୧ ⋅* ‧ ⚓ ꒰ 𝐥𝐢𝐳𝐞𝐭𝐡 𝐬𝐞𝐥𝐞𝐧𝐞 – por glinda e sua varinha mágica! olha só se não é 𝐚𝐭𝐥𝐚𝐧𝐭𝐢𝐚 '𝐚𝐭𝐥𝐚𝐬' 𝐭𝐫𝐢𝐭𝐨𝐧 caminhando pelos corredores da torre 𝐝𝐚𝐬 𝐧𝐮𝐯𝐞𝐧𝐬. Por ser filha de 𝐀𝐑𝐈𝐄𝐋 & 𝐄𝐑𝐈𝐂, é previsto que ela deseje seguir caminhos parecidos com o dos pais. ao menos, é o que se espera de alguém com 𝐯𝐢𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐜𝐢𝐧𝐜𝐨, mas primeiro ela precisará concluir o 𝐌𝐎́𝐃𝐔𝐋𝐎 𝐈: 𝐀𝐕𝐀𝐑𝐄𝐙𝐀 𝐄 𝐆𝐔𝐋𝐀, para depois se assemelhar como um conto de fadas.
𝐧𝐨𝐯𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐨: águas rasas como a vilã rúb, a gananciosa.
𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫: enhanced tracking (ou bússola humana).
𝐝𝐚𝐞𝐦𝐨𝐧: scylla, a sua gaslight, gatekeep, girldragon.
(+) 𝐩𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐭.
Com a ascensão dos vilões — em particular para essa história, Úrsula — você deve imaginar que Ariel e Eric tiveram um dos finais mais infelizes da Floresta Desencantada. Exilada nos mares, Ariel foi forçada a deixar Eric e a filha sozinhos. Eles ainda se viam nas praias destruídas e fedegosas, mas com Barba Negra e Úrsula no comando do mar, tornava-se difícil manter contato por muito tempo. Com o passar dos anos, Eric se tornou um homem realmente infeliz. Ele bebia demais e falava de menos. Passava horas encarando o horizonte, o mar, esperando por uma mudança. Esperando por Ariel.
TW: MENÇÃO DE TENTATIVA DE SUICÍDIO.
E houve uma vez, da qual Atlantia nunca vai se esquecer, que a garota encontrou o pai à beira do afogamento. Garrafas espalhadas na areia, pedras em seus bolsos, e os olhos mais tristes que Atlas já vira.
FIM DO TW.
Então, enquanto o pai se afundava na desgraça, Atlantia precisou sobreviver. A história dela não é muito emocionante ou diferente de casos "na vida real" lá em Shadowland. Uma garotinha que virou adulta cedo demais porque precisou aprender a não depender de ninguém. Pelo menos, ela tinha o mar — porque apesar dos pesares, ainda sentia uma conexão forte com ele. Ficar na companhia das ondas era o mais próximo que ela recebia de um abraço de sua mãe. Eventualmente, tanto pelas habilidades de roubo desenvolvidas como parte da sobrevivência, quanto por falta de opção, ela acabou se envolvendo com os piratas, fazendo trabalhos extraoficiais para a tripulação do Queen's Anne Revenge, mesmo que pertencesse ao mais novo pupilo da bruxa que lhe tirara a sua família.
De certa forma, não foi uma surpresa quando o destino a colocou entre os futuros vilões. Talvez fosse isso mesmo que Atlantia precisasse depois de um início tão trágico: uma vitória no final.
PODER.
Atlas é capaz de localizar objetos e pessoas com a mente. Geralmente, uma bússola aparece nos pensamentos dela e aponta para a direção certa, guiando-a até o alvo desejado. Dependendo do estado emocional dela, porém, a bússola pode ficar desgovernada.
DAEMON.
