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There'll be a moment when you realise you're 27 when yesterday you were just 17; and you wouldn't be able to tell how a decade passed away and your life got divided into before and afters. The fury of youth will subdue and nothing will really change but everything will feel different when you look at old photographs and blurry videos taken on cheap mobile phones. Scents will remind you of childhood and certain friends you don't talk to anymore, hangouts will become reunions and mom's burnt pie will become the best food you ever had. And I know on some days you won't be able to show anything of those 10 years but I hope you remember to breathe, and let go of the knot in your chest. I hope you go out in the sun and live a little, because tomorrow is 37.
-Ritika Jyala, excerpt from The Flesh I Burned
It rained all night and I miss my childhood. It's a short poem, I've had a long long night and a short life. I've been trying to remember my grandpa's smile but memory is a treacherous thing. It rained all night and I miss everything I've forgotten.
-Ritika Jyala, excerpt from The Flesh I Burned
Nikki Giovanni, The Collected Poetry, 1968-1998

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tudo já desmoronou há muito tempo
minha existência é entre escombros
It's been raining all day. I'm not old yet but I'm not young either- stranded in a limbo of young adult. All my friends are cities away, and I'm wondering who I am. My friends are photos and texts. My friends are video calls on Friday nights, most anyways. My friends are one call away but my bones remember the miles between us, hundreds- even thousands. I'm not old yet, but my shoulders bear the weight of countless goodbyes. I'm not young either. I can place a call but I stare at the rain. I can send a text but I write a stupid poem.
-Ritika Jyala, excerpt from The Flesh I Burned
pensei que sabia tanto sobre a vida, mas quando me vem o amor, percebo que nada sei. talvez o fato de dar farelo aos porcos, me faz um ser louco. já busquei um amor sereno, mas não me cabe. sou gigante, ou minúscula para não me preencher do mesmo. o amor não é meu tédio, meu bem. mas as pessoas, sob a moléstia, perdidas na transformação do egocentrismo e na modernidade dessa geração infeliz.
eu sou ainda a loucura fatiga dos amores não vividos. sou um corpo que se desabrocha nas palavras, desdobra no calor, e se desenrola nos dedos trêmulos de uma ânsia. mesmo sendo ele quebrado e impertecente, o que há em mim é bonito. o meu quietismo da vida é observar toda a insignificância que tem sua beleza e precisa da sua devida atenção. hoje, agora, ainda tenho a cisma. o atrito que tudo o que me toca, faz perde-me novamente. em palavras e neste corpo envolto pelo despejo do sentimentalismo sem repouso. eu nunca soube de fato o que era o amor, e pensei que ele era você.
De certa forma deixei de acreditar em muitas coisas.
eu sumi, depois pensei em suicÃdio, depois comprei do cigarro mais barato e fumei na praça após pegar três horas de sol. dia desses perdi vinte reais, foi há duas semanas e eu chorei tanto, tanto, tanto. voltei pra casa e contei meus comprimidos, foi quase, foi por tão pouco, mas aà eu dormi e continuei acordando e levantando e lavando o cabelo e tomando água e chorando e morrendo de calor e esquecendo de algum trabalho na faculdade e sentindo sentindo sentindo. ontem na praça, estava tão cansada, havia passado pelo psiquiatra e meu mamilo esquerdo tá inflamado, meu piercing escureceu e meu dente dói e meus olhos doem e minha lÃngua tem um gosto azedo. aà ontem na praça eu descobri umas coisas e fiquei triste por um tempo. ninguém vale nada pra ninguém, a verdade é essa. voltei pra casa e abri meu mapa astral e fui contar minhas casas, depois deitei pra dormir, mas não dormir, só sonhei, sabe aquela música do cazuza, onde ele diz que sonhou que caÃa do vigésimo andar? pois é. eu não amo ninguém, eu não amo ninguém e é só amor que eu respiro. eu só tenho isso aqui, sabia? eu só tenho um tumblr, meus livros do caio, meus livros da clarice, os cds do chico, minha psicóloga que entende no SAVIS. eu não tenho mais nada, eu não tenho mais fé em Deus ou que a economia irá melhorar ou que vou me aproximar de meu pai ou que vou beijar a menina que eu gosto no cinema semana que vem ou que meu ex namorado vai ligar e dizer sabe estive pensando em você ontem à noite. eu não tenho ninguém, eu não amo ninguém e é só amor que eu respiro. tenho aberto o tumblr de madrugada, quando acho que não tem ninguém acordado e fico lendo alguns textos ruins demais duma época em que eu acreditava que alguém podia ser ruim e pergunto o que fizeram comigo meu deus, o que fizeram comigo? eu pergunto e insisto na pergunta mas ninguém responde.

