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mikinha vc não acha invasão de privacidade a stella ficar indo na casa de vcs o tempo todo? já pensou em trocar a fechadura?
Bem, eu e Giulia meio que demos a chave pra ela e falamos que ela podia sempre se sentir muito a vontade, então assim... ela é um pouco folgada e tem coragem de dizer que falo muito, sendo que vive aqui comendo bolo e me ouvindo falar. Mas eu jamais trocaria a fechadura, gosto muito de quando ela aparece e a amo demais.
como é a sua dinâmica familiar? vc acha que a giu tem mais direito de TIA por ser irmã do gio ou isso é uma imensa baboseira?
É perfeita, imagina morar e passar sua vida toda com a Giulia ao seu lado, sabe? Ainda ter uma cambada de amigo e sobrinho que aparece com frequência e torna tua vida mais divertida. Isso ai é baboseira e ela sabe disso. Depois pergunta pros filhos do irmão dela quem é a tia favorita deles.
como foi a sensação de ver suas melhores amigas se casando hein
Cara sabia que eu sempre soube que a Kath ia ser a primeira a casar? Sem brincadeira. O casamento dela foi a coisa mais linda do mundo, ela de noiva, sério! Não sei quem chorou mais: ela, o Gio, a Giu, a Gia... nossa como se parecem, enfim, ou eu. Mais feliz ainda porque era o Gio. Só de ver o jeito que ele sempre olhou pra ela dava pra ver que ele embarcaria em qualquer loucura com ela e por ela... tanto que tiveram três filhos, né! Ai, foi muito lindo. Quando a Gia casou... acho que foi o dia mais feliz da vida dela. Depois que ela conheceu o Icarus ela só falava dele pra cima e pra baixo, era muito fofo. Ai teve aquela época difícil com o Amycus, mas ainda bem que acabou e que por força do destino (ou da vontade minha e da Kath do Amycus m*****) o Icarus voltou. Ela também contou tantas vezes e com muitos detalhes sobre como eles ficaram juntos, coisa mais linda. Eu tinha certeza que quando ela casasse ia ser uma coisa inesquecível. Nossa, chorei muito também, ainda mais quando eles falaram os votos deles. Casal poético, né? Enfim, eu as amo demais e ter visto as duas casando com certeza está entre minhas memórias preferidas.
olivia ou jamie? responda rápido
As duas. Que inclusive podiam sim a aprender a conviver e conversar sem parecer dois animais enjaulados ou no cio, mas tudo bem. A Jamie desde pequena andava pra cima e pra baixo atrás de mim no café, queria saber de tudo, sem falar que apesar dela ser a cara da mãe dela com o pai, gosto de pensar que ela também herdou várias coisas de mim. A Liv, nossa, é impossível olhar pra ela e não ver a Gia. Eu lembro quando ela nasceu, foi tão bonito. Eu costumava pensar que talvez ela fosse ter algum irmão, mas ela sempre encaixou tão bem nessa vida sendo ela e os pais, é sempre bonito de ver.

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vc não achou mt engraçado que sua afilhada tá apaixonada por uma morena que cozinha sei lá achei familiar
Eu achei muito!!! Mas quando comentei com a Giulia ela fez uma cara de poucos amigos, acho que ela não apreciou tanto assim... mas deve ser algo de família, né? Queria muito conhecer a querida, mas a Stella é muito chata e não quer apresentar.
quando vc soube que provavelmente ia passar o resto da sua vida com sua loira
Acho que na primeira vez que eu falei que a amava (sem perceber) e ela surtou tanto que passou uns dias sem olhar na minha cara. Ou talvez quando ela falou que eu devia arrumar minhas coisas e quando eu não entendi ela disse que a gente ia morar juntas.
i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
Pequenas coisas podiam se tornar coisas imensas; como um trabalho da faculdade, uma conversa despretensiosa acabar mudando todo o curso de sua vida. Efeito borboleta. Giulia gostava muito do filme, mas nunca achou que viveria algo assim. No final, o que precisava acontecer sempre acontecia. Se você ama o que você ama ou vive em incessante revolta contra isso, o que você ama é o seu destino. Lembrava-se bem de ter lido isso em algum lugar quando nenhuma daquelas palavras faziam sentido para ela. E Giulia não estava dizendo que amava Tomika, não iria tão longe assim ainda, mas encontrá-la parecia seu destino. “You’re pretty obvious too.” Brincou, rindo enquanto seus dedos ainda se perdiam nos fios ao redor do rosto dela. “Eu quis dizer se você sabia que eu não sabia.” Fugiu do olhar de Tomi, a vulnerabilidade sempre lhe causava vergonha. “Você é, na verdade, a primeira mulher com quem eu tive qualquer coisa.” Giu pensou em levar aquela verdade consigo para sempre, mas era difícil não querer contar todos os seus segredos a Tomika quando você olhava para ela.