Scylla é basicamente a versão dragão do meme "gaslight, gatekeep, girlboss". É uma dragão fêmea, cujas escamas brilham sob a luz do sol, imitando muito a tonalidade do ouro verde. Seus olhos são dourados e ela possui dois chifres que adornam sua cabeça. Tem uma personalidade exótica que acaba por se refletir em sua atitude esnobe e rabugenta — é conhecida por não ter paciência para tolices e raramente se importa com a presença de outras criaturas, mas ainda que aparente ser indiferente à atenção alheia, há um traço peculiar na criatura. Em raros momentos de vulnerabilidade e confiança, ela permite que Atlas faça carinho em suas escamas. Surpreendentemente, nessas ocasiões especiais, Scylla solta um ronronar suave e profundo, semelhante ao de um gato, revelando um lado mais doce e carinhoso que sempre faz com que a sua companheira ria. O tesouro é a paixão de Scylla, e ela tem um gosto específico por tesouros feitos de ouro. Sua coleção de objetos, os quais Atlantia costuma localizar e caçar para ela a fim de que a dragoa não surte por não ter suas vontades realizadas, é guardada com ciúmes e ela não deixa ninguém chegar perto.
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Atlantia limpou a garganta, desviando o olhar para um ponto qualquer no Três Flechas a fim de esconder o enrubescer das bochechas. Uma garçonete servia um espetinho de javali para um casal e, de repente, a cena era a coisa mais interessante que a Triton havia visto a noite toda. Suas memórias do aniversário de Úrsula não eram totalmente, mas tinha certeza que havia se envolvido com a ruiva em algum ponto, porque uma de suas lembranças mais vividas da noite contava com os cabelos cor de fogo. Levou a caneca de cerveja aos lábios, bebericando um gole antes de voltar a atenção para a amiga. Era nítido que Brynn não se lembrava, então era melhor não continuar constrangendo-a. "Ei, eu tava brincando! Você já deveria ter aprendido a não levar a sério as coisas que eu falo." Os lábios cheios se curvaram em um sorrisinho de escárnio, embora falso. Colocou a bebida sobre a mesa com um baque, atirando as costas para trás na cadeira. "Até parece que eu flertaria com você. Por que eu faria isso?" Revirou os olhos, apertando a mão na alça da caneca. "Quero dizer, somos só amigas. E mesmo que amigas possam fazer coisas a mais e continuarem amigas, eu não sou atraída por você. Nem um pouco." Não havia um pingo de verdade em nenhuma das palavras de Atlas; e muito provavelmente estaria ofendendo a outra. Mas em defesa dela... estava se protegendo! "Então relaxa, ruivinha. Tá tudo bem. Não precisava ter ficado toda nervosa."
Não tinha muitas memórias da noite do aniversário de Úrsula, exceto pelas que envolviam o pai. Apoderado de raiva como Atlas nunca havia visto antes, Eric desenrolara uma briga feia com o Lobo Mau. Até então, ela não tinha conseguido um tempo a sós com Lowell para saber o estado de outrem, mas teve a sorte de encontrá-lo chegando à Torre dos Pesadelos ao mesmo tempo em que saía das aulas naquela tarde. "Então... Como está o seu pai?" Escorou as costas contra a parede, cruzando os braços na altura do peito. "Acho que Eric não se lembra muito bem do que aconteceu, mas ele não é de falar muito." Suspirou. "Na moral, nem eu lembro muito bem do que aconteceu. O que infernos aconteceu?!" Talvez Lowell tivesse uma ideia melhor que ela.