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ontem eu vi uma menina parecida comigo no didicos e me deu uma saudade enorme de mim. tô tendo minha primeira crise financeira da vida adulta. pela primeira vez tendo angústia porquê acaba a grana, mas mês ainda tem, porquê o inverno tá chegando, porquê minha famÃlia mora longe, porquê parece que apostei na profissão errada quando decidi refazer meu currÃculo pela sétima vez desde que cheguei e iniciar cursos novos. tô com uma dor insuportável no pescoço, meu travesseiro é alto e nada fofo. sonhei que minha conta de água bonita setenta e quatro reais e quarenta e um centavos, o chuveiro parou de pingar, minha sandália descolou, o meu tênis tá com um furo, meu cabelo tá ressecado. eu nunca me senti tão cansada antes como me sinto agora.
tô tão desacreditada, sabia? querendo largar tudo e virar telemarketing, auxiliar de cozinha, caixa de supermercado. sei lá
incenso de canela. domingo de tempo bom. eu trancada no quarto. você chamaria de fracasso. eu gosto. a gente poderia ligar pra alguém e fazer alguma coisa, mas tô com preguiça. disse agora um negócio que me traduz com quase toda a totalidade do mundo: quero o privilégio de não ser algo a mais. de poder ser uma terça-feira à tarde. ai. nada além. eu quero a rotina insistente que te move e comove através dos dias. é mesmo tudo tão previsÃvel assim? é, mas eu quero. eu não aguentaria nada senão isso.
acho que quero amar assim também, como quem pacientemente escolhe batatas no mercado. eu acordo cedo e sete e meia já escolhi a carne e tô na fila pra moe-la. tem três pessoas na minha frente. quando elas chegaram? há os que são e estão mais atrelados a esse sistema do que eu e sinceramente? eu os admiro. ainda perco tempo checando uma coisa ou outra que não preciso. eles não têm o que checar, por isso já estão na fila enquanto eu ainda tô escolhendo. é como um balé, eu acho. ainda tropeço, mas não por muito tempo. não por muito tempo.
você sonha com o extraordinário? eu também sonhei. eu também quis. eu também imaginei. meu deus. era tudo tão bonito e colorido e nada hoje perdeu a cor embora eu imagine e queira coisas diferentes, nada perdeu a magia só porque mudei os desejos. então não precisa ter medo. sério. a vida continua sendo uma maratona ainda que você escolha desacelerar.
você ainda vai chegar, só noutro tempo.
e aà me lembro de quantos amores me fizeram doer porque meu tempo era outro. entendi agora que doeu porque eu queria que o meu fosse o deles. hoje meu tempo é só o meu tempo.
e eu não o troco pelo de ninguém.
ele tinha a vida dela inteira nas mãos
meu pai deixou minha mãe quando eu tinha quatro anos. demorei onze pra descobrir o porquê.
outra mulher, outros filhos, os mesmos erros
enquanto eu a assistia amá-lo e não tê-lo, fui construindo a ideia de que por vezes o amor é isso. foi, afinal, o que eu fiz por você. te amei e amei e amei por anos sem qualquer parcela de algo parecido de volta.
outras mulheres, outros términos, os mesmos erros
e enquanto você voltava pra me ferir por estar ferido, pacientemente eu cuidei. lambi e sequei suas queimaduras, esquecendo das minhas, deixando criar marcas, deixando. você estava lá, mas eu seguia sendo deixada, não é?
você se arrependeu?
acho que não importa agora. não só porque fui embora, mas porque não teve volta. eu nunca voltei ou te aceitei voltar. quando eu parei de te amar, eu parei de te esperar. exatamente como a minha mãe abandonou por ter sido abandonada vezes demais.