Tomika apertou os olhos na direção de Giulia, uma expressão engraçada em seu rosto. "What's that supposed to mean, huh?" Existia sempre um ar de implicância entre elas, como se a linha da sobrancelha levantada de uma estivesse diretamente ligada ao fio do riso da outra. Não conseguia imaginar fazendo aquilo com mais ninguém e o pensamento, embora imenso, não assustou Tomika. Ela abriu a porta pra ele e o deixou entrar, se acomodar no sofá e até ofereceu um chá. Ninguém é o que sente e sentimento algum no mundo era particular, mas Tomika lidava com as coisas de peito aberto, uma serenidade que nem sempre lhe era amiga, mas até ali não tinha reclamação alguma. Olhou para Giulia, de repente muita coisa fazendo sentindo em sua cabeça. O jeito que ela fugia e voltava, dizendo que estava tudo uma bagunça e não poderiam ter nada. Tomika não era de julgar e não tinha se adentrado muito sobre o assunto, mas deixou um beijo suave na mão da loira como se dissesse que estava tudo bem. "É o charme dos Andrews," brincou, tentando deixar as coisas mais leves. "Devo ter deixado as coisas bem confusas pra você, imagino. Desculpe por isso, meu bem."
“You know exactly what I mean.” Riu com a expressão de Tomika, a indignação dela sempre provocava um riso frouxo em si. Particularmente era muito fã de toda reação que provocava nela como se cada pequena interação entre as duas fosse um presente. Poderia fazer isso por toda sua vida, irritá-la, brincar com seus fios, morder para depois assoprar… tornar cada pequena coisa algo exclusivamente delas. Giulia tinha descoberto que era muito boa em fugir, mas não em fingir afinal esconder-se era bem mais fácil que mentir e a loira estava fatalmente ligada a verdade. Por isso sempre acabava admitindo o que a assustava, principalmente quando quem escutava era alguém de olhos tão bonitos e penetrantes. “You’re insufferable.” Revirou seus olhos, puxando sua mão de volta para si. “Um pouco,” era verdade, “mas acho que o problema era mais eu do que você de qualquer forma.” Assentiu devagar mais para si mesma, tinha dado tantas voltas até chegar ali e apesar de ter tentado culpar Tomika pela dificuldade em entender o que passava em sua mente agora sabia que era ela mesma a responsável por toda confusão. “Eu não tenho problema nenhum mais, se quiser saber.” Voltou a olhar para a imensidão castanha que sempre a engolia e entendia tantas outras coisas agora. “Com você talvez um pouco,” implicou porque sempre implicaria com ela, “mas não com isso aqui.” Deixou que seus dedos se enrolassem nos de Tomika mais uma vez. Não fugiria mais, era o que Giulia estava tentando dizer, ainda tinha muitos medos mas estava disposta a enfrentá-los.
Talvez Tomika soubesse mesmo, ela era boa em saber de muitas coisas. As coisas que ela mais gostava, no entanto, era justamente as que ainda não sabia, que ainda iria aprender. E Tomika gostava muito de descobrir novas coisas. Como tons diferentes de dourado, castanho. O som novo de uma risada, de uma súplica. Como a sensação de uma pela morna sob seu toque, de olhar para alguém e sentir uma vontade inexplicável de estar perto. Giulia era muitas coisas, um mundo que Tomika não conhecia, mas que gostaria muito de descobrir, de mergulhar.
Assim que Giulia tirou a mão da sua, Tomika sentiu falta do toque dela. Não falou nada porém, somente observando a loira, sentindo que tudo era extremamente grande e ao mesmo tempo insignificante se comparado aquele singelo momento que elas dividiam em um sofá. Agora que Giulia tinha colocado tudo pra fora, era muito fácil de entender tudo e Tomika se sentiu até um pouco mal de tornar tudo tão difícil para a loira. “Eu já acho que você tem vários outros problemas,” replicou naturalmente, um sorriso já presente em seu rosto. E se Tomika fosse mesmo um problema, coisa que ela pensava ser, queria então poder ser o problema de Giulia — soava bem, não? Apertou a mão da loira, aliviada de ter aquele toque pra si novamente. Voltou sua mão livre para o rosto dela, um carinho deixado na pele bronzeada. “De todas as ondas que você já surfou nessa vida duvido que essa tenha sido a maior delas. Mas estou orgulhosa de você de toda forma.”
O ano novo nem havia chegado de fato e Giulia já se sentia uma pessoa totalmente nova. Tinha enlouquecido, era verdade, ainda não entendia como um buraco não havia surgido no chão de seu quarto depois de andar tanto em círculos lá. Mas ela estava bem agora, finalmente estava bem. E era verdade também que sua loucura tinha tudo a ver com a morena a sua frente, mas seu reencontro consigo mesma também tinha. Sentia que a cada bolo, toque, palavra compartilhados com Tomika era um passo em direção a quem deveria ser, a quem sempre tinha sido. Giulia queria se descobrir além daquele ponto, queria descobrir sobre Tomika e as vezes queria descobrir ela. Não conseguia imaginar seus dias sem que ela estivesse lá.
“Acho que você é o maior dos meus, parando para pensar.” E murmurou um “ridícula” rindo baixo. Imagina não gostar da aventura? Não surfar uma onda porque sente muito medo dela? Imagina não conseguir chegar no ponto mais alto do seu medo e depois mergulhar feliz pela coragem? Tomika era sua onda e também a prancha que a guiava tranquila sobre toda e qualquer água. Giulia nunca tinha gostado de quando o mar estava calmo demais, não era divertido. Que bom que sempre se sentia em movimento quando estava com ela, que bom que s coisas tinham sido exatamente como foram. “A maior não, mas acho que a mais importante.” Seu tom era ameno, seus dedos deixando um carinho sobre os dela, seus olhos focados onde a pele delas se tocavam. Um dia conseguiria colocar em palavras melhores e mais bonitas tudo o que sentia. “Dorme comigo hoje, tenho certeza que suas amigas conseguem se ocupar.”
