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Você me diz que,
Nem tudo que eu quero
Poderei ter
Mas você, meu bem
É a prova viva do erro
Desta proposição.
-KSR
Eu me vejo
Me observo
Me sinto
E sei
O quão difÃcil é
Estar dentro de mim.
Sou uma morada complexa
Uma incógnita
Múltiplas mutações
Novos eus diários
Confusões
Mas, é neste mar difuso
Que eu me afogo
Me entrego
Sinto e carrego
Todo o ódio e amor
De ser eu mesma.
-KSR
O doce gosto da liberdade
Viciante, terno
Como um beijo que não queremos
Acabar
Quanto o sexo quando não queremos
Parar
O doce gosto da liberdade
De sentir que se tem asas
Para voar
Mesmo que sejam imaginárias
Estão lá, prontas para sentir
O céu
O doce gosto da liberdade
Me seduz, me excita
Me manda para as alturas
Sem que eu tire os pés do chão
O doce gosto da liberdade
Acompanha um azedume
Estar só, é estar livre
Entretanto, sempre gostei de
Sabores azedos.
-KSR
Os desejos mais profundos
Ardem na minha alma
A vontade de viver loucamente
De percorrer o mundo inteiro
Só para me encontrar
Sabendo que
Nunca me encontrarei
Não sou fixa, imutável
Sou constante, lÃquida
Os desejos mais profundos
Ardem sob minha pele
Gritando tudo que eu gostaria
De fazer
Os desejos mais profundos
Não só ardem
Incendeiam
Fogo incandescente
Que ilumina tudo que sou
Tudo que serei
Os desejos mais profundos
Chamam por terceiros
Quem irá me atender?
-KSR

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Ser escritor é ser nostálgico e melancólico.
É poder ver sua evolução de forma triste e silenciosa.
É ler textos antigos de uma época em que o amor era lindo e fantasioso.
É reviver amizades e amores que já se foram e não voltam mais.
É analisar sentimentos passados e se sentir ridÃculo por ter dado tanta importância para algo tão fútil.
Mas, acima de tudo, é olha para sua versão anterior em sua forma mais pura e despida.
Escrever é se despir de forma atemporal.
-KSR
Aprendi a observar silêncios!
Os silêncios escondem os mais profundos sentimentos, sejam de amor ou ódio.
Aprender a ouvÃ-los é fundamental, mas aprender a ouvir os próprios silêncios é terrÃvel.
Entender todo o redemoinho de emoções assombrosas que perpassam os nossos corpos, é olhar para dentro de nós mesmo no interior mais profundo e reservado.
É olhar para o abismo e sentÃ-lo olhando de volta!
É impressionante como nos guiamos por caminhos que jamais esperávamos seguir, mas que, justamente por nossas próprias ações, que chegamos a isso.
É impressionante como culpamos o outro ou o sobrenatural, por não estarmos onde querÃamos estar quando na realidade é nossa culpa, e não há ninguém além de nós mesmos responsáveis por isso.
Depositar nossas falhas em personagens fantasiosos é sermos imaturos o suficiente para não assumir os nossos erros.
-KSR
Novas fases, novos erros, novos acertos...
A vida se constitui disso, andar caminhos tortos que não te levarão a lugar algum mas, por conveniência, aprendemos a dar significado ao NADA.
Colocar propósitos em tudo é algo humano, viver é algo animal... Uma junção perigosa e afetiva, com consequência drásticas.
Mas essa é a virtude da humanidade: Contemplar coisas sem significado algum mas que se tornam extremamente importantes pelos efeitos que permitimos que elas nos causem.
Como cantado por Belchior: "Andar caminho errado, pela simples alegria de ser..."
-KSR
Sobre mudanças...
Com o passar do tempo, com os tropeços e vitórias, aprendemos que as mudanças (nesse caso falo das internas) são essenciais para que possamos viver.
Afinal, se não tivessemos tantas mudanças morreriamos com as mesmas ignorâncias e erros.
Estar em uma nova fase não é esquecer das passadas, mas olhá-las com carinho por saber que aquelas concepções foram moldadas e reformuladas de acordo com o seu amadurecimento.
Dito tudo isso, o ponto que quero chegar é que estou em uma nova fase, na qual me encontro reflexiva sobre assuntos diversos (voltados principalmente para o âmbito social) e sobre mim mesma, mas de forma que a cada dia sinto que novos tabus foram quebrados em mim, novos conhecimentos absorvidos e um novo eu resurgindo.
Com isso, pretendo escrever minhas reflexões e debates internos nesse blog. Não me importo se não terá muita visibilidade (ou nenhuma), meu objetivo principal é escrever para mim mesma no futuro, que eu possa usar tudo isso para me tornar cada vez uma nova extensão atualizada de mim mesma.

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Velha roupa colorida - Belchior
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho
Black bird, assum preto, o que se faz?
