em um momento de vida ou morte, não existiam alunos ou professores, afinal. Por que tinha de se apegar a cargos e hierarquias em ocasiões desesperadoras? Certamente seria útil caso desejassem alguma ordem. Contudo, tal objetivo era o último na lista de Argus. ❝ — Fico feliz em saber. ❞ Balbuciou, uma sobrancelha arqueada enquanto analisava o produto químico em suas mãos. Parou por um momento, ouvindo o que a garota tinha para dizer com admiração. ❝ — Na verdade, estava procurando algo para o carpete da minha sala. Eu odeio bagunças... Provavelmente terei que comprar um novo. Mas muito obrigado pela dica, senhorita, veio em boa hora. ❞ Agradeceu. ❝ — Mas você realmente acha que está tão ruim? ❞ Indagou, uma expressão desapontada tomando a face conforme largava a garrafa na prateleira da onde havia tirado, deslizando os olhos para a mancha em sua camisa. Mesmo que a própria vestimenta fosse negra, não era possível esconder a mácula escura. ❝ — Eu ficava tão bem nessa camisa... Enfim, irei procurar em outro lugar então... Depois de deixá-la em um local seguro, claro. ❞ Assegurou, demonstrando o menor dos sorrisos para tranquilizá-la. Um tanto quanto constrangido pela piada sem graça da jovem, decidiu apenas por mudar o tópico da conversa como o bom cavalheiro que era. ❝ — Por aqui. Fique atrás de mim, sim? ❞ Solicitou, ainda que não houvesse como discutir com seu tom de voz.
❝ — Então... ❞ Iniciou, conforme andavam, o docente vez ou outra olhando para trás para saber se a mais nova ainda o seguia. ❝ — Como está? Quero dizer... Acha que vai conseguir sobreviver com os traumas da noite ou precisará de um grupo de apoio? ❞ Perguntou, demonstrando a curiosidade e interesse de praxe, por mais desagradável que a questão fosse. Simplesmente não conseguia manter o silêncio, mesmo em situações de cunho perigoso. Diante da figura aterrorizadora virando um dos corredores, limitou-se a um movimento de mão disfarçado: raízes brotaram do chão, prendendo os pés da criatura ao assoalho e rapidamente espalhando-se pelo corpo da mesma, transformando-se em madeira. O que uma vez fora um vampiro agora era uma bela árvore com galhos delgados e desnudos, que logo se desfizeram em pó, deixando nenhum resquício de sua existência no local.
❝ we can't be tamed. ❜ — ⌜PELAGIOS-KOSTOPOULOS CLAN⌟
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Elisa se sentia, de fato, um pouco constrangida. Seminua, bem como Pippo, usava apenas um casaco da seleção grega que era tão grande que chegava até mesmo aos seus joelhos. Sentia o frio possuí-la, estava exausta. Quem dera aqueles vampiros dessem um pouco de descanso, não é possível que, após uma boa noite com o marido, ela não possa descansar um pouco.
Foi então que ela notou o fato de Philippos estar apenas de cueca, o que a provocou um riso, apesar de, logo após isso, se tocar que ele poderia ser olhado pelas outras da Academia. Porém, por mais que Pelagios fosse ótimo de olhar, ninguém gostaria de uma briga com a consorte, sempre conhecida por ter um temperamento bastante semelhante ao de uma yandere.
Aurelio latiu, agitado, no entanto, ,aliviado, quando sentiu o cheiro de Malfurion, a cadela infernal. À exclamação do outro sobre a perda da filha, Elisa, é claro, ficou preocupada. Afinal, ela tem filhos também, e sabe como é terrível a perspectiva de perdê-los, ainda mais agora, que tinha mais um Pelagios a caminho. ‘’Céus, Melina…’’, ela falou, assustada. “Argus, eu desejo a mesma coisa que você.”, falou, assim que o daemon latiu, quase como se pressentisse algum perigo para a companheira de alma. “Está vindo, eu sinto, Elisa.”, ela escutou a voz de seu daemon em sua mente. “Fique calmo, iremos achá-la.”
Assim que o rapaz pediu um casaco, Elisa sorriu. Mesmo numa situação daquelas, sendo perseguido por vampiros totalmente loucos, Philippos conseguia brincar com seus próprios problemas. E é por isso que ela sempre gostou tanto dele (talvez não antes dos quinze anos, mas tudo bem). “Você agora é o Capitão Cueca, Pippo.”, ela brincou, antes de virar o rosto para procurar as bestas. As amassaria com as mãos mesmo, quebraria seus pescoços, faria elas se desintegrarem em pó dourado. Grávida ou não, ela continuava um exército de uma mulher só. ‘’Por favor, não morra nessa noite. Preciso falar com você sobre algumas coisas.’’
Hesitante, Argus teve um segundo de dúvida sobre quais ombros colocar seu casaco... Diante da falta de reclamações de Elisa e seu conhecimento sobre o ciúme excessivo da jovem, retirou o agasalho e o pousou sobre os ombros de Philippos, fechando um botão após ter certeza de estar bem ajustado ao corpo menor. Evitar inflamar o temperamento da Pelagios sempre seria a melhor escolha, considerando que nem mesmo o conselheiro poderia segurá-la em seus piores dias. Ainda que a visão da garota seminua o ofendesse um pouco, talvez pelo fato de enxergá-la com olhos exclusivamente paternais. ❝ — Fique com meu casaco, Philippos, e acho bom não sujá-lo de sangue... Não sujá-lo com muito sangue, ao menos. Isso é caro. ❞ Comentou, um dedo levantado e apontado para o mais novo em forma de aviso. Enquanto ouvia a princesa consorte, franziu o cenho, estranhando o tom e o conteúdo de sua fala... Coisa boa não poderia ser. Ainda assim, preferia não interferir na vida do casal. Já metia bedelho suficiente em muitos aspectos da vida do príncipe grego. ❝ — Por favor, não tenham uma DR na minha frente. As memórias certamente me assombrariam pelo resto da vida. ❞
❝ — Talvez ela tenha ido procurar alguém que goste... ❞ Sugeriu, tendo sucesso em esconder a pontada de ciúme que sentiu diretamente no peito. A filha, sendo o início da pequena família que nunca foi capaz de ter, acabava sendo alvo da super proteção do grego. Tê-la procurando outra pessoa se não a si em situação de perigo indicava que não conseguia cumprir seu papel de pai corretamente, coisa que poderia lentamente corroí-lo e arruiná-lo. ❝ — Obrigado pela ajuda, mesmo assim. Importa muito para mim. ❞ Foi capaz de vocalizar, em meio a balbúrdia de seus pensamentos. Era agradecido aos dois jovens, mais do que poderia expressar com simples palavras, a presença de ambos tornando-se um tipo de calmante para o psicológico agitado do docente. Na situação, pareciam âncoras. Um pequeno sorriso permaneceu no rosto por alguns segundos antes de desaparecer, o olhar escuro capturando a visão das criaturas aproximando-se do outro lado do corredor. Não sabendo bem do que se tratavam, mas já as odiando, Argus desembainhou uma das adagas chinesas. Demonstrando a graça e elegância com a qual fora treinado, arremessou-a e acertou em cheio a testa do ser mais próximo, a onda de eletricidade seguindo o material logo depois. ❝ — Eu queria tanto não desperdiçar essa camisa... Veles, o que eu não faço por você, Melina? ❞ Murmurou para si mesmo, dobrando as mangas das vestes negras na altura dos cotovelos.
