‘— Ah, mas isso levou um tempão, sabe? Ainda me considero em construção. — Assentiu, convicta. Quinn jamais imaginou ser professora de teatro ou de qualquer outra coisa. Quando pensou em sua imagem a longo prazo, jamais pôde visualizar estar em um lugar como o Armstrong Institute. Ela sabia que aquilo era só mais um capítulo de sua história. Um particularmente desafiador e interessante. Embora, a princípio, não tivesse realmente tido escolha senão encontrar um emprego que pagasse pelo tratamento do irmão, agora ela enxergava essa passagem como uma oportunidade. — Tenho certeza que você já é. Todos somos, só basta procurar no lugar certo. — Sorriu para a mais nova, antes de responder. — Não, não mais. Pelo menos por enquanto. Estar num grupo de teatro exige uma certa flexibilidade e disponibilidade que não tenho mais sendo professora. Mas continuo recebendo convites individuais para atuar em peças de diretores com quem já trabalhei ou que receberam indicação. Ultimamente estou bem focada nas aulas, mas ainda me divido entre o Armstrong e os palcos. Não consigo imaginar minha vida sem atuar! — Balançou a cabeça negativamente, e suspirando mais uma vez ao admirar o teatro da UCLA. Uma vez no centro do palco, sorriu de canto ao ver Zoe se aproximar receosa de onde estava. Quando a mais nova estava finalmente ao seu lado, riu da conclusão tirada por ela. — It’s scary as hell! — Exclamou, fazendo uma careta teatral. — Eu tinha um amigo, no grupo de teatro, que tinha pavor do palco quando começou a atuar. Nossa diretora não ajudava em nada, botando a maior pressão toda vez que a gente subia em um desses. Era péssimo. Ela costumava dizer que ele nunca chegaria longe. Hoje ele tem um Tony na estante da sala. — Riu brevemente, movimentando-se pelo palco. — A primeira vez que eu me apresentei troquei todas as falas. Foi um fiasco. Minha sorte é que sempre fui boa em improvisar, então dei um truque. Mas fiquei semanas questionando minha carreira como atriz. Depois de um bom tempo, percebi que a arte tem que ser libertadora, assim como a educação. — Sorriu para Zoe, de quem havia se afastado para. — E então, como é que você se sente aí no meio?
— Faz sentido... — Concordou lentamente, pensando nas palavras dela. Era estranha a sensação de estar conversando com uma mulher que dava aulas de teatro, mas parecia também entregar toda uma filosofia para si. Kyle colocou os olhos na mais velha, abrindo um sorriso curto antes de dar de ombros, não sabendo como lidar com o elogio (ou o que parecia ser um). Discordo, mas respeito sua liberdade de expressar o que quiser. Sentiu vontade de dizer que sentia muito por ela não ter mais um horário flexível para fazer o que realmente se interessava, assemelhando aos seus treinos com a bateria. Se não os tivesse, provavelmente ficaria mais infeliz, mesmo que não sejam bem o foco do seu futuro. — Deve ser legal... Não estar fora do que você gostaria de fazer, mas... Saber o que você quer fazer. O que quer ser. — Desviou seu olhar novamente para o teatro, retomando seu olhar até a mais velha com a conclusão dela (nem um pouco animadora), mas que a fez sorrir mais. Sinceridade era sempre algo bom e algo no jeito que ela falava parecia que as coisas eram mais leves. — Caramba. — Ergueu as sobrancelhas com a história. — Quem diria que vencedores também já foram meros mortais? — Brincou, com um sorriso no rosto. Este mesmo sorriso foi morrendo com a pergunta seguinte, fazendo com que focasse na sensação de estar ali, no meio, com tudo vazio. — Hum... Acho que é legal. Solitário... Mas... Eu prefiro vazio do que cheio de gente me encarando e me julgando, sabe? It’s also pretty around here... — Deu alguns passos tímidos para frente, notando que dependendo como a luz caísse sobre si, não conseguia ver muito bem as cadeiras, nem se tinha alguém. Voltou-se para a loira. — Hum, eu acho que precisamos ir... Estão esperando por você. But this was nice.