ʿ ִ ⨳ ⭑ embora para algumas pessoas parecesse estranho que gothel não poupasse o próprio filho de situações como aquela, para raven era bem claro que na verdade a mulher fazia questão de lhe perturbar. provavelmente ela ainda arranjaria um novo castigo para si amanhã. ❝ ── não ficaria tão surpresa se soubesse que essa já é a segunda detenção que ela me dá essa semana. ontem ela me deu a pulseira que tira os poderes. ❞ fez uma careta. precisava, afinal, parecer que não tinha adorado ficar sem os poderes, sabe-se lá quando a mãe está ou não assistindo. ao ouvir sobre o poder alheio, no entanto, a distração foi automática. foi meio que impossível não se deixar pensar que seria tão mais fácil ter isso no dia da busca de seu dragão ao invés daquele mapa. ❝ ── isso é mais legal do que os objetos falando, na verdade. você não teria paz! imagine o quanto de coisa teria que ouvir o tempo inteiro. ❞ voltou a colher algumas frutas agora ali perto da garota, não estava disfarçando tão bem quanto achava já que a pergunta de atlas foi bastante direta. uma risada lhe escapou e raven encolheu os ombros. ❝ ── não ia me importar se você me ajudasse a achar um dragão. é na floresta, realmente. tenho um mapa mas a quantidade de locais desatualizados? triste! nem sinal de um ninho sequer. ❞
As sobrancelhas de Atlas se ergueram e ela não pensou antes de falar: "Que vaca maluca." Então, arregalou os olhos e soltou um pigarro nervoso. "Quero dizer..." Coçou o couro cabeludo, procurando uma desculpa para ter acabado de chamar a mãe do outro de vaca. "Nope, é isso mesmo que eu quis dizer." Deu de ombros, oferecendo um sorrisinho para Raven. Considerando o contexto, ela não poderia ser julgada por querer xingar Gothel de todos os nomes existentes. Pelo menos estava controlada: ainda não tivera nenhum ataque de raiva resultado em um cuspe na cara da diretora. Soltou um risinho com a constatação do moreno, aproveitando a distração da conversa para apanhar uma tangerina que estava madura no pomar ao lado e descascá-la para comer. "Realmente. E eu aposto que eles teriam vozes irritantes." Franziu o nariz em uma careta divertida, tentando imaginar como objetos aleatórios soariam dentro da cabeça dela. Terminou de descascar e fruta e partiu-a, oferecendo uma metade para Raven enquanto ele se explicava. A Triton não precisava de muito para ser convencida a entrar em uma caçada, ainda mais uma de dragão. Os olhos dela brilharam, os lábios estenderam-se em um sorriso de orelha a orelha. "Tá me zoando? É claro que eu te ajudo! Caralho, era disso mesmo que eu precisava!" Deu um soquinho animado no ombro do garoto. "Nós vamos ser uma dupla e tanto. E mapas são inúteis mesmo, não confio neles." Riu baixo, levando um gomo da tangerina para a boca. "Mas me diz, que tipo de dragão vamos caçar? E pra quê?" A curiosidade se deixava falhar, um traço puxado da mãe.
As sobrancelhas de Atlas se ergueram e ela não pensou antes de falar: "Que vaca maluca." Então, arregalou os olhos e soltou um pigarro nervoso. "Quero dizer..." Coçou o couro cabeludo, procurando uma desculpa para ter acabado de chamar a mãe do outro de vaca. "Nope, é isso mesmo que eu quis dizer." Deu de ombros, oferecendo um sorrisinho para Raven. Considerando o contexto, ela não poderia ser julgada por querer xingar Gothel de todos os nomes existentes. Pelo menos estava controlada: ainda não tivera nenhum ataque de raiva resultado em um cuspe na cara da diretora. Soltou um risinho com a constatação do moreno, aproveitando a distração da conversa para apanhar uma tangerina que estava madura no pomar ao lado e descascá-la para comer. "Realmente. E eu aposto que eles teriam vozes irritantes." Franziu o nariz em uma careta divertida, tentando imaginar como objetos aleatórios soariam dentro da cabeça dela. Terminou de descascar e fruta e partiu-a, oferecendo uma metade para Raven enquanto ele se explicava. A Triton não precisava de muito para ser convencida a entrar em uma caçada, ainda mais uma de dragão. Os olhos dela brilharam, os lábios estenderam-se em um sorriso de orelha a orelha. "Tá me zoando? É claro que eu te ajudo! Caralho, era disso mesmo que eu precisava!" Deu um soquinho animado no ombro do garoto. "E mapas são inúteis mesmo, não confie neles." Levou um gomo da tangerina para a boca. "Mas me diz, que tipo de dragão vamos caçar? E pra quê?" A curiosidade se deixava falhar, um traço puxado da mãe.
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Depende. A Atlas só tem pose porque ela é a definição de desastre gay em termos de date, romances e etc. Ela flerta bastante com meninas de um jeito até natural pra ela, mas não costuma achar que vai ser correspondida... jura que vai ficar pra titia! Aí ela acaba sendo e fica "ok e agora?". Então tudo depende de como o date seria.
