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( ☆ ) perdida entre as duas maiores escolhas da semana, hutao tentava se decidir entre chá earl grey e oolong no corredor de matinais. quase distraída demais que por pouco não ouviu a voz feminina ao seu lado e por um fração de segundos não olhou para a outra, presa no rótulo do oolong. “ desculpa, eu não trabalho aqui. mas se precisar de um caixão aí pode falar comi… ” e a encarou, estrangulando a própria voz. ainda se sentia estranha em olhar para madoka, presa entre o desconforto por ter dito o que não deveria e a sensação de que havia feito a escolha certa; considerando seu estado mental. “ hey… claro, eu acho. o que? ” o olhar recaiu sobre o cesto de compras da outra, parecendo fazer uma análise profunda — quando na verdade só queria uma desculpa para não precisar olhar no rosto feminino novamente. era menos desconcertante olhar para os mortos. ainda assim mantinha uma expressão mais suave e gentil. talvez fosse mais fácil se o término fosse por algum erro grotesco por uma das partes. não uma paranoia própria. " o outro cereal é mais gostoso. tem menos açúcar., se é essa ajuda que precisa "
Madoka só conhecia uma pessoa capaz de mencionar um caixão de forma tão simplória numa conversa de corredor. Não tinha calculado direito quando enunciou o pedido de ajuda, mas se tivesse pensado por alguns segundos, saberia que deveria reconhecer a dona daqueles longos cabelos negros. "Oh!" Exclamou em surpresa, quase derrubando o cesto de compras. Ela havia sido a escolhida para comprar os petiscos e os ingredientes necessários para um brunch entre amigos da família, em Eastline. O único problema é que o responsável por escrever a lista tinha uma letra garranchuda, e para piorar, Madoka tinha derrubado o papel numa poça d'água na frente do mercado. E agora, se adicionava ao caos, o embaraço de rever "Cereal? Ah, claro. Você sabe como o Tatsuya é, uma formiga por açúcar." O comentário que deveria funcionar como um quebra-gelo, pareceu resfriar ainda mais o ar entre elas, o irmão mais novo de Madoka era praticamente um fã de Hutao. "É que, essa lista tá meio—bom, quase toda borrada, pedi ajuda de uma senhorinha para tentar decifrar, mas ela era cega..Posso tentar outra pessoa, não quero atrapalhar sua rotina com os chás."
ㅤ⠀ isabelle continuava concordando com a cabeça, os lábios apertados em um beicinho extremamente presunçoso, certa de que ela estava ganhando terreno agora que tinha alguém do lado dela. ㅤ⠀ ❛ é isso ai, meu amigo. é melhor você liberar ou vamos incentivar um motim aqui. todo mundo quer entrar, não é pessoal? ❜ a última parte ela disse em um tom alto, se virando para a fila, recebendo diversas concordâncias não só dos que esperavam na fila, mas dos que também já estavam no brinquedo. a loira estava mais do que crente que agora, além de um advogado, tinha o voto popular à seu favor, era quase como se ela pudesse virar o prefeito lewis de uma hora para a outra. isabelle e seus pensamentos altos. - alguma coisa tinha que ser alta, né? -. ela se virou um pouco em direção ao homem de terno, concordando com a cabeça. ㅤ⠀ ❛ é, mexer com carro é meio que resumir meu trabalho à cinzas, né? mas sim, eu mexo com carros. ❜ respondeu com um encolher de ombros, só então avaliando melhor o advogado. ㅤ⠀ ❛ por quê? vai me dizer agora que você queria que eu olhasse seu carro? se você for querer trocar um processo nesse cara maluco ai por uma olhadinha no seu carro, ai estou disponivel pra isso, queridinho. ❜
O que deveria ser um simples gesto de ajuda a uma criança — revelada depois como uma adulta muito baixinha — acabou virando um protesto eufórico. Ele podia jurar que alguém da fila havia jogado alguns grãos de pipoca. A situação era cômica, menos para o instrutor, que bufava enquanto liberava a passagem. "Sabia! Acho que já esbarrei com você por lá!" Respondeu, estalando os dedos. Inclinou a cabeça com a menção das cinzas, concordando, pois talvez não tivesse escolhido as melhores palavras. "Ah, essa parte de processo já não é comigo, mas posso recomendar um amigo advogado." Ergueu as sobrancelhas, era comum confundirem-no com advogados, juízes ou figuras importantes. Na cabeça de Pyo, era devido à postura imponente e não ao seu terno, que faltava pouco para sair andando sozinho. "Caso queira divulgar seus serviços ou fazer uma campanha publicitária de sucesso. Aí sim, pode contar comigo. Pyo Kiwoo, CEO e copywriter-chefe da Wood Media." Puxou um cartão em papel brilhante do bolso e estendeu-o para a jovem. O instrutor coçou a garganta, soltando numa voz anasalada: Vai entrar ou não, hein? "Bom, a sua vaga que lutamos para conquistar já está disponível, deixamos essa olhada no carro para a próxima. Minha esposa e os meninos estão me esperando. Você não teria um cartão também?" Ainda era crente do formato tradicional de divulgação, um bom panfleto já ajudava.