Às vezes um momento que parece tão simples, tão pequeno, consegue mudar o rumo de tudo. Tomika não saberia dizer, não ainda, mas aquela tarde fria, porém incontestavelmente morna, dividindo um sofá verde com Giulia parecia ser exatamente aquilo. E não era demais, ao mesmo tempo que era tudo, era engraçado assim. Dividir momentos com a loira tinha sido assim desde o começo, incansavelmente paradoxal, incrivelmente bom e não parecia que mudaria tão cedo - Tomika esperava que não.
"Assim você infla meu ego, sabia? Que honra." Colocou uma mão no peito, seu tom implicante como sempre presente. Mas parando pra pensar, não era realmente? Ah, ser chamada de ridícula pela garota que você gosta... que honra. Era bom esse sentimento que compartilhava com Giulia, de darem os passos juntas, sem precisar ter pressa e sabendo que a outra estaria bem ali segurando sua mão. Fazia muito tempo que Tomika não sentia nada sequer parecido e ela fez uma nota mental de agradecer Giulia qualquer dia. "Sweet talker," replicou tranquilo, um sorriso em seu rosto. "Em falar nisso, você ainda me deve umas aulas de surfe no verão, não pense que esqueci." Não que Tomika já tenha sequer chegado perto de uma prancha, mas era o pensamento que importava. Murmurou baixo, se ajeitando para se esticar no sofá e deitar sua cabeça no colo de Giulia. "Não é como se minhas amigas não estivessem super ocupadas com os queridos delas." Na verdade tinha quase certeza ter visto Gia se esgueirar de noite pra dentro do quarto que Icarus estava ficando, mas ela podia estar sonhando. "Mas claro, amor, não é como se você precisasse pedir. Eu tenho uma condição, porém! Você tem que me deixar dormir abraçada com você."
Giulia balançava sua cabeça, um sorriso incrédulo em seu rosto enquanto escutava o tom implicante de Tomika e pensava como ela, com aquele mesmo timbre, tinha virado sua vida de cabeça para baixo, a deixado maluca e com uma vontade incansável de saber tudo o que ela pensava. De recusar o chá de sua avó a aceitar que fluía toda vez que via o sorriso da mulher a sua frente, depois que todas as metáforas acabavam sobrava Giulia e Tomika num sofá verde, juntas, e isso bastava.
“Não pense você que eu não estou contando os dias para o verão chegar e te ver em cima de uma prancha.” Suas duas coisas preferidas juntas? Poderia até sonhar com essa exata cena todas as noites. “E você me deixando dormir só todos esses dias…” Reclamou com os dedos já perdidos entre os fios escuros de Tomika. “Nesse frio ainda.” Era um pecado realmente. “Hmmm, acho que posso fazer esse sacrifício.” Fingiu pensar por mais tempo do que o necessário, mas quando respondeu já estava próxima o bastante para deixar um selar sobre os lábios da outra. “Não vou te deixar sair de lá nunca mais, espero que entenda os riscos.”
"Está ansiosa pra me ver de bíquini, Giulia Scatorccio?" Levantou as sobrancelhas, um sorriso zombeteiro em seu rosto. Tomika gostava bastante de ir a praia, mas o fazia menos do que gostaria. Não tinha problema, no entanto, algo lhe dizia que passaria a frequentar bastante o oceano ao lado de Giulia. "Você nunca me chamou," disse displicente. "E era só invadir minha cama também. Eu te reconheceria mesmo dormindo." Parando pra pensar, talvez devesse mesmo ter ido até o quarto de Giulia. Apesar da manta quentinha de sua cama, tinha certeza que o calor do corpo da loira teria a aquecido muito melhor. Sorriu, encontrando o rosto de Giu com sua mão e a mantendo perto o suficiente para roubar outro beijo - gostava muito daquela proximidade. "Não se preocupe, já vou chegar no seu quarto de mala e tudo. Não tenho vontade nenhuma de sair de perto de você."
vc já parou pra pensar que agr que a kath e o gio vão ter um bb meio que isso liga vc e a giulia pra sempre
Lindo isso, né?
amiga o que vc esta achando da kath grávida?
Bicha veio a mim em sonho tipo mês passado, acredita?
Dito isso tô muito feliz!!! Meu sonho ser tia!! Vou deixar ela no balcão do café cuidando de tudo comigo, lindo! Sem falar que a Kath tá muito linda, você já viu?! Dizem mesmo que mulheres grávidas tem um brilho diferente.
Ah, é sobre o Gio: já salvei tua vida com um pedaço de pau, posso muito bem acabar também! Cuida direito da sua princesa e do seu bebê.

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oi diva com que cor de calcinha vc passou a virada do ano tbm to querendo uma loira bonita pra mim
Sabe que não lembro? Faz bastante tempo. Mas eu indico um dourado, meu bem, vai que chama pela cor dos cabelos, né?