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Assum preto, pássaro preto, black bird, me responde: Tudo já ficou atrás
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Black bird, assum preto, pássaro preto, me responde: O passado nunca mais
Nunca conseguirei descrever tudo que esse livro me signfica, sua leitura mudou minha vida.
Me fez entender quão insignificante é a procura por algo tão instável quanto o amor e o futuro, como hoje somos tudo e amanhã, nada. Talvez, Bukowski você tenha me tornado melancólica e sem perspectivas mas, de uma forma ou de outra, isso me caiu muito bem. Quebrar paradigmas irreais, ilusões que nunca irão acontecer, amores que sempre irão nos fuder, você me ensinou a ser real, sentir real, viver real. Afinal, viver não passa disso, uma sobrevivência em que, certas vezes, precisamos de algo que nos faça se sentir menos idiotas, como álcool ou um romance que você sabe que vai acabar na merda. Enfim, no momento, prefiro o álcool. Afinal, é sábado a noite a cidade toda está bêbada.
Metáfora.
Eu acordei, meio atordoada e sonolenta, abri os olhos mas, por mais contraditório que seja, era como se não os tivesse aberto, tudo ainda era escuro e o ambiente muito denso. Levantei tentando tatear alguma coisa mas nada estava ao meu alcance, tentei andar mas o caminho era incerto, não havia interruptores nem nada que me indicasse que alguma luz poderia se acender, mesmo assim andei, estufei o peito e lutei com a covardia, "Coragem garota, coragem". Parecia não ter fim, que lugar era aquele? Tenho sonos pesados, mas sempre me recordo de dormir, e não me lembrava de ter deitado e adormecido, até isso me era incerto, tudo era. Horas e horas passaram, (sera que passaram? Não tinha mais noção do tempo) eu andava e andava e nada alcançava, quilômetros e quilômetros de uma escuridão sem fim.
Até que finalmente uma luz surge, tão fosca e escura, que ainda me era confuso enxergar.O ambiente era vasto, mas havia somente um caminho pela frente, não era uma luz afinal, o ambiente era aberto e todo o céu era composto de algo parecido com uma aurora triste e escura, de um escarlate fechado e medonho, não me restava escolha a não ser seguir a trilha.
Era um caminho pequeno, no máximo três pessoas uma do lado da outra conseguiriam passar, fui para a borda, olhei para baixo, um abismo imenso. Pensei ser mais um dos meus pesadelos, eles são recorrentes e sempre bizarros, mas algo me indicava que era além disso, era pior e real. REAL.
Minha cabeça fervilhava, nada fazia sentido. Será que eu havia morrido e estava no inferno? Não, isso iria contra todas minhas concepções e eu não sou o tipo de pessoa que dá o braço a torcer, não, eu mantenho minhas raÃzes fundas. Estava totalmente confusa, já "rezava" ao meus querido teóricos para que não tivessem me enganado, que não tenham me feito acreditar em todas as teorias, viver uma vida herege para no final ser tudo uma mera mentira, não, eles não fariam isso comigo, claro que não.
Nada se via a frente, não havia final, não chegava em nada, o que eu estou vivendo? Será que estou louca? Estava fraca, de tanto andar, minha boca secava, meu corpo suava e minha cabeça latejava de uma dor profunda. Eu não tinha medo, não temia o que vinha pela frente, o que me aflingia era a incerteza, sempre fui de certezas, buscar respostas e fazer tudo com confiança e controle, mas aquilo me enlouquecia, que merda era aquela?
Não há saÃda, não há destino, não há nada, só o escarlate que agora me enoja. Pensei em pular, era um abismo mesmo se eu morresse não iria me importar, não mesmo. Mas não queria morrer agora, pessoas inteligentes não merecem uma morte tão insignificante, então continuei andando.
Finalmente, vejo alguma coisa vindo em minha direção, deve ser alguém pra me salvar, grito por socorro, mas a pessoa continua andando sem nenhum sinal de que me ouve. Se aproxima cada vez mais, seu rosto é desfigurado, não consigo indentificar o que é olhos, boca, nada. Seu corpo é torto e sem forma, mas eu sei que é uma pessoa, de alguma forma eu sei. Chegou, estamos cara a cara, sua face é horrenda mas não me causa medo, nem um pouco. Se aproxima mais, o que parece ser sua boca encosta em meu ouvido e sussurra:
"Eu sei quem é você! Este é o seu fim. Achou que sua vida seria glória, sempre se julgou tão inteligente e intocável, se acha mais esperta que a morte, pois saiba que até os mais fortes choram e imploram perdão e suplicam que eu não os leve, e ,você, se acha tão forte mas vai se ajoelhar e chorar mais rápido que qualquer outro. Pode ser inteligente, mas isso é além da sua capacidade."
Me ajoelho e imploro perdão, a criatura se abaixa e ri da minha cara, em um momento vulnerável o jogo no abismo, sem piedade e remorso, o vejo cair e rio, gargalho...