[Flashback] Little talks | Benjy & Bram
Depois de tantos dias apenas trocando breve palavras com Poppy Pomfrey ou algum de seus professores que o visitavam para deixar seus deveres de casa, Benjy se sentia grato por possuir uma companhia, mesmo que em circunstâncias infelizes. Abraham parecia ser um menino simpático e agradável, e poder passar o tempo conversando com ele na situação em que ambos se encontravam era um alento.
Benjy fez uma leve careta ao ouvir seu colega resmungar sobre a sua dor no nariz.  – Eu posso imaginar. Já quebrei um dos meus braços e não foi nada bom também. Demorou um bocado para passar. – disse com um suspiro, recordando o episódio de alguns anos atrás, em um tempo em que sequer imaginava ser bruxo. Dando-se conta de que o comentário poderia soar desencorajador, apressou-se em acrescentar: – Tenho certeza que o seu caso não será esse. Eu, hm, vivia como trouxa na época. Nós… eles não têm poções para curar essas coisas rapidamente, então precisam esperar os ossos colarem sozinhos. – O jovem gryffindor não fazia ideia sobre o quanto Bram entendia sobre a vida trouxa ou sequer como se sentia sobre sobre nascidos-trouxas como ele, e a explicação certamente era uma simplificação extrema da medicina trouxa, mas quando se deu conta, já havia compartilhado demais e era tarde para voltar atrás. Não pode deixar de se sentir um pouco ansioso em relação a qual poderia ser a reação do outro garoto, no entanto.
Riu com o jovem sonserino ao ouvir sua piada sobre o nome peculiar de sua condição. – Mumblemumps basicamente faz com que o seu pescoço e rosto inchem, e vocĂŞ sĂł consiga resmungar. É mais desconfortável do que doloroso. – disse em um tom quase professoral, ecoando as palavras que Madame Pomfrey havia lhe dito há quase duas semanas. Deu de ombros. – Infelizmente nĂŁo temos muito passatempos por aqui. Creio que uma partida de snap explosivo está completamente fora de questĂŁo em nossas condições. – brincou em tom espirituoso, embora houvesse uma nota levemente melancĂłlica em sua voz. Benjy e Bram nĂŁo possuĂam muito mais do que a companhia um do outro naquele momento, no fim das contas. – Eu nĂŁo ligo tanto para quadribol, falando a verdade. Mas logo alguĂ©m deve vir te visitar e quem sabe descubramos o desfecho disso tudo, nĂŁo Ă©?
Bram nĂŁo conseguiu evitar a careta em seu rosto ao ouvir como as coisas funcionavam no mundo trouxa. Se estava sentindo dor ali, mesmo depois de todas as poções que provavelmente havia tomado e de todos os feitiços que Madame Pomfrey provavelmente realizou, como deveria ser entĂŁo ter que simplesmente esperar tudo se resolver sozinho como na medicina trouxa? A imagem de seus ossos se colando sozinhos fez com que um arrepio subisse pela nunca do menino. Ele ficava no mĂnimo admirado sobre como os trouxas levavam sua vida sem o menor resquĂcio de mágico, era fascinante imaginar como eles precisavam se virar sem ter uma varinha o tempo todo. De certa forma, Bram ficava pensando que talvez os bruxos fossem bem mais acomodados do que os trouxas, mas nunca tinha dito isso para seus pais, Ă© claro. - Isso deve doer bastante. Como vocĂŞ conseguiu sobreviver a isso? Meu nariz está doendo horrores, imagina sĂł se nĂŁo tivesse nenhuma poção para ajeitá-lo ou sei lá, eu provavelmente ainda estaria desmaiado de dor, certo? Nossa, vocĂŞ deve ser muito corajoso mesmo, quebrar o braço deve ser mil vezes pior. - Falou com toda sua sinceridade jovial, realmente admirado do feito de seu colega de conseguir sobreviver a um braço quebrado sem mágica.
- Eu nem sou muito bom em snap explosivo, e nem em xadrez bruxo. Na verdade, acho que só sei mesmo jogar quadribol e talvez nem isso, certo? Se eu vim parar aqui... - Resmungou um pouco, ainda contrariado com sua sorte de ter ido parar na ala hospitalar justo na primeira oportunidade que havia tido no time titular de sua casa. - Visitas? Ah não, não... duvido que alguém se dê ao trabalho de vir aqui me visitar. Meu time inteiro não gosta muito de mim e não lembro de ter tantos amigos assim. Acho que somos só você e eu mesmo. - Duvidava muito que seus colegas de casa fossem passar ali para lhe prestar qualquer solidariedade, no máximo o fariam somente para brigar com ele ou coisa assim e isso ele dispensava, muito obrigado. Mas de todo, não era ruim ter a companhia de Benjy, que na verdade era bem simpático. - Mas ainda sobre sua doença de nome engraçado, como você ficou doente? Faz muito tempo que está aqui, né? Deve ser um saco... alguém veio te visitar?