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Namore alguém que te olha do mesmo jeito que o Justin olha pra Jessica. ❤
Fanfic “Electric Lady” - Justin Timberlake. Capítulo 32.
JUSTIN
Bati com o telefone, atirando-o ao chão assim que fiquei sabendo pela minha mãe. Era sempre ela a portadora das más notícias. Eu sabia que o que ela queria era que eu tomasse alguma atitude enquanto houvesse tempo para isso. Eu sabia também que precisava criar coragem, me posicionar e ir atrás de Laila antes que fosse tarde demais...
Mas eu devia mesmo ir?! Isso era o certo a se fazer?! Mesmo amando-a, eu não tinha mais tanta certeza disso... Éramos diferentes, vivendo em mundos aparte e talvez tivesse sido um grande erro querer nos unir á isso. Por mais que acreditássemos, não era possível criar o nosso pequeno mundo! O nosso pequeno Paraíso jamais esteve ou estaria liberto de todas as intervenções do mundo lá fora. Mundo esse que era mais real do que tudo e que nos separava diariamente...
Peguei algumas roupas, colocando-as na mala de qualquer jeito. Peguei meus documentos, passaporte, dinheiro e saí. No caminho, cancelei alguns compromissos, ligando pra quem podia resolver isso. Nada mais era importante do que tentar mais uma vez. No que dependesse de mim, eu ia tentar, ia implorar se eu tivesse a chance de fazê-lo. Eu ia demonstrar á ela que podíamos sim ser felizes!
LAILA
Conhecíamo-nos há quase três meses e Alef não queria mais esperar. Dada à situação de meu pai, eu também achava que era o certo a se fazer. Ele parecia bem, estável, mas isso podia, infelizmente, piorar de uma hora para outra... Alef parecia ser um bom homem, era bonito, inteligente, tinha seu negócio próprio e gostava de falar com ele sempre que nos víamos. Definitivamente ele era o homem ideal pra mim.
Eu não o amava, era verdade, mas a minha vida tinha mudado tanto... Como se eu tivesse nadado, nadado e viesse a morrer na praia. Tudo o que eu havia conquistado, já não importava mais, já não fazia mais sentido pra mim... Eu não o tinha visto mais e tampouco falado com ele desde o dia em que brigamos novamente pelo telefone. Justin vinha se mostrando egoísta, mimado e tempestuoso. Em nada se parecia com a pessoa que eu havia me apaixonado.
A mãe dele, assim como a avó e o padrasto, me diziam que ele estava agindo desse modo justamente por saber que estava me perdendo. Eu sabia que era verdade, mas não havia mais nada que eu pudesse fazer quanto á isso. Éramos uma causa perdida. Eles tentavam me alertar quanto ao erro de viver um casamento sem amor, mas eu não estava mais disposta a ouvir. De onde eu vinha, casamento sem amor, aquele amor que vem com o tempo, nos poupava de certas coisas com as quais não sabíamos lidar...
Acordei pela manhã, mas a sem a mínima vontade de sair da cama. Eu não sabia o que o dia fatídico ia me oferecer, mas sentia que muita coisa aconteceria... Passei o resto do dia ajudando como podia, preparando, arrumando, saindo, comprando... O que me motivava era ver o sorriso de felicidade e satisfação no rosto dos meus pais. Pra eles, Alef era perfeito. Eles jamais souberam do meu envolvimento com Justin. De que teria adiantado dar á eles mais sofrimento e decepção?! Por esse motivo, eu tinha decidido me casar e estávamos oferecendo uma pequena comemoração, uma festa de noivado!
Por volta das 18h, parei o que estava fazendo e fui me arrumar. Tomei banho, me maquiei, prendi cabelo e coloquei um vestido simples, mas bonito nos tons vermelho e pastel e sandálias de salto. Coloquei meus brincos, colares, pulseiras e anéis de ouro, como minha mãe havia me dito pra fazer e que fazia parte da tradição. Me olhei no espelho do meu pequeno quarto. Tudo o que eu sentia era tristeza. Uma angustia enorme e uma imensa vontade de chorar...
- O que você está fazendo, Laila?!- falei com meu reflexo- Vai ser casar com outro, mesmo amando-o?!
Suspirei longamente, secando as lágrimas com as costas das mãos. Desci em direção ao nosso quintal, onde seria a comemoração. Assim que cheguei, Alef sorriu pra mim, me estendendo a mão!
- Como está linda a minha futura esposa!- me disse carinhosamente.
- Ah, obrigada!- agradeci o elogio- Você também está muito bem!
A segurei e fomos falar com o pequeno numero de convidados: alguns familiares dele, amigos e conhecidos do trabalho. De minha parte, somente meus pais, Lynn, Saddie e Paul. Meus irmãos não puderam vir, mas chegariam a tempo pro casamento no próximo mês.
Alef e eu tínhamos algo. Gostávamos da companhia um do outro, de estarmos juntos, de conversar sobre muitas coisas e embora ele me dissesse que me amava, eu não podia sentir isso e muito menos dizer o mesmo. Por mais que eu quisesse, por mais palavras doces e meigas e que ele me dissesse, elas não conseguiam chegar até o meu coração...
Ficamos por ali, cumprimentando as pessoas, recebendo as felicitações, comendo e bebendo coisas típicas de árabes. Eu realmente sentia falta de tudo aquilo, de toda aquela alegria, de ver a casa cheia de sorrisos, dança e música! Estávamos conversando, decidindo sobre a data em si e algumas coisas sobre a festa quando vi algo que fez meu coração bater descompassado, minha vista embaçar e minhas mãos suarem frio... Justin estava vindo em nossa direção!
Ele estava bonito, parecia calmo, mas eu conhecia muito bem aquele brilho em seus olhos. E então eu soube que ele tinha vindo disposto a tudo! Abaixei os olhos, encarando o chão. Eu precisava pensar logo, precisava ter o sangue frio e a cabeça no lugar ou o ajudaria a colocar tudo a perder!
- Boa noite!- ele nos cumprimentou
Meneei a cabeça somente, vendo Alef sorrir e olhar pra mim num pedido de ajuda que o ajudasse a identificar de quem se tratava.
- Desculpe, mas não estou reconhecendo-o- Alef apertou os olhos, olhando pra ele significativamente.
- Ah, me desculpe!- ele sorriu também- Justin Timberlake!- estendeu a mão- Amigo de Laila!
Apertaram-se as mãos, medindo-se mutuamente. Meu estomago parecia se revirar dentro de mim!
- Então foi você quem ajudou Laila durante o sequestro?!- Alef parecia curioso demais.
- Não- ele negou- Foi Laila quem me salvou! Sem ela, eu não teria conseguido!
- Mas foi você quem... – comecei a dizer- Você não quis ir e me deixar lá. Você de fato me salvou!- respondi decidindo a questão.
- Você veio sozinho?!- Alef olhos pros lado, procurando alguém- Quero dizer, você não trouxe sua namorada ou algo assim?!
- Ah não!- Justin fez um gesto com as mãos- Minha mãe, meu padrasto e minha avó estão ali- ele apontou- Mas fora isso não conheço mais ninguém exceto a Laila!
- Bom, pensei que sendo quem você é, que talvez você tivesse alguém!- Alef deu de ombros.
-Eu prefiro mais, como eu posso dizer?! Aproveitar a vida!- Justin disse perto dele- Imagino que vocês, devido á religião, não possam fazer o mesmo... – continuou- Se bem que Laila não pode dizer o mesmo!- ele riu abertamente.
- Como assim?!- Alef tinha ficado sério agora- O que Laila tem a ver com isso?!
- O que ele quer dizer é que... – pensei rapidamente- Que eu estava lá. Que eu sei porque vi como as pessoas como ele se comportam por aqui!
Alef assentiu, mas não parecia muito convencido. Ouvi minha mãe me chamar, me pedindo pra ir até a cozinha pegar alguns guardanapos. Pediu licença e me retirei, deixando-os ali. Tinha acabado de entrar quando ouvi a porta se fechar atrás de mim. Me virei, gritando devido ao susto! Justin estava ali, parado, me olhando...
- O que você quer?!- perguntei mexendo nas gavetas- Por que veio atrás de mim?!
- Precisamos conversar- ele tocou meu braço.
- Estou ocupada, não está vendo?!- me soltei dele.
- Laila, por favor... – disse se escorando no balcão.
Cruzei os braços na frente do corpo, esperando pra ouvir.
- Eu não sei como as coisas chegaram á esse ponto, mas sei que podemos resolver isso. Sei que podemos conversar e voltar a ser o que éramos antes de tudo isso acontecer...
- Não, não podemos- neguei- E acho melhor você ir embora. Não há nada pra você aqui!
- Por favor- ele segurou em minha mão- Me escute, é tudo o que eu peço...
- Eu não quero e não vou mais ouvir você- falei- Vá embora e me deixe viver a minha vida! O que quer que tenhamos tido acabou, Justin!
- Não, não acabou- ele sorriu nervosamente- Não finja mais, não tente me fazer acreditar que você ama aquele cara lá fora!
- EU O AMO!- gritei na cara dele.
