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YOU ARE THE REASON
Jules of Nature
Cosimo Galluzzi

Janaina Medeiros
he wasn't even looking at me and he found me
Alisa U Zemlji Chuda

❣ Chile in a Photography ❣
Three Goblin Art

titsay
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Sweet Seals For You, Always

Andulka
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PLENILÚNIO
Ao fundo os campos
na cinza da distância,
ramadas negras
contra o círculo da lua.
O permanente "miserere"
dos ventos
tocando-nos nas faces.
Nas casas próximas
breves fios de fumo
saindo dos telhados
e o enigmático latido
dos cães.
Subindo do vale
junto à lagoa plácida
um banco de névoa
e o balido longínquo
de um cordeiro.
E nós nós somos
um desenho de criança
risco a carvão
traço incerto
sumido na paisagem.
As mãos uma na outra,
muito quietos
sob a lua plena
no mudo deflagrar
de um beijo.
Avelino de Sousa, Poemas 2005, pp.18.
A. M. Pires Cabral, Caderneta de Lembranças
a.m. pires cabral
Caderneta de lembranças
Eric Van Nynatten, Untitled, Estação de São Bento, Porto, Portugal, 2018
Caminho do Forte (Machico)
No caminho onde aprendi o outono sob o azul magoado os pescadores cruzam ainda linhas províncias clareiras e esse gesto masculino de apagar a dor
chegava pelos percalços da terra o carro do gelo e os miúdos tiravam bocados para comer às dentadas um retrato selvagem mas, juro-vos, havia encanto havia qualquer coisa, outra coisa nesse instante em perda
as mulheres sentavam-se à porta com os bordados quando passavam estrangeiros ficavam sempre a sorrir nas suas fotografias
José Tolentino Mendonça, A noite abre os meus olhos,2006

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BALADA DE COIMBRA
- Do Penedo da Saudade Lancei os olhos além. Meu sonho de eternidade Com saudade rima bem...
Ai sombras da Torre de Anto, Do Convento de além rio, Dos muros brancos do Pio, De Santo António a cismar, Que é de outras sombras que à tarde Convosco se confundiam, E ao ar os braços erguiam, E as mãos abriam no ar...?
(Sem saber para onde iam, Aonde iriam parar?)
- Penha da Meditação... Silêncio que paira em tudo! A terra e o céu dão a mão Num longo colóquio mudo...
Ai céus de Setembro-Outubro, Painéis de sonho e loucura, Rasgando a toda a lonjura Cenários de arrepiar, Que é de esses olhos de abismo Que à tarde a vós se elevam, Por longe andavam, voltavam, Vos devolviam no olhar...?
(Sem saber o que buscavam, Que haviam de ir encontrar?)
- Chegam da Baixa até Celas Os ais dos sinos na bruma. Se o céu tem tantas estrelas, Importa lá cair uma!
Ai linda triste janela, Toda voltada ao poente, De onde a menina doente Sorria a um Anjo seu par, Rainha Santa do bairro, Que é de essa cuja mão fria Do teu caixilho pendia Como um lírio a desfolhar...?
(Sem saber para onde ia, Aonde iria parar?)
- Quinta das Lágrimas, onde Chora a fonte doce e langue! Corre a água, e não esconde Aquelas manchas de sangue...
Ai olivais silva e prata, Choupos transidos de mágoa, Ai laranjais de ao pé de água Com frutos de oiro a brilhar, Que é do bando vagabundo Cujo rir vos acordava, Cuja tristeza só dava Mais vontade de cantar...?
(Sem saber o que buscava, Que havia de ir encontrar?)
- Fui à Lapa dos Esteios, Grandes coisas fui saber: Que há pedras que têm seios, que eu bem n-as ouvi gemer...
Ai pedras nuas dos becos Despenhando-se, angustiados Entre esses velhos telhados E muros de ar singular, Que é de esses passos que a medo Vos pisavam, e tremiam, Passos de irmão, que sofriam Da mágoa de vos pisar...?
(Sem saber para onde iam, Aonde iriam parar?)
- No Choupal quis fazer versos, Olhei as folhas do chão. Deus sabe os sonhos dispersos Que o vento leva na mão!
Ai águas do meu Mondego Que entre choupais murmurando Se me esquivais, nesse brando Sempre ir andando até mar, Que é das mãos roxas de febre Que em vós se desalteravam, E entre as folhas que boiavam Se deixavam arrastar...?
(Sem saber o que buscavam, Que haviam de ir encontrar?)
- A Santa Cruz, um por um, Dos troncos fui despedir-me. Não tenho amigo nenhum Que me haja sido tão firme...
Ai choro com que o Paredes, Vibrando os dedos em garra, Despedaçava a guitarra, Punha os bordões a estalar, Gritos de cristal e de oiro Que o Bettencourt alto erguia, Que é da roda que algum dia Vos sabia acompanhar...?
(Sem saber para onde ia, Aonde iria parar?)
- Fonte do Largo da Sé, Que dizes tu ao cair? - Mortos do adro, de pé!, Que os vivos é só dormir...
Ai crepúsculos de antanho, Limalha do sol, que morre Lá desde o cimo da Torre Té Santa Clara, além-mar, Que é de essa plêiade antiga Cuja alma em vós se encantava, Feita de cinza e de lava, Desfeita em sombra e luar...?
(Sem saber o que buscava, Deus sabe o que iria achar!)
- Do Penedo da Saudade Lancei os olhos acima. Sonho meu de eternidade Com saudade é que bem rima...
José Régio
Ricardo Bensaúde, Casas em Alcoitão, Cascais, Portugal, 1963
--- João Abel Manta ---
Teixeira de Pascoaes, A minha musa

