FEZ AND LEXI EUPHORIA | 2.01, Trying To Get To Heaven Before They Close The Door
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FEZ AND LEXI EUPHORIA | 2.01, Trying To Get To Heaven Before They Close The Door

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Vento forte bagunçava os cabelos negros de Zarko, ainda que parcela do ar estivesse sendo bloqueada pelo corpo de Aster --- o aluno de Durmstrang jamais teria tanta perícia para domar um cavalo alado quanto a experiente bruxa de Beauxbatons. Braços ao redor da cintura dela eram a única coisa que o impediam de cair e, portanto, ele os mantinha firmes como rocha enquanto se atrevia a olhar para baixo. Observava a construção luminosa de cristal diminuir mais e mais a cada segundo, até desaparecer por completo sob a colcha escura de nuvens. Com sorte, elas tratariam de escondê-los.
Zora também estava ali, seguro dentro da mochila lateral. Embora Dragovic não pudesse comprovar com os olhos, imaginou que seu amigo estaria encolhido ao ponto de mais parecer um grosso e escamoso novelo em meio às poucas mudas de roupa que trazia consigo. “Se eu tivesse sido feito para voar teria nascido dragão, não serpente!” Havia dito-lhe o animal muitos anos antes, expressando o quanto se sentia apreensivo com altura. Zarko quase invejou a incapacidade de Aster em Ofidioglossia; Quando enfim pousassem, ela não escutaria nem metade das reclamações que Zora faria.
Acima das nuvens, o brilho da lua era intenso e o horizonte era vasto, mas indecifrável. A informação sobre o caminho a se seguir a teria de vir, pois, através dos nós e conexões das estrelas, algo que, felizmente, o bruxo conhecia bem o suficiente para usar como guia. Embora o céu de Durmstrang estivesse sempre oculto por neve, o de sua terra natal era límpido como bolas de cristal, e era nas férias que costumava praticar o hobby em astronomia. “Aquela é a constelação de Virgem.” Disse ao ouvido de Aster, elevando o braço esquerdo e indicando a ela a direção. “Li antes de vir pra cá que a catedral de Notre Dame de Paris foi feita em homenagem a ela, acho que devemos segui-la.” Confessou. De fato, havia estado tão empolgado para sua estadia na escola francesa que se dispusera a aprender fatos pontuais sobre a cultura, tudo em nome de uma melhor adaptação e, quem sabe, de uma boa lista de contatos. Sentiu o pesar de deixar todo o progresso para trás naquele segundo; a linha de roupas, os amigos que agora abandonava sem aviso... E um suspiro forte escapou sem que se desse conta. Niklaus estava certo. Zarko era mesmo um babaca.
[...]
Os pés tocaram o chão com um formigar ligeiro. Dragovic estralou a coluna e alongou o pescoço, contente por estar de volta em terra firme. Os dedos passearam através do pelo macio do cavalo alado num silencioso agradecimento. “Precisamos encontrar um jeito de escondê-lo.” constatou o óbvio, desviando a atenção para Aster.
Estava fazendo aquilo de novo. Merde! Sempre que passava as férias longe demais da magia simplesmente acabava esquecendo que podia usá-la. Mesmo depois 6 longos anos em Beauxbatons, ainda tinha dificuldades para se acostumar, e o impulso involuntário de agir como trouxa se sobrepunha novamente. As sobrancelhas ergueram-se à menção daquele breve… flerte? e Aster segurou um riso divertido com um franzir de lábios. Embora a audição apurada pudesse constatar o sotaque que lhe era desconhecido, ao virar a cabeça para fitá-lo, seus olhos capturaram os traços que confirmavam seu palpite. Não podia ser ninguém além de um estudante de Durmstrang, e não eram exatamente esses que estava procurando?! A sorte pareceu virar. Antes de erguer a mão para o cumprimento, sua visão logo notou a movimentação da modelo no croqui, e não conseguiu evitar o impulso de pegar o caderno. “Parece que temos um artista aqui.” Os olhos verdes vagaram pelo desenho do vestido estrelado e, naquele momento mais do que nunca, ela teve certeza que Dior perderia completamente o brilho diante de uma obra como aquela. Ergueu o olhar para Zarko e abriu um largo sorriso, estendendo a mão para cumprimentá-lo. “Desculpa de novo, eu me distraio fácil. Sou Aster, daqui mesmo, e você…? Posso arriscar que, com esse sotaque do norte só pode ser de Durmstrang.” Esticou o caderno para devolvê-lo. “É realmente muito lindo, sério, Dior perderia fácil!” Os olhos curiosos da morena não demoraram muito para perceber a cobra que agora enroscava-se pelo braço do rapaz. Com a mão livre apontou para a serpente, os olhos semicerrados tentando identificar a espécie “É uma… hum, chicote do cáspio?”