- Não ama não- voltou a sorrir aquele sorriso que eu amava- Ainda dá pra ver nos seus olhos, Laila! Ainda consigo ver o quanto você me ama, o quanto me quer e o quanto sente a minha falta...
- Não!- me afastei- Não é verdade! Por favor, saia!
- Eu amo você- ele se ajoelhou no chão- Não sei como isso foi acontecer, mas eu tô aqui agora, deixei tudo pra vir até você, pra te dizer que eu quero você comigo, quero me casar com você, ter nossos filhos e construir nosso pequeno Paraíso, Laila! Me perdoe por tudo, eu sinto tanto...
- Justin, para- comecei a chorar.
- Vamos sair daqui. Vamos embora agora mesmo!- me disse- Já comprei as passagens! Podemos ir pra Los Angeles, nos casamos lá e voltamos! Tenho certeza de que seus pais vão entender, que todos vão entender depois que estivermos juntos, meu amor...
- Desculpe, eu... Eu não posso!
Saí, abrindo a porta com força e deixando-o ali. Corri até o banheiro, jogando água no rosto, pulsos e pescoço. Eu precisava me acalmar e agir normalmente, como se nada tivesse acontecido. Esperei algum tempo e voltei pra cozinha pra buscar os guardanapos. Por sorte, ele já não estava mais lá. Andei até o quintal, tendo que responder perguntas sobre o porquê da minha demora. Disse que eu não estava encontrando o que procurava.
Justin não estava em parte alguma. Me obriguei a agir como deveria, me portando bem e mantendo as aparências. Lynn me lançava olhares significativos e eu sabia sobre o que ela estava se referindo. Disfarcei e fui até ela que estava um pouco mais afastada conversando com a minha mãe.
- Laila querida, você viu o Justin?!- me questionou.
- Talvez eu... Talvez eu tenha falado com ele há pouco tempo atrás- menti, esperando que ela entendesse as entrelinhas- Mas foi só isso. Não há mais nada que eu possa dizer ou fazer!
Continuamos a conversar sobre coisas aleatórias como vestidos e docinhos para festas. Não muito depois, ele apareceu. Justin segurava uma garrafa de bebida alcoólica nas mãos e estava com uma moça alta, magra e extremamente bonita... Eu só queria sair dali o quanto antes e chorar. Pedi licença e saí. Quando passei por Alef, ele me chamou. Justin e a moça estavam com ele.
- Laila, venha até aqui um segundo!- ele sorria.
Dei meia volta, andando até onde estavam. Parei, sentindo meus olhos arderem já.
- Seu amigo Justin arrumou alguém!- me disse com certo ar de satisfação.
Para ele, o perigo tinha acabado de ser aniquilado!
- É só do que eu preciso hoje- Justin deu um gole no bico da garrafa mesmo- Me divertir!- e piscou pra mim.
Me virei de costas, passando pelos demais convidados. Andei até em casa e fui me sentar na varanda da frente. A rua parecia ligeiramente deserta, exceto pelos carros estacionados por quase todo o quarteirão. Eu não conseguia entender o por que dele estar fazendo aquilo comigo... Respirei o ar puro, sentindo o sufocamento passar. Fiquei ali por algum tempo até decidir ir até o meu quarto para pegar um casaco. Estava começando a fazer frio e infelizmente a festa estava longe de terminar. Eu tinha que voltar e ficar com meu noivo e seus convidados1
Entrei novamente, subindo o pequeno lance de escadas. Entrei na segunda porta á direita, no meu quarto. Abri a porta e as luzes do abajur próximo á minha cama estavam acesas. Ouvi alguns barulhos e me aproximei. De onde eu estava, parecia que havia alguém na cama... Assim que olhei, Justin e a mulher sorriram pra mim... Ambos estavam nus, com os corpos grudados, fazendo sexo bem diante dos meus olhos... Dei um grito, tapando a boca com as mãos.
Me afastei, me sentando no chão. O baque fez com que eu batesse as costas na cômoda. Eles se levantaram e Justin a beijou sem discrição alguma... Afundei a cabeça entre meus joelhos, me impedindo de ver. “De novo não”, pensei, já lembrando da vez em que eu o tinha visto com outra.
Ele a puxou pela mão, cambaleando, rindo e mal conseguindo ficar de pé! Quando ele passou por mim, me levantei, sentindo minhas costas doerem consideravelmente.
- Por que, Justin?!- eu tremia devido ao choro convulsivo- Por que está fazendo isso comigo?!
Ele me pegou fortemente pelos braços, me sacudindo ligeiramente antes de sussurrar pra mim.
- Por que você não se importa, lembra?!- sorriu com os olhos cheios de lágrimas- Acabou Laila! Pode voltar pro seu querido noivo. Não vou mais incomodar você...
Eles saíram em seguida. Corri até a cama, tirando o lençol onde eles haviam estado, atirando-o com toda a força no chão. Eu não merecia aquilo... Não merecia ser rechaçada, envergonhada e humilhada daquele jeito! Se ele soubesse o quanto eu me importava... Me atirei na cama em meio ao choro. Eu só queria morrer ali mesmo, mais uma vez em muito tempo... Meu coração tinha sido novamente estraçalhado, num único dia.
A única coisa da qual me lembro é de Lynn ter vindo falar comigo enquanto eu ainda dormia. Me levantei, esfregando os olhos e me sentando na cama.
- Laila?!- me chamou docemente- Pedia pra sua mãe pra que me deixasse falar com você antes de ir embora- ela passou as mãos pelo meu rosto.
- Eu acho que acabei dormindo, eu... Cadê todo mundo?! A festa já... Já acabou?! E o Alef...?!
- Calma- ela sorriu pra mim- Alef te achou deitada aqui. Você estava ardendo em febre, então chamamos um médico e ele lhe deu uma injeção pra que ficasse melhor- explicou- Já é tarde e todos já foram pra casa, deixando votos pra que fique bem!
Assenti. Eu me sentia muito envergonhada pelo que tinha feito, por ter deixado todos ali, sem ter um pingo de consideração...
- Só vim te dizer que Justin já foi pra casa- me contou- Sozinho!
- Não precisa me dizer, eu...
- Descanse agora!- ela me beijou no rosto- Sua vida vai mudar, minha querida! E eu espero, do fundo do meu coração, que você seja feliz apesar da escolha que fez!
Lynn se levantou, saindo devagar e com o olhar triste que só uma mãe que vê o filho sofrendo pode ter. Eu me sentia um lixo! Por tudo o que ele havia me feito, por tudo o que eu havia feito e por estar causando dor ás pessoas que eu mais amava no mundo. Eu só queria dormir. Dormir e não acordar nunca mais... (...)

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Fanfic “Electric Lady” - Justin Timberlake. Capítulo 31.
LAILA
Seis meses já tinham se passado. Minha vida tinha mudado quase que completamente. Ainda morávamos no mesmo lugar, em Memphis. Minha mãe trabalhava em casa e meus irmãos mandavam dinheiro de Dubai pra nos manter. Eu também fazia minha parte, ajudando como podia. Consegui um emprego de meio período, na parte da tarde, em uma biblioteca local. Meu trabalho era somente fazer os empréstimos de devoluções, nada muito difícil.
Meu pai estava se recuperando das sessões de quimioterapias, finalmente. O câncer parecia ter regredido um pouco, mas os médicos, apesar de tudo, não davam muitas esperanças. Tudo o que tínhamos a fazer era ter fé e seguir com nossas vidas! Lynn, Paul e Saddie eram visitas constantes sempre que podiam. Eram muito prestativos e ótimas pessoas. Eu realmente gostava deles!
Eu não o tinha visto mais. A única coisa que eu sabia é que ele estava em turnê, fazendo shows, divulgando, dando entrevistas... As vezes ele me ligava, falávamos pouco ou até mesmo nada, escutando apenas nossas respirações do outro lado da linha. Nada mais a ser dito. Nada mais a ser explicado. Era como se, de repente, nada mais nos unisse. Eu ainda o amava, claro, mas tinha que me conformar, me obrigar a aceitar que as coisas algumas vezes não são como queremos que elas sejam.
Tudo tinha sido muito bonito, um sonho lindo que por vários meses fizeram meu coração transbordar de felicidade, mas por razões que eu mesma desconhecia, havia terminado. Pensei muitas vezes em procura-lo, em falar com ele e acertar o que havia ficando pendente entre nós, quem sabe até dando início á uma possível reconciliação... Mas me mantive firme. Eu tinha o meu orgulho e ele havia sido ferido por muitas vezes. Por mais que eu o amasse, eu precisava me colocar primeiro e acima de tudo! (...)
Eu o tinha conhecido em uma tarde chuvosa depois do trabalho. Nos esbarramos no fim do meu expediente. Conversamos e nos tornamos amigos em pouco tempo. Acabei descobrindo em uma feira de artesanato, onde nossas famílias se encontraram, que Alef era muçulmano também, nascido no Afeganistão. Tínhamos muito em comum! Passávamos horas e horas conversando sobre diversos assuntos... Ele me parecia ser um bom homem, de boa índole e trabalhador.