❝ — Deixe-me perguntar: Philippos... Você está pronto para se tornar... Ela? ❞ Sussurrou para o garoto, olhando de canto para Ilaria. Por mais que soubesse que a pégaso poderia escutá-lo, não encontrava em si vontade de falar diretamente com a daemon. Não necessário dizer em voz alta, ela era um tanto selvagem demais para o gosto de Argus. Irônico, considerando seu episódio de agressividade ilimitada com o psicólogo da academia durante o baile, coisa que poderia muito bem custar a relação com o mesmo. ❝ — Acredito que eu e Elisa possamos ser uma ótima proteção durante o período em que estiver... Dentro de Ilaria. Ou seja lá como você queira descrever isso. ❞ Deu de ombros. De qualquer forma, desejava ofertar certo apoio ao Pelagios, sabendo que o mesmo o necessitava e não era de hoje. Como sempre, sua principal tarefa era imbui-lo de certa coragem. Então virou-se para a garota, percebendo a aproximação constante da onda de monstros. Um sorriso malicioso surgiu nos lábios do catedrático, enquanto Malfurion rosnava a plenos pulmões, chamas alaranjadas destacando-se por entre a escuridão etérea que constituía o animal. ❝ — Quanto à senhora... Preparada para torcer alguns pescoços em família? Nós definitivamente deveríamos fazer isso com maior frequência, querida. Família que mata unida, permanece unida. ❞
SMS || Grupo dos professores
Edward: Gente, não vai ter jeito
Edward: Vamos criar uma liga da justiça
Edward: Eu sou o batman
Edward: Ok, brincadeiras a parte, os professores que quiserem ajudar a matar uns vampiros, por favor, passem na minha sala. Tem estacas, espadas e punhais de prata lá. É só fincá-los no coração dos vampiros ou decapitá-los.
Edward: Particularmente, eu gosto da segunda opção.
Argus: Eu quero ser a Mulher Maravilha. Ela é um bela exemplo de mulher grega e eu sou um ótimo exemplo de rainha grega.
Argus: Ou podemos apenas desmembrá-los e fazer uma imensa bagunça? É muito divertido também.
Argus: Alguém estaria perto dos altos falantes? Seria interessante colocar Black Sabbath para tocar. Muito badass.

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❝ i get a little bit genghis khan. ❜ — ⌜kosgia⌟
(( FLASHBACK ))
hermanx
Por maiores os intentos, benção de obscurantismo tencionado não lograra cernir-se por sobre o cativo. Com afinco, pois, tratara de ignorar. Tudo. Tratara de ignorar a cercania, tratara de ignorar a violência a efluir dos poros de outrem, tratara de ignorar a jura de um revés a resultar de conjuntura aquela. Sobretudo, tratara de desatender vias em que brutalidade rastejava por sob própria epiderme, aninhando-se vagarosamente em imo. As orbes cerradas acolitaram o esquivar de encaro. Evadir contato visual como o mais simplório modo de buscar aparto em rincão de própria psique, o devotamento às forjadas remembranças de um quimérico sítio onde existia salvaguarda, onde situação aquela, em que sua vulnerabilidade passeava por gatázios alheios, não estaria a suceder. Tratara de negar a essência a perigo, o laivo da sanha; também a própria gana por ver-se mirado por esta. Tratara de desconsiderar, afinal, correntes a atrapá-lo. Demasiado cingidas, a retê-lo. Restrito. A abstração fora sequenciada por longo haurir, como se fôlego há muito lhe fosse falto. O aparto haveria de ser tencionado. Era, em fato. Não logrado, porém, o tão premente escape. Coato à submissão ante hostil divindade que era Argus, a conformar representação de todas restrições a jazer em médula do argentino. O grego não era um homem, mas uma opressão e um anseio; ao simultâneo. Uma figura esculpida a extirpar-lhe manejo; uma sólida amurada a confiná-lo. Antagônico, em todas representações. O veiculador de uma emancipação, a compor traços múltiplos de ergástulo. O fomento à sexualidade e o impedimento físico, a contenção. O repto e a abstenção. Desnorteante. Uma fonte de gravidade, a magnetizar Alejandro, a atrair eivada alma ao afogo de próprio breu. Um deus, a requisitar devoção em sangue. A gélida prata da fina corrente era percebida contra próprio peito, abaixo dos trajes. A esfera, da qual jamais haveria de apartar-se. Grunhira. Era despótica da parte de Tiur, demanda tal. Sequer era passível de perceber a própria cólera descomedida. Não possuía ciência do que de fato cargava em cerne: se a própria intensa gana por desgarrar o homem ou se aquilo advinha apenas do outro. Na melancolia, apenas, encontrava a si. E aquela, em instância era vaga. À deriva, pois, impassível de conhecer o que de fato ansiava. Dentre a gana e a repulsa; a sanha e a placidez. O que era-lhe inato, afinal? Alejandro ansiava por bradar, por ceder à natura do desgarre e assumir bestial flanco, tão impelido pela crudez da fome a encontrar latíbulo em índole do Kostopoulos. Contudo, não o fizera. Manso, ainda. Como um sacrifício. Voluntário, obsequente. Apenas expectando arbítrio e proceder de entidade.
Examinando alheia compleição, desguarnecido o homem dos plácidos traços habituais, a assumir uma posição de brutal poder da qual certamente era possuidor, apenas via-se passível de esquadrinhá-lo em silêncio, a imaginar mãos aquelas a rodear próprio pescoço. Contanto, abstrações que povoavam-lhe psique apenas abarcavam a indubitável firmeza enquanto estrangulavam-no. E, por fim, a quebrantar-lhe ossos com breve torção. Contudo, não encontrava-se a temer possibilidade tal. Não havia modo de que estivessem mais próximos. Ao menos, não por literais vias e não em condições aquelas. Se havia qualquer distância entre ambos, esta aparentava estreitar-se ante cada não vocalizada tensão, o fluir de cada gesto tão atrelado ao que há de ser primal em uma criatura. Não havia análise, não havia cálculo. Sentira a mão daquele a percorrer-lhe trajes em desinteressada carícia e gazofilar-lhe pulso, sem deixar de ostentar voraz olhar. Puramente animal. Abstrações próprias não eram claras, mescladas à adrenalina e concupiscência, próprias habilidades não ensejando e a plena gelidez e imparcialidade que necessitava, negados dois fatores graças à influência não ignorável do grego em si, tamanha a carga emocional a ser projetada. O calor, descômodo. O contato, enervante. Proximidade tal era invasiva. Cada fracção da constituição física do Borgia a perceber a de outrem. Pegados, afinal. Respiração em involuntária sincronia. E todo o sangue, músculo, epiderme e os ossos. Veias, células, moléculas. Os átomos a conformar ambos. A escuridão infinita, partilhada, moldada, a clamar por congregação em alma e carne. Tragara em seco. Franzindo o cenho, tornara a direcionar próprios olhos aos alheios, atrevendo-se à não interrupção do observar direto. ❝Eu me importo, dado que sou eu a compor imóvel branco ao projétil libertado por pressionar de gatilho tal, corazón…❞ Murmurara.