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@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
Pequenas coisas podiam se tornar coisas imensas; como um trabalho da faculdade, uma conversa despretensiosa acabar mudando todo o curso de sua vida. Efeito borboleta. Giulia gostava muito do filme, mas nunca achou que viveria algo assim. No final, o que precisava acontecer sempre acontecia. Se você ama o que você ama ou vive em incessante revolta contra isso, o que você ama é o seu destino. Lembrava-se bem de ter lido isso em algum lugar quando nenhuma daquelas palavras faziam sentido para ela. E Giulia não estava dizendo que amava Tomika, não iria tão longe assim ainda, mas encontrá-la parecia seu destino. “You’re pretty obvious too.” Brincou, rindo enquanto seus dedos ainda se perdiam nos fios ao redor do rosto dela. “Eu quis dizer se você sabia que eu não sabia.” Fugiu do olhar de Tomi, a vulnerabilidade sempre lhe causava vergonha. “Você é, na verdade, a primeira mulher com quem eu tive qualquer coisa.” Giu pensou em levar aquela verdade consigo para sempre, mas era difícil não querer contar todos os seus segredos a Tomika quando você olhava para ela.
Tomika apertou os olhos na direção de Giulia, uma expressão engraçada em seu rosto. "What's that supposed to mean, huh?" Existia sempre um ar de implicância entre elas, como se a linha da sobrancelha levantada de uma estivesse diretamente ligada ao fio do riso da outra. Não conseguia imaginar fazendo aquilo com mais ninguém e o pensamento, embora imenso, não assustou Tomika. Ela abriu a porta pra ele e o deixou entrar, se acomodar no sofá e até ofereceu um chá. Ninguém é o que sente e sentimento algum no mundo era particular, mas Tomika lidava com as coisas de peito aberto, uma serenidade que nem sempre lhe era amiga, mas até ali não tinha reclamação alguma. Olhou para Giulia, de repente muita coisa fazendo sentindo em sua cabeça. O jeito que ela fugia e voltava, dizendo que estava tudo uma bagunça e não poderiam ter nada. Tomika não era de julgar e não tinha se adentrado muito sobre o assunto, mas deixou um beijo suave na mão da loira como se dissesse que estava tudo bem. "É o charme dos Andrews," brincou, tentando deixar as coisas mais leves. "Devo ter deixado as coisas bem confusas pra você, imagino. Desculpe por isso, meu bem."
“You know exactly what I mean.” Riu com a expressão de Tomika, a indignação dela sempre provocava um riso frouxo em si. Particularmente era muito fã de toda reação que provocava nela como se cada pequena interação entre as duas fosse um presente. Poderia fazer isso por toda sua vida, irritá-la, brincar com seus fios, morder para depois assoprar… tornar cada pequena coisa algo exclusivamente delas. Giulia tinha descoberto que era muito boa em fugir, mas não em fingir afinal esconder-se era bem mais fácil que mentir e a loira estava fatalmente ligada a verdade. Por isso sempre acabava admitindo o que a assustava, principalmente quando quem escutava era alguém de olhos tão bonitos e penetrantes. “You’re insufferable.” Revirou seus olhos, puxando sua mão de volta para si. “Um pouco,” era verdade, “mas acho que o problema era mais eu do que você de qualquer forma.” Assentiu devagar mais para si mesma, tinha dado tantas voltas até chegar ali e apesar de ter tentado culpar Tomika pela dificuldade em entender o que passava em sua mente agora sabia que era ela mesma a responsável por toda confusão. “Eu não tenho problema nenhum mais, se quiser saber.” Voltou a olhar para a imensidão castanha que sempre a engolia e entendia tantas outras coisas agora. “Com você talvez um pouco,” implicou porque sempre implicaria com ela, “mas não com isso aqui.” Deixou que seus dedos se enrolassem nos de Tomika mais uma vez. Não fugiria mais, era o que Giulia estava tentando dizer, ainda tinha muitos medos mas estava disposta a enfrentá-los.
Talvez Tomika soubesse mesmo, ela era boa em saber de muitas coisas. As coisas que ela mais gostava, no entanto, era justamente as que ainda não sabia, que ainda iria aprender. E Tomika gostava muito de descobrir novas coisas. Como tons diferentes de dourado, castanho. O som novo de uma risada, de uma súplica. Como a sensação de uma pela morna sob seu toque, de olhar para alguém e sentir uma vontade inexplicável de estar perto. Giulia era muitas coisas, um mundo que Tomika não conhecia, mas que gostaria muito de descobrir, de mergulhar.
Assim que Giulia tirou a mão da sua, Tomika sentiu falta do toque dela. Não falou nada porém, somente observando a loira, sentindo que tudo era extremamente grande e ao mesmo tempo insignificante se comparado aquele singelo momento que elas dividiam em um sofá. Agora que Giulia tinha colocado tudo pra fora, era muito fácil de entender tudo e Tomika se sentiu até um pouco mal de tornar tudo tão difícil para a loira. “Eu já acho que você tem vários outros problemas,” replicou naturalmente, um sorriso já presente em seu rosto. E se Tomika fosse mesmo um problema, coisa que ela pensava ser, queria então poder ser o problema de Giulia — soava bem, não? Apertou a mão da loira, aliviada de ter aquele toque pra si novamente. Voltou sua mão livre para o rosto dela, um carinho deixado na pele bronzeada. “De todas as ondas que você já surfou nessa vida duvido que essa tenha sido a maior delas. Mas estou orgulhosa de você de toda forma.”