Ele tinha seu próprio negócio e assim como meu pai, era comerciante em uma loja grande de tecidos no centro da cidade. Alef era bem educado, tinha estudo e cursado uma faculdade de administração. Alto, forte e com traços marcantes, ele era bem apessoado! Nossos pais logo ficaram amigos, desses de frequentarem a casa uns dos outros.
Não demorou nada pra que ele mostrasse interesse em mim. Seguidor de todas as tradições, pediu minha mão em casamento ao meu pai. Fui pega de surpresa com a notícia! Demorei algum tempo pra responder. Eu não queria me casar com ele, eu não o amava... Como poderia me casar com ele sendo que ainda amava Justin com todas as forças do meu ser?!
Um dia meu pai veio falar comigo. Me disse muitas verdades das quais eu não estava preparada pra ouvir. Meus irmãs tinham se casado, tinham suas famílias, suas esposas e filhos e eu não tinha ninguém. Eu precisava de alguém para cuidar de mim, precisava ter minha casa, meu marido, meu lar... Com a saída de Justin da minha vida, tudo tinha voltado a ser como era antes. Eu voltei a ser a Laila de antes, aquela que não tinha nenhuma perspectiva... Meu pai me pediu, quase implorando, pra que eu aceitasse o pedido. Ele parecia estar morrendo, parecia ser o seu ultimo pedido e eu não tinha como recusar. Eu não podia negar isso á ele...
Se eu não estava com ele, então nada mais me importava! Acabei mesmo largando os estudos, o trabalho e aceitando o noivado e futuro casamento com Alef. Meus sonhos, desejos e todo o meu amor não me serviam de nada. O que eu deveria fazer com tudo o que eu sentia?! Nada tinha valido a pena, nada mais fazia sentido. Tudo o que eu precisava agora era aceitar que, eu vivi muito tempo andando em círculos. E isso não me levou a lugar algum...
JUSTIN
Há meses que minha vida estava do mesmo jeito: shows, entrevistas, viajando o mundo... Tudo se resumia a isso. Eu não tinha tempo pra mais nada. Ou não queria mesmo ter. Me foquei o máximo que pude, me fazendo esquecer, me obrigando a pensar em outras coisas que não fosse ela. Laila ainda tomava todos os meus pensamentos! Não havia um segundo sequer em que eu não pensasse nela. Ela tinha se tornado meu vício!
Não nos falávamos há um bom tempo... Eu não tinha coragem de ligar. Falar o que exatamente?! Que a minha vida sem ela não passava de uma mentira?! Que nada parecia fazer sentido?! Eu realmente queria tentar, queria ir atrás dela e implorar pra que ela voltasse pra mim, mas no momento, eu tinha minhas prioridades. Nada era mais importante do que minha carreira. Nada! Se tínhamos que resolver algo, isso podia esperar... De algum modo, eu me sentia seguro, me sentia confiante que o nosso amor se sobreporia a qualquer coisa. Eu não precisava de garantias com ela. Laila me amava e eu sabia disso!
Quando a saudade apertava, lá estava eu, enroscado em minha cama de hotel com alguma mulher bonita, atraente e disposta a fazer sexo sem nada em troca, apenas casualmente... Eu tinha voltado mesmo a ser quem eu era, a ser quem eu deveria ser! Nesses momentos, eu tinha a certeza de que tinha feito a coisa certa ao afastá-la de mim. Eu a amava, mas sabia muito bem, conhecia muito bem o crápula que eu podia ser... E ela não merecia isso. Não ela!
E fui me entregando ao trabalho, ao cansaço, á exaustão e a noites regadas á casas noturnas, bebidas e muito sexo! Eu não dispensava nenhuma mulher, nunca! Cheguei até mesmo a ir pra cama com 2 ou 3 ao mesmo tempo. Eu tinha a ânsia de apagar toda a paixão, desejo e amor que eram só dela! Nenhuma mulher no mundo ia me fazer sentir como quando eu estava com Laila, amando-a e sendo amado em toda a nossa plenitude.
Eu sabia que era um erro. Sabia que estava tentando me enganar, me fazendo acreditar que ela podia ser substituída. Mas ela era única! Única e até então minha! Eu tinha a certeza absoluta de que ela ia me esperar, que certo ou tarde íamos ficar juntos de novo, fosse como fosse... Um amor como o que tínhamos não podia se acabar assim, por uma bobagem. A culpa tinha sido minha e tudo o que eu precisava era de um tempo até tudo se acalmar. E então eu falaria com ela, iria atrás dela e ficaria tudo bem para vivermos o nosso para sempre!
Eu não me lembro bem quando foi exatamente. Eu estava completamente bêbado em um quarto de hotel na Austrália quando meu telefone tocou. Minha mãe estava ligando pra me dar as boas novas. Laila tinha ficado noiva! Ri, debochando no tom mais irônico e cínico que eu consegui encontrar... Gritei, berrando mesmo que, por mim, ela podia ir pro inferno se quisesse! Só me lembro de minha mãe me dizer pra parar de ser infantil, pra engolir meu orgulho e voltar o quanto antes. Um segundo desperdiçado e nada mais seria como antes, tudo estaria definitivamente perdido...
Quebrei tudo, atirando as coisas ao longe, dando vazão á toda minha fúria... Como ela podia ter feito isso comigo?! Como...?! Não, não podia ser verdade! Eu custava a acreditar que ela pudesse ter sido capaz de tamanha insensatez! Num ímpeto, num segundo de fúria, dor e decepção, peguei o telefone e liguei pra ela. Se era isso mesmo o que estava acontecendo, então ela teria que me dizer. Eu tinha que ouvir dela...
- Alô?!- a voz do outro lado disse um pouco receosa.
Respirei fundo, enchendo meus pulmões de ar e tentando engolir o choro e a dor que eu estava sentindo.
- Me diz que é mentira- falei somente.
- JUSTIN?!- ela perguntou, falando mais alto.
- ME DIZ QUE É MENTIRA!- gritei com ela.
- Eu... Não grite comigo, por favor- ela parecia estar chorando agora.
- É VERDADE QUE VOCÊ ESTÁ... NOIVA?!- atirei a pergunta, como se fosse um tipo de bicho peçonhento me picando por dentro.
Silêncio. Eu podia ouvir o choro baixo, sentido e triste dela...
- Eu preciso deligar... - falou- Só me deixe seguir com a minha vida. Por favor!
O que diabos ela tinha?! Que porra era aquela?! Ela não era a Laila, a minha adorada, a mulher por quem eu havia me apaixonado e que claramente também me amava.
- É isso o que você quer?!- ri desesperadamente- Hum?! Me diga!
Novo silencio.
- Sim é isso que... Que eu quero- a voz saiu quase inaudível.
- Pois bem, eu espero realmente que vocês sejam muito felizes!- gargalhei alto- De verdade! Eu também esqueci de mencionar, mas eu também tenho alguém, Laila. Eu também sou forte o bastante pra seguir em frente. Sou forte o bastante pra te esquecer e colocar alguém em seu lugar. Você não é e nunca será insubstituível... NUNCA!
Desliguei o telefone sem ao menos dar tempo pra que ela dissesse mais alguma coisa. Me sentei no chão, totalmente desolado, chorando e convulsionando forte em um choro desesperador. Eu só queria ser capaz de morrer...
- Por que você fez isso, Laila? Por quê?!- falei comigo mesmo, colocando as mãos na cabeça- Eu te amo tanto, mas tanto...
Então era assim que tudo ia acabar? Era sim que seria o nosso fim? Tudo estava definitivamente perdido. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Por mais que eu acreditasse que ela ainda me amava, eu não tinha coragem suficiente pra implorar, não mais. Talvez esse tempo todo o meu amor não tenha sido o suficiente. Ela não tinha culpa de nada. Eu estava errado! E essa era uma punição pela qual eu estava fadado a passar.
Meu pequeno mundo, meu único e mais preciso sonho, a mulher da minha vida, a pessoa que eu mais amava no mundo, ia se casar com outro homem. Laila já não era mais minha. Ela era como a estrela brilhante pra qual eu olhava no exato momento em que senti que a tinha perdido pra sempre. Eu podia vê-la pela janela do quarto, mas não podia alcança-la. Ela era inatingível pra mim. (...)
Fanfic “Electric Lady” - Justin Timberlake. Capítulo 30.
JUSTIN
Eu não tinha mais vida. Não depois dela... Tudo o que eu sentia era tristeza, sofrimento, dor e ódio de mim mesmo pelo que eu havia feito. Se eu estava sofrendo, era minha culpa. Agi covardemente, arrancando-a da minha vida mesmo sabendo o quanto isso me custaria. E o quanto custaria á ela também. Eu sabia que tinha tirado o chão debaixo dos pés dela, assim como tinha tirado dos meus.
Eu ainda tinha minha carreira, meu trabalho e uma vida que, para muitos, era perfeita. O que muitos não entendem é que o dinheiro, o sucesso e a fama não valem nada! Nada disso importa se não há amor. Do que adianta correr o mundo se você não tem pra quem voltar no fim do dia?! Eu não tinha mais o meu posto seguro. Eu era como uma navio navegando por águas turbulentas, embarcando nas ondas e batendo sobre as rochas...