E sestra de outrem, então a descansar em flanco da garganta. Enfuriante, o contato em sua suavidade destoante da insânia a habitar as orbes escuras, o encaro indócil de um predador frente à preia. Olhar aquele que detestava. Enquanto o esquadrinhava em apropinquação perigosa, precatara-se de não ser indefessa criatura, tal qual já apontado por própria daemon. Um ínfimo toque, um ínfimo desvio de todo esmero em próprio manejo e aquilo terminaria. E Argus não aparentava oposição a qualquer contato. Um espasmo percorrera-lhe cada uma das vértebras. E frio a instalar-se na boca do estômago, ante a noção de que, com menos que as próprias mãos, poderia trazer o outro abaixo com exacerbado tormento. A proximidade, pois, condicionava moção ínfima à frente para tomar alheios lábios com os seus, em uma gana incontestável. Um estratagema. E com tão breve contato, então, o contra-ataque. A retaliação. Não haveria escape para o outro. Ideias tais eram receptadas com agonia; o homem estagnado ainda, refreando próprio ser de tão desgovernada ofensiva. Tratava de velar próprio desassossego ante instância, penoso dito intuito, vez que primal instinto bradava-lhe que o atacasse sem qualquer piedade. Resistia, como não contadas vezes, ímpeto oposto à racionalidade, que bradava-lhe a importância de suster a neutralidade como um escudo. A provocação, pois, era passível de desatar maior agressão por alheia parte, coisa que não era ansiada. E por entre devaneios desesperados, o auscultara. ‘Apenas quero que me responda uma questão’. Exposição não fora, necessariamente, recebida como positivo fator. Em geral, sentenças que possuíam tais vocábulos por prólogo, resultavam em péssimos desfechos após sucessos desafortunados iniciados pelo vulgar escape da oração. Contanto, dirigira encaro ao homem, franzindo cenho em expectação de que aquele ultimasse sentença. O quão ruim poderia ser, afinal? Não é como se o próprio estivesse em posição como para objetar. ❝Certo… Puedo… Posso responder-lhe algo, sim.❞ Doía-lhe já o lastimado corpo, resultante indubitável do tremendo golpe prévio. A singular expansão da caixa torácica ante meras inspirações provocavam lancinantes e agônicas sensações. Contanto, sequer dor tal pela qual encontrava-se acometido era capaz de conter-lhe episódica neurastenia. Ante questão, porém, por brevidade, cedera à confusão. Contanto, escasso fora período de tempo em que réplica vira-se permitida, a oportunidade de assentir vendo-se obstada por risota de outrem, explicitando chiste em próprias palavras. ‘Palhaço’, rosnara Bellator.
E então, o grego o golpeara com penitente interpelação de fato, tornando-o refém de inúmeras remembranças. Como por explosão o pender da mandíbula, estupefato afinal. O coração, a dar dois, três, quatro sobressaltos, tencionando o paralisar. Tratara de falar. A voz, quebrada em golpe, ausente a reflexão em psique aquela. O que haveria de contestar? A mentira, afinal, não dava-se como opção. Não quando tratava-se daquele, não quando envolvia a cargada esfera. Bem remembrava-se, pois, do explanar de particularidade do vítreo objeto. Bem remembrava-se, também, do não firmado comprometimento por veras e apenas veras, qualquer patranha a consistir não cruzável limite entre ambos. Por que diabos não lograva romper juras, afinal, por cinzentas que fossem? Atrapado dentre promessas, afinal. Dócil a visão de próprias dores a materializar-se em forma de abstrações, como se banal pensamento tivesse capacidade de cravar-lhe unhas em carne, lacerar-lhe sanidade e arrastá-lo, novamente, para pretérito cuja retomada era ansiada em sigilo. Por segundos, decidira ater-se ao silêncio, analisando atos adequados a serem tomados ante o desfibrar de própria cerne. Poderia argumentar, dissertar à respeito do amor e crenças próprias. Poderia esquivar a questão, não outorgar resposta de fato. Muitas coisas poderia fazer. Contudo, bem sabia que nenhuma destas haveria de ser solução. ❝ Não.❞ Replicara, relutante. Humilhado. Não havia ponto, afinal, na omissão. Novamente, já não lograva respirar, os próprios trajes a conferir-lhe sufoco. Desviara, então, o encaro, negando-se a esquadrinhar Argus. O pescoço, estendido em uma busca por ar. A garganta, exposta em não tencionada submissão. Quase como se rogasse por ataque. As fauces, afinal, hão de ser mais íntimo branco.
Fortuito fora o encontro de duas criaturas em cômodo vazio, pois Argus não saberia dizer se poderia conter-se mesmo diante de outras criaturas. Os intensos sentimentos em seu interior, tal qual seu próprio patrono, não costumavam ser ruins, mas poderiam levá-lo a cometer atos facilmente interpretados como nascidos da má índole quando direcionados ao alvo errado. Eram como uma faca de dois gumes: poderia proteger quem mais amava, mas matar um pai na frente de seus filhos se fosse necessário. Similarmente, tinha total capacidade de despertar interesse afetuoso em outrem e declarar-se com facilidade, ignorando os sentimentos de quaisquer pessoas com quem seu amado pudesse estar envolvido anteriormente. Por mais que os instintos de Veles aumentassem sua humanidade em níveis extraordinários — o que poderia ser mais humano do que o egoísmo de desejar apenas pela proteção daquilo que prezava? De tomar tudo o que achava ser merecedor? —, também o faziam perverso e cruel, sem misericórdia para com aqueles que se interpunham entre si e seu objetivo. Uma vez solta, a cólera do Kostopoulos varria o que via à frente como uma mazela indomável; porém, poderia ser domada com igual simplicidade. Bastava lhe dar as respostas que desejava, mesmo sendo falsas. Enquanto esperava a resposta, Argus permitiu-se afundar no celeste azul dos olhos do psicólogo, divididos entre entregar-se como sacrifício a seu predador ou fugir do agarre para salvar a própria vida. ❝ — Então irei dar uma definição a isto, por pior que possa ser: é apenas um pensamento que me vêm à mente nos últimos dias e quase me tira o sono, cariño. Quero que seja meu, Alejandro, da forma mais primal possível. Nunca acreditei que tais sentenças poderiam deixar minha boca. Não acredito que pessoas possam ser objetos ou territórios, que suas vidas possam realmente pertencer a alguém... Mas eu não demando sua vida, apenas seus pensamentos. Cada um deles, para que sejam substituídos pelo meu nome, ao menos em um momento de seu dia, quando estivermos sozinhos, deste mesmo jeito. Eu quero me sentir como dono de seu corpo, de sua alma e de seu coração por ao menos algumas horas... E sentir que lhe dou o mesmo, pois as trocas justas ainda são algo que aprecio. ❞ Tal declaração seguira a negativa do argentino, vocalizando tudo o que o arrebatamento bestial de Argus ainda não pudesse ter deixado explícito. Palavras, contudo, ainda se provavam infrutíferas e frustrantes para expressar o que, de fato, o Kostopoulos desejava. Nunca fora bom com elas, ao menos não em matérias românticas. Manipular mentes políticas era algo tão fácil, visando que sempre ansiavam pelas mesmas coisas, hora poder e hora dinheiro; ao manipular corações civis, não havia tanta clareza, podendo esperar as mais diversas reações e uma única sentença para destruir seus planos.
