Por um momento, Soohyun sentiu-se como um invasor por estar parado à porta de uma completa estranha. Talvez não fosse bem vindo, e por isso a garota estivesse com aquela cara? Ou, pior, talvez a tivesse acordado do famoso sono de beleza. Ouviu dizer que mulheres são capazes de destroçar qualquer um que a atrapalhem em um momento tão importante. Bom, o silêncio deixou Soohyun incrivelmente incomodado. Não era um incômodo do tipo “meu Deus, que chatice, quero sair daqui”, mas sim algo como um medo de ter assustado a garota ou não ser de fato bem vindo ao local. Talvez Kisu tivesse errado aquilo de soulmate… - É… - concordou com a indagação dela, levando a destra até os fios escuros de seu cabelo a fim de bagunçá-los em um leve nervosismo. Mas algo que o surpreendeu, na verdade, foi o claro convite que ela havia feito para si ao dar espaço para que entrasse, abaixando seu rosto de forma que Soohyun não pudesse encará-la. Deu um primeiro passo em direção a entrada da residência, ainda tímido. - Realmente não quero incomodá-la. - insistiu, parando a alguns passos da porta, de frente a garota. Observou a residência por dentro por alguns segundos antes de voltar a repousar sua atenção naquela menina. E mais uma vez o silêncio. Era estranho, não sabia como se comportar. Soohyun não havia um currículo bom em relação a convívio social, mas sabia lidar com pessoas pois lidava com clientes gigantes no ramo da negociação. Então por que diabos estava tão incomodado com a ideia de não ser bem vindo ali? Ou, quem sabe, ser rejeitado de alguma forma. Talvez fosse uma negação com garotas… - Inclusive, eu sou Soohyun. - adiantou-se na apresentação, curvando-se sutilmente a frente da garota em sinal de respeito. Fora sua criação. - É um prazer conhecê-la.
Tá... tudo bem, entra. — Um discretíssimo sorrisinho no canto dos lábios se instalou enquanto Boyoung ainda tinha seu rosto encarando o chão, mas assim que levantou seu olhar novamente a expressão tornou-se impassiva enquanto ouvia-o se apresentar. Engoliu o entusiasmo que havia se formado em seu estômago e xingou-se mentalmente.
Quando lembrou-se dos bons modos e etiqueta, o rapaz já estava curvado em sua frente e espontaneamente seu corpo imitou o ato, dando alguns passos para trás com os pés descalços no amadeirado; talvez se ficasse alguns centímetros mais perto dele aquele embrulho em sua barriga voltaria.— Kwon Boyoung. E tire os sapatos. — Lá estava a Boyoung usual, tentando impôr seu poder - inexistente - até em desconhecidos.
Você pode entrar e sentar... Acho que precisamos falar sobre isso. — Sua pausa trouxe uma respiração profunda, porém não pesada. — Não que eu entenda muito mais do que você sobre estar aqui. — E mais uma vez seu rosto pairou diante do alheio, agora durando mais do que alguns segundos ao fitá-lo diretamente nos olhos, o que trouxe à garota um leve arrepio na extensão de sua coluna.
