O meu pequeno Paraíso, o nosso, tinha acabado. E eu era o único culpado. Eu me sentia um lixo, um nada... Laila era tudo pra mim! Sem ela, minha vida não tinha sentido. Eu não via por que me dedicar ás coisas que eu me dedicava se ela não estivesse comigo. Eu estava me esforçando pra que? Pra quem?!
Minha mãe tinha me contado sobre o pai de Laila. Fiquei em choque. Eu só tinha o visto uma vez, em uma situação não muito favorável, mas eu sabia o quanto a família era importante pra ela. Pensei em até mesmo ir até lá, falar com ela e ajudar como podia, até mesmo com dinheiro... Mas eu sabia que ela jamais aceitaria. Ela era digna demais pra aceitar algo depois de tudo o que tinha feito.
Minha vida estava em ruínas, prestes a desabar e me levar pro mais fundo buraco. Eu queria, eu desejava, mas algo me impedia de voltar pra ela. Algo não me deixava recuar e implorar por perdão, deixando que ela conhecesse meu verdadeiro eu, se decepcionasse, sofresse e ainda assim me quisesse. Eu a amava tanto que só o que eu queria fazer era poupá-la de toda a dor que eu podia causar. Mesmo que isso custasse a minha própria! (...)
LAILA
3 MESES DEPOIS
Eu ainda podia sentir a presença dele. Era como um fantasma, me rondando constantemente. Eu tentava me focar em outras coisas e esquecer, mas o rosto dele, a voz e o cheiro ainda me assombrava, cada segundo do meu dia. E eu não sabia mais o que era vida sem ele. Era como se eu nunca tivesse existido antes dele...
Meus pais e eu havíamos comprado uma casa nos arredores da casa dos pais de Justin. O lugar era bom, meu pai tinha um bom dinheiro de suas economias e assim fizemos. Não conhecíamos ninguém na América, então ter uma família com quem pudéssemos contar era maravilhoso!
A notícia tinha me derrubado, me deixado sem chão pela segunda vez em pouco tempo... Meu pai estava com câncer. O estado dele era estável, mas ainda assim preocupante. Por esse motivo eles tinham decidido me procurar. Eu precisava saber e meu pai precisava me ver antes de... Não era certo ainda, talvez ele até pudesse se curar com os bons tratamentos nos EUA, mas ainda assim.
A família de Justin estava nos dando todo o apoio que precisávamos! Desde indicações á ótimos médicos, hospitais e até mesmo nos oferecendo um maravilhoso jantar em família! Apesar das diferenças gritantes entre eles e nosso modo de viver e ver o mundo havia uma conexão natural. Parecia que tinham se gostado desde o primeiro momento!
Eu sentia a falta dele como o ar que é necessário pra respirar, mas com a doença do meu pai, eu me obriguei a me focar em ajuda-lo somente. Era só no que eu precisava pensar. Tinha trancado a faculdade e apesar de querer trabalhar pra ajudar nas despesas, meu pai havia me proibido. Não era exatamente uma proibição, era mais como um pedido de alguém que estava fraco, abatido e que eu amava... Acabei concordando.
Eu ajudava minha mãe a cuidar da casa e fazia bolos com frutas secas e comidas árabes, que eu vendi nos arredores da vizinhança. Não era muito, mas já era alguma coisa. Eu não sabia mais como ficar parada. Havia aprendido que se pode ser muito útil lá fora. Além dele, isso era do que mais eu sentia falta, de ser útil em alguma coisa.
Meus pais e minha mãe viviam no hospital, fazendo exames, consultando médicos e lutando contra aquela doença terrível. Minha vida tinha mudado e eu sabia que a dele também. Vez ou outra, Lynn fingia deixar escapar comentários dizendo o quanto ele sentia minha falta ou o quanto ele estava bebendo demais e desperdiçando sua vida... Eu sorria somente, fingindo a mim mesma não me importar. Mas acabava comigo. E eu sentia vontade de procurar por ele e estreitá-lo em meus braços pra sempre... (...)
Eu estava deitada na cama, olhando o céu bem de frente á minha janela. Tudo naquele quarto e naquele lugar me faziam lembrar dele... A saudade esmigalhava meu peito, me dilacerando por dentro. Tudo o que eu podia fazer era me permitir sofre e chorar. Recordando momentos felizes, os planos de uma vida juntos que agora já não era mais possível.
Meu pai estava no hospital há dois dias. Minha mãe estava com ele e Lynn tinha me convidado pra ficar em sua casa, dizendo ser mais seguro. Ninguém queria me deixar sozinha, o que era bom. Mas tinha horas que tudo o que eu queria era estar só no mundo. Muito mais só do que eu já estava...
Senti meu celular vibrar em cima do criado ao lado da cama. Olhei no visor e havia duas chamadas perdidas e uma mensagem no WhatsApp. Eu sabia que eram dele. Justin me ligava rigorosamente todos os dias. Ás vezes eu atendia, escutando sua respiração do outro lado da linha... Não falávamos nada. E mesmo assim era reconfortante, amenizava o vazio que havia em mim. E me fazia pensar se ele também sentia o mesmo.
Peguei o telefone e abri o aplicativo pra ver. Minhas mãos tremiam.
“Laila, eu preciso te ver. Preciso ver seus olhos, ouvir sua voz... Não me negue isso. Eu tô pirando! Então, só atenda a ligação. Por favor...”.
Respirei fundo. Eu deveria mesmo fazer aquilo?! Eu não queria, mas ao mesmo tempo sentia a necessidade de vê-lo também... Me sentei sobre a cama e digitei a mensagem com as mãos ainda trêmulas.
“Também preciso de ver”
E em um minuto de fraqueza, acabei cedendo. Eu precisava, nem que por alguns poucos minutos. Não conseguiria ficar em paz comigo mesma se negasse isso á ele, se negasse á mim! Me sentei sobre a cama e aguardei. Meu coração batia forte e eu sentia uma imensa vontade de chorar. Segurei o celular entre as mãos e aguardei a chamada pelo Skype. Não demorou nada pra que o rosto dele invadisse a tela, fazendo meu coração gritar... Justin parecia cansado, estava abatido e embriagado!
- Laila... – a voz embragada pelo choro.
Tapei a boca com a mão que estava livre, contendo o choro forte que ameaçava vir.
- Eu precisava te ver, eu... Eu sinto sua falta. Sinto muito mesmo...
Engoli o choro. Eu precisava ser forte. Eu precisava ser forte o bastante pra não implorar por ele.
- Me diz alguma coisa, por favor... Diz que sente minha falta, que ainda me ama...
- Preciso desligar- menti, falando com a voz falha.
- Não desligue. Por favor- ele tocou a tela- Fiquei sabendo sobre seu pai e queria que soubesse que sinto muito, muito mesmo...
- Obrigada- respondi somente.
- E caso precise de alguma coisa, qualquer coisa, peça á minha mãe pra me avisar, ok?! Eu posso ajuda-lo, posso ajudar você Laila e você sabe disso... Independente do que aconteceu entre nós e...
- Obrigada- o cortei- Mas não estamos precisando de nada.
Silêncio. Ficamos por alguns minutos olhando um pro outro através da tela. Soltei o celular na cama, tapando o rosto. Eu já não estava aguentando mais vê-lo e não dizer nada. Não dizer que o amava e pedir que voltasse pra mim...
- Lala?!-o ouvi me chamar.
Peguei o celular novamente, secando o rosto com as mãos.
- Preciso deligar- falei.
- Só queria que soubesse que... Que eu ainda... Espero que possa me perdoar um dia. Espero muito que possa me perdoar e que seja feliz! E só o que eu peço...
- Você também- senti o nó em minha garganta- Cuide-se e seja... Feliz!
Apertei pra finalizar, desligando. Eu não tinha tido coragem pra dizer nada. Não tinha tido coragem nem sequer de perguntar a razão dele estar bebendo tanto. Eu esperava que as coisas fosse se ajeitar, no fundo eu ainda tinha essa esperança... Não sabia dizer se ele também, mas era fato que nenhum de nós tinha tido coragem o bastante pra reverter a situação em que estávamos.
E bastava somente uma palavra, um suspiro sequer e eu cederia. Mas pelo jeito, tudo estava realmente perdido. O que eu tinha que fazer, o que eu devia fazer era tratar de esquecer. Esquecê-lo e ser feliz com a minha família! Que sabe um dia pudéssemos voltar pra Dubai...
Não havia mais nada que me ligava á ele. Somente um coração que amava, mas que estava ferido demais, despedaçado demais pra se permitir novamente... As vezes nem mesmo o amor é o bastante. Eu sabia que o sentimento jamais desapareceria, mas eu tinha que continuar, tinha que seguir em frente. Minha vida já não podia mais depender dele. Eu precisava ser, precisava existir como eu mesma. E pela primeira vez na vida eu estava disposta a isso!
Fanfic “Electric Lady” - Justin Timberlake. Capítulo 29.
JUSTIN
Eu sabia que havia feito a pior coisa. Sabia e tinha plena consciência disso quando o fiz. Não me arrependo. Não me arrependo porque sei que foi o melhor pra ela. Eu só quis protege-la de mim mesmo... Foi de repente? Foi! Mas talvez eu só quisesse viver de verdade, nem que por alguns poucos meses. Em um modo egoísta de encarar tudo, eu só quis ser feliz, mesmo que essa felicidade tivesse prazo pra acabar.