Uma olhada no diário de Atlas. Após o aniversário de Úrsula e os horrores decorridos naquela noite, ela encontra o pai na praia e reflete sobre a falta de sua mãe.
A areia estava fria sob os meus pés quando desenlacei o tênis surrado que usava, deixei-os perto de uma rocha e saí andando na direção do mar. Sabia que encontraria o meu pai por ali, ainda que há muito a praia não fosse a mesma de antes e eu me lembre tão pouco desse tal antes, que sempre remete à minha mãe e quando ela ainda estava com a gente.
Não me lembro da sensação de abraçá-la; não me lembro da sensação de ter os lábios dela na minha pele, mesmo que eu tenha certeza que ela sempre me beijava na parte alta da testa; e, sendo sincera, não fosse pela visão que tive dela no aquário — naquela prisão — durante a maldita festa da filha da puta da Úrsula, eu não me lembraria do rosto da minha mãe sem ser naquela única foto que eu guardo dela e do meu pai dentro do pingente em meu colar.
Só me lembro da areia quente em uma tarde de verão quando Ariel me levou à praia para conhecer o meu avô e o resto da família. Ela se sentou comigo e ficamos esperando que chegassem, brincando com conchas e nos molhando na água azul, quase cristalina, do oceano. O sol estava se pondo com todo o seu esplendor no horizonte e o mar refletia o laranja do céu que desbotava quando eles chegaram para me conhecerem. Eu fiquei tão feliz que quase chorei, só não o fiz porque... bem, eu não choro com muita frequência.
Parece tão dramático dizer tudo isso. Não levo jeito com palavras para transformar as minhas angústias em poesia, então me sinto, simplesmente, uma tola. Acontece que, de um jeito ou de outro, preciso falar sobre elas.
Avistei o meu pai de joelhos na areia, na parte mais rasa. As ondas raivosas e escuras do mar, diferente daquele da minha lembrança, molhavam as suas vestes toda vez que o alcançavam, perdendo a força depois de serem puxadas de volta naquele vai-e-vem habitual do oceano.
Não anunciei a minha chegada. Vi as garrafas de álcool vazias durante o meu trajeto até ali, então eu sabia que não adiantaria. Eric não desviaria os olhos do horizonte e nem falaria comigo.
Eu me odiava por não ser capaz de arrancar o meu pai de sua miséria. E me odiava ainda mais por, à essa altura, ter simplesmente desistido.
Haviam muitas coisas que eu queria falar para ele. Desde um simples "oi, pai, as aulas estão estressantes" que resultaria em uma conversa de pai e filha sobre o cotidiano; até algo mais sério, como, "você sabe que eu existo, não é? Que eu sou sua filha, que eu preciso de você."
Mas eu não tinha coragem de falar com ele sobre nada disso.
Então eu me ajoelhei ao lado dele, coloquei a mão sobre o seu ombro e esperei que ele me notasse. Quando finalmente o fez, o que deve ter demorado longos minutos, ele me abraçou e começou a chorar. E eu fiquei quieta assistindo ao movimento das ondas, desejando que elas pudessem trazer a minha mãe de volta não por mim e pela recordação daquela tarde na praia, mas por Eric.
" então não devia ter procurado a filha do outro pirata? " indagou com um leve arquear de sobrancelhas a encarando. " tudo bem, eu sei que barba negra não é tão capaz de treinar os filhos como o Hook fez, mas pelo menos não se sentiria tão tímida em minha presença. " provocou com um sorrisinho e então deu de ombros. " na verdade, não sei não, eu costumo manter distância dos dragões, mas se você diz que ela é tão vaidosa assim, eu acredito. " concluiu, lançando um olhar para o navio em questão. " um pouco exigente demais seu dragão, não? ela não aceita uma bijuteria? " o navio em questão não parecia difícil de invadir, apenas não parecia valer a pena para Riden se arriscar, especialmente sem sua tripulação para lhe ajudar a passar por todos os guardas. " bom, vamos lá. "
"Talvez, mas como eu disse, você é bom no que faz. O negócio das emboscadas e tal. Tenho contatos que me recomendaram." Deu de ombros, sem muitas cerimônias. "Ok, tímida na sua presença já é demais pra mim." As sobrancelhas se ergueram junto do indicador em repreensão amigável, mas a expressão divertida de Atlantia se transformou rapidamente em uma careta de curiosidade quando o rapaz mencionou o seu costume de manter distância dos dragões. "Sério isso? Mas por que? Se me permite perguntar, claro." Já tinha perguntado mesmo sem a permissão. "Ah, sim. Ela é extremamente dramática e jura que o mundo gira ao redor dela. E não, eu já tentei dar uma bijuteria pra ela antes. Sabe o que ela fez? Colocou na boca, mastigou, deixou beeeeem babada e cuspiu em mim." Revirou os olhos, embora o sorriso que tomou os lábios de maneira quase automática denotasse o carinho que a garota tinha pela sua daemon. Ela virou o corpo na direção de Riden com a nova assertiva, os olhos brilhando como os de uma criança na manhã do Natal. "Demorou! Então, qual é o nosso plano, ambush man?"
