Vez ou outra na semana Cordelia gostava de mudar um pouco a rotina e ir em algum bar como frequentadora e não como atração, para variar um pouco. Além disso, por mais que morar sozinha tivesse lá suas regalias, para alguém que morou a vida inteira com oito pessoas debaixo do mesmo teto, ainda era estranho ter que lidar com a solidão e por isso preferia encarar um lugar cheio de pessoas a ter que lidar com seus pensamentos que mesmo dando voltas e mais voltas acabariam passando pela pessoa que foi por muito tempo foi a companhia número um da Waller: Adam. Quando se dava conta, Cordelia sempre repreendia seus pensamentos acerca do Hopper, porque sentia que era burrice pensar tanto em alguém que talvez nem lembrasse mais de suas feições, enquanto ela parecia travada em sua própria mente.
Brincando com o copo da bebida que tinha em mãos, assim que o artista da noite subiu ao palco, Cordelia precisou piscar mais algumas vezes apenas para ter certeza que não estava vendo alucinações ou que estava vendo talvez algo que queria ver. Não, era real, Adam tinha de fato voltado e estava ali a metros de distância. Em três meses, aquilo havia sido o mais perto que chegou dele, mas era melhor tê-lo a metros do que os quilômetros de distância que os separavam. Cordelia estava esperando que Adam não notasse sua presença ali tão cedo, ou para ser completamente sincera, esperava que ele não notasse sua presença de forma alguma e por isso continuou o olhando com um sorriso nos lábios, como sempre fez nas oportunidades que tivera de vê-lo se apresentando. Ela sempre fez questão de deixar bem claro que era a maior fã dele, e isso não havia mudado. Mas o choque veio quando os olhares se cruzaram, Cordelia ficou estática em seu lugar, mas não conseguiu desviar o olhar, porém quando ele o fez, um riso baixo escapou dos lábios dela. A Waller tinha medo que se deixasse de olhá-lo ele fosse desaparecer ou ela fosse acordar do sonho maluco em que estava agora. Mas ao vê-lo sorrir, ela não conseguiu evitar e acabou o respondeu com outro sorriso, dando uma piscadinha para Adam.
Cordelia acompanhou o show do princípio ao fim sem conseguir tirar os olhos dele, rezando para que se aquilo fosse um sonho, durasse até o momento eles trocariam pelo menos duas palavras. Quando o show o acabou, ela fez questão de esperá-lo perto das escadas que davam acesso ao pequeno palco. Com um sorriso tímido nos lábios, ela o olhava, quase como se quisesse desvendar como deveria começar aquela conversa. Tinha tanta coisa pra falar, tanta coisa que queria saber, mas conteve sua ansiedade e limitou-se. “Oi! Seu show foi lindo. Mas fiquei curiosa com uma coisa…” Disse, fazendo um certo suspense, mas logo um novo sorriso apareceu no canto de seus lábios. “Seu estilo musical mudou?”
O nervosismo naquela apresentação logo foi coberto pelas mãos suadas em vê-la ali distante, o assistindo. Cordelia sempre fora sua maior fã e nunca restaram dúvidas que, nos dias de palco, os lugares mais distantes e loucos que fossem, a garota estaria lá, e inconscientemente algo havia a levado até ali, até seu encontro. O repertório não era dos melhores e provavelmente ririam disso caso ainda próximos, se não estivesse se escondendo de vergonha, porém tudo que lhe restou foram as trocas de olhares e o repuxar singelo dos lábios rosados. Adam ganhou algumas cervejas como recompensa pela noite e pensou se a mesma aceitaria dividi-las com ele, se era cedo, se teria coragem.
Eram tantas incertezas. Sentira sua falta? A última conversa fora uma discussão calorosa, então aquele seria o clima presente? Encerrou o pequeno espetáculo com agradecimento formal e assim que ergueu o corpo do banquinho se surpreendeu ao não encontrar a castanha onde visualizara a noite inteira, sem contar que essa estaria o esperando ao lado do palco improvisado estampando o sorriso no rosto que também resultou no seu, logo rindo. “Oi! É... Obrigado.” Arqueou as sobrancelhas esperando a questão, em dúvida se as bochechas se encontravam coradas pela simples presença da outra. De repente, eram desconhecidos e parecia ser alguns anos mais novo, sem experiência e torto. “Ah, não.” Riu, negando com a cabeça. “O dono do bar pediu pra que eu tocasse essas músicas românticas, não tive muita opção.” Deu de ombros, esboçando uma careta. “Você... Como você `tá? Tudo bem?” E aquela pergunta não cabia simplesmente à ela, mas aos dois.