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@ventosnoturnosdeverao

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Era vontade demais para não ter medo. Era medo demais para dar certo. Era certo demais para que eu não acreditasse. E eu acreditei demais para não sair machucada. Mas talvez doesse ainda mais se eu voltasse a ter o homem mais bonito da cidade dançando comigo.
Ele é bonito demais para que eu simplesmente o chame para dançar. E nós dançamos bem demais para que não pareça amor. É amor demais para quem mal se conhece. É se conhecer demais para quem há tão pouco tempo se percebe.
É se perceber demais para quem dizia ter o coração seco. É coração demais. É coração demais. É coração demais para uma pessoa que às vezes se sente tão pequena.
E eu… talvez eu seja pessoa demais para amar.
É. Acho que sou pessoa demais para amar.
E eu gritarei o mais alto que todos os infernos juntos, se for pra machucar vc!
Te ver sofrer, é meu novo vício!
Tenho deixado assombrar-me com as lembranças do nosso encontro
e a vontade que sinto é de correr até ti e dizer que não, não te esqueci
Como poderia?
Ainda te amo e talvez sequer tenha te dito que te amo
Mas como eu te amo!
Encontro nenhum com nenhum alguém foi tão doce nem foi tão intenso nem foi tão bonito
Encontro nenhum foi tão apaixonante, tão fácil, tão encaixado, tão delicioso, tão divertido
Nunca
Nenhum
Fomos tão aventuras, risadas, conchinhas, cafunés, sabores, mergulhos, gargalhadas, choros, entregas
Você se lembra disso? Não é possível que não se lembre
Nunca nenhum encontro teve tanto encontro
Sei que sabe disso e sabe tanto quanto eu
Que nosso amor foi o mais delicado e o mais bonito
Quero que volte quero que fique quero que nunca vá embora
Quero voltar quero ficar quero nunca ir embora
Quanto tempo demora pra gente achar o que desfaz o que desfez?
Quanto tempo leva pro desencontro se desencontrar desse amor que tinha tudo pra dar certo, mas não deu?
depois de um longo inverno, hoje, a primavera chegou aqui vestida de verão.
chegou derrubando mofo, espantando poeira, reduzindo frio a sorriso
chegou seduzindo a gente, ensaiando amores, orquestrando danças
eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão
sei apenas que é bom
algo como sentir dor na panturrilha depois de pular a noite inteira
como suar e deixar que escorra toda alegria que ficou sufocada no inverno
e dentro dessa menina aqui dança.