Ao assistir a performance, não esperava se tornar parte dela. Quando o foco de luz esquentou seu rosto e o do rapaz ao lado, Amy arregalou os olhos e congelou por alguns instantes. O restante da plateia batia palmas, chamando por eles em um coro que a deixava nervosa. Ao ver a distração do outro, a situação pareceu piorar. "Você é a próxima piada, na verdade, e eu também." Sussurrou com a voz mais aguda que o normal, respirando fundo uma vez e ficando de pé, o chamando com um aceno desesperado com a cabeça. "Ele quer atirar facas em nós. Bom, ao redor, e as pesoas que recusam participar dos números são consideradas as piores da cidade!" Tinha bem a noção de como ficavam mal vistos pelos artistas e pelos outros, que os consideravam estraga-prazeres. "Vamos!" Não sabia se era um convite ou uma súplica. Talvez os dois.
Pyo se levantou, guardando o celular à medida em que compreendia a situação. "Atirar facas? Eu não posso, sou míope." Ele pensou em retrucar, arranjar alguma mentira desculpa criativa para não se submeter aquilo. Não que fosse um covarde, mas só estava ali por uma possível negociação comercial; o circo era mais legal quando tinha a companhia da família ou de amigos próximos. Além do mais, não queria ficar conhecido como um estraga-prazeres, isso atrapalhava o networking. "Espera..." Seus neurônios raciocinaram rapidamente, aquela situação o permitiria segurar o microfone por alguns segundos — imaginava que os participantes precisariam se apresentar — e assim poderia divulgar a empresa. Era perfeito!
"Vamos agora mesmo, senhor palhaço, nós vamos!" A declaração enfática arrancou ainda mais aplausos da plateia e um sorriso convencido no rosto do homem. "Você tem seguro de vida? Ou um bom advogado?" Perguntou à outra escolhida, enquanto se encaminhava ao centro.
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evelynn não tinha sequer uma caneta consigo. na verdade, nem havia escrito desejo algum. observava os outros preenchendo lanternas e papéis enquanto permanecia ali, intacta. e quando pyo falou, deveria ter percebido de imediato a armadilha em que caíra. se tivesse permanecido em silêncio, talvez saísse ileso. os olhos dela abandonaram por completo o movimento ao redor para repousarem nele, atentos. o sorriso, as mãos escondidas atrás do corpo. “seria um prazer, kiwoo.” delicadeza tão impecável e profundamente falsa em sua voz que mascarava por completo o fato de que não havia nada em suas mãos. “mas... eu acho que é um pouco tarde. me senti extremamente atrapalhada. removida sem aviso do meu longo processo de pensar no desejo. talvez eu sequer consiga, agora. e é decerto que assim, algo deveria ser feito para compensar o seu erro. para que eu possa lhe dar minha caneta. ou você pode pegar com outra pessoa, claro. mas seria... no mínimo... extremamente rude. com alguém que só lhe quer bem.”
Se arrependeu imediatamente de ter pedido por ajuda, deveria ter sido mais paciente com a caneta. Tudo isso para evitar uma interação com Evelynn? Era um tanto paradoxal, ao mesmo tempo em que sentia-se grato pelas colaborações profissionais, sentia que havia sempre algo excedente por detrás das suas palavras. "Hahaha, puxa, Evellyn, seu bom humor e seu modo de ver as coisas são sempre admiráveis!" Fingiu uma gargalhada para tentar amenizar o ar pesado. Era mesmo risível imaginar que um pedido tão curto atrapalharia todo seu fluxo de pensamento. "Estou um pouco apressado, sabe como é, né? Mas diga o que posso fazer para compensá-la. Somos parceiros de negócios, afinal." Mantinha um sorriso amarelo, tentando parecer educado. "Acho que os organizadores estão até distribuindo mais canetas, olha só!" Levou o indicador à orelha, como se tivesse acabado de ouvir um anúncio. Tudo era um recurso para evitar passar demasiado tempo ali.