Laila ainda é tudo o que eu amo e tudo pelo qual eu seria capaz de lutar! Nos momentos de desespero, me pego pensando em tudo o que vivemos. E meu coração de se encher de amor, minha alma pesa e a dor toma conta de tudo o que eu sou... Talvez eu tenha cometido o pior erro da minha vida. Ao invés de ter dado uma chance á mim mesmo de mudar, de ser alguém melhor por ela, eu a afastei completamente de mim. Fiz isso do modo mais cruel e desumano.
Seria bom que ela me odiasse. Se ela o conseguir fazer, estará salva! O mundo que nos uniu é o mesmo que nos separa. Vivemos como a Lua e o Sol em um eclipse, apenas isso. Já estava destinado o nosso encontro e a nossa separação. Por mais que acabasse comigo, ela precisava ir. Precisava ir e viver em seu próprio mundo. Às vezes, o amor não basta. E as vezes só ele nos basta e então ficamos com medo de nos dispor de todas as outras coisas que nos cercam, de tudo o que estávamos acostumados a ser. (...)
LAILA
Eu não sei quem sou. Não sei em que me tornei. É como se minha vida fosse uma folha em branco. Não vejo nada no passado, nada no presente e nada no futuro... Todas as linhas escritas foram arrancadas e jogadas fora. Não tenho vontade de nada. Não tenho forças pra viver... Eu só quero morrer. Morrer e acordar em outro lugar, bem longe de tudo e de todos.
O que mais me dói é não entender o porquê ele fez isso comigo. Passo os dias e as noites em claro tentando encontrar uma solução que me satisfaça, mas não encontro. Por que ele havia brincado comigo? Por que havia destruído justo á mim? Eu o amo tanto! As pessoas próximas como os pais dele e a avô me dizem constantemente que eu devo lutar. Lutar por ele! Fazê-lo enxergar, abrir os olhos pra si mesmo... Mas não posso. Não tenho forças. Sei o que ele está tentando fazer. Justin está tentando me manter afastada. No fundo, sei que ele me ama.
As pessoas podem fingir atitudes, proferir palavras falsas, mas os olhos não negam. E eu vi dentro deles o amor dele por mim. Vi em cada sorriso o quanto ele estava ali por mim... Mas não posso lutar. Mesmo que isso me mate, não posso... Quando mais perto nossos corações estiverem, mais longe estaremos! Se ser livre é o que ele quer, então ele será. Só peço que eu tenha forças pra vê-lo seguir adiante. Pra ver minha estrela brilhante brilhar no céu de outro alguém. (...)
Dois meses depois
Lynn, Paul e Saddie insistiram muito pra que eu não largasse a faculdade. Mas sinceramente, eu não tinha cabeça pros estudos. Eu não tenho mais vontade de sonhar, então qual o sentido de manter o sonho?! Eu estava perdida e ainda estou. Não me encaixo em lugar algum. Não posso ficar aqui e também não posso voltar pra onde eu pertencia. Eu não sou ninguém. E talvez esteja destinada a não ser...
Tudo o que eu mais precisava era ir embora. Mas pra onde?! Todas as pessoas que eu conhecia eram pessoas ligadas á ele. Eu não tinha um emprego, não tinha como me manter sozinha. Eu olhava praquela casa e o via em todos os lugares. Eu ainda dormia no quarto dele, na cama dele... Se isso não era um modo de me torturar, então eu não sabia o que era dor! Talvez eu permanecesse ali pra me obrigar a acreditar que tudo havia sido uma ilusão. Que meu sonho havia terminado e que eu precisava partir. Nada mais me prendia ali. (...)
Lynn me dizia pra ter calma, pra dar tempo ao tempo e esperar, que tudo ia se resolver. Eu ouvia quase sempre as conversas que ela tinha com ele ao telefone. Ela chegou a gritar com ele e dizer que ela não o reconhecia mais... Paul era sempre muito amável comigo, dizendo que assim como tinha “criado” Justin, também podia ser o meu pai.
Saddie tinha sempre muito amor e conselhos pra me dar. Um dia, os três vieram até meu quarto, emocionados quando souberam que eu queria ir embora e me pediram pra ficar. Choramos abraçados e me senti sendo abraçada pela minha família! Na verdade, eles também eram a minha família! (...)
Era um dia ensolarado e quente nos arredores de Memphis. Eu estava deitada na cama, como vinha fazendo há meses... Tinha recusado o café da manhã trazido por Lynn. Estava me obrigando a abrir os olhos e viver. Certos dias eram difíceis até abrir meus olhos... Meu corpo todo doía, minha alma gritava e meu coração parecia estar sendo atravessado por mil pedaços de facas afiadas. Eu só queria ser capaz de morrer. Eu precisava tanto dele, mas tanto... A saudade era como uma dor intensa e continua e nada, absolutamente nada do que eu fizesse parecia sequer amenizá-la.
Ouvi conversas no andar de baixo, mas não me importei. Nada me importava. Meu corpo estava magro, franzino, meu cabelo tinha perdido o brilho assim como meus olhos e minha pele estava opaca e sem vida. Eu estava morrendo lentamente... Eu tinha combinado com Lynn de irmos até um psiquiatra. Ela suspeitava que eu estava doente, me afundando em uma depressão profunda. Embora ela não falasse, eu podia a preocupação dela com Justin. Ambas sabíamos que ele mentia quando dizia estar tudo bem. A pergunta que eu me fazia era sempre a mesma: por que ele não voltava pra mim?!
Ouvi a porta abrir e fingi estar dormindo. Eu não queria sair e nem ver ou falar com alguém. Enterrei minha cabeça no travesseiro o mais forte que pude.
- Laila?!- a voz maternal me chamou de um modo amoroso.
Continuei a fingir que estava dormindo. Eu não queria parecer grosseira, mas eu realmente estava me sentindo muito mal.
- Laila querida- senti o toque das mãos suaves em meu rosto- Está dormindo?!
- Não, eu só... - me levantei, me sentando na cama- Só estava pensando...
- Então quero que se levante e desça!- ela sorriu grande!
- Não quero- neguei com a cabeça- Estive pensando em me mudar, em arrumar um lugar pra ficar- contei- Paul disse que talvez possa conseguir um emprego pra mim e...
- Não falemos disso agora- ela segurou em minhas mãos- Confie em mim! Arrume-se e desça. Tem alguém te esperando lá embaixo...
- A- alguém?!- perguntei sentindo meu coração saltar quase fora do peito.
- Acho que vai gostar da surpresa!- ela sorriu se levantando e saindo, mas não sem antes piscar pra mim.
Saí depressa da cama, afastando as cobertas. Abri o guarda roupas e vesti a primeira roupa que vi na frente. Fui até o banheiro, escovei os dentes, penteei o cabelo e fiquei parada em frente ao grande espelho do quarto.
- Allah, me ajude!- comecei a pedir- Me ajude pra que seja ele! Traga-o de volta pra mim. Por favor, faça com que seja ele...
Abri a porta e desci as escadas. Meu corpo todo tremia só com a possibilidade de vê-lo. Eu precisava tanto do abraço, dos beijos, das palavras de amor... Eu precisava falar tantas coisas, precisava... Eu só o queria ali! Queria poder vê-lo nem que por alguns segundos. Nem que fosse pra ser rechaçada novamente, ainda assim eu o queria perto de mim.
A cena que vi fez meus joelhos se dobrarem no chão. Tapei a boca com as mãos, emitindo um grito e convulsionando forte pelo choro e pela emoção: MEUS PAIS ESTAVAM PARADOS BEM DIANTE DE MIM! Uma mistura de emoções me assolando. Não era ele e isso havia partido meu coração mais uma vez. Por outro lado, eram eles... Minha mãe, aquela que trançava meus cabelos ao som de uma musica árabe. E meu pai, aquele que me levava pra passear e me colocava em cima da árvore florida em nosso quintal...
- MÃE!- gritei e corri até ela- PAI!
Me joguei em seus braços e fui recebida com o maior abraço do mundo! Fui abraçada sem jeito por ele que estava com os olhos marejados de lágrimas. A cena presenciada por Lynn, Paul e Saddie também os fizeram chorar. Ficamos abraçados por muito tempo... A saudade não cabia em nossos corações!
- Sentimos suas falta, minha filha!- meu pai me disse, acariciando meus cabelos. Ele parecia cansado e bem debilitado.
- Laila, luz do meu coração!- minha mãe beijava insistentemente meu rosto, me impedindo de me soltar- Minha amada! Minha filha!
Meu coração finalmente estava feliz de novo! Era um novo tipo de alegria! Eu estava com a minha família! Nada melhor do que eles pra me consolarem, mesmo sem saberem, no pior momento da minha vida! Contei-lhes sobre tudo o que tinha passado. Lynn, Paul e Saddie, já tinham me ouvido falar sobre como era minha vida. Eu contava, omitindo detalhes e eles somente confirmavam a minha história.
Não contei sobre Justin e eu. Eles jamais deveriam saber. Pra eles, Justin e eu éramos como irmãos. Eles acreditaram e ficaram imensamente gratos por eu ter sido acolhida, por Justin, seus pais e sua avô terem me dado uma família! Sem eles, eu estaria sozinha no mundo!