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A pouco Hazal havia saído do aquário e palavras eram incapazes de descrever como ela tinha se sentido ao ver Ariel e as outras sereias naquela situação. Ficara tão perturbada que precisou sair do ambiente correndo para não ser mais obrigada a assistir aquilo. Não conseguia entender como poderiam normalizar a situação? Se ela havia se sentido daquele forma, só podia imaginar o quanto doloroso seria para a prole da sereia e era por isso que se aproximava de Atlas naquele momento. Mesmo que ela não quisesse contato, alguém precisava lhe dar apoio. "Eu saquei, mas não posso te deixar assim." Encostou-se na pedra ao lado da morena, assistindo o mar a sua frente. Não sairia dali, enquanto não tivesse a certeza de que Atlas estava se sentindo melhor... Se é que aquilo fosse possível. "Eu sinto muito, Atlas. Really." Murmurou para a morena, desviando os olhos escuros para ela. "É uma situação horrível. Eu queria muito poder ajudar vocês."
Um suspiro exasperado escapou dos lábios da Triton. Ela inclinou a cabeça para trás, encostando-a na rocha, e passou a encarar o céu com algumas estrelas pipocadas. Sabia que não adiantaria tentar afastar Hazal, e mesmo que fingisse querer ficar sozinha, no fundo, precisava de companhia. "Tá tudo bem. Não é como se eu não tivesse esperando alguma brincadeirinha de mau gosto. Quero dizer, é aniversário dela." Frisou com desgosto, agarrando um punhado de areia apenas para deixar que escapasse por entre seus dedos enquanto falava. "Não acho que tenha como ajudar." Não falava aquilo como forma de menosprezar a tentativa de Hazal em fazê-la se sentir melhor e de oferecer ajuda; na perspectiva de Atlas, era apenas um fato. "Desculpa. É que, sei lá, eu já me acostumei com a falta da minha mãe. E eu cheguei a pensar que o meu pai podia estar melhorando... Ele 'tava conversando mais e bebendo menos... Mas aí ela nos obriga a vir nessa merda de festa só pra ver aquilo e... Você viu o estado dele? Eu não posso ser babá dele pra sempre, Haz." Virou o rosto para fitar a morena, engolindo o nó que se formava na garganta. "Teria sido melhor nunca ter visto a minha mãe de novo." Admitiu, sentindo-se mal não pelo que havia falado, mas por não ter remorso nenhum por pensar daquela maneira quanto a mãe. Atlas voltou o olhar para o mar diante delas. "Enfim. Não quero ficar desperdiçando o seu tempo com as minhas sob stories. Você provavelmente tem mais o que fazer. Seus pais vieram?"