O ano novo nem havia chegado de fato e Giulia já se sentia uma pessoa totalmente nova. Tinha enlouquecido, era verdade, ainda não entendia como um buraco não havia surgido no chão de seu quarto depois de andar tanto em círculos lá. Mas ela estava bem agora, finalmente estava bem. E era verdade também que sua loucura tinha tudo a ver com a morena a sua frente, mas seu reencontro consigo mesma também tinha. Sentia que a cada bolo, toque, palavra compartilhados com Tomika era um passo em direção a quem deveria ser, a quem sempre tinha sido. Giulia queria se descobrir além daquele ponto, queria descobrir sobre Tomika e as vezes queria descobrir ela. Não conseguia imaginar seus dias sem que ela estivesse lá.
“Acho que você é o maior dos meus, parando para pensar.” E murmurou um “ridícula” rindo baixo. Imagina não gostar da aventura? Não surfar uma onda porque sente muito medo dela? Imagina não conseguir chegar no ponto mais alto do seu medo e depois mergulhar feliz pela coragem? Tomika era sua onda e também a prancha que a guiava tranquila sobre toda e qualquer água. Giulia nunca tinha gostado de quando o mar estava calmo demais, não era divertido. Que bom que sempre se sentia em movimento quando estava com ela, que bom que s coisas tinham sido exatamente como foram. “A maior não, mas acho que a mais importante.” Seu tom era ameno, seus dedos deixando um carinho sobre os dela, seus olhos focados onde a pele delas se tocavam. Um dia conseguiria colocar em palavras melhores e mais bonitas tudo o que sentia. “Dorme comigo hoje, tenho certeza que suas amigas conseguem se ocupar.”
Às vezes um momento que parece tão simples, tão pequeno, consegue mudar o rumo de tudo. Tomika não saberia dizer, não ainda, mas aquela tarde fria, porém incontestavelmente morna, dividindo um sofá verde com Giulia parecia ser exatamente aquilo. E não era demais, ao mesmo tempo que era tudo, era engraçado assim. Dividir momentos com a loira tinha sido assim desde o começo, incansavelmente paradoxal, incrivelmente bom e não parecia que mudaria tão cedo - Tomika esperava que não.
"Assim você infla meu ego, sabia? Que honra." Colocou uma mão no peito, seu tom implicante como sempre presente. Mas parando pra pensar, não era realmente? Ah, ser chamada de ridícula pela garota que você gosta... que honra. Era bom esse sentimento que compartilhava com Giulia, de darem os passos juntas, sem precisar ter pressa e sabendo que a outra estaria bem ali segurando sua mão. Fazia muito tempo que Tomika não sentia nada sequer parecido e ela fez uma nota mental de agradecer Giulia qualquer dia. "Sweet talker," replicou tranquilo, um sorriso em seu rosto. "Em falar nisso, você ainda me deve umas aulas de surfe no verão, não pense que esqueci." Não que Tomika já tenha sequer chegado perto de uma prancha, mas era o pensamento que importava. Murmurou baixo, se ajeitando para se esticar no sofá e deitar sua cabeça no colo de Giulia. "Não é como se minhas amigas não estivessem super ocupadas com os queridos delas." Na verdade tinha quase certeza ter visto Gia se esgueirar de noite pra dentro do quarto que Icarus estava ficando, mas ela podia estar sonhando. "Mas claro, amor, não é como se você precisasse pedir. Eu tenho uma condição, porém! Você tem que me deixar dormir abraçada com você."
i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
Pequenas coisas podiam se tornar coisas imensas; como um trabalho da faculdade, uma conversa despretensiosa acabar mudando todo o curso de sua vida. Efeito borboleta. Giulia gostava muito do filme, mas nunca achou que viveria algo assim. No final, o que precisava acontecer sempre acontecia. Se você ama o que você ama ou vive em incessante revolta contra isso, o que você ama é o seu destino. Lembrava-se bem de ter lido isso em algum lugar quando nenhuma daquelas palavras faziam sentido para ela. E Giulia não estava dizendo que amava Tomika, não iria tão longe assim ainda, mas encontrá-la parecia seu destino. “You’re pretty obvious too.” Brincou, rindo enquanto seus dedos ainda se perdiam nos fios ao redor do rosto dela. “Eu quis dizer se você sabia que eu não sabia.” Fugiu do olhar de Tomi, a vulnerabilidade sempre lhe causava vergonha. “Você é, na verdade, a primeira mulher com quem eu tive qualquer coisa.” Giu pensou em levar aquela verdade consigo para sempre, mas era difícil não querer contar todos os seus segredos a Tomika quando você olhava para ela.
Tomika apertou os olhos na direção de Giulia, uma expressão engraçada em seu rosto. "What's that supposed to mean, huh?" Existia sempre um ar de implicância entre elas, como se a linha da sobrancelha levantada de uma estivesse diretamente ligada ao fio do riso da outra. Não conseguia imaginar fazendo aquilo com mais ninguém e o pensamento, embora imenso, não assustou Tomika. Ela abriu a porta pra ele e o deixou entrar, se acomodar no sofá e até ofereceu um chá. Ninguém é o que sente e sentimento algum no mundo era particular, mas Tomika lidava com as coisas de peito aberto, uma serenidade que nem sempre lhe era amiga, mas até ali não tinha reclamação alguma. Olhou para Giulia, de repente muita coisa fazendo sentindo em sua cabeça. O jeito que ela fugia e voltava, dizendo que estava tudo uma bagunça e não poderiam ter nada. Tomika não era de julgar e não tinha se adentrado muito sobre o assunto, mas deixou um beijo suave na mão da loira como se dissesse que estava tudo bem. "É o charme dos Andrews," brincou, tentando deixar as coisas mais leves. "Devo ter deixado as coisas bem confusas pra você, imagino. Desculpe por isso, meu bem."
“You know exactly what I mean.” Riu com a expressão de Tomika, a indignação dela sempre provocava um riso frouxo em si. Particularmente era muito fã de toda reação que provocava nela como se cada pequena interação entre as duas fosse um presente. Poderia fazer isso por toda sua vida, irritá-la, brincar com seus fios, morder para depois assoprar… tornar cada pequena coisa algo exclusivamente delas. Giulia tinha descoberto que era muito boa em fugir, mas não em fingir afinal esconder-se era bem mais fácil que mentir e a loira estava fatalmente ligada a verdade. Por isso sempre acabava admitindo o que a assustava, principalmente quando quem escutava era alguém de olhos tão bonitos e penetrantes. “You’re insufferable.” Revirou seus olhos, puxando sua mão de volta para si. “Um pouco,” era verdade, “mas acho que o problema era mais eu do que você de qualquer forma.” Assentiu devagar mais para si mesma, tinha dado tantas voltas até chegar ali e apesar de ter tentado culpar Tomika pela dificuldade em entender o que passava em sua mente agora sabia que era ela mesma a responsável por toda confusão. “Eu não tenho problema nenhum mais, se quiser saber.” Voltou a olhar para a imensidão castanha que sempre a engolia e entendia tantas outras coisas agora. “Com você talvez um pouco,” implicou porque sempre implicaria com ela, “mas não com isso aqui.” Deixou que seus dedos se enrolassem nos de Tomika mais uma vez. Não fugiria mais, era o que Giulia estava tentando dizer, ainda tinha muitos medos mas estava disposta a enfrentá-los.
Talvez Tomika soubesse mesmo, ela era boa em saber de muitas coisas. As coisas que ela mais gostava, no entanto, era justamente as que ainda não sabia, que ainda iria aprender. E Tomika gostava muito de descobrir novas coisas. Como tons diferentes de dourado, castanho. O som novo de uma risada, de uma súplica. Como a sensação de uma pela morna sob seu toque, de olhar para alguém e sentir uma vontade inexplicável de estar perto. Giulia era muitas coisas, um mundo que Tomika não conhecia, mas que gostaria muito de descobrir, de mergulhar.
Assim que Giulia tirou a mão da sua, Tomika sentiu falta do toque dela. Não falou nada porém, somente observando a loira, sentindo que tudo era extremamente grande e ao mesmo tempo insignificante se comparado aquele singelo momento que elas dividiam em um sofá. Agora que Giulia tinha colocado tudo pra fora, era muito fácil de entender tudo e Tomika se sentiu até um pouco mal de tornar tudo tão difícil para a loira. “Eu já acho que você tem vários outros problemas,” replicou naturalmente, um sorriso já presente em seu rosto. E se Tomika fosse mesmo um problema, coisa que ela pensava ser, queria então poder ser o problema de Giulia — soava bem, não? Apertou a mão da loira, aliviada de ter aquele toque pra si novamente. Voltou sua mão livre para o rosto dela, um carinho deixado na pele bronzeada. “De todas as ondas que você já surfou nessa vida duvido que essa tenha sido a maior delas. Mas estou orgulhosa de você de toda forma.”
i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
Pequenas coisas podiam se tornar coisas imensas; como um trabalho da faculdade, uma conversa despretensiosa acabar mudando todo o curso de sua vida. Efeito borboleta. Giulia gostava muito do filme, mas nunca achou que viveria algo assim. No final, o que precisava acontecer sempre acontecia. Se você ama o que você ama ou vive em incessante revolta contra isso, o que você ama é o seu destino. Lembrava-se bem de ter lido isso em algum lugar quando nenhuma daquelas palavras faziam sentido para ela. E Giulia não estava dizendo que amava Tomika, não iria tão longe assim ainda, mas encontrá-la parecia seu destino. “You’re pretty obvious too.” Brincou, rindo enquanto seus dedos ainda se perdiam nos fios ao redor do rosto dela. “Eu quis dizer se você sabia que eu não sabia.” Fugiu do olhar de Tomi, a vulnerabilidade sempre lhe causava vergonha. “Você é, na verdade, a primeira mulher com quem eu tive qualquer coisa.” Giu pensou em levar aquela verdade consigo para sempre, mas era difícil não querer contar todos os seus segredos a Tomika quando você olhava para ela.
Tomika apertou os olhos na direção de Giulia, uma expressão engraçada em seu rosto. "What's that supposed to mean, huh?" Existia sempre um ar de implicância entre elas, como se a linha da sobrancelha levantada de uma estivesse diretamente ligada ao fio do riso da outra. Não conseguia imaginar fazendo aquilo com mais ninguém e o pensamento, embora imenso, não assustou Tomika. Ela abriu a porta pra ele e o deixou entrar, se acomodar no sofá e até ofereceu um chá. Ninguém é o que sente e sentimento algum no mundo era particular, mas Tomika lidava com as coisas de peito aberto, uma serenidade que nem sempre lhe era amiga, mas até ali não tinha reclamação alguma. Olhou para Giulia, de repente muita coisa fazendo sentindo em sua cabeça. O jeito que ela fugia e voltava, dizendo que estava tudo uma bagunça e não poderiam ter nada. Tomika não era de julgar e não tinha se adentrado muito sobre o assunto, mas deixou um beijo suave na mão da loira como se dissesse que estava tudo bem. "É o charme dos Andrews," brincou, tentando deixar as coisas mais leves. "Devo ter deixado as coisas bem confusas pra você, imagino. Desculpe por isso, meu bem."

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i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”
Desde o primeiro dia, estar ao lado de Tomika era um tanto estranho. Seus sentidos se bagunçaram imediatamente, seu mundo pareceu expandir e todas suas certezas se transformaram em grandes dúvidas. No entanto, maior do que tudo isso, estar ao lado dela era estranhamente bom. Confortável, engraçado, tranquilo. Claro que tinha pensado nela ao lembrar do chá que sua avó fazia, do chocolate quente que bebia, tudo isso a deixava morna por dentro. “Acho que vou aceitar mesmo, algo me diz que vou gostar.” Sorriu para ela, seus olhos escondendo a verdade em suas palavras e achava que Tomika entendia. Será que ela sabia o quão importante para Giulia era ter o apoio dela? A mão em seu joelho, seu tom reconfortante, ela ali, simples assim. Giu esticou-se para também deixar sua caneca sobre a mesa de centro, tentando não afastar a mão da morena com seu movimento. “Obrigada,” uma de suas mãos encontrou a da outra, levantando-a até os nós dos dedos de Tomika encontrarem seus lábios e então depositar um beijo em sua pele. “Você sabia?” Sua outra mão agora prendia alguns fios morenos atrás da orelha da outra, se demorando sobre os fios.
O sorriso que Tomika abriu ao escutar as palavras de Giulia só era equivalente a sensação morna que tomava cada espaço de seu corpo. Era como um vulcão, mas no lugar de explodir e jogar lava e fumaça pra todo lado, sentia que aos poucos ia se derretendo, se moldando a terra como a leva fazia ao escorrer lentamente de sua origem. Era irônico, porém significativo, que no meio de toda aquela neve o que lhe esquentava era o sorriso de Giu, suas palavras doces, seus toques suaves. O chocolate quente ajudava, claro, mas não era o principal. Deixou um carinho sobre a perna da loira, o beijo em sua mão lhe causando vontade de gritar e rir ao mesmo tempo. “Sim,” respondeu suave, sua mão livre tomando a mão de Giulia que antes estava em seu rosto. “Não necessariamente que eu gostava de mulheres, mas que com certeza não gostava de homens.” Riu baixo, brincando com os dedos da loira enquanto deitava a cabeça contra o estofado do sofá. “Algumas coisas a gente sabe, outras a gente descobre no meio do caminho.” Algumas a gente entende no meio de dezembro, com a neve caindo do lado de fora e um mundo inteiro compartilhado entre duas pessoas.
i want to run my fingers through your hair and tell you i’ve never done this before with someone like you | giutomi
@tomikandrews
“By the way, you can not criticize anything about this hot chocolate, ok? I don’t own a coffee shop like someone might,” Giulia se antecipava, segurando duas canecas de chocolate quente em suas mãos. “É como minha mãe fazia pra gente e eu vou sim jogar neve na sua cama enquanto você dorme se não gostar.” Avisou mais uma vez, sua voz firme mas falhando em esconder o fundo divertido em seu timbre. Admitiria que não foi sua melhor ideia fazer aquela bebida para a dona de todas as coisas gostosas que já tinha provado, porém estava com frio e queria fazer algo para Tomika enquanto todos ainda esquiavam e elas tinham um pouco de paz.
Rindo, Tomika revirou os olhos. “Eu ainda nem experimentei o chocolate e não só você acha que não vou gostar como acha que vou criticar?” Perguntou com diversão, esticando sua mão para poder segurar a caneca azul. “Você sabe que se jogar neve na minha cama eu vou simplesmente ir dormir com você, não sabe?” Talvez precisasse criticar a bebida quente só para ter uma desculpa válida para dormir ao lado da loira - era uma opção interessante. “Mas sério, obrigada por isso, meu bem.” Procurou os olhos de Giulia, dando uma piscada pra ela e se afastando um pouco para que ela pudesse sentar ao seu lado.