porque ela me ensinou que fins às vezes são só fins. não merecem e não precisam ser nada além.
tenho minha vida inteira nas mãos
e à s vezes sou egoÃsta e má o suficiente para desejar que ainda te doa tê-la perdido.
iemanjá levou minhas chaves de casa. foram três dias entre o dia que me dei conta de que não conseguiria entrar em casa a tempo até o dia em que deitei na sala e entendi que não era aqui onde ela queria me impedir de estar. tem lugares onde eu fico por pena de ver o fim, de lidar com o fim, de atravessar o fim. de admitir: não funciona. de desesperar porque quase sempre quero engrenagens intactas, quero a superfÃcie lisa e funcional. nunca as entranhas da vida desgastada tendo que ser reinventada. das relações virando outras relações. das pessoas crescendo em direções opostas. hoje eu disse: meu maior medo com ele não é ele não gostar de mim, mas ele achar que eu não gosto dele porque fui embora. existe essa ficção de que gostar de alguém significa pedir posse. que absurdo é dizer: gosto mais de você porque não quero te ver fazendo ou isto ou aquilo. uma vez a coisa mais bonita que alguém me disse foi à s sete da manhã: hoje eu não consigo fazer nada por você. talvez outro dia. porque me deixou livre pra ter um dos melhores dias possÃveis, uma vez que aquele planejado não aconteceria. à s vezes a coisa mais bonita que alguém pode dizer é que não vai dar mesmo agora, nessa vida, nesse ciclo. foi quando eu vi que iemanjá me tomou as chaves pra me fazer buscar outros caminhos e me dei conta exatamente do que bloqueava. à s vezes eu é que preciso dizer: hoje eu não consigo fazer nada por você, talvez outro dia. // era a cassiana quem dizia: vou ao parque, mas num ritmo diferente do seu. torço que mesmo em descompasso, a gente se reencontre logo cedo.
eu nunca tive medo do mar, nem quando criança. minha mãe dizia que era sempre um problema me tirar da água. mas, veja bem, demorei a aprender a nadar. acho que sempre gostei muito de qualquer coisa da qual não sei me defender. foi assim contigo. a possibilidade de derrota me atraiu e quando percebi, quando me dei conta, naufragamos.
sempre pensei que amar tinha que ser como a ressaca pós tempestade porque tu me ensinou assim, mas foi no balanço do barco de ontem à tarde que me dei conta de que o barato do amor é mar calmo. tem a força toda de destruir, mas prefere cuidar. é sempre mais honesto quando o maior dos monstros é quem opta por ser gentil. tu me disse isso uma vez. eu acreditei. sempre acreditei em tudo que diz. mas não foi essa a sua escolha, foi?
a cor azul a cor branca o céu e a curva da terra no horizonte. acho que possuà várias coisas bonitas com minha memória. vi no sorriso dos outros. me vi. ser gostado é pular no gelado sem medo. vai ter alguém ali.
quando eu não pude contar com a gente foi quando eu aprendi lições valiosas sobre limites. não porque eu te deixei ultrapassar os meus e sim porque eu não os criei. eu quis ser emoção sem ser proteção. eu era jovem.
ainda sou.
mas o mar que eu navego hoje tem correntezas que não me levam mais até você.

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à s vezes tenho dificuldade de ir dormir, mesmo com toda a exaustão, só porque eu sei que vou ter que acordar e não quero. a realidade tem me dado um puta medo paralisante.Â
As coisas acontecem de uma hora pra outra. Mesmo que demorem a vida inteira pra acontecer.
viver minha idade, aproveitar o presente, abrir os olhos, me permitir enxergar que isso é viver e não esperar. parar de correr tanto do que me faz sorrir, aceitar a simplicidade das coisas. a complexidade não é garantia de certeza. amar. é isso que eu tenho desejado, é isso que eu desejava à um ano atrás e não sabia.
o amor é agora um abraço quente e um carinho no cabelo. simples assim, como deve ser. amar por nada, se entregar para a gentileza.
se entregar ao começo de ano mais doce da minha vida.