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— Se eu produzir fogo sem isqueiro ou fósforo você sai comigo ?
--- Hum, fogo primeiro, resposta depois.
— Eu estava sentei aí primeiro, só saí pra comprar alguma coisa para comer. Te convenci a sair do meu lugar?
--- Só se você me der a comida em troca do lugar. É, eu sei que isso não é legal da minha parte, estou tentando uma coisa nova chamada "deixar o lobo malvado agir".
— Tem certeza que deseja ficar por aqui e aqueles malditos Sentinelas virem atrás de você pra te destruírem ou algo pior ?
--- ... Ok, essa justificativa é melhor que a primeira. Onde fica a saída?
Apan suspirou. " Tenho que encontrar uma pessoa nesse lugar, mas ninguém mais pode saber disso…"
--- Adoro guardar segredos. --- Emily finalmente abriu um sorriso. --- Tá, eu te ajudo.

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" Por favor, preciso que me responda… É importante embora eu não possa dizer os motivos."
--- Se você quer minha ajuda precisa mostrar que confia em mim. Não posso cooperar assim.
— Eu prometo que não irá se machucar.
--- Eu não ligo de me machucar. Próxima tentativa.
— Mas que droga, então o que eu posso fazer pra você mudar de ideia ?
--- Eu não faço a mínima ideia, não entendo muito bem minha cabeça. Improvisa alguma coisa aí.

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--- Nada convincente. A resposta ainda é não.
{Aqui estou eu pra terminar de responder vocês <33}
.
— Não acredita mais na boa índole das pessoas? Na verdade, apenas te lei essa lata de refrigerante porque eu estava com uma mais, e além do mais, já reparou como o dia está quente hoje?
--- Não tenho esse costume, na verdade. Ah, dane-se. Eu estou com sede. Posso ao menos saber quem você é? Meus pais não me ensinaram merda nenhuma, mas eu li no livro da Chapeuzinho Vermelho que estranhos não são seguros.
"I don't wanna go to school
I just wanna break the rules."
O humor de Emily ficava ainda mais instável em situações desesperadoras como aquela. Não bastasse as brigas intermináveis com sua irmã mais nova e a insistência da tia para que fizesse mais amigos enquanto tentava a todo custo equilibrar a maldita vida pessoal e manter as notas num nível mediano, -- coisa com a qual você passa a e preocupar menos quando sua saúde mental vem em primeiro lugar --- ela tinha que ter uma maldita prova de matemática naquele dia. Desde que fora morar com a tia, sua vida havia virado ainda mais de cabeça para baixo, e ela havia entrado no que chamava de rotina familiar. E por diversas vezes, aquilo era chato.
Estava cansada da vida monótona em que fora colocada. Claro, nada a fazia desejar o inferno que viveu nos últimos anos de vida, porém sentia que precisava de mais emoção.
Após esperar trinta minutos para finalmente poder usar o banheiro, tentou não provocar mais nenhuma discussão com a irmã, que mais parecia uma boneca Barbie sem alma. A chamava assim pela aparência sempre impecável e perfeita, porém pelos atos asquerosos e a inteligência de quem havia sido construída tendo como material principal o plástico. Emily sempre tentou se dar bem com ela, até mesmo quando as coisas começaram a ficar realmente difíceis no antigo lar -- se é que algum dia sua antiga casa realmente foi um --- porém a mais nova só sabia se fechar dentro da própria maquiagem. Cada uma delas havia levado o trauma causado pelo pai de uma maneira diferente, a dela era fingir que não tinha mais um coração. Ao contrário de seu irmão, que sempre buscava entender e aceitar tudo, e ao contrário de Emily, que mesmo sendo rebelde e fugindo algumas vezes das sufocantes terapias que lhe eram impostas, não havia se escondido no mundo da popularidade.
Pensar sobre tais coisas a deixava ainda mais esgotada de tudo e ressaltava o quanto merecia uma folga, que definitivamente não acharia na sala de aula, sendo supervisionada pela Srta. Keeps e sua terrível verruga localizada de maneira nada charmosa na ponta de seu nariz. Depois do banho, arrumou-se como sempre fazia: uma calça jeans escura qualquer, blusa de frio com a malha fina totalmente cinzenta e uma regata preta por baixo, acompanhados de um dos coturnos antigos que usava para ir a lugares mais próximos. Nunca era nada mais diferentes disso. Soltou o cabelo e passou a mão, alisando-o até que o volume diminuísse, escovou os dentes e pegou a mochila. Não havia colocado nenhum livro, e sim seus vários pincéis e tons diferentes de tintas, lápis para desenho com cadernos extras e algumas telas pequenas, usando os bolsos laterais para esconder o lanche e o da frente para guardar uma pequena quantia de dinheiro.
--- Eu gosto de um clima mais frio, hoje eu vou á pé. --- Falou, dando um beijo no rosto da tia, que já havia pegado as chaves para sair com seu batalhão de filhos e sobrinhos. Ela pareceu desconfiada da atitude repentina da jovem, e negou com a cabeça, empurrando-a até o carro. Emily mordeu a bochecha, e abriu um sorriso forçado, concordando em ser levada até o colégio. Quando chegaram, todos os cinco acenando de forma amigável, seguiram juntos até a porta principal.
Andou alguns passos no corredor, e quando todos seguiram para suas respectivas salas, deu alguns passos para trás, fazendo todo o percurso de volta, até que começou a correr. O inspetor do corredor parecia pronto para lhe dar uma bronca. Não parou por conta dele, mesmo que o barulho irritante do apito estivesse lhe avisando para voltar a atrás. Fechou os olhos e cerrou o punho, acertando-o com um soco de direita que o fez cambalear e cair. Aproveitou para abrir a porta e fugir, gritando um pedido de desculpas que se arrependeu de ter desejado quando observou que este havia se recuperado e vinha atrás de si. Irritou-se, e desviou do caminho que levava a calçada principal perto da praia, seguindo para o meio da rua, passando pelos carros que freavam abruptamente para lhe atropelar. Abriu a mochila, e tacou um de seus pincéis, acertando em cheio os óculos do adolescente, que desistiu que lhe perseguir -- não exatamente desistiu, mas pareceu prezar pelo restante de integridade física que lhe restava. Deu dois passos adiante, sem tirar o sorriso do rosto, e então seu corpo chocou-se com tudo contra outro. No mesmo instante, acabou soltando uma exclamação, que mais parecia um palavrão enrolado. Virou-se para frente, com as sobrancelhas franzidas numa expressão zangada. --- Que ótimo! Você me fez morder a língua! --- Falou enrolado, fechando os olhos com força para reprimir as lágrimas involuntárias. --- Machucar as pessoas desse jeito não é legal. --- Falou, esquecendo-se completamente do fato de que havia dado um soco e acertado um pincel no olho de uma única pessoa, uma agressão praticamente seguida da outra.