“O que você quer que eu diga? Você é cheia de gracinhas,” disse em uma acusação. “É um sacrifício que eu estou disposta a fazer.” Levantou seus ombros como se fosse realmente muito árduo o ato de dividir uma cama com Tomika, como se não estivesse sentindo falta de fazer exatamente isso. Giulia sentou-se ao lado da morena, sorrindo para ela e balançando sua cabeça para dizer que não era nada demais. E isso era uma mentira, não era? Porque Giu não era tão cuidadosa com ninguém que não seu irmão e definitivamente nunca havia sido com ninguém que estivesse envolvida de alguma forma. Geralmente, não poderia se importar menos e com Tomika… se importava demais. Baixou os olhos para a caneca em suas mãos, tomando um gole lento. “Então? Bom?”
"Faz parte do meu charme," deu de ombros, assoprando um pouco seu chocolate quente, pois sempre que tomava cedo demais acabava por queimar sua língua. "É? Pois saiba você que gosto de abraçar enquanto durmo, então esteja logo avisada." Será que não poderia ela mesmo inventar qualquer desculpa esfarrapada para ir dormir com Giulia? A loira saberia na hora sua mentira, mas estava disposta a passar por isso por algumas horas de sono ao lado dela. Com cuidado, tomou um bom gole do chocolate quente, fazendo um som de aprovação no fundo de sua garganta. "De verdade? É um nove sólido. Você já pode inclusive trabalhar lá no café comigo... ou será que é mais correto chamar sua mãe? A receita é dela no fim do dia."
“Eu já dormi com você uma vez, lembra?” Numa noite um tanto confusa e inesperada, logo depois de terem dividido uma banheira. A lembrança era tão quente quanto a caneca em duas mãos. “Minha avó então, ela que é a grande mente por trás.” Sorriu carinhosamente, depois assoprou o chocolate quente. “Ela é uma mulher muito fina, sabe? Minha avó. Nem sempre ela teve dinheiro, mas sempre fez questão de só comer ou beber o que achava muito bom.” Gostava muito dela, lembrava bem de como desejava ter a postura da mais velha quando era criança. “Ela é a maior fã de chás da história também.” Erva cidreira, boldo, canela… ela tinha todo um arsenal. “Toda vez que a gente vai lá ela oferece uma xícara de chá pra mim e pro Gio, desde que a gente era pequeno.” Tomou um gole demorado, quase conseguindo escutar o ‘querem chá?’ de sua avó. “A gente nunca aceitou, claro.” Riu um pouco, finalmente voltando a olhar para Tomika. Giu gostava muito de contar histórias, era um dos motivos que tinha a atraído até o jornalismo, a arte de contar algo a alguém. E ali, olhando para a morena, tinha uma espécie de epifania e poderia jurar que quase conseguia tocar um pedaço de sua história com seus dedos.
“Como eu poderia esquecer?” Devolveu tranquila, tomando mais um gole de seu chocolate quente e sentindo mais um sorriso se formar em seu rosto. Escutou com carinho enquanto Giulia falava da avó, um morno envolvendo seu corpo que com certeza não provinha somente da bebida quente que consumia. Conseguia imaginar uma Giulia pequena, com os pés sem alcançar o chão numa cadeira de madeira, ouvindo a avó falar sobre a vida e tomando um chá; a careta que Giulia fazia ao negar o chá Tomika também conseguia ver bem. “Sua avó parece ser encantadora,” disse com um sorriso, passando suavemente os dedos de sua mão livre nos fios loiros de Giulia. “Deve ser de família,” piscou. “E eu entendo porque nunca aceitou chá quando era criança, mas qual sua desculpa pra não aceitar nos dias de hoje?”
“Ela é o máximo,” concordou, seu rosto se inclinando em direção à mão de Tomika em seus fios. “Hábito, eu acho.” Sua mente divagava, ponderando sobre a pergunta da outra. “É tão fácil só repetir uma coisa que você sempre disse.” Giulia apertava a caneca em suas mãos como se precisasse daquela dose extra de calor para controlar a energia que sentia crescer dentro de si. “Sabe,” começou devagar tentando tirar algo que parecia estar preso em sua garganta, “eu já namorei dois caras e acho que nunca gostei de nenhum deles.” Continuava olhando para a bebida em suas mãos, se lembrando de outras diversas coisas que fazia por hábito - ou ainda, por medo. “Acho que eu nunca gostei de nenhum homem assim.”
Tomika somente murmurou em concordância, seus dedos ainda deixando um carinho singelo entre os cabelos de Giulia. Ela era boa em falar demais, todo mundo lhe dizia isso. Mas seu verdadeira talento, pensava, era saber quando escutar. Tomou um gole de seu chocolate quente, enquanto observava Giulia com atenção e cuidado. Depois de um tempo, deixou a caneca sobre a mesa, se aproximando da loira de forma tranquila. “Hábito, eu acho,” repetiu o que ela disse, um sorriso suave em seu rosto. Sem precisar pensar muito, apoiou uma de suas mãos no joelho esquerdo de Giulia, nem que fosse pra ela saber que Tomika estava ali; Tomika entendia. “Talvez você só precise aceitar o chá da sua avó numa próxima vez que ela te oferecer. Ou talvez, se você achar que é o correto, você pode negar novamente, tenho certeza que ela não vai se importar. Você só precisa saber que é uma escolha sua.”