Com a garganta exposta e pedinte defronte, desprotegida e praticamente apresentada à si, Argus não conteve o malicioso brilho a encher seus olhos. Não houve hesitação ou pensamento contrário ao abruptamente deslizar uma das pernas por entre as dele, angulando o rosto para que os lábios ocupassem o espaço onde antes repousava a mão sestra, agora sob o ombro do argentino, apertando de forma vigorosa. Por mais que tentasse imbuir o ato de delicadeza e suavidade, não houve forma de fazê-lo menos selvagem. Levou apenas um segundo para encaixar os dentes na pele da jugular de Alejandro, cravando as quase presas animalescas na epiderme do psicólogo. Cuidado foi tomado para que não rompesse a tez, embora ainda provasse do condenável prazer com vivaz humor. Por mais que a ideia de degustar o corpo do outro lhe parecesse interessante, fosse energia vital ou plasma sanguíneo, permitiu que tal ideia não saísse de sua imaginação. Deu-se por satisfeito com a visível e excitante marca de seus dentes ao afastar-se, correndo os dígitos pela mácula com verdadeira glorificação no olhar. Como se desejasse que o próprio Alejandro exibisse igual louvor, procurou seu rosto, tomando-o pelo queixo entre delgados dedos, forçando-o a mirá-lo nem que fosse por um momento sequer. ❝ — As coisas que eu poderia fazer a você... Eu o faria experimentar a mais intensa e formidável agonia pelo meu toque. Poderia fazê-lo implorar por mim, fazê-lo sentir a necessidade por mim explodi-lo de dentro para fora. E a primeira vez, cariño... A primeira vez seria durante a luz do dia, onde não haveria lugar nenhum para você se esconder. Seria glorioso, Alejandro. ❞ Murmurou, como um segredo entre ambos, ainda que houvesse apenas os dois ali. Travessos e irrequietos, seus olhos pareciam não conseguir decidir apenas um ponto para se fixarem. Trafegavam entre a impressão deixada no pescoço do psicólogo, que em breve adquirira outras cores, para os orbes confusos, então para os lábios e repetindo o ciclo. Diabril, o homem mal se continha. ❝ — Mas, por enquanto, deixe-me apenas lhe ceder o elixir para quaisquer dores que possa estar sofrendo no momento. Não fui delicado, afinal. Sei que é difícil lidar comigo. ❞ Ofertou, diligentemente.
Soltando o pulso do homem, a destra se dirigira ao quadril do mesmo, apoderando-se de tal em poderoso agarre. A outra mão, envolvendo a nuca do psicólogo com igual luxúria. O encontro dos lábios ocorreu de maneira agressiva, dotada de fervor e veemência por parte do grego, o contato suficiente para liberar as prometidas toxinas calmantes no corpo do outro. A paixão e calor empregadas na atividade poderiam fazer granito entrar em ebulição. Não havia oscilação, nenhum dilema, nenhuma prudência ou recato; apenas fascínio, e fogo, e dominância. Hálito quente e fresco, dentes e lábios chocando-se em algo que não poderia ser classificado como menos do que uma concupiscência exordial, desejo primal e acobertado por tempo demais. Parecia tencionar dar fim à Alejandro, transformá-lo em uma bagunça úmida aos seus pés, rasgá-lo em mil pedaços, quebrá-lo e construí-lo novamente, fazê-lo sentir-se agradecido por isso e recomeçar o ciclo uma vez mais, levá-lo aos Campos Elísios e ao oblivion de uma vez só. O grego encontrava-se completamente perdido sob a intensidade do ato, sem poder ao menos pensar em outra coisa se não fosse o contato que ansiava. Verdadeiro com as promessas que seu corpo havia feito ao do argentino, Argus o invadiu. Tomou posse dos lábios do psicólogo de forma obscena e erótica ao mesmo tempo. Não havia possibilidade de escape para Alejandro, os dedos do catedrático apertando com maior força contra seu pescoço, exatamente acima da marca dos dentes de Argus. Não desejava enforcá-lo, não agora, mas queria sentir os músculos tensionando sob seu toque, lutando contra a possessiva prisão que os dígitos poderiam manter ao seu redor. Argus queria conquistá-lo, em simples sentenças, da forma mais cruel possível, incutir no interior de seu tão belo Ganimedes o desejo de novamente se entregar às suas garras, ser cativo de seus anseios. Ele tornaria Alejandro em sua mais bela obra de arte. Porque caos, afinal, também era uma forma de arte.
vee-babydoll
Em algum lugar de Avalon ―Cardiff, País de Gales. 5:12am
O lugar era tão apertado que a francesa podia ouvir seu coração batendo forte como se fosse uma parada de Quatro de Julho. Ela estava voltando para seu quarto quando aquela coisa atacou duas pessoas a sua frente, bebendo seus sangues transformando a sua noite favorita do ano em um capitulo de “Formaturas Infernais”. Usando sua única habilidade que a ajudaria a sobreviver, as asas incorpóreas e translúcidas da scion brilharam e ela voou para longe, perdendo a coroa de Rainha do Baile no processo, até achar um cômodo realmente estreito que não dava acesso a lugar nenhum, a não ser muitos produtos de limpeza. Ela não pretendia sair dali nunca mais, quando a porta se abriu e um grito estridente ecoou de seus lábios.❛➵ PELOS DEUSES. ❜ amaldiçoou a princesa. ❛➵ Eu achei que fosse uma daquelas coisas! Quer me matar do coração? ❜
O castelo estava um caos, mas Argus se preocupava em limpar a mancha de sangue que o primeiro vampiro morto havia deixado no carpete de seu escritório. Filha à salvo, ele não tinha mais muita coisa para se preocupar, e salvar um scion ou outro era apenas uma recompensa que poderia ou não receber. Ao abrir a porta do armário de limpeza, sentiu o coração acelerar momentaneamente, assustando-se com a presença de alguém que claramente não deveria estar no local. ❝ — Quem pergunta isso sou eu! Eu já estou na idade de ter ataque cardíaco, sabia, minha filha? E o que você está fazendo aqui dentro, sem chave, sem nada? Não ter morrido ainda é praticamente um milagre. ❞ Ralhou, de fato irritado pela maioria dos discentes perder completamente a noção de salvaguarda quando algo assim ocorria. Com um suspiro alto, esticou o braço para apanhar a garrafa mais próxima, analisando os componentes químicos antes de se afastar. ❝ — Eu posso escoltá-la até o abrigo nuclear, se quiser. É seguro lá, tem comida, companhia e silêncio. Vamos buscar vocês quando a coisa toda estiver mais calma, o que acha? ❞
generaledwxrd
Desde que entrara em Avalon, Edward raramente tirava férias. Desde que renunciara o trono, ele evitava ao máximo voltar pra casa. Não que estivesse ressentido com os pais ou algo do gênero, apenas preferia evitar a pressão que ainda exerciam em seus ombros e a decepção com que alguns o olhavam desde que recusara a coroa. E estar em Avalon como General, comandando toda a segurança do local, fazia com que seu trabalho fosse 24 horas por dia. O que era bom. Mas especialmente naquela semana de dia dos namorados, o diretor da escola o chamara, sugerindo - ou melhor, ordenando - que Edward tirasse férias; ao menos, um pouco das atrasadas. E o acordo daquela tarde terminara com o homem concordando em tirar alguns poucos dias para visitar a família. O que o chefe de segurança não esperava, era que logo quando saísse, a escola seria invadia por criaturas sombrias e sanguinárias. No terceiro dia das férias, retornara a escola durante o dia. E naquele momento em especial, trajando o uniforme de general, percorria os corredores da escola, com uma feição nada amigável. - Só pode ser brincadeira. Eu fico dois dias fora. DOIS DIAS! E o quê acontece? Isso mesmo, um bando de assassinos invade a escola. 54 gurdas já foram mortos. Em dois dias. CINQUENTA E QUATRO GUARDAS! Fora os alunos e outros funcionários. - Dizia, extremamente irritado, enquanto olhava para X. - Você veja só… Dois dias que me ausento, a primeira vez em três anos. E o que eles fazem? Deixam essas coisas entrarem! Assassinatos! Em Avalon!