🦁❤️🔥Se meter no meio daquela loucura toda, de fato, não havia sido uma boa ideia. Àquela altura do campeonato, sem obter sucesso em encontrar Lector por aí, Zuri acabou se enfiando em uma confusão que sequer percebeu muito bem de onde havia vindo. No final das contas, encontrava-se com os braços arranhados e o nariz sangrando um pouco por conta dos socos que havia recebido ao trocar agressões gratuitas com alguma outra alma igualmente perturbada pela ira, andando a esmo em alguma direção onde pudesse parar, refletir um pouco e dar um jeito naquela bagunça vermelha toda que estava começando a manchar a camisa branca que lhe fora emprestada, olhando para os lados, bem mais irritada devido a dor que sentia agora. Foi neste instante que sentiu alguma atenção sobre si, imediatamente levando seus olhos em direção aos que a espiavam, sentindo as bochechas esquentarem, bem como seu sangue, ao constatar que se tratava de Atlantia. — Perdeu alguma coisa na minha cara? — Zuri já não era muito simpática em geral, mas naquela condição, estava realmente mais agressiva do que nunca, a julgar pela forma como rosnou na direção da outra. Nem tanto por ser quem era, já que acabava por cursar os módulos vilanescos também, mas simplesmente por estar encarando uma Zuri completamente perturbada das ideias naquele instante, como seus olhos bem podiam atestar enquanto movia as mãos, quase em vão, para tentar apartar o filete de sangue. Ao que tudo indicava, seu piercing havia sido deslocado e por isso, além do soco recebido, a parte de dentro também doía. — Se nunca viu um pouco de sangue na sua vida, vai ver já já quando eu decidir socar você por estar me encarando desse jeito.
Fosse em outra conjuntura, Atlantia teria rebatido aos comentários de Zuri com a mesma impaciência — pior ainda: teria provocado à bel prazer a fim de retribuir a troca violenta. Àquela altura da noite, porém, com a loucura perpetuando, não tinha mais forças para lutar contra nada. Inferno, ela não queria mais lutar contra aquilo. Há quanto tempo não ficava com uma garota? Era um milagre que estivesse tão controlada se levasse em consideração o celibato induzido à contragosto. Os lábios se curvaram diante da imagem da garota limpando o sangue, a ameaça dela soando como música para os ouvidos da Triton. "Você ficou ainda mais gostosa agora." Constatou, ousando se aproximar da outra com os braços cruzados e uma estampa no rosto que combinava a provocação e a diversão. "Vai, soca." Ergueu as sobrancelhas, desafiando. Propositalmente brincava com o fogo e, enebriada, amava cada segundo daquilo. Talvez tivesse um fraco por mulheres violentas enquanto sóbria também, mas isso seria assunto para outra hora. "A não ser que tenha em mente outra ideia do que fazer comigo..." As irises escorregaram até os lábios cheios e bonitos de Zuri e Atlas umedeceu os próprios inconscientemente. "Eu tenho uma bem interessante, se quer saber."
a cabeça doía, incapaz de raciocinar direito mas seguia lutando contra seus instintos, contra a vontade de bater em alguém; tudo parecia queimar ao seu redor, as pessoas estavam loucas e runa via-se apertando as mãos com força, querendo as controlar; ao menos, até que observasse a movimentação em torno do aquário, ariel desesperada, atlas paralisada e eric jogando-se com o vidro. ele jamais conseguiria quebra-lo, não daquela maneira; acabaria se machucando e colocando mais pessoas em riscos. aproximou-se, lembrando-se do seu dever naquela noite, lembrando-se que estava trabalhando e precisava contornar o caos. por detrás do triton, o envolveu com os braços, força sendo aplicada enquanto mudava o corpo dele de direção, a deixando de costas para o aquário. ‘ pare, eric. disse na tentativa de controla-lo, mas a força que ele fazia era tanta, que runa pegou-se sendo jogada contra o vidro, as costas doendo com o impacto que seguia-se. ‘ pare ou vou ter que usar força, senhor! não solicitava, ordenava; aquele seria o momento perfeito para usar da raiva. contudo, não queria usar seus poderes, não sem autorização. ‘ atlas, preciso que me ajude.