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Ele apenas a fitava com um sorriso sapeca no rosto. De acordo com sua expressão aquilo não era totalmente comum na vida da garota. Aquele tipo de retorno, quando sua opinião era expressa. Do mesmo modo, ficou parado ali, com a mão estendida. Os olhos azuis se arregalaram um pouco ao ouvir as palavras rudes, como os de um cachorrinho filhote, porém, depois de ela rir, tal expressão se amenizou e o sorriso voltou aos lábios.
Sem mesmo que ela o desse permissão, Lucca pegou sua mão e a apertou, chacoalhando-a algumas vezes antes de a soltar. —- Mudanças de humor não são um problema pra mim. Na verdade, eu não me importo com elas, e isso não vai ser uma barreira pra nós dois, né? Quer dizer, a parte da pedra é meio tensa, mas eu acho que esses músculos aqui… — Flexionou o braço, em tom de brincadeira. —- Servem pra alguma coisa.
Em seguida, ele riu e enfiou as mãos nos bolsos, fungando o nariz. —- E então, depois dessa pequena introdução, senhorita Emily, eu acho que seria legal fazermos uma pausa pra comer e deixar o papo pesado de lado. Meio que falar gastou as energias do meu café da manhã e eu tô faminto. — Revirou os olhos numa careta, abraçando o estômago com ambos os braços. —- Eu comeria três big macs de uma vez, o que é um a mais do meu record atual.
—- Tá afim? — Uma pausa. Arqueou as sobrancelhas, sorrindo travesso. —- Relaxa. Se você delirar nos humores, eu te amarro numa pedra antes que você taque ela na minha cabeça.
Havia um detalhe bastante problemático sobre Emily: ela gostava de conversar e ser entendida, mas definitivamente não gostava de ser tocada sem ter dado permissão.
Soltou uma exclamação muda quando Lucca agarrou sua mão, porém fechou os olhos rapidamente, controlando o impulso de gritar e dar-lhe um tapa. Ela precisava estar no comando das ações do próprio corpo. Depois de anos sentindo que havia perdido o controle de si por inteira, Emily só queria que tudo voltasse ao normal -- ao normal que era bom. Sua cabeça discordava, a obrigando a relembrar tudo o que havia passado, mas o quanto pudesse se esforçar para ser a dona de si mesma, continuaria se esforçando. E foi o que fez, demonstrando estar neutra na maior parte do tempo, porém a respiração que prendeu durante os poucos segundos do ato, foi solta de uma vez quando a mão fora liberta. A sensação de alívio contribuiu com a brincadeira do outro, e a fez sorrir. --- Se você está falando que não vai, Superman. --- Ironizou, com a sobrancelha arqueada. O livro que antes estava empenhada em terminar havia sido esquecido, porém era em cima dele que suas mãos repousavam e não do colo em si como havia pensado um pouco antes de notá-lo outra vez. Ela definitivamente precisava de mais amigos. Pessoas que conseguissem a fazer esquecer qual era a página marcada de um de seus volumes sobre astrologia.
Fez uma careta, ficando repentinamente séria. Muitas pessoas num lugar só a deixavam estressada ainda mais rápido que o normal. Respirou fundo. Controle. Ela precisava parar de se isolar por causa de seus problemas. As pessoas corajosas enfrentam os seus. No fim, acabou aceitando, e deu um meio sorriso. Afinal, ela não podia esquecer que quem a havia convidado definitivamente não era o tipo de pessoa que deixava espaço para o desconforto do silêncio, que por sua vez, geraria paranoia e coisas ruins. As coisas dariam certo. Isso a acalmou. --- Tá. --- Disse, já parecendo um pouco mais seca que antes. Preparou-se para levantar, mas antes que o fizesse, fixou as íris castanhas nas azuis do rapaz. --- Sério, se você encostar de novo em mim eu posso jogar seu próprio lanche na sua cara. --- Falou por fim. Podia parecer uma brincadeira, pensou consigo, porém não gargalhou como antes, apenas deu de ombros. --- Eu não estou brincando dessa vez. Sem.Toques. Eles me deixam nervosa. Nós estamos entendidos?
"Pensei que fosse comigo. Você fala sozinha sempre?"
waterdrxp
--- Sim, e não diga a frase "isso é coisa de gente louca" por que adivinha só? Está falando com uma.