Sentiu o rosto esquentar à menção de seus talentos. Dentre todas as belezas e novidades encontradas em Beauxbatons, a que mais lhe encheu os olhos foi a atenção sincera que pareciam dar as artes no estilo de vida. Por ser escola de cunho militar, Durmstrang até possuía um clube de artes -- embora esse não passasse de meia dúzia de desajustados enfurnados numa saleta, contentes pelo espaço isolado e livre de bullying --. Ali, entretanto, no amplo salão que se encontrava a poucos passos de distância, todas as formas artísticas palpitavam com uma vividez de tirar o fôlego. Musica, dança, pintura, moda... individualidades unidas por um propósito; exploradas ao máximo e com graciosidade. Estar num ambiente como aquele era experiência tão rara para o Dragovic que, independente das cordas atadas em seu pescoço, não aproveitá-la enquanto ainda possuía oportunidade parecia crime bem maior. Se sua vida estava mesmo em risco, não passaria os dias restantes enfurnado no quarto de Icarus ou sentindo o gosto nocivo da polissuco borbulhar suas entranhas. Não, ele passaria sendo um artista! A adrenalina do perigo de certo era um estimulante para a criatividade. No pior dos cenários, daria um fantasma cheio de obras interessantes.
Segurou a mão dela com suavidade, mas não a balançou em cumprimento. Em vez disso, olhos trancados nas íris verdes que lhe pareceram curiosamente familiares, inclinou o tronco e depositou nas costas da mão um beijo delicado. “É um prazer, Aster.” Ele respondeu. O sorriso ainda não tinha deixado seus lábios quando voltou a endireitar a postura, recebendo o caderno e o questionamento. “Está tudo bem, de verdade. Quero dizer, como não se distrair? Beauxbatons é estonteante.” Deu uma olhadinha ao redor. “E você acertou. Venho diretamente dos mares do norte, e devo dizer que o clima daqui é muito mais agradável que o de lá nessa época do ano. Me lembra de casa.” Divagou por um breve instante, pensando no céu limpo de Zagreb, na Croácia, e de como o sol da cidade natal fazia falta nos invernos de Durmstrang. Havia diversão curiosa quando voltou a falar. “Meu sotaque é assim tão forte?”
“Dior...” Ele buscou significado na palavra, mas acabou com nada além de uma expressão confusa. Podia citar alfaiates e marcas famosas de moda bruxa do mundo inteiro, mas quando se tratava do mundo trouxa... ah, como era leigo! “Vai haver alguma competição? Eu adoraria conhecer os trabalhos dele, é do clube de artes também?” Quis saber. Estava ali por networking, afinal de contas. “Agradeço o elogio, Aster, significa muito. Mesmo.” Foi a última pergunta dela que fez suas sobrancelhas se erguerem. Normalmente a serpente em seu pescoço executava um papel excelente em afastar as pessoas, conceder ao Dragovic certa aura de imponência. Mas aquela menina parecia qualquer coisa, menos assustada. Em fato, a expertise por ela demonstrada foi uma surpresa e tanto. “Gosssstei dela.” Zora decretou. “Eu também.” Respondeu Zarko em língua de serpente, sem tirar os olhos da bruxa enquanto fazia que sim com a cabeça na intenção de responder a sua pergunta. Foi tomado então por uma ideia. “Gostaria de modelar pra esse vestido? Se não tiver nada pra fazer agora, é claro. Faz um tempo que eu estou querendo tirar ele do papel e, bom, ou eu estou tendo aulas demais de adivinhação...” uma risadinha cheia de piada interna escapou. Há algumas semanas, desde a premonição engatilhada por coquetel de dragão na festa de chegada, Zarko tinha se fissurado na possibilidade de tentar expandir seu terceiro olho. Matriculou-se então na eletiva, de ultima hora. Não que estivesse tendo resultados realistas sem a ajuda da droga, mas divertia-se com o teor excessivamente supersticioso das aulas. “ou você ter esbarrado em mim está começando a me parecer um sinal.”

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If you wanna run away with me, I know a galaxy And I can take you for a ride
If you're feeling like you need a little bit of company You met me at the perfect time
We can go wherever, so let's do it now or never Baby, nothing's ever, ever too far
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Decididamente não estava em seu melhor humor hoje. Havia combinado de treinar novas coreografias para a próxima apresentação de Nouble e seus parceiros a deixaram na mão. Além disso, tinha a nota péssima que tinha recebido em feitiços. Apesar de ser o seu sétimo ano na escola de magia francesa, Aster não podia negar que aquele mundo ainda lhe era completamente desconhecido. Saía apressada da sala de Artes, o cabelo emaranhado e o suor pingando nas têmporas, e estava tão perdida em pensamentos que não viu a figura com quem acabara de esbarrar, o barulho que veio em seguida indicando que tinha derrubado todos os pertences do desconhecido. “Oh merde! Vê se olha por onde anda…” Abaixou-se para ajudá-lo e logo pressionou os cílios em uma careta, balançando a cabeça levemente. Não podia descontar nos outros suas próprias frustrações. “Pardon… fui eu que esbarrei em você”. Ergueu o olhar, agora curioso, em sua direção. Aquele rapaz, definitivamente, não era francês.
“Você essstá com aquela cara.” A serpente sibilou ao seu ouvido. “Que cara?” Indagou o bruxo, tomado por curiosidade. “A decidida. Fazia tempo que não via essssa.” Zora constatou, pausando alguns segundos antes de completar em tom suave. “É bom.”
Poucas coisas pareciam capazes de melhorar o humor de Zarko nas ultimas semanas, tirar a expressão perdida e assustada de seu semblante. Havia parado até de frequentar o clube de artes, local para onde marchava naquele instante. Suas mãos seguravam um caixote com alfinetes, linhas, agulhas e um rolo largo de tecido. Esse que, de um bege sem graça, continha num só os mais variados tipos e estampas, a mercê do girar de sua varinha. O sketchbook recheado de croquis também se encontrava na pilha, e foi o primeiro a voar para fora junto ao esbarrão, caindo com as páginas abertas num desenho de vestido estrelado como a mais brilhante das noites. A modelo, assustada pelo solavanco repentino, arrumou os cabelos e a barra amassada do vestido antes de voltar à pose original a qual havia sido desenhada. Já Zarko, piscava algumas vezes enquanto observa a garota de francês perfeito esbravejar e, logo em seguida, agachar-se para ajudá-lo. “Estou olhando agora.” O sorriso escorregou pelo canto dos lábios, sutil e, ao mesmo tempo, travesso. Zora, que também tinha seus olhos de fenda fixos o tempo todo nela, pareceu relaxar junto ao pedido de desculpas alheio, decidindo enfim que a moça não configurava ameaça. “Accio.” Murmurou Dragovic. Os materiais de costura foram voltando para a caixa um a um, como se presos no campo de atração de um forte imã. Enquanto isso, voltou a se dirigir a ela. “Não precisa se desculpar, eu também estava distraído. Sou Zarko." estendeu a mão livre para um cumprimento. Pela visão periférica, percebeu o caderno a poucos centímetros dela. “Como se chama?”