Com os sentidos entorpecidos pelo feitiço — ou o que quer que fosse — que arrebatava todos os presentes na festa e a mente perturbada pela visão do pai naquele estado, Atlantia não conseguia raciocinar direito. As palmas suavam, o coração batia forte no peito, que subia e descia em ritmo acelerado e ela piscou algumas vezes para tentar sair do transe, sem muito efeito. Demorou para perceber que era Runa quem se aproximava dela e partia para o socorro de Eric, ouvindo as suas súplicas. Em outra ocasião, teria sentido aquele formigar no âmago por estar tão perto dela, a sensação de estranheza que não sabia rotular, agora, porém, estava simplesmente aliviada de tê-la ali. Não foi até que Runa fosse jogada contra a parede num movimento defensivo do pai que Atlas acordou, ainda embebida pelos efeitos do feitiço, mas mais alerta. Ela correu na direção dos dois, os olhos escorrendo pela figura da loira antes de voltar-se para Eric. "Você tá bem?" Checou. Não era hora para agradecimentos, então fez uma nota mental de falar com ela mais tarde... em um estado melhor. Então girou o corpo na direção de Eric, colocando-se entre ele e o aquário, segurando os braços dele com os seus e o forçando a olhá-la no rosto. "Ei, pai! Pai, para. Sou eu. Atlas." Tinha visto o progenitor carregar aquela mistura de vazio e tristeza no olhar por anos, mas nunca assim; com o ódio escorrendo junto das lágrimas que escapavam os olhos. Era assustador. Ele a encarava, como se tentasse assimilar o rosto dela, mas não reagia. Demorou um pouco, mas logo Atlas tinha o próprio corpo esmagado contra o vidro. Ela grunhiu pelo impacto da batida, soltando os braços de Eric e caindo sentada no chão. "Você tá tornando o trabalho bastante difícil pra gente, pai." Resmungou, erguendo a mão para que Runa a ajudasse a se levantar. "Não que eu não goste de resolver as coisas com violência, mas é o meu pai, então vamos pegar leve." Suspirou, prendendo o olhar dela. "E caso não tenha ficado claro, isso foi um passe pra você socar a cara dele. Talvez assim ele caia na real."
ʿ ִ ⨳ ⭑ embora não fosse uma pessoa oportunista, tinha que admitir que aquela situação de ficar em um ambiente sozinho com atlas tinha vindo muito a calhar. estava há alguns dias com essa ideia na cabeça mas não sabia se a garota iria aceitar lhe ajudar; podiam ter se unido para lamentar e reclamar de gothel, da forma como sua mãe parecia ter colocado um alvo na testa dela, mas não sabia se tinha liberdade para pedir coisas. ainda mais sendo algo envolvendo seu poder. enquanto fingia recolher as pêras, raven olhou por cima do ombro para procurá-la com o olhar. ❝ ── ei, então… você nunca me disse como que funciona seu poder aí de busca. é tipo, as coisas falam contigo? ou você as vê na mente? ❞
Atlantia tinha a maior cara amarrada do universo enquanto separava as pêras maduras para colocar na cesta, revezando entre descartar as apodrecidas no chão e atirá-las nos insetos que tentavam se aproximar. Percebeu com o canto do olho a aproximação de Raven, abrindo um sorriso discreto para ele. "Não acredito que ela te colocou nessa também." Comentou, um suspiro escapando dos lábios cheios. A pergunta sobre o seu poder lhe pegou desprevenida, mas não de maneira indesejada. Atlantia nunca tinha tido alguém realmente interessado em saber como a mecânica da bússola (apelido carinhoso) realmente funcionava. "Na verdade, eu vejo o caminho, sabe? Às vezes bem claro, às vezes só uns flashes assim. Tipo, se você precisar que eu procure algo pra você agora e essa coisa esteja numa floresta, vou enxergar o caminho daqui até a floresta e da floresta até o ítem... Se der certo, claro." Ergueu os ombros um tantinho. "Mas seria legal se as coisas falassem comigo. Aposto que os colares que a Scylla pede que eu roube pra ela iam ficar 'ah nãoooo, não nos leve, não queremos ser reféns!'" Forçou a voz para parecer-se mais fina e zombeteira, rindo baixinho no fim. "Mas diz aí, você precisa que eu busque algo pra você ou é só curiosidade? Porque você sabe que não me importo se tiver um desafio pra mim."