❝ — Por que você está gritando comigo, camarada? Só por que meus chifres estão começando a nascer e meus olhos brilham? Isso é preconceito demoníaco! Vou falar com os Direitos Humanos! Ou seria Direitos Demônios? Ah, tanto faz, vai. ❞ Com Melina à salvo no abrigo nuclear abaixo do Forte Dourado, a única coisa que o catedrático ainda fazia naqueles corredores era se divertir. Tão acostumado ficara com a atual situação da Academia que trazia um cigarros nos lábios escurecidos, demonstrando o avanço da maldição demoníaco sobre seu corpo. As pontas de seus dedos estavam negras, como se banhadas em piche, e os olhos antes escuros agora exibiam um tom neon berrante e brilhante, lembrando qualquer coisa tóxica. ❝ — Você é um ótimo general, Edward, mas as coisas acabam desandando sem querer uma hora ou outra. Isso não é culpa de ninguém. Eu mesmo não consigo sentir essas coisas caindo aqui de repente, uma delas invadiu minha sala, sabe? As primeiras horas foram desesperadas, tendo que procurar Melina e tudo mais, mas agora a coisa toda melhorou. Eu só estou nessa ainda para matar um pessoal. Sempre bom descarregar as frustrações com homicídio, principalmente quando isso não pode te levar preso. Quer um cigarro? ❞
❝ we can't be tamed. ❜ — ⌜PELAGIOS-KOSTOPOULOS CLAN⌟
Matar o primeiro deles fora simples. Captando a chegada do maldito quando ainda escalava sua janela, o catedrático delicadamente puxou a segunda gaveta da escrivaninha de cedro-rosa, apanhando uma das adagas chinesas em seu interior. De pontas afiadas e ótima condutoras de eletricidade, não haviam sido feitas para cortar a carne, mas sim para prender-se à mesma: o real estrago acontecia pela energia imbuída nas lâminas pelas habilidades do professor. O choque fora o suficiente para imobilizá-lo por alguns minutos, nos quais Argus fechou seu livro, levantou-se e analisou o estranho ser em seu quarto antes de deslizar o indicador pelo pescoço da criatura, utilizando das habilidades advindas de um Louva-a-Deus. Com aquela aparência, coisa boa não podia ser. E, como o bom cidadão que Argus fazia o possível para ser, deixou o cadáver no quarto e seguiu para encontrar o guarda mais próximo, desejando informar o ocorrido.
Contudo, sentia as vibrações da terra, as pessoas se aproximando. Pessoas, isso é, se fosse muito empático para com tais seres. Se não a biologia, em nada se assemelhavam a um humano comum. Apressou o passo em direção ao dormitório feminino, rapidamente alcançando o quarto da filha, imediatamente acelerando as batidas cardíacas. Bateu na porta com intensidade. ❝ — Melina? Abra a porta. ❞ Demandou, raramente utilizando o nome inteiro da menina se não quando a situação indicasse séria gravidade. ❝ — Abra essa porta ou eu vou abrir, Melina. Estou mandando. ❞ Bateu novamente, a espera deixando-o enervado e nervoso, desesperado quase. Como uma noite que começara de uma forma tão agradável poderia decair daquela maneira? Ainda tinha nos lábios o gosto do álcool ingerido em grandes quantidades por Alejandro, o corpo ainda em chamas pelo contato com o psicólogo. As sensações rapidamente o deixavam, o estado pós-torpor transformando o altivo docente em uma criatura azeda por saber que não mais poderia experimentar daquela boca e agora tinha um problema grande demais para ser resolvido sozinho à sua frente. Um suspiro cansado deixou seu corpo ao empurrar a porta com maior intensidade, retirando-a das dobradiças sem maiores impasses, e perceber o quarto bagunçado e vazio. Sem rastros de sangue, ao menos, mas sem rastros de sua menina também, se não as roupas reviradas. ❝ — Melina? Melina! Sou eu, Melina, é Argus. Papai, querida. Onde está você? ❞ Mas ao chamado tão terno, não veio resposta.
Fervia, e não pela paixão desperta no âmago ao entrar em contato com seu objeto de desejo. Fervia pela possibilidade de machucarem sua garotinha, de cravarem garras imundas em seu maior tesouro, pelo instinto protetor que ela mesma incutira no cerne do homem ao tomá-lo como seu guardião. Passos rápidos o levaram pelos corredores, cruzando a distância em direção a outra ala do Forte, buscando o dormitório masculino. Malfurion, a daemon cadela infernal, em seu encalço, como sempre. Não chegou a alcançar seu destino, porém, antes disso trombando no corredor com as mesmas figuras que procurava. Quase atacou, mas não o fez, suspirando ao notar o acaso interessante no qual estava envolvido. ❝ — Philippos, Elisa... Eu perdi minha filha. Minha filha, caralho. E eu preciso recuperar minha filha, matar uns bostas desses e sair dessa porra o quanto antes. ❞ Vocalizou, um tanto quanto alterado, sem poder segurar a língua. Perdera a compostura, afinal, sentindo-se ameaçado demais pela possibilidade de perder Melina. Havia muitos infernos nos quais poderia estar, mas este seria o pior de todos. Um que simplesmente não queria e não se deixaria imaginar, sabendo que a quebra de seu ser seria iminente em tal momento.