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A Man Escaped, Robert Bresson, 1956
Andrei Tarkovski
JORGE DE SENA (2 Nov. 1919- 1978)
Nasceu precisamente no dia de finados, mas bem poderia dizer-se que nasceu num dia demasiado irascível para caber no Zodíaco. Não calava insatisfações (que eram nele às bátegas), não evitava a fricção, não reprimia fúrias, e também não se resguardava em varandins de ocasião ou em simpatias de conveniência. Deixou, sobretudo em quem não o conheceu de perto, a imagem de um homem intempestivo, temível, impertinente, ríspido, intratável, às vezes de uma agressividade e de uma contundência quase intoleráveis.
O catálogo da sua reputação poderia estender-se mais e mais. Muito embora outra se lhe possa justapor, foi esta imagem repetida pelos anos, com algumas variações, que chegou até nós.
Viveu tempestades, semeou alguns ventos (era uma espécie de Éolo em perpetua disponibilidade), bonanças nunca as viu. De uma tal figura, excepcionalmente culta, não poderíamos esperar uma literatura de amenidades. É verdade que a sua obra literária, e concretamente a obra de ficção narrativa, sabe acariciar os detalhes, como de resto recomendava Nabokov, mas ela não é propriamente o lulu que se possa afagar no colo. É um espécime indomável e o mais provável é que a prosa se erice e os próprios versos, incomplacentes, se nos lancem às canelas. E nem os literatos estão a salvo, como se aplica a demonstrar o poema «Provavelmente». Na sua vasta tábua bibliográfica raro é o título que não seja, a respeito de amenidades, todo um invertido programa. Recordem-se apenas três – dos mais emblemáticos: Peregrinatio ad Loca Infecta, No Reino da Estupidez, Andanças do Demónio, Sinais de Fogo.
«Exilado profissional» – para usar uma das suas categorias – coleccionou nacionalidades como camisas se trocam, juntou desânimos, somou desatenções da crítica (em parcelas nem sempre reais que a distância a que o exílio o colocou fazia aumentar até aos limites do inconcebível), fez de si mesmo o primeiro hermeneuta da sua obra, o comentador da sua própria produção literária. Leitor voraz, fez odes aos livros que não podia comprar. E também ao destino a que lhe soube sempre a vida. Imaginou-se a passar a reforma em Creta, a ilha do Minotauro, longe do inferno do mundo e dos outros, de «toda essa merda douta que nos cobre há séculos», mas não chegou sequer à velhice.
Houve ainda assim tempo para ser, e nem sempre à vez, poeta (assim se considerava antes de mais e acima de tudo), ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, historiador da cultura, antologiador, cronista, prefaciador incomum, conversador brilhante – a crer nos testemunhos dos que com ele privaram. Quer dizer: escritor completo mas não completado. A grandeza nunca ele a terá interiorizado de modo cómodo. Ter-lhe-á faltado sempre aquela calma com que caiam as aves de Sá de Miranda.
Nada para Sena parece ter sido fácil. Sentiu os rigores da ditadura e o peso da frustração, ao qual nunca se vergou. Ambicionava uma carreira na Marinha de Guerra e o mar transformou-se para o cadete Sena, excluído da Armada, numa “realidade sonhada certa em muitos anos de criança e depois vivida e perdida em meia dúzia de meses.” Engenheiro civil, ansiava por abandonar a condição de “escritor de fim de semana”, e essa condição amarrava-o mais e mais. Quis um barco-Portugal higienizado, mas não pode conter, pela voz do capitão do conto “A Grã-Canária”, que era preciso detergir, esfregar, higienizar, como se houvesse sabão ou água que afastassem a sujidade moral e social. Sonhou com um país livre, vertical e desmediocrizado e teve de se confrontar com o “país dos sacanas."
Teresa Carvalho
Art Academi - Kevin Kia

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Quando vier a Primavera, Alberto Caeiro