Eles nos deixaram a sós na sala pra que conversássemos. Éramos como estranho agora. Sabíamos o que tínhamos feito e o quanto essas decisões pesavam sobre quem éramos e o sobre o que éramos uns para os outros.
- Laila, eu... – meu pai estava emocionado- Eu só quero pedir perdão! Quero implorar pra que me perdoe por ter te expulsado de casa, por ter te mandado pro outro lado do mundo onde você estava tão sozinha e...
Agachei-me, ficando de frente pra ele.
- Tudo bem, papai! – peguei em suas mãos- Nada disso mais importa...
- Erramos muito minha menina. Sabemos que sim- minha mãe interveio- Mas não houve um dia sequer em que não choramos por você...
- Eu também!- falei sinceramente- Muito!
- Logo seus irmãos e eu colocamos pessoas atrás de você. Soubemos que você estava na América e só pensávamos em trazê-la de volta para nós!- meu pai contou.
- Estamos todos aqui agora. Juntos!- dei um grande sorriso- Não vamos mais nos separar, não é mesmo?! Podemos voltar pra Dubai agora mesmo... - pedi.
Ambos trocaram olhares. Eu sabia que algo estava acontecendo.
- Não vamos voltar- minha mãe suspirou longamente.
- Deixei seus irmãos tomando conta dos meus negócios- meu pai sorriu tristemente- Vamos ficar porque bem, eu preciso ficar...
- Precisa ficar?!- questionei sem entender nada do que falavam.
- Seu pai está doente, Laila- minha mãe explicou- Aqui é o melhor lugar pra ele. Seus irmãos irão nos mandar dinheiro e vamos viver juntos! Alugaremos uma casa para nós!
- Doente?!- eu ainda não entendia- Doente como?!
- Falaremos disso mais tarde- minha mãe me deu um beijo na testa.
- Agora só queremos saber de você, de como você está, minha filha!- meu pai me abraçou novamente- Teremos tempo, muito tempo pra conversarmos e resolver tudo. Mas quero que saiba de antemão que eu mudei, mudei muito... E nada neste mundo me é mais importante do que você! Nada!
Ainda ficamos conversando sobre todo o tempo em que ficamos afastados. Soube que meus irmãos tinham se casado e que os negócios de meu pai tinham prosperado mais. Isso me alegrava! Por um segundo pensei que pudesse ter minha vida de volta e apagar tudo que eu tinha vivido nos Estados Unidos.
Mas, de algum modo, isso não seria possível. Eu só não sabia como eu ia conseguir viver com os pés em dois mundos. Agora mais do que nunca, eu era a Laila vivendo na América! Com a minha família, com a família de Justin e todas as recordações e planos de uma vida nova que jamais seria minha.
Mal sabia eu que, apesar dos ias imensamente felizes que se seguiriam, o pior ainda estava por vir. Eu ainda teria que morrer mil vezes. (...)

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Fanfic “Electric Lady”- Justin Timberlake. Capítulo 28.
LAILA
Eu não sabia como lidar com tudo. Na verdade, nunca soube. Eu não era, não fui e nunca serei o tipo de mulher ideal pra ele. NUNCA! E a prova viva disso estava sendo estampada em todos os jornais do mundo, na internet, na TV e pra quem quisesse ver... Eu não tinha mais condições físicas, emocionais e psicológicas pra tudo aquilo. Eu estava morrendo, mais uma vez. Estava sendo sugada, sucumbindo na mais profunda dor e tristeza de todo o meu ser. Aquilo era muito mais do que eu podia aguentar. Era mais do que eu já suportei em toda a minha vida...
Passei a noite em claro, chorando, gritando e remoendo mentalmente tudo, exatamente tudo o que tinha acontecido comigo e com ele. Eu tinha esperanças de encontrar algum erro meu, alguma falha que apontasse na direção em que eu tinha errado. Desde o começo eu dei tudo de mim! TUDO! Tudo o que alguém seria capaz de fazer, de doar, de se entregar totalmente... Eu tinha mudado, tinha deixado de lado uma vida de costumes e tradições, tinha me transformado em outra mulher, por ELE!
Eu não era mais a Laila de antes. Eu era alguém melhor, sim, era verdade! Mas também era alguém que não era eu mesma. Eu lutava interiormente pra tentar me mudar, pra tentar me adequar a tudo e a todos só porque isso o faria feliz. Tudo o que fiz foi pensando nele. Jamais pensei em mim! Se eu tivesse que me sacrificar, se ele tivesse me negado o seu amor, ainda assim, eu estaria lá pra ele... Porque é isso o que o amor faz, é isso o que ele é!
E agora, vejo que nada disso importou. Na primeira prova, no primeiro obstáculo, ele falhou! Então, o problema não era comigo. Eu não podia obriga-lo a me amar. Não podia exigir que sentisse o mesmo e que estivesse disposto a se sacrificar por mim... EU havia me sacrificado! Ele parecia não estar disposto a fazer o mesmo... Ele tentou, admito! Mas, no fundo, eu sabia que, cedo ou tarde, nada disso importaria mais... Só eu sei como é difícil você se desprender daquilo que está acostumado a viver!
Nossos mundos sempre foram extremamente diferentes. O choque de realidades estava sempre ali, presente, por mais que quiséssemos nos enganar, afirmando que nem isso seria capaz de nos deter, de deter o que sentíamos... Justin e eu éramos muito diferentes. Eu sempre sonhei em ter uma família, um lar, algo pra chamar de meu. Embora ele quisesse o mesmo, seu espírito era inquieto, necessitava de adrenalinas diárias, de emoções corriqueiras que assolassem o seu dia a dia e isso eu não era capaz de oferecer á ele. Eu era a calmaria. E ele a tempestade! Apesar de haver um equilíbrio natural entre elas, a calmaria consegue se manter firme, mas a tempestade tem a necessidade de correr o mundo, de ser livre, de ser somente de si mesma, com toda a sua autonomia e força de espírito!
Eu não tinha descido até então. A mãe de Justin, assim como sua avó e seu padrasto, veio me ver. Tinham sabido da notícia pela TV. As consolações, frases de solidariedade e conforto, só me faziam querer morrer mais e mais e eles sabiam disso. E pior, se sentiam responsáveis por um erro que não era deles. Lynn chorava muito, me pedindo desculpas o tempo todo, dizendo que eu era como se fosse sua filha e que Justin iria ouvi-la. Ela teria uma conversa séria e decisiva com ele!
Não comi, não bebi, não dormi... Fiquei apenas no quarto, deitada, no escuro, sem querer ver ninguém e desejando a minha própria morte. Remoí momentos felizes, fagulhas de dias perfeitos que me enchiam de esperança, dando luz ao meu destino! Justin era a minha definição de futuro! Sem ele, eu não tinha mais nada. Não tinha mais a que me apoiar para ser alguém melhor, pra lutar... Eu não era ninguém!
Acabei pegando no sono. Minha cabeça doía, meus olhos estavam embaçados e meu estômago gritava de dor, mas não me importei. Fechei os olhos lentamente, sendo cegada pelas diversas lágrimas e me deixei levar... Despertei pouco tempo depois com barulhos de vozes no andar de baixo. Continuei deitada. Não fazia questão alguma de saber o que se passava.
A porta do quarto abriu quase que violentamente, mas quem quer que fosse, tinha desistido de entrar assim, com tanta urgência. Ouvi passos e uma das luzes dos abajures foi acesa. Fechei os olhos fortemente e fingi estar dormindo. O perfume conhecido fez meu coração disparar e meu corpo levantar-se rapidamente, cheio de raiva, mágoa, rancor e tristeza...
- O QUE VOCÊ QUER?!- gritei, já saindo da cama e indo na direção contrária á dele.
- Laila, meu amor, nós precisamos...
- SAI DAQUI!- gritei mais alto.
- Por favor, eu... Eu preciso que me escute...
- SAI DAQUI! SAI!- eu gritava alto, chorando forte- EU NÃO QUERO OUVIR, EU ODEIO VOCÊ! ODEIO!
Justin me pegou pelos pulsos, firmemente, me sacudindo e me fazendo parar de chorar convulsivamente.
- Eu só quero que me escute, por favor, é só o que eu peço...
Ele tinha lágrimas nos olhos e falava de um modo quase infantil. Lancei-lhe um olhar de ódio, repulsa e comecei a rir freneticamente. Ele respirou fundo, soltando o ar pesadamente.
- Não vou mentir e nem negar que... Que não houve o que você e todos sabem que houve- começou- Sei que você não vou conseguir te enganar e nem quero fazer isso...
O modo como ele falava todas aquelas coisas tão despreocupadamente me faziam querer gritar com ele!
- O QUE VOCÊ QUER ENTÃO?! HEIN?!- me desvencilhei dele, cruzando os braços na frente do corpo- VEIO ME DIZER QUE NÃO ME TRAIU?!
- Laila, eu fiz isso- ele fitou o chão, chorando- Fiz e te contei! Porque EU queria ser o primeiro a te dizer...