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“Eu disse que não ia mais escrever pra você e olha que engraçado aqui estou eu fazendo mais um texto dizendo o quanto eu te amo. Chega a ser clichê mais fazer o que se é dos seus defeitos que eu gosto? Se é do seu sorriso que eu gosto? Se é do seu olhar que eu gosto? Te amo tanto que as vezes não consigo me controlar.”
— Para alguém que talvez nunca irá ler.
É muito complicado quando você vem de uma cultura que estudou, defendeu academicamente e pela qual nutre um amor genuíno.
A cultura do fetiche e a literatura sobre o tema me ajudaram a entender muitas coisas que, ao longo do tempo, inclusive moldaram minhas relações. Mas uma das coisas que as pessoas costumam esquecer é que eu realmente estudei isso a fundo, inclusive os ciclos de violência que, em contextos fetichistas, muitas vezes aparecem revestidos de tramas psicológicas. Cabe a mim estar atenta a isso.
Conhecer alguém em um site de relacionamentos casuais já dialoga com uma linha de fetiche, ainda mais quando a pessoa compartilha diversos gostos com você, mas demonstra uma dificuldade enorme de abrir mão do controle. De certa forma, fomos dois “cortando dedos na colheita”, mas eu acabei sendo a única a vivenciar claramente características de gaslighting.
Em janeiro, antes de ele viajar, fomos jantar com o filho dele. Ele sabia que fiz gastroplastia e que tenho um estômago reduzido, de cerca de 8 cm. Quando não consegui terminar o prato, ele comentou:
— Não vai deixar comida no prato, isso me dá gatilho.
Acabei me forçando a comer. A consequência foi vomitar bastante depois. E ainda ouvi que ele não havia dito aquilo para me forçar.
Quando chegamos à casa dele para conversar, expus como estava me sentindo. Na minha ingenuidade, achei que encontraria acolhimento.
Foi um enorme engano. Tudo acabou sendo devolvido para mim de forma intensa. Dei por mim pedindo desculpas simplesmente por perceber e sentir coisas.
Fomos dormir e, no dia seguinte, achei que estávamos bem. Mas acordei com uma enxurrada de acusações e apontamentos. A frase mais dolorida foi:
— E se eu trouxesse outra mulher para cá e você estivesse aqui e eu não te quisesse aqui?
Aquilo doeu de um jeito difícil até de explicar.
Naquele momento, eu conversava com um amigo da Holanda e contava o que estava acontecendo. Ele respondeu prontamente:
— Você não está vendo a violência que está sofrendo. Você não precisa desse tipo de dinâmica. Você já é casada, tem uma relação boa e estável. Se ele não for somar, se afasta.
Mas eu não queria.
Não queria porque ainda estava agarrada a tudo que havia de bom na relação: os passeios de carro, as caminhadas com as cachorras, a companhia no abrigo, as visitas na minha casa, o aconchego para dormir, as risadas, a sensação de segurança. Era difícil abrir mão disso.
Depois disso, ele viajou. E eu também viajei.
Fui encontrar amigos e resolver algumas questões, inclusive problemas grandes. Acabei voltando antes dele, ainda remoendo tudo o que tinha acontecido.
Tentei conversar, de verdade. Mas ouvi coisas como:
— Se a gente não se ajustar, não vai dar certo.
— Se você não se adequar, vai ficar difícil.
— Eu fiz muitos sacrifícios para estar com você.
E vieram outras frases que soavam como cobranças silenciosas, quase dívidas emocionais.
Acabei me culpando.
Não demorou para que eu tivesse meu primeiro rompante e dissesse, com firmeza, que eu não precisava passar por aquilo e que não merecia passar por aquilo.
Curiosamente, isso aconteceu justamente quando eu estava mais nervosa e preocupada.
E era o dia em que ele voltava de viagem.
Se eu tivesse que apontar uma música para descrever tudo, ainda seria Lisboa, da Ana Vitória com Lenine.
Nunca uma música fez tanto sentido, principalmente nos trechos “eu vejo sua cara e teu querer perverso” e “se for por mim, vai ser assim, é só você querer”.
Como eu disse, as coisas começaram a mudar. E, se eu tiver que apontar uma data específica, foi 22/12.
Antes disso, já estávamos bastante inseridos na rotina um do outro. Surgiam indiretas como “não tem uma escova de dentes tua aqui?” e eu acabava levando uma das minhas de viagem para lá. Depois vinha “precisa de um travesseiro teu aqui” e lá ia eu levando mais algo.
Conforme os comentários apareciam, eu via certa lógica em levar algumas coisas. Mas, curiosamente, depois surgia o discurso oposto: “você é invasiva, está colocando suas coisas na minha casa”. E, claro, aquela sensação de estar simultaneamente fazendo o certo e o errado começou a aparecer. A dualidade se instalou.
Mesmo assim, fiz um esforço grande para não me deixar afetar por isso.
Depois vieram frases como “tem algumas coisas tuas me incomodando”, mas essas coisas quase nunca eram ditas claramente. Quando eram, muitas vezes estavam ligadas à minha personalidade.
Até que, no dia 22/12, enquanto ele estava viajando e conversávamos havia horas, algo aconteceu.
Falávamos sobre sexo quando ele começou a comentar insatisfações, coisas de que sentia falta e também sobre o padrão de mulher que sempre havia preferido.
A forma como o assunto surgiu já me causou desconforto. Foi atravessado, difícil de digerir. Aos poucos, apareceram falas com traços machistas, outras racistas, além de certa objetificação. Aquilo me atravessou profundamente e me colocou imediatamente em posição de defesa.
Quando você é uma mulher que já viveu muitos relacionamentos e estuda culturas afetivas, acaba aprendendo a reconhecer ciclos de violência, sejam físicos ou psicológicos.
O gaslighting ficou claro como a luz do sol conforme outras situações foram acontecendo depois.
Fiquei insegura comigo mesma, insegura sobre ele, insegura com ele e com a possibilidade de perdê-lo. A ansiedade aumentou e vários gatilhos foram acionados, não necessariamente por traumas, mas pelo reconhecimento de padrões, pela fidelidade aos meus valores e por muitas outras questões.
Ao mesmo tempo, essa percepção sempre batia de frente com a parceria que ele demonstrava. O apoio quando eu precisava, os elogios públicos, os gestos de cuidado. Tudo se chocava, e não havia como não ficar confusa. Então comecei a me recolher mais para tentar entender.
Mas, naquele momento, eu ainda acreditava em uma coisa: pelo tipo de homem que ele demonstrava ser, ele iria me ouvir, pedir desculpas, ajustar o que fosse preciso e seguiríamos em frente.
Não foi nada disso…
{Visão}
"E dói, dói tentar vasculhar esses pensamentos mal escritos que parecem auto destrutivos toda vez que os toco."— Aquele Valente

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Os encontros foram acontecendo naturalmente, um se inserindo no dia a dia do outro de formas cada vez mais fofas. Sim, já havia sentimento, amor e muitas histórias trocadas, principalmente as dele sobre o fim do casamento, o ponto em que as coisas ficaram na vida dele e a fase de grande privação de prazeres para conseguir quitar dívidas e reorganizar a própria vida.
Depois de alguns dias, soltei, quase em tom de brincadeira:
— Se completar um mês, vou ser obrigada a te pedir em namoro.
E foi o que aconteceu. No dia 27/11, eu pedi e ele aceitou.
Ele conheceu meu marido, minha cachorra e chegou a querer adotar uma cachorra da ONG da qual sou voluntária e vice-presidente. Preferi sugerir que ele fosse lar temporário primeiro.
Ele acabou escolhendo, junto com o filho, justamente a cachorra por quem eu tinha mais carinho no abrigo: a Pantera.
Vieram então dias cheios de amor, muita conexão, conversas longas, tentativas de assistir a filmes que quase nunca terminávamos e noites de sono tranquilas, daquelas realmente restauradoras.
Mas, infelizmente, as coisas começaram a mudar. E, quando essa mudança começou, dentro de mim também teve início uma das maiores lutas internas que já vivi…
Gosto de acordos silenciosos, do respeito que não precisou ser pedido e da consideração que não precisou ser cobrada.
e o resto da história será sobre a ausência disso
"Preciso de um tempo
para organizar o caos
que se instalou aqui dentro."
-E se tudo fosse poesia?
Algumas despedidas não fazem barulho. Elas acontecem no exato instante em que a gente para de tentar. E eu parei.
Escriturias

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Eu ainda amo, mas aprendi que amor sem chão vira afogamento.
Escriturias
Recomeçar não aconteceu como nos contos. Não houve luz descendo do céu, nem promessas suaves. Houve silêncio. E uma escolha pequena, quase invisível: continuar. Recomeçar foi acordar cansada e ainda assim levantar. Foi aceitar que algumas versões minhas precisavam morrer para que eu pudesse respirar sem pedir permissão. Não voltei inteira. Voltei verdadeira. E isso foi suficiente.
Escriturias