Não sabia como foi parar naquele lugar, talvez fugindo do caos que estava se tornando tudo, inclusive ele mesmo. Ficou surpreso em ver seu pequeno Imoogi se roçando todinho na dragoa um pouco maior que ele, era uma cena esquisita e até mesmo adorável, porque os dois estavam cheios de vontade tal qual Stefan ainda parecia sentir naquele momento, mesmo que fosse um pouco menos do que no começo. Stefan estava usando apenas a jaqueta e uma calça que nem sabia de quem era, por sorte alguém da mesma altura que ele e com um pouco mais de músculos, porque ficou um pouco mais larga em suas pernas, havia também marcas evidentes demais em seu corpo, claramente denunciando as coisas feitas mais cedo. “Eu acabei de...” Mostrou a própria roupa, deixando claro que ele também não estava no seu melhor estado psicológico para evitar de fazer o seu dragão de água se envolver com aquela dragoa fogosa, a fumaça saia levemente úmida e fresca porque o Imoogi derretia, fazendo gotas de água saírem através de suas escamas, evaporando ao entrar em contato com o corpo quente do outro animal, ele também fazia sons esquisitos, quase como se estivesse ronronando como um gato. “Eu não sei se consigo parar ele, ele parece que tá gostando...” Mordeu o lábio inferior porque se lembrou de cenas mais cedo, ainda mais vendo a água. “Pelos deuses, eu não quero pensar nisso agora... agora que tô voltando a ter controle do meu corpo”
"Eu não precisava saber." Resmungou, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos, forçando a mente a ficar tão vazia quanto conseguia naquele inebriar. Era um milagre que estivesse até que controlada em comparação aos outros presentes na festa e desconfiava que deveria ser alguma pegadinha do destino com ela. Veja bem, Atlantia não se lembrava a última vez que se deitara com outra mulher. Aos vinte e cindo anos, já considerava que havia ficado para a titia. E, talvez por isso, fosse extremamente conveniente se aproximar daquela garota agora e... Não! Pense no mar, Atlas. O movimento das ondas. A sensação da areia sob os pés. "Isso é tão esquisito. Ughhhh." Outro resmungo, dessa vez mais parecido com um choramingo. Estava acostumada a ouvir o ronronar de Scylla quando era acariciada, mas não tão alto e não... daquele jeito... "É isso, eu vou me matar." Ela fez uma pausa teatral, tateando o cinto onde costumava guardar a adaga antes de se lembrar que deixara a arma no dormitório mais cedo. Ótimo. Não podia nem ser dramática e ameaçar tirar a própria vida na frente de Scylla para que parasse com a cena. "Escuta, se a minha dragoa aparecer grávida, a culpa vai ser sua. Eu vou te fazer de babá. Sozinho." Ela não fazia ideia se daemons podiam engravidar, mas realmente não queria correr o risco de descobrir. "Ok, eu tenho um plano. Vamos listar coisas que são, assim, nada atraentes. Totalmente abomináveis. Quanto mais a gente pensar nelas, acho que menos..." Ergueu as sobrancelhas e fez gestos com as mãos. "...a gente fica e aí eles também. Eu começo: a Gothel de lingerie." Fez uma careta que não durou mais do que alguns segundos. Logo, Atlas suspirava para tentar conter os batimentos acelerados e Scylla soltava ainda mais fumaça pelas narinas. "Merda. Acabei de descobrir que talvez eu precise de terapia... Mais do que eu imaginava."
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Scylla estava sendo inútil. Atlas fazia questão de transmitir a mensagem para a daemon, mas ela não se importava. Ela estava por perto, é claro, porque não podia se distanciar tanto assim por mais que quisesse... Mas estava sendo inútil. Completamente inútil. Enquanto a Triton dava tudo de si para se refrear, antes que acabasse numa situação pior que a de Hans e Charming com uma garota aleatória, Scylla estava... "Você só pode estar brincando comigo." Atlas grunhiu ao direcionar o olhar para a dragoa e encontrá-la enroscando o pescoço no de outro daemon, refletindo o que a dona sentia enquanto literalmente pegava fogo de desejo (ela soltava fumaça!). "Qual é, Scylla!" Atlas procurou pelo responsável do novo amante de Scylla, dando graças aos deuses por encontrar Stefan presenciando a mesma cena. "Eu vou matar essa dragoa." Jogou a cabeça para trás em um resmungo. "Faz alguma coisa! Eu não consigo. Tem uma garota bonita logo ali atrás e eu tô pensando nela."