- VOCÊ É MALUCO!- ri mais alto- O QUE É ISSO?! JUSTIN, DO QUE SE TRATA TUDO ISSO?! – olhei pra ele, incrédula.
- Quer, por favor, parar de gritar e me ouvir?!- me pediu- Pode gritar comigo depois, pode me matar se quiser, mas, por favor, me deixe falar. EU PRECISO FALAR!
Continuei de pé, ouvindo o que ele tinha a dizer. Nada importava. Nada me faria mudar de opinião. Dessa vez, por mais que me doesse e que me matasse, eu não ia ceder!
- Depois que nos falamos e eu disse que ia dormir... Eu não fui dormir- explicava- Fui pra uma boate beber com o pessoal da banda, os dançarinos... Eu bebi demais, eu... Eu bebi muito, muito mesmo! E você me fazia tanta falta, Laila, mas tanta falta... Comecei a pensar em você no quanto eu te queria. Eu precisava de você mais do que tudo no mundo... E então ela estava lá. Eu a vi e... Me deixei levar por ela, eu...
- Tá me dizendo que ficou com ela por que estava pensando em mim e sentindo a minha falta?!É isso?!- ironizei.
- É exatamente o que estou dizendo... – ele me olhou fixamente, sem desviar o olhar.
Eu estava sendo possuída por algo maior, sendo controlada por algo não era eu mesma. Nunca, em toda a minha vida, me imaginei fazer o que eu estava fazendo. Eu era definitivamente outra pessoa e estava completamente fora de mim! Parti pra cima dele, dando tapas, socos, esbravejando e gritando contra a cara dele...
- EU ODEIO VOCÊ! EU TE ODEIO! ME DEIXA EM PAZ!
Justin me segurou novamente, me impedindo de por pra fora toda a dor e toda a minha raiva. Caímos por sobre a cama, eu sentada em seu colo, chorando, convulsionando e apoderada de uma raiva descomunal que nunca tinha sentido antes...
- Eu te amo- ele disse rente á minha boca.
- CALA A BOCA! EU NÃO QUERO OUVIR!- tapei meus ouvidos com as mãos, virando meu rosto pra não ter que olhá-lo.
- Eu sei que errei muito, sei que cometi o maior erro da minha vida, mas eu juro por Deus, que as coisas não foram como você acha que foram...
- E como foram então?!- gargalhei alto- Vamos ver que outras mentiras você vai inventar... Vamos ver o que você vai dizer pra mim, Laila, uma garota idiota que não conhece o mundo, uma inocente, que pode ser facilmente manipulada, iludida, que é totalmente descartável depois que você usa pro seu bel prazer... – joguei na cara dele.
- Você não é assim- as feições dele eram de assombro. Parecia realmente assustado!
- Eu mudei, Justin!- rebati- Mudei por SUA causa! Mudei pra ser uma moça do Ocidente, pra que você me quisesse, pra que pudesse me apresentar ao mundo e olha só... VOCÊ NÃO PODE MAIS MENTIR PRA MIM!
- Não- ele sorriu de leve- Essa não é você! Pode tentar me convencer disso, mas sabemos, nós dois sabemos que essa não é você...
- Não quero ouvir mais nada- me virei de costas pra ele- Nada mais importa...
Pude ouvi-lo se sentar no chão. Olhei por cima do ombro e o vi sentando, fitando os próprios pés, chorando... Eu só queria me vingar! Justo eu, Laila, que JAMAIS tive esse tipo de sentimento por nada e ninguém. Eu tinha mesmo mudado. Tinha sido mesmo transformada por ele!
Num ímpeto, tirei meu anel de noivado e atirei contra ele!
- Fica com isso- sorri, mas por dentro eu estava gritando- Acabou!
- Laila, por favor... – ele tinha lágrimas nos olhos e parecia sentir... Dor?!
- Não temos mais nada. Não quero mais você!- repeti.
- EU NÃO DORMI COM ELA! PELO AMOR DE DEUS, EU NÃO... - ele gritava agora- EU A BEIJEI. FOI SÓ UM BEIJO ESTÚPIDO... EU A BEIJEI, MAS ERA VOCÊ QUEM EU ESTAVA BEIJANDO, ERA VOCÊ QUEM EU QUERIA ALI, ERA EM VOCÊ EM QUEM EU PENSAVA!
- Não quero ouvir- o cortei- Não vou ouvir!
- Me dê mais uma chance de provar que... Que podemos fazer dar certo de novo. Laila, eu te amo! Te amo como nunca amei ninguém, como nunca serei capaz de amar alguém em toda a minha vida... Por favor...
- Amor não é isso... – eu chorava também- Amor não é isso...
Ele se levantou e veio até mim. Ambos chorando, sofrendo... Ambos desolados pela dor, pela decepção de tudo...
- Por favor, não me deixe- ele me beijou- Eu preciso de você. Preciso que fique comigo. Me perdoa. Eu só... Me perdoa, Laila! Eu te amo mais do que tudo! Você é a única pra mim. A única!
Cedi ao beijo e o beijei em meio ás lágrimas. Eu sabia que era uma despedida. Sabia que era definitivo. De onde eu vinha, não havia segundas chances. Se uma pessoa erra, ela vai errar a vida toda! Lealdade, respeito e amor não são conquistas. Ou você os tem ou não! Me afastei dele, abrindo a porta na minha frente. Fiz um gesto pra que ele saísse e assim ele o fez, me deixando sozinha. Ele nem ao menos tentou me convencer novamente. (...)
JUSTIN
Acordei na manhã seguinte como se tivesse ido pra guerra. Destroçado, destruído e com a ideia fixa em mente. E embora eu fosse morrer e sabendo que ela também, era melhor assim. Nada mais seria como antes e eu teria que viver com o peso e a dor das minhas decisões e escolhas. Sei que nada de mais aconteceu, que tinha sido só um beijo, mas ela estava coberta de razão. Eu era um crápula! O pior dos homens! Um homem não pode ser chamado assim, de homem, depois de tudo o que eu tinha feito á ela...
Tivemos momentos felizes, vivenciamos o amor, nos amávamos, mas isso não era o bastante. E, no fundo, eu sabia que não seria. Nunca era! O fato de eu ter me envolvido mesmo que momentaneamente com outra mulher já era o suficiente. Eu me conhecia o bastante pra saber que, mesmo tendo ela em mente e dentro da minha alma, dentro do meu coração, isso voltaria a acontecer. Não era algo isolado. Um beijo agora, uma noite de sexo depois... Era assim que eu era! Eu a queria, mas queria também ser livre. Eu precisava do meu espaço, do meu mundo..
Eu vivia intensamente e nem Laila conseguiria me fazer mudar. Pensei que o amor transformasse, mas não era assim. Ninguém muda ninguém. As pessoas são como são e é só! Ninguém tem superpoderes pra mudar algo em outra pessoa. Só ela mesma pode fazer isso! Laila tinha me dado os meses mais incríveis da minha vida, me enchendo e me fazendo transbordar de um amor sem igual!
Mas eu era o Justin, aquele que não é confiável, que não tem regras, que vive o hoje e o agora. Eu não era capaz de fazer promessas sem quebra-las. E eu nunca seria capaz de cumpri-las... Era melhor assim. Era melhor que nos afastássemos e que vivêssemos nossas vidas. Eu não tinha o direito de arruinar a vida dela! Eu amava com todo o meu ser, mas Laila merecia alguém melhor do que eu...
Entrei no quarto dela logo pela manhã. Ela estava sentada na cama, as mãos sobre os joelhos, pensativa... Ela era tão linda! Tão pura, tão cheia de vida... Meu coração doía só de pensar que eu poderia tirar-lhe todo o brilho. Porque isso era o que eu fazia com todas elas. Eu sempre acabava com tudo no final... Sempre destruía o melhor de mim e sempre destruía o melhor nas pessoas. Esse era o meu grande poder, o meu grande carma!
- Oi- disse á ela.
- Oi- ela se ajeitou, parecendo incomodada.
- Precisamos conversar... Definitivamente!- comecei.
- Eu sei. Eu... Andei pensando em tudo e... Acho que posso te perdoar- ela sorriu de um modo triste- Acho que posso esquecer tudo. Vou esquecer!
Senti um nó se formar em minha garganta. Ela não podia estar falando sério, não depois de tudo o que eu tinha feito... Um misto de arrependimento, de culpa e de amor, sim amor, se apoderou de mim! Havia esperanças. Podíamos ser salvos. Podíamos nos salvar! Laila podia me salvar assim como a salvei...
- Acha mesmo que pode fazer isso?!- a questionei.
- Sei que me precipitei ontem, que disse várias coisas que magoaram você, nem te deixando falar, mas... Eu também estava magoada!
- Eu sei. Me perdoe por isso... – falei.
- Acho que podemos nos dar mais uma chance. Você me disse como tudo aconteceu e acredito em você. Acredito porque você não pode ter mentido sobre o que sentia. Eu vi nos seus olhos todo o amor que sente, toda a dor pela qual estava passando, assim como eu e isso não pode ser uma mentira!- ela concluiu.
