w. @messagefrom
Era dia de festa, assim como todas as outras noites em que Dionísio estava entre os humanos. Onde quer que ele ia, ele atraía bebidas, drogas, sexo… Ele praticamente se sentia em casa, ou melhor, já que em casa ele não tinha tantas festas como gostaria. Sim, era cliche o deus do vinho e da fertilidade gostasse de uma boa festa, mas l que ele podia fazer se não dava para negar quem ele era. Naquela noite a festa era na cobertura de uma dos mais altos e luxuosos prédios de Manhattan, ele não sabia quem era o dono da festa, mas a única coisa que realmente importava era que a festa era em sua homenagem. Ele mal havia chegado, trajando calças pretas, camisa preta com alguns botões abertos e um blaser também preto, o que lhe dava um ar misterioso. Mas havia pisado no local e já havia um copo de bebida em sua mao, não era exatamente o que queria beber, mas serviria naquele momento. Andava por entre os convidados e como o centro das atenções, era parado a cada minuto por alguém para conversar. Foi tentando se afastar e ir até a sacada, para a parte externa da cobertura, onde a enorme piscina e o dj se encontravam. Pessoas dançavam de forma provocante e o ar exalava sexo, o que fez Dionísio rir. Terminou sua bebida e depoistou o copo numa mesa, pegando finalmente uma taça de vinha. Quando virou-se para continuar andando por entre os convidados sentiu o choque do corpo alheio esbarrar no seu, derramando seu vinho em ambos. — Você é cego ou o que? - Esbravejou colocando a taça de volta na mesa enquanto pegava guardanapos e se limpava. Olhou pela primeira vez para o rapaz, ele parecia mais novo e não parecia pertencer a aquele lugar, aquele mundo. — Eu te conheço?
A brisa agradável e insistente da noite fazia com que os próprios cabelos de Hermes batessem contra seu rosto, o obrigando a joga-los para trás com a mão esquerda ao mesmo tempo em que tomava um grande gole de vinho de sua taça que não parecia ser nada modesta. A julgar pelo lugar chique e alto onde se encontrava, podia ver todas as luzes da cidade abaixo de si. Não era difícil de identificar que esta era mais uma das festas exuberantes em homenagem ao deus do vinho. Apesar de já estar cansado de viver em um mundo caótico como um humano que, além de trabalhar como bartender em uma boate para o seu próprio sustento, fazia imediações entre deuses e certos tipos de humanos que ainda os cultuavam, sabendo que precisava aguentar apenas mais um pouco para que pudesse, finalmente, receber a aceitação de seu padrasto Zeus e ganhar o seu espaço Olimpo. Precisava apenas manter-se na linha e seguir com seu plano, afinal, sua lábia nunca o desapontava, chegando a vencer a ira do pai de todos que, primeiramente, não o aceitava por ser fruto da traição de Hera. Suspirou profundamente, sentindo-se cansado e levemente embriagado pela bebida. Podia muito bem achar alguém para se “distrair” naquele ambiente, mas estava farto das festas, das conversas, dos olhares curiosos daqueles que sabiam quem ele era mas raramente tinham coragem de se aproximar para conversar, tendo receio de qualquer tipo de repreensão vinda da parte de Zeus. Ele estava lá como mensageiro e nada mais, tendo permissão para se envolver com quem fosse, contanto que não chamasse a atenção, o que ia contra sua natureza de verdade. Estava cansado de reprimir seu verdadeiro eu, mas sabia que esse esforço o recompensaria como nunca. Cansado da vista e dos devaneios longínquos, deu as costas à bela cidade para, em um único passo, trombar com um corpo visivelmente mais forte do que o seu, o jogando contra a contenção da sacada ao que sentia um pouco do vinho respingar em sua camiseta social azul escura. Ótimo. Ergueu seus olhos para a figura em sua frente com certa irritação pela explosão do estranho, sendo uma briga a última coisa que desejava naquela noite. Quando seu olhos finalmente identificam Dionísio em sua frente, não pôde deixar de sorrir ladino, achando engraçado ter finalmente encontrado o homenageado da noite, já que sempre parecia se mesclar o suficiente entre todos os adoradores a ponto de ser impossível alcança-lo. — Peço desculpas pela distração, a última coisa que queria era desapontar o grande Dionísio. Pelo menos sua roupa é escura e não vai entregar o vinho derramado, já a minha… Enfim. — Uma reverência extremamente exagerada e um tanto debochada se fez presente enquanto falou. — Sim, eu tenho certeza que já ouviu falar de mim. — Em questão de meio milésimo de segundos, o jovem ágil se encontrava atrás do mais velho que exalava um cheiro forte de vinho. Precisava mostrar ali sua especialidade para que o outro não tivesse dúvidas de sua identidade. — É hoje que você está tendo a honra de conhecer nada mais nada menos do que Hermes, seu contratado para a social de hoje, muito prazer. — Quando terminou de falar no ouvido de Dionísio, esvaziou sua taça com um último gole, colocando-a sobre a mesa ao lado enquanto esperava que o homem em sua frente se virasse para si, voltando a trocarem olhares. — Cansou de ser paparicado para vir se esconder aqui? — A última pergunta veio sem malícia, sustentada em um tom de verdadeira curiosidade enquanto o fitava, estudando suas feições.
Observou o rapaz atentamente, de cima a baixo por longos segundo antes de sorrir de canto. Demorou alguns segundos a mais do que o necessário em sua camisa clara, conforme ele falava sobre ela. — Se está tão preocupado com sua camisa, tire! - Ele deu de ombros sem se importar com a falta que a peça faria. Na verdade, Dy - como os mais próximos carinhosamente o chamavam - preferia que o outro não usasse a camisa, assim lhe evitaria o trabalho de ficar imaginando o tórax alheio nu. Num piscar de olhos o jovem estava atrás de si e sussurrava em seu ouvido e mesmo antes dele dizer seu nome, o deus do vinho sabia que aquele se tratava de um semi-deus. Tanto pelo “truque” de agilidade quanto pelo cheiro e aura que ele exalava, era diferente da dos humanos. Deixou um sorriso preguiçoso se abrir lentamente em rosto para então, quando Hermes se afastou, ele se virou. — Hermes, Hmm? - Olhou para o semi-deus de cima a baixo novamente. — Asas nos pés e tudo mais? - Perguntou de uma forma brincalhona, referindo-se aos boatos que escutara sobre o outro que agora se encontrava entre Dionísio e a mesa de bebidas. Antes que pudesse ressoo ser a pergunta alheia, Dy inclinou-se perigosamente para frente, roçando levemente e minimamente no rosto de Hermes, enquanto seu corpo praticamente enconstava no alheio. — Ohh não, eu nunca me canso de ser paparicado. - Sussurrou igualmente no ouvido de Hermes, dois podiam jogar aquele jogo, mas então, do nada ele se afastou. Levantando a nova taça de vinho e demonstrando que o tempo todo ele só queria a bebida e que Hermes estava em seu caminho.
