A surpresa de Gwen ao ouvir o nome da própria banda foi inevitável, e ela negou com a cabeça algumas vezes. "Nós não nos inscrevemos!" Respondeu rapidamente, sentindo um misto de orgulho e pânico por encontrar alguém que perguntava sobre. A banda estava sofrendo com um pequeno desfalque e precisava de um rebranding, ela sempre pensava, mas não sobrava tempo para organizar tudo. "Uau, é isso. Não nos inscrevemos dessa vez, porque estamos oupadas com outros projetos. Eu sou Gwen, da banda." Apresentou-se antes que ficasse esquisito demais, apontando para si mesma como se fosse ajudá-la a entender melhor. Patética. "Sinto muito, não vai ter uma setlist hoje, mas eu posso te ajudar com a lanterna em compensação!"
A atenção de Madoka saiu do papel, que quase voou outra vez, ao escutar a justificativa em primeira pessoa. Nós? Inclinou o rosto, os neurônios ainda tentando conceber as duas informações: a ausência da banda no festival e o fato de estar conversando com uma integrante. "E por que não?!" Perguntou um tanto espantada. Era grande admiradora de pessoas com dons musicais, principalmente artistas locais. "Oh, compreendo..." Acenou em concordância, especulando consigo se os outros projetos seriam, na verdade, desavenças entre os membros. "Prazer, Gwen! Você era da guitarra, não? Eu já escutei vocês uma vez. Sabe que não lembro quando foi? Minha memória anda péssima, mas me recordo de ter adorado, de verdade!" Abriu um sorriso empolgado, gesticulando com as palmas abertas. "Ah, muito obrigada. Você já fez a sua? Será que existe algum limite cultural de número máximo de pedidos? Agora estou pensando em colocar algo tipo 'que as Mary Janes se apresentem no próximo festival'."
Brechó da Cinderella, também conhecido como Brechó Agulhas Mágicas.
Nesse ano, após insistência da madrinha, Cindy decidiu montar um pequeno brechó para participar do festival. Na barraquinha de cor azul, você pode encontrar peças bordadas — como vestidos, gravatas, casacos e lenços — e também roupas de cama, mesa & banho para deixar as casas dos Westbridgianos ainda mais encantadoras. Quem resiste a um pano de prato com estampa de patinhos? Ou um casaco bordado com estrelas brilhantes?
A querida fada madrinha também preparou biscoitos amanteigados para adicionar como brinde nas compras. Estão frescos e crocantes, aproveitem!
Alguns dos rostinhos que por ali passaram:
Pyo Kiwoo comprou uma gravata com estampa xadrez e um jogo de panos de pratos estampado com abelhinhas de mãos dadas. Aproveitou também para pegar uma encomenda secreta com Cinderella. (Um vestido de seda de presente à esposa, mas é surpresa!).
Yor Briar não economizou e levou três vestidinhos lindos para sua pequena. Ah, ela avistou um casaquinho adorável e teve que levar também, não teve como resistir! (@soldemorango)
Dick Grayson foi outro que não resistiu e levou um jogo de toalhas com seu monograma exclusivo em azul! Ainda ganhou um desconto extra da madrinha de Cindy, pode isso? (@graysonflies)
E parece que outro jovem, nosso bombeiro molhado vulgo Stark, também quis comprar uma toalha com monograma do Dick Grayson. Pena que não tinha mais no estoque. (@crimsonchars)
Nyssa garantiu um belíssimo xale vinho. Bem chique, Cindy elogiou a escolha e disse que combinava muito com a aura da professora de artes marciais. (@crimsonchars)
O público consumidor para toalhas com estampas de animais marinhos (principalmente, tubarões) não é lá tão grande, mas Cindy bordou algumas especialmente para uma cliente-aprendiz querida: Powder. A jovem garantiu a compra assim que bateu os olhos nas toalhas! (@soldemorango)
Emily Merrimack se apaixonou por um lenço de cabelo com bordado de borboletas e comprou a mesma peça em três cores diferentes (azul, verde e roxo).
Kaname Madoka já tinha gastado os últimos trocados para comprar cachorro-quente e se divertir nas barracas, ficou só na vontade olhando os casacos.
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𝑹𝑶𝑾𝑬𝑵𝑨 𝑬́ 𝑼𝑴𝑨 𝑷𝑬𝑹𝑺𝑶𝑵𝑨 ironicamente cética! mas não deixa de ser curiosa sobre o credo alheio; ora, por que não arriscar uma leitura de tarot sobre o futuro incerto? sozinha não iria de jeito nenhum, por conta disso conta com a companhia de emily! "você ouviu o que ela disse? ou as cartas, sei lá! falaram que aquele cara 'tá morto." sussurrou com uma discrição digna de uma informação ultra confidencial, ainda que a reclamação exasperada do dito cadáver, seja audível a no mínimo dois quarteirões dali. "o que será que ela vai falar da gente, uh? que a gente é a próxima?" e de fato são quando a cartomante aparece para chamá-las, o arrepio nada sutil percorre a corpulência de rowena em seguida. "tem certeza que não é a vez deles?" questiona a mulher encoberta de adornos prateados e elegantes, o olhar de socorro recaindo sobre emily. "somos as escolhidas! que privilégio." o fato é que não conhece a cartomante, mas acha bem específico que ela tenha dito em voz alta o nome delas.
"Morto?!" Repetiu, levando a mão aos lábios, como se aquilo pudesse, de algum modo, diminuir o peso daquela afirmação. Nem imaginava como reagiria se a mulher — ou as cartas? — dissesse algum absurdo semelhante à elas. Nunca vira um sujeito morto reclamar tanto quanto aquele. "Espero que não nos chame de fantasmas..." comentou em meio a uma breve risada, que cessou assim que a senhora cartomante reapareceu.
Embora pareça estar sempre rodeada por uma brisa gelada, Emily pode jurar que sentiu o ambiente ficar ainda mais gélido, arrepiando-lhe os braços expostos pelo vestido de mangas curtas. "Como que ela..." Murmura outra vez para Rowena, também surpresa pela forma como a mulher anunciara os nomes das duas, enquanto pousava a mão sobre o braço da amiga. Cogitou sugerir que dessem meia-volta, mas, quando deu por si, já estavam dentro da tenda. "Boa noite, senhora...Podemos fazer uma pergunta coletiva? Creio que seria mais rápido, não?"
a atenção de victor era quase palpável, como se estivesse assistindo um número coreografado. quando a argola caiu perfeitamente no alvo, ele piscou algumas vezes, quase ofendido pela facilidade. "isso pareceu… tão simples quando você fez." havia admiração sincera no tom, mesmo que acompanhada do constrangimento habitual que surgia sempre que comparava sua coordenação motora com a de outra pessoa.
por outro lado, a comemoração alheia lhe pegou de surpresa. não pelo acerto, confiava nas habilidades dela mais do que nas próprias, mas pelo fato de emily parecer genuinamente feliz em dividir uma vitória com ele. mesmo pequena e boba. "o violino foi mais fácil…" engoliu seco, um tanto sem jeito pelo elogio. estava acostumado com pessoas notando seus erros antes de seus acertos, então a fala dela significava mais do que talvez ela tivesse tido a intenção. "mas acho que você acabou de provar que existe alguma esperança pra mim." só então surgiu um sorriso, pequeno e tímido, mas confortável.
Aquele era o seu ofício, afinal. Demonstrar simplicidade e leveza em movimentos que, na realidade, lhe faziam os pés arderem sob bolhas e feridas. Ainda assim, permitiu-se um breve sorriso diante do comentário dele. Achou curiosa a expressão de Victor, sem conseguir discernir se vinha da descrença nas argolas ou da menção às suas habilidades com instrumentos. "Mais fácil do que acertar este alvo?" Perguntou com uma leve expressão de surpresa, sorrindo enquanto levava uma das mãos aos fios que haviam escapado do coque devido aos movimentos anteriores. Precisaria reforçar o penteado com mais gel antes da apresentação daquela noite.
"Claro que há, sempre há esperança." Repetiu, embora duvidasse daquilo para si mesma. Entre as visitas que havia feito ao Van Dort Stringworks, aquela parecia ter sido a primeira vez que via Victor sorrir. "Quer tentar desta vez?" Aproximou-se um pouco mais enquanto falava, erguendo delicadamente uma das mãos para demonstrar o movimento correto. "Só precisa esticar um pouco mais o braço..." Fez o gesto no ar, inclinando o próprio tronco em seguida. "Inclinar-se assim e posicionar-se neste ângulo." Indicou a direção correta, quase como se coreografasse as ações.
"você é adorável." a observação saiu natural, enquanto daenerys acompanhou a risada. não estava nervosa quanto ela parecia estar, mas continuava entretida. "pelo tempo que estamos aqui, acredito que já roubamos um pouco da atenção do festival. provavelmente estaremos no jornal amanhã." apoiou o braço na lateral da cabine, observando o funcionário ao longe porque estava curiosa para saber como ele resolveria a situação. parecia novato, esperava que tudo aquilo não acarretasse em uma demissão. "sim, eu compreendo. instituições gostam de cerimônias." voltou-se para a companhia, sorrindo doce dessa vez. pessoas inocentes despertavam um lado mais suave de daenerys e isso era comumente visto no centro comunitário. "pode perguntar, o que quer saber?"
Madoka sentiu as bochechas esquentarem; as maçãs ganharam um tom ainda mais rosado para além da maquiagem. "Ah, obrigada." À medida que abria um sorriso, mais tranquilo dessa vez, também desapertava as mãos da barra de segurança. A imaginação agora corria para além do desastre, pensava no prefeito chateado pelo festival ter ganhado uma manchete que não fosse exclusivamente sua. O elogio de mais cedo e o sorriso compreensivo de Daenerys fizeram com que Madoka se sentisse ainda mais à vontade e, bom, já que tinha a oportunidade, não a deixaria passar. "Por favor, não me leve a mal por perguntar isso, é que já escutei tantas teorias desde que cheguei aqui em Westbridge." Respirou fundo, inclinou-se um pouco à frente, e soltou de uma vez a pergunta que corria pela sua mente nos momentos mais aleatórios possíveis. "A cor do seu cabelo é natural mesmo?"
@wvnderlands acaba de receber uma mensagem de Tara para Cinderella, enviada da competição das barracas. — " oh, let me make you something. "
Mesmo que não tivesse interesse em comprar nada particularmente específico, atravessar a rua central de Bridge Quarter, agora lotada por barracas e pequenos comércios, era o melhor caminho até o rio Alder e a roda gigante, o melhor ponto do festival para observar toda a beleza que o céu noturno cintilaria poucas horas mais tarde. Mas, seguir seu caminho se tornou difícil após seus olhos encontrarem um belíssimo casaco azul, com pequenos detalhes bordados em dourado, que lembravam pequenas estrelas e cometas.
" É um bordado lindo ", comentou ao notar a jovem atrás do balcão, deslizando os dedos pelos fios brilhantes. Não lembrava de nenhuma peça de roupa lhe chamar tanto a atenção, já estava até mesmo pronta para comprá-la se não tivesse visto a pequena etiqueta indicando que a peça já estava vendida. E a decepção em seu rosto deve ter sido muito perceptível, pois a moça logo lhe propôs fazer algo novo. " Na verdade, estou com um pouco de pressa ", examinou o relógio de pulso, " e não quero atrapalhá-la em seus negócios, o movimento parece grande. "
Obrigada, senhorita Crow, volte sempre. Sim, seu cabelo está ótimo! Cinderella acenou para uma das clientes que se retirava depois de garantir um belo jogo de pratos com tema de patinhos na lagoa. Estava dobrando alguns tecidos, quando seus olhos se elevaram ao escutar o comentário. Por mais que já tivesse anos de experiência com agulhas e costuras, nunca tinha verdadeiramente se acostumado aos elogios, e sempre abria um sorriso sincero quando recebia um. "Ah, fico muito feliz em saber que gostou! Esse eu fiz inspirada em A Noite Estrelada."
O comentário fora pequeno e simples, mas os olhos castanhos da mulher pareciam brilhar junto aos detalhes dourados do casaco. Céus, Cindy sentiu o coração despencar quando reparou que já estava reservada — poderia soar como um sentimentalismo exagerado, mas ela acreditava que algumas peças pareciam escolher seus donos, e aquele era exatamente um desses casos. "Está realmente muito apressada? Eu posso fazer até mesmo algo menor, que tal um lenço? A senhorita gosta de lenços?" Começou a pensar em alternativas, não queria desapontar a futura cliente, cujo nome ainda desconhecia, mas que pressentia ser uma pessoa querida. "Não seria incômodo nenhum, a minha madrinha está me ajudando na organização."
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O sussurro ao pé de seu ouvido o pegou entre o arrepio e o instinto de virar a mão na cara. Não era novidade que por vezes invadiam seu espaço pessoal após os espetáculos mas, ao virar para encarar quem o cumprimentava, ao menos encontrou um rosto familiar. Esperou que a explicação fosse concluída antes de se virar para inspecionar a fantasia, que devia ter se enganchado em uma rebarba da madeira do trapézio durante o último número. Constrangido, só o que lhe ocorreu em vias de reação foi gargalhar. ── Meu Deus... ── Sua voz saiu entrecortada em meio a risada, e podia sentir o acúmulo das lágrimas nos cantos de seus olhos. Aquela seria uma ótima história para contar. ── Acho que o espetáculo adicional foi por conta da casa. ── A vergonha o fez querer cobrir a face, mas não era aquela a pior de suas partes expostas no momento. O casaco de moletom que vestia por cima do tecido flexível tinha tornado a humilhação parcial e não completa, mas pouco tinha feito para conservar sua dignidade. O puxou para baixo na tentativa de cobrir o buraco. ── Não sei se te agradeço pelo alerta, ou se digo "de nada" pelo show. ── Como lhe era característico, tentou encobrir o desejo de que o chão se abrisse sob os pés com o humor. Indicou um canto mais distante do palco com um aceno de cabeça, a conduzindo para onde poderia remendar seu traje sem maior exposição. Uma vez que tinham cobertura de olhos curiosos, se virou para que ela o ajudasse, tentando não pensar na visão que agora ofertava. ── Minha heroína. ── Declarou com um suspiro exagerado, tirando o agasalho para facilitar o acesso. ── É um sinal de que preciso confiar nos seus serviços e parar de remendar o meu uniforme por conta própria. Você oferece desconto por pena?
A risada que Cinderella segurava veio à tona com a gargalhada contagiante do rapaz. Ao mesmo tempo em que sentia vontade de rir, também sentia uma pontada de dó pela exposição. Se bem que as pessoas que apontavam para ele não pareciam estar insatisfeitas com a visão. Pelo contrário. "Acho que você não vai receber críticas negativas depois desse espetáculo. Principalmente da parte das mocinhas ali." Indicou discretamente, com os olhos, o grupo de jovens ao qual se referia. Talvez assim, ele pudesse ver o lado positivo daquela situação. Depois das risadas compartilhadas, a expressão dela era uma mistura de preocupação e divertimento, acompanhou-o até o local menos abarrotado de pessoas.
"Vou pagar pelo ingresso do show com meus serviços." Respondeu risonha, enquanto retirava o pequeno kit de costura da bolsa. "Só fica bem paradinho para eu não te espetar. Não queremos ter que chamar nenhum bombeiro, vi que um deles está todo molhado, o pobrezinho..." Repuxou o tecido que estava solto, usando de suas habilidades para não ser invasiva e nem tocá-lo de forma desnecessária. "Na verdade, é um sinal de que você precisa aparecer para tomar um chá conosco. Seus uniformes eu resolvo rapidinho, até de graça. Madrinha vive me perguntando como andam suas apresentações." Se dependesse da companheira mais velha, as duas estariam no circo quase todo fim de semana para assistir às acrobacias do rapaz. E Cindy não seria contra. Se não tivesse tanto trabalho ultimamente, o faria de bom grado, apesar de ter um pouco de medo de alguns dos palhaços. Agachou-se para ficar na altura adequada, deslizando a linha devagar por entre os remendos do tecido. "Parece que só tenho linhas vermelhas aqui. Vai resolver por enquanto, mas pode levar no ateliê depois que faço um trabalho melhor." Finalizou com um ponto discreto, agora ele poderia ao menos andar sem se preocupar. "Prontinho, Dickie, pode voltar para os seus fãs. Eu preciso retornar à barraca, não posso deixar madrinha sozinha lá muito tempo." Acenou com um sorriso tranquilo, se despedindo do rapaz e iniciando uma corridinha até o brechó.