Eu não sabia o que dizer. Talvez se ela ainda sentisse toda a raiva, o desprezo e gritasse comigo, fosse mais fácil... Laila se levantou- ficando de frente pra mim. Seus olhos imploravam pra que nos perdoássemos. Eu vi dentro deles, fui capaz de enxergar, mais uma vez, todo o amor que ela tinha por mim...
- Me diz alguma coisa, por favor- ela me trouxe de volta dos meus pensamentos.
Andei até a janela e fiquei olhando a chuva cair, molhando tudo... Só havia uma coisa a ser feita. Bastava uma palavra e eu acabaria com tudo. Eu sabia como terminar e poupá-la de toda a dor que eu era capaz de dar á ela...
- Você tem toda a razão- sorri pra mim mesmo, tentando conter o choro- Acho que não daríamos certo...
- Como?!- a ouvi dizer- Eu não entendo... Ontem mesmo você estava aqui, me pedindo perdão e...
- Foi um erro!- me virei pra ela, encarando-a.
- Erro?!- seu rosto se contorceu de pavor.
Dei alguns passos, tomando coragem. Eu já tinha a voz embargada pelo choro.
- No começo, me interessei por você. Me apeguei á ilusão de que tinha te salvado e que poderíamos viver juntos e felizes...
- Mas nós podemos!- ela veio até mim- Sei que podemos! Eu... Ainda te amo!- suas mãos tocaram meu rosto e fechei os olhos, sentindo o carinho.
- Não- me afastei dela- Não podemos... Eu me interessei por você, eu me enganei achando que era amor, mas não era...
Ela me olhava com o olhar perdido.
- Eu só queria ver como você era. Ver como era ficar como uma moça como você... – menti- Você era diferente demais pra que a deixasse ir, Laila!
- Não... Não é verdade- ela negava veemente.
- Eu pensei que te amava, mas eu não amo... Tanto não amo que... Que beijei outra!
- Mas foi só um beijo, não foi?!- ela chorava- Você me disse que tinha sido somente isso!
- Eu menti, Laila- falei- Eu menti como venho mentido por todo esse tempo, por todos esses meses... Eu... Eu não amo você!- rebati.
- Não- ela gritou- NÃO É VERDADE, NÃO PODE SER... POR FAVOR, ME DIZ QUE ISSO NÃO É VERDADE...
- EU, JUSTIN, NÃO AMO VOCÊ, LAILA! NUNCA AMEI! FOI SÓ SEXO! EU SÓ QUERIA QUE VOCÊ FOSSE MINHA! QUERIA SABER COMO VOCÊ ERA NA CAMA! ERA SÓ ISSO!- berrei a plenos pulmões pra que ela entendesse.
- Justin, eu te perdoo- ela veio até mim, unindo nossos lábios- Não importa o que você tenha feito, eu perdoo você... Eu te amo, meu amor!
Engoli em seco, prestes a dar o ultimo golpe, a punhalada certeira e cruel. Em mim e nela!
- Eu não te amo- ri de modo convincente- E sinceramente, você tinha razão. Você é muito pouco pra mim... Você é boba, inocente, manipulável e péssima de cama! Eu nunca poderia amar alguém como vc...
A deixei ali, estática, perdida, apavorada e completamente sozinha! Peguei minhas coisas e bati a porta da sala com força. Não dei satisfações e nem me despedi de ninguém. Levaria um bom tempo até que eu pudesse voltar... Abri a porta do carro e entrei. Encostei a cabeça no volante, chorando feito uma criança... Enterrei as unhas em minhas mãos até que saísse sangue.
Eu tinha acabado de matá-la. E tinha morrido junto com ela! (...)
Fanfic “Electric Lady”- Justin Timberlake. Capítulo 27.
JUSTIN
A vida sem Laila estava muito difícil. Não havia um minuto sequer em que eu não pensasse nela, em que não sentisse sua falta... Poderia muito bem ir busca-la e ficarmos juntos de vez. Mas não era assim que as coisas funcionavam. Ela era uma pessoa. Uma moça que nunca viveu nada do que deveria viver e eu não podia fazer com que ela vivesse o resto da vida se dedicando á mim. Não! Ela precisava ser independente, ter uma carreira, um futuro...
Íamos construir uma vida juntos, ter a nossa família, nossos filhos. Mas antes, Laila precisava ser, existir antes de mim mesmo. Existir além de mim e acordar de vez, abrir os olhos pro mundo que a esperava! A vida dela não tinha sido fácil, mas tinha sido boa. Ela tinha uma família, tinha perspectivas que eram limitadas, era verdade, mas que eram parte do mundo dela. De certo modo, eu me sentia culpado por ter tirado isso dela.
As vezes a ausência dela ficava tão insuportável que eu não era capaz de aguentar. Ligava, mandava mensagens, nos falávamos o dia todo... Fazíamos promessas, juras e nos conectávamos através de um futuro que seria nosso! O caminho estava sendo árduo, mas era esse mesmo caminho que nos levaria até o nosso ponto de chegada: a nossa vida á dois! Nada era mais certo para nós do que isso!
Eu me sentia julgado e até mesmo pressionado pelas pessoas á minha volta. Eu tinha autonomia na minha carreira artística, mas não era tão simples. Como eu iria explicar ao mundo que estava prestes a me casar com uma moça muçulmana?! Como?! Em um mundo tão caótico como esse, em tempos de guerra, isso parecia uma enorme loucura. E analisando friamente, era mesmo! Pensando pelo lado racional, eu jamais deveria ter feito o que fiz. Mas em se tratando do meu coração, Laila era tudo o que eu mais queria e desejava na vida!
Não nos víamos há algum tempo já, meses, pra ser mais exato. Eu estava rodando o mundo com a minha turnê mundial enquanto ela ingressava na Universidade! Tínhamos nos desentendido algumas vezes, mas sempre voltávamos a ficar bem no final. Ela entendia, ou fingia entender e acabava aceitando. Tentei ir vê-la, mas nesse momento era quase impossível. Minha rotina se resumia a ensaios, viagens, entrevistas e shows! Laila era o meu tempo livre. Se eu não tinha compromisso, era com ela que eu estava falando.
Sei que era errado, mas era assim que as coisas eram. Ou eu me dedicava inteiramente ao meu trabalho ou caía fora de uma vez... E eu esperava que ela entendesse isso, que compreendesse que eu não estava deixando-a de lado, mas apenas priorizando um pouco os meus deveres. Ela podia esperar. A agenda de shows não!
E foi em Amsterdã, na Holanda, onde tudo aconteceu. Até agora eu não sei como, mas aconteceu. Sinceramente, eu não sei... Saí com o pessoal da banda, os dançarinos e algumas pessoas da minha equipe. Era de noite e fomos pra uma das baladas locais. Eu precisava me distrair. Tinha ligado mais cedo pra Laila e ela estava estudando, então... Não disse á ela que iria sair. Não queria que ela se distraísse e interpretasse mal, imaginando coisas que não existiam.
Estávamos bebendo, dançando e nos divertindo. E então eu a vi! Ela era extremamente bonita, atraente e diferente das demais. A típica beleza rara e exótica! Ela se aproximou. Nos apresentamos. E sorrimos! Não era nada demais. Provavelmente iríamos jogar conversa fora e não passaria disso. Não poderia passar. Eu tinha alguém me esperando e sabia bem disso. Ela era só uma mulher que encontrei em uma boate em um dos muitos países do mundo!
Bebemos, dançamos, conversamos... Ela me olhava como uma caçadora! Eu era a presa da qual ela queria se saciar. Estava faminta! Implorando por algo. Era um jogo perigoso! Imediatamente me lembrei da quantidade de vezes em que eu já havia jogado. E em todas as vezes havia acabado em sexo! E lembrei-me de Laila e seu sorriso meigo, olhar doce... Dei um gole na bebida e sorri novamente pra ela! (...)
LAILA
Justin não tinha me ligado. Fingi ter esquecido o incidente, mas confesso que havia me causado certo incômodo. Eu tinha entrado na Universidade, meu primeiro dia e ele sequer havia me ligado pra saber como tinha sido! Aceitei suas desculpas prontamente quando ele me pediu e segui como se nada de mais tivesse acontecido. Nos falávamos todos os dias, era verdade, mas pelo menos pra mim, não estava sendo o suficiente. Eu sabia que precisava ir adiante com os planos, nossos planos, mas era bem difícil. Eu sentia falta dele, muita falta mesmo. A saudade era como um peso esmagando meu peito, apertando gradativamente meu coração...
A faculdade era um mundo maravilhoso! Meu pequeno Universo de calma, felicidade e esperança em um mundo caótico e antes sem perspectivas pra mim. Mal dava pra crer que eu, Laila, estava cursando uma faculdade! Enfim todos os meus sonhos seriam realizados. Eu tinha nas mãos a chance de ser alguém, de poder mudar, nem que fosse somente um pouco, o mundo á minha volta! Eu poderia ser quem eu quisesse ser! Poderia ser alguém melhor pra ele, ser motivo de orgulho! Talvez minha família não entendesse no começo, não aceitasse, mas com o tempo tudo poderia ser transformado. Eu sentia tanta saudade deles, mas tanta...
O mundo que conheci já não fazia mais parte de mim. Eu ainda me sentia ligada, mas não sabia por quanto tempo ainda. Minha família, