neste mesmo dia, no ano passado, eu estaria pensando como eu faria pra te pedir em namoro, lembro que eu queria que fosse algo mais elaborado, com alguma surpresa, rosas e velas mas, eu sou tão ansiosa que quando eu vi eu já tava te pedindo sem nada mesmo, só olhando nos seus olhinhos que brilhavam ao olhar pros meus. você falou sorridente que era a primeira vez que alguém te pedia em namoro e respondeu que “sim sim sim” me dando um abraço muito apertado. depois disso eu vivi o melhor ano da minha vida inteira, até chegar o dia em que você se foi. a gente não se desgrudava por mais nada. chorávamos transando de tanto amor que sentíamos. dançávamos na cozinha enquanto fazíamos nossas comidas favoritas (você dançava engraçado, não tinha muito ritmo, e a gente ria bastante disso). compartilhavamos nossos segredos mais íntimos e as nossas dores mais profundas. cantávamos, alegres. tocamos muito violão, baixo, guitarra. maratonamos twd, harry potter, senhor dos anéis, entre várias outras séries (a gente tava quase fazendo parte daquele sofá umas hora). te convenci a assistir one piece comigo e o arthur. empinamos muita pipa. demos muitos rolês de bicicleta e uma vez te derrubei da garupa de tão bêbados que voltamos. assistimos todos os pores do sol possíveis de 2021 sentados nas nossas cadeirinhas de praia comendo frango frito e tomando tereré. você amava frango no balde. brincamos de esconde esconde no escuro dentro de casa e você tava sempre resgatando a minha criança interior. nunca deixamos um fusca azul passar sem se dar o soquinho (era sempre eu que apanhava kk). você me ensinou a jogar xadrez. nos fazíamos muitas cócegas e isso sempre terminava com você brabo porque eu não sabia parar. trabalhamos juntos e criamos planos que não puderam ser realizados. mas. te vi realizar quase todos os seus sonhos. não tivemos tempo para ir na nossa tão esperada primeira rave juntos. não fizemos nosso mochilão. não adotamos a criancinha que a gente queria. e você também não tirou a experiência de mendigar, que você tanto desejava. mas você viveu intensamente. para um caralho. fez tudo o que mais gostava. aprendeu a esculpir. produziu música. deu aulas de inglês. tomou muito banho de cachoeira. fez o canal de jogos com o arthur. doou. amou. entre VÁRIAS outras coisas.
queria dizer que, conhecer o teu amor foi a coisa mais linda que eu já vivênciei. ardia mais que brasa em pele quente você olhando pra mim. a gente se beijava com os olhos e tu me tirava dessa dimensão com um simples toque. todos os tormentos de uma mente ativa como a minha sumiam e o sono era tranquilo do teu lado. mas eu não queria dormir. eu queria te olhar e te sentir sempre mais. você transformou seus braços na minha casa, e eu me encontrei, depois de tanto tempo perdida. eu amo o que você me fez e faz sentir. eu amo a forma como você me cuida. eu amo cada pedacinho de você e eu amo as nossas lembranças. eu amo o quanto eu amadureci ao seu lado e tudo o que você me ensinou.
sabe. você me mudou de duas formas. por um lado, eu nunca mais serei a mesma. sinto que esse vazio vai permanecer pra sempre. mas por outro, eu sinto que você me transformou num ser humano muito melhor. e tenho certeza que transformou quem conviveu contigo também. e isso, só quem teve o privilégio de te conhecer vai entender o porquê.
eu sempre digo que você não era deste mundo. que você era evoluído demais para estar aqui. falava que você era um alienzinho perdido na terra. e realmente. você não suportou viver nesse mundo desgraçado. individualista. você não entendia como não poderia ser possível viver num mundo comunitário, solidário. é como se tua resistência tivesse se tornado insustentável numa era sem maiores objetivos, em que tudo se perdeu o sentido. afinal, como podemos amar essa realidade ímpar, suja e corroída que vivemos, né?
eu me recordo de você sempre me falar sobre “sermos todos um só” e sobre sua vontade de “querer voltar a fazer parte do todo”. eu nunca fui capaz de entender mesmo depois de você ficar por horas discursando. até o momento em que você partiu.
hoje eu compreendo cada detalhezinho do que você me falava. porque eu te sinto em absolutamente tudo. o amor não é feito de matéria e eu não paro de chorar por ter percebido que através dele quem se vai ainda vive. ainda fica. ainda alcança. ainda encontra um jeito de permanecer. porque existem tantas coisas que não entendemos, que excede o extraordinário. porque tudo é tão insignificante quanto um grão de areia a mais na praia. tão valioso quanto a morte de uma estrela para dar origem a outra.
somos pequenos fragmentos do que já vivemos e do que ainda viveremos. minúsculos. partículas. microscópicos corações pulsando dentro de um enorme ser. sem forma ou nome. apenas estamos e somos. e já nem somos mais. várias vezes ao mesmo tempo em vários espaços e diferentes dimensões. somos e estamos. vidas sobrepostas. experiências interligadas.
saber disso me traz um certo tipo de conforto. saber que em meio a uma imensidão de sentimentos misturados, eu não irei esquecer da sensação de tê-lo em mim e de estar em ti. da intensidade ao nos fundirmos e da leveza ao nos tocarmos. do peso ao nos separarmos.
não irei esquecer que um dia fomos átomos personificados e compartilhamos do mesmo ar. que minhas células já tocaram as suas. que sua existência está em mim e a minha em ti e em cada pessoa que passou passa e passará. é muito louco e confortante saber que alguma coisa nos permite continuar amando o que não se faz mais presente e permite, apesar da ausência, que esse amor nos seja devolvido de algum jeito, de algum lugar. porque o amor não é feito de matéria. e é lindo. até quando assume uma forma imprevisível. até quando somos obrigados a sentir e acreditar nele sem forma alguma.
a vida sempre terá a marca de nós dois e do amor que sentimos, de tudo o que você significou pra mim, e para o mundo inteiro. tudo de ti está guardado em nós. brilha forte minha estrelinha ⭐️💫

