❝ i get a little bit genghis khan. ❜ — ⌜kosgia⌟
hermanx
Um simplório conceito é, pois, aquilo a que nomeia-se anseio: intenso anelo quanto a algo e, por vezes, alguém. Contudo, em empírica forma, este não há de ver-se limitado à uma acepção vulgar, ordinária. Comum. O anseio, a aspiração por posse, a gana, são dotados de intensidade, força, convertendo-os passíveis do desencadear de tormento em uma médula. Operando à modo de gatilho, afinal, a ciclópico afogo, que converte-se ao que é febril. Febril ao ponto de auferir indômito estado, cujo apaziguar há de lograr-se apenas por vias da obtenção daquilo que é branco de cobiça. Amainar tal, porém, não há de suceder por singular modo. Para um adicto, exempli gratia, dá-se quando, ao fim, seu ilícito paraíso corre-lhe por veias, de maneira ou outra. Não cambiante fator, porém, é que adicção tal não há de ser nociva meramente à criatura que à alimenta e preserva. Tão indecoroso vezo, seja qual for, termina por romper, ademais, entorno de indivíduo. Incontáveis são as adicções a existir. Certas, mais lesivas que outras, cargando ansiantes maníacos —cuja cerne é já deturpada por pechoso hábito— à limiar do hórrido por mor de, finalmente, conquistar aquilo anelado. E em particulares conjunturas, tal riscosa adicção dá-se pela premência de encontrar efêmeras emoções em próprio âmago. Tempo para dar volta e remover-se de recinto não haveria de ser falto, se bem calculadas circunstâncias e percebida a tensão a povoar atmosfera. O sentia, afinal, mescla insana dos ânimos de outrem a correr-lhe por epiderme e alma como fatal corrente, a eletrizar e inutilizar cada nervo, cada fracção de si. Impassível, porém, fora de atrelar-se ao lógico proceder, buscar salvaguarda tão necessária como são indivíduo. O férreo palato da fúria de outrem a povoar-lhe boca despertava enraizado desvelo por compreender. Anseio. Outra de adicções, afinal, o destrinchar da natureza humana e suas paixões. Adicção tal a mantê-lo ali, como espectador da insânia a ebulir em alheio imo, cada haurir a bradar-lhe perigo. Destrutivo, em vezo. Tolo, afinal, como mais ordinário mortal ao assumir que há de lograr aproximar-se do sol.
Cauteloso, o observara antes de replicar. ❝Sim, estou. Tanto quanto é possível, ao menos. E usted?❞ Havia já usança no auscultar de sentenças cuja carga abscôndita há de jazer em poço aquele denominado alma, nos mais obscuros rincões daquilo que há de compor um ser. E, após ver-se vitimado por tão cru encaro, bem sabia estar outra vez em situação tal: o enunciado, pois, não revelava tenções trás vocábulos. Inescrutável aquele, ainda em vulnerabilidade de cerne perante a Empatia do patagônio. Não o compreendia, mesmo ao senti-lo. Percebia, porém instigante faceta sombria, como o despertar de dormente e hostil besta. Havia fome, afinal, em orbes escuras aquelas, opacas. Inescrutáveis. Tão negras quanto mesmo breu a emanar de animalesca alma do homem. Ao esquadrinhar o Kostopoulos, apossado fora por tremor tênue, a expectativa do incógnito entravando-lhe garganta, obstruindo respiração; o agônico afogo prévio ao pânico. O estagno era hegemônica resposta a acolitar ininterrupto exame de outrem, como criatura em dano, pois, a abster bruscos gestos, modo a não sobressaltar predador. A sensação de sítio a fender médula do argentino era pungente. Como se ainda em resguardo, consistisse afronta. Inescrupuloso, afinal, o grego. “O leio”, aparentavam bradar os malditos olhos. Impassível de equiparar mira alheia, volteara próprio rostro, como se por mero ato, granjeasse faculdade de desvanecer e, ao simultâneo, recuperar próprio norte. O instinto pela sobrevivência há de ser primal, premente. É humano, afinal, o posicionar do próprio interesse em primeiro lugar. Não para Alejandro. Auto-destrutivo até última molécula a conforma-lo, sempre buscando o perigo. E ainda ante a nítida noção da necessidade de dar espaldas ao homem, não o fizera. Tragara em seco, franzindo minimamente o cenho, o contemplar silencioso de conjuntura. Aquiescido, em desassossego. ❝Isto? Como?❞ E por ínfima irreflexão, terminara não precatando-se do acometer de Argus contra si.
Ao ter trajes subitamente gazofilados, percebera sanha a arder-lhe em peito tal qual mais vasto dos incêndios. Contanto, o comedimento já há muito acondicionado coibira qualquer posicionamento escasso de civilidade. Não que houvesse tempo, afinal, para qualquer violenta resposta. Partidos lábios entremeio a contido exclamar de impróprio, semi-abertos em espavento, acolitando esgazear confuso dos olhos celestes, que buscavam ponto focal em entorno. O surdo choque de espaldas contra sólida superfície a estender dolor por toda musculatura, como incêndio, em célere consumir de cada fracção de si. E a cacofonia em psique, abstrações assumidas por brados, a dificultar logicidade de proceder. A proximidade. Demasiada era. Arrebatava-lhe fôlego, arrebatava-lhe a capacidade de devotar-se ao que de fato era relevante. Tolerar dolor passava a converter-se ao laborioso âmbito de situação. Desejava como nunca um randômico esconderilho. Contanto, fortuna parecia tencionar cernir revés sobre criatura. O clamor de Bellator, a ladrar, também, audível ao superpor-se a vozerio de turba em intelecção. Estatelada em solo a alma, afinal. Não era dormente própria agonia, contanto, jamais haveria de desconsiderar a de sua contraparte.
Brutalidade, pois em abalançar aquele, não expectado. E ao pavimento alva criatura também, a ser recoberta por fisionomia de outra alma, tão obscura. Como breu a findar luz, afinal, o ataque dotado de metafórica venustidade que haveria de cessar fôlego. Arte, afinal, a confirmada imagem da violência, em ambos cenários: corpos e espíritos, apartados, a perpetrar conflagração mútua. O ímpeto por revidar, por lançar-se à defesa de humana contraparte não era na Dogo. Bellator, porém, bem sabia que não possuía azo de retaliar sem lastimar a si —e, consequentemente, a Alejandro— em embate tal. Assaltaria em não adulterada sanha contra qualquer outro Daemon que ousasse tratar de obstar-lhe o ofertar de auxílio ao patagônio, que constantemente parecia necessitá-lo. Contra aquela, porém, jamais. Demônio, afinal, haveria de ser vocábulo passível de sintetizar noção do que era a criatura. E a visão de presas, cominadoras e desgarrantes, arrebatara do animal grunhido: pesaroso, furioso. Impotente, afinal, naquilo que constituía-lhe singular dever. Por maiores as desavenças dentre alma e carne, a discordância e o desatender perpetrado pelo homem, a Daemon não cessava em ansiar salvaguarda daquele. E ver-se ali, dúctil, enquanto o outro em igual situação encontrava-se, a enfuriava. ‘Agora seria uma boa hora para que o tocasses e colocasses tuas habilidades ao uso. Dolor, remembranças forasteiras e habilidades temporárias hão de ser ínfimos preços a pagar por tua vida. Alejandro, não te atreles à vaga maviosidade! Defenda-se! Já o fizeste com Miguel, já o fizeste com teu irmão. Porque há ele de ser distinto?’, enunciara a cadela, exasperada. Porque diabos tinha de ter um humano tão tolo, tão ansiante por própria destruição? ‘ALEJANDRO! OLHE OS DENTES DESTA DEMONÍACA CRIATURA! SE ALGO ME SUCEDER, HÁ DE SUCEDER A TI, TAMBÉM!’, insistira. ❝CALE A BOCA, BELLATOR!❞ Brado súbito a brotar de fauces fora cargado de não expectada ira, reverberando por entranhas. Auscultar de tão enérgico vocalizar sequer denotava fato de que encontrava-se premido contra parede, todo e qualquer movimento limitado pela compleição do grego. E então, a indignação. Tivera espaço invadido. O outro o estava tocando, deliberadamente despertando todos descômodos e inquietudes que tanto esmero aplicava em absconder. Uma inescusável violação. Poderia dar ouvidos à Bellator por uma vez. Drainá-lo. Contudo, não o fizera. Não haveria de atrelar-se à brutalidade, por maior a gana. Não outra vez. Limitara-se, portanto, a cerrar os olhos, a profunda e demorada inspiração acrescendo à calmaria necessária para lidar com instância, explícito o desbravar de própria têmpera por busca de placidez. ❝Argus… O que caralhos é isto?❞ Interpelara, manso.
Diferente da maioria das habilidades apresentadas por Scions, ao menos um aspecto do poder primário de Argus acabava sendo limitado pela biologia de cada criatura. Elas adaptavam-se ao seu corpo quando necessário, mas junto com os prós vinham os contras: mesmo que pudesse levantar setenta toneladas com facilidade e descobrir sentimentos alheios por meio dos hormônios deixados no ar, habilidades como as de Alejandro o deixavam confuso. O Borgia não carregava apenas as suas emoções, mas as de outros, que acabavam aderindo a já confusa essência do argentino e fazendo-a difícil de discernir. Argus precisaria de horas para entender, naquela anarquia generalizada, o que era Alejandro e o pertencia a outras pessoas... Mas quando solitários, a distinção deveria poder ser feita com maior facilidade. Tentou, afinal, esperançoso de encontrar qualquer forma de permissão silenciosa do psicólogo. Dentre a cobiça e cólera que eram de sua propriedade, foi capaz de perceber a usual desorganização que nada fazia além de provocar maior raiva. Em parte a culpa era sua: sua própria mente não conseguia concluir muitas coisas no estado em que se encontrava, quase que completamente primal, apenas procurando maior informação sobre a caça. Predatória, como o próprio patrono, e como Argus deveria ser diariamente, mas se recusava em prol de uma elegância coagida. Meneando a cabeça, forçou a interrupção do uso da ecocinese, falhando miseravelmente e se vendo incapaz diante dos sentidos naturalmente aguçados por seus profundos desejos. Necessitaria de uma quantidade absurda de energia após a prolongada ativação de sua magia, mas tentou não pensar nisso, pois a vontade de alimentar-se da criatura desprotegida e vulnerável em suas mãos surgia como algo quase irresistível. Alejandro deveria ter um gosto delicioso... Não que Argus pudesse jamais se deixar provar da vitalidade do mesmo, temendo um possível vício — ou pior ainda, um desapontamento, considerando que o gosto sinestésico trazido a seus lábios após o consumo da essência de uma pessoa dependia do caráter de outrem. Isso também explicava seu vício por doces: frequentemente tendo que se alimentar de membros da corte, víboras invejosas e mentirosas, acabava com sabores desagradáveis, amargos e azedos, na língua. Precisava constantemente de algo para amenizá-lo.
Com alma e corpo sob seu poder, Argus esperava alguma luta e não busca de tranquilidade. A paciência do Borgia machucava seu ego. Será que o homem não era capaz de lutar pela própria segurança, ao se ver preso de tal maneira? Ou duvidava de sua periculosidade? Quem sabe seria melhor demonstrá-la de alguma forma, mas a mente do mais velho não conseguia ir muito além de pensamentos pecaminosos, incapaz de trazer à superfície a violência que necessitaria para finalmente incutir medo, a fonte de toda gana por sobrevivência, no âmago do argentino. A proximidade súbita, nunca antes experimentada, embora ansiada por certo período de tempo, desencadeava maior dificuldade de concentração. Por um momento, prendeu a respiração, apreciando a sublime sensação da inexistência de espaço entre ambos... Quando finalmente soltou o ar guardado nos pulmões, reverenciou a forma com que os corpos se moldavam a cada respirar e expirar, a maneira com que os movimentos imperceptíveis desenhavam espaços mínimos entre ambos, para que logo depois voltassem a se encaixar. Como se as formas fossem feitas uma para outra. Ainda que alguma voz interior gritasse por mais, insultando as camadas de tecido representando uma barreira, acabou acordado de seu breve transe pelo grito do outro homem. Ergueu uma sobrancelha, o negrume das pupilas não deixando os celestes orbes por um só momento, traçando as reações, memorizando a fisionomia alheia com distinto interesse. ❝ — Isto... ❞ Voltou a dizer, como se testasse a palavra nos lábios. Um riso baixo deixou sua garganta enquanto o homem dava de ombros. Lentamente, a mão destra deslizara pelo paletó, seguindo a lapela e os botões, e apenas desviando curso ao atingir a altura dos pulsos do moreno. Argus fechou os dígitos ao redor do carpo, apertando apenas o suficiente para reafirmar que Alejandro estava preso, mas não visando deixar quaisquer marcas. Seria um crime, afinal, deixar qualquer mácula sobre a alvura da epiderme alheia se não tencionasse lhe dar um tratamento completo e adequado. As impressões poderiam esperar. ❝ — Quem sabe? É apenas um pensamento que me ocorre em alguns momentos, um gatilho que acabou de ser pressionado. Mas quem liga também? O importante é que está acontecendo, cariño. ❞ A outra mão também soltou seus trajes, desta vez movendo-se diretamente para o espaço entre o ombro e o pescoço do sujeito, o sorriso predatório aumentando conforme cada dedo repousava sobre a tez macia. O polegar acabou sobre uma das bochechas, por um momento movimentando-se de forma circular como uma carícia antes de abruptamente parar. Nivelou o rosto com o de Alejandro, os róseos lábios clamando pelos seus, a mansidão demonstrada pelo psicólogo apenas fazendo com que Argus quisesse vê-lo submisso, quisesse rasgá-lo e de fato devorá-lo de maneira literal, para lhe arrancar alguma reação que não fosse neutra. Odiava, afinal, não ser capaz de mexer com o psicológico alheio. ❝ — Eu apenas quero que me responda uma questão e eu o deixo ir sem maiores impasses. ❞ Ao invés de simplesmente jogar a questão, decidiu que a necessidade de maiores provocações se fazia presente; deixando que o sorriso sumisse do semblante, apropinquou a própria face do rostro alheio, as bocas a meros centímetros. Se não pelo arco do Cupido demasiadamente projetado do grego, não haveria contato algum entre eles. Ainda próximo, o sorriso voltou a surgir, mas Argus também voltou a se distanciar, ele mesmo não sendo capaz de resistir a tal intimidade sem ansiar por mais.
❝ — Diga-me, Alejandro... ❞ Arrastando a voz propositalmente desta vez, sentindo a ansiedade no baixo ventre e a velocidade absurda das batidas do coração, além do pulso no pescoço sob seus dedos, começou a falar. ❝ — Você me acha atraente? ❞ Um momento de espera, mas o Kostopoulos acabou rindo, impedindo que o outro respondesse. Em parte porque sentia medo. Um ‘não’ e toda tensão montada até o momento facilmente se despedaçaria. ❝ — Questão retórica. Apenas uma brincadeira... Está tudo tão tenso, como se eu fosse de fato machucá-lo de qualquer forma. Se eu em algum momento desejasse feri-lo, cariño, seria de maneira muito mais prazerosa. ❞ Garantiu, um calafrio percorrendo a própria espinha diante da afirmação. O Globo da Verdade, agora parecendo mais pesado e quente no bolso de sua calça, permaneceu intacto. Sem nenhum ruído de rachadura, nenhuma quebra... Nenhuma mentira, como era de praxe. Brutal honestidade, mesmo que pudesse vir a colocá-lo em maus lençóis no futuro. Não que Argus estivesse em estado mental capaz de pensar no que poderia acontecer em um encontro posterior. Tomou fôlego. Ainda que fosse primitivo, se permitiu um segundo de dúvida e fraqueza. A curiosidade o venceu. ❝ — Você, de fato, ama sua esposa? De forma romântica, sexual, como um homem devidamente ama uma mulher? ❞ Indagou, uma resposta positiva e uma verdade o impedindo de encontrar seu verdadeiro objetivo naquela balbúrdia toda. ❝ — Questão invasiva, um pouco mais do que eu poderia pedir, certo? Mas não tão difícil. Um marido apaixonado nunca recusa uma oportunidade de demonstrar seu amor... Se ele existir. ❞

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A festa já rolava a provavelmente duas ou três horas quando finalmente, Aloysius chegara a Avalon. Já pousara no país atrasado, e o trânsito até a escola só dificultara ainda mais as coisas. Percorrendo os olhos pelo salão um pouco impressionado com a decoração, Aloy aproximou-se de X, prendendo a máscara no rosto. - Cheguei atrasado? Claro que não, um príncipe nunca está atrasado. Os outros que estão adiantados! - Riu, ajeitando a máscara e olhando em volta rapidamente. - Diga pra mim que ainda tem comida sendo servida!
A noite de Argus poderia estar sendo melhor, se não fosse a imagem que despertara raiva em seu âmago ainda no início desta. Tortuosamente resistindo ao ímpeto da violência, acabou se distraindo com a possibilidade de uma conversa trivial com algum dos discentes por quem detinha certa afeição. ❝ — Que eu saiba essa frase pertencia à rainha, meu amigo, mas não faz mal roubá-la um pouco. ❞ Riu, voltando o olhar para o jovem príncipe dos Emirados Árabes. ❝ — Claro que sim. Seria uma vergonha se não houvesse. Inclusive, sugiro que prove isto. ❞ Apanhou uma taça da bandeja de um garçom que passava, cheia de um líquido vermelho borbulhante, e estendeu-a para o rapaz. ❝ — Chamam de Poção do Amor. Apesar do nome, é muito bom. Tem o gosto da bebida que você mais gosta e nenhum álcool. Já pensou, tomar Bourbon sem risco de acabar caindo de bêbado? Embora, é claro, que se seu objetivo for ficar louco de birita, tem uns negocinhos na mesa mais próxima. ❞ Comentou, tomando um gole de sua própria taça.
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Não teria ameaçado o homem se ela tivesse o identificado mais cedo. No entanto, na pressa de se livrar do rapaz que lhe importunava ela abordou a primeira pessoa que apareceu, tendo o destino —- mais uma vez —- sido muito cruel e colocar ninguém mais, ninguém menos que o Kostopoulos. A fama do professor de história era bem conhecida, e ela não esperava que ele se lembra-se dela, já que durante todos os anos na instituição ela nunca fora selecionada para sua classe. Mesmo assim, a panamenha era inteligente o suficiente que intimidar um professor nunca era uma boa escolha, porém ela seu orgulho era ainda mais forte e ela não demonstraria uma fraqueza, agora que ela havia escolhido aquele caminho ela iria até o fim. “― Não foram muitas as vezes em que ser gentil trouxe algum benefício pra mim ou qualquer outra pessoas, mas se insiste: Eu o agradeço.” Ela meneou a cabeça em direção ao mais velho, que muito solicitamente ofereceu suspender o mais novo, atitude que fez Isla rir verdadeiramente, fato raro para a panamenha. “― Acho que temos isso em comum.” Ela se referiu a clara ameaça que ela havia lhe estendido e o passa tempo do professor antes de suspirar. “― Mas acho que não será necessário. Se eu o torturar demais ele pode acabar se apaixonando, e é sempre melhor deixar que ele desfrute de sua própria insignificância. Além do mais, a sua mera presença já foi o bastante para que ele não pense em se aproximar, pelo menos eu não me aproximaria.”
A bem da verdade, Argus não entendia a fonte dos rumores que enchiam os corredores sobre sua pessoa. Embora exigisse dos alunos certo nível de responsabilidade e rigidez em sua postura escolar, coisa que ele raramente exibia quando fora do trabalho, não costumava intimidá-los como outros colegas. O Kostopoulos, na realidade, não detinha nenhum prazer no ato de incutir medo em terceiros, tendo ele mesmo experimentado o sentimento por tempo suficiente para adquirir grande repúdio. Realmente, suspensões o agradavam, mas isto era apenas para que uma lição fosse aplicada. Aquele que agia de forma correta, não tinha razão para temer uma reprimenda e, portanto, não havia medo envolvido no ato. ❝ — A gentileza trás resultados a longo prazo e não a curto. Necessita paciência e resistência, querida. Disponha, de qualquer forma. É sempre um prazer servir. ❞ Refletindo o gesto, exibiu um sorriso. ❝ — Estamos maravilhosos, esteticamente falando, esse é outro fato em comum. ❞ Pontuou, notavelmente orgulhoso. Excessivamente vaidoso, o professor se parecia bastante com o Narciso dos contos gregos, muito encantado com sua aparência vez ou outra — exceto, é claro, pelos momentos solitários em que o encanto se quebrava. ❝ — Como a senhorita desejar. Hum... Mas por quê? Eu sou uma pessoa tão agradável. Nunca entendi esse medo que alguns parecem ter de mim... Se eu fosse um pouco mais alto, seria até entendível. ❞ Comentou, dando de ombros pelos seus 1,84 de altura serem o suficiente para satisfazê-lo, mas não constituindo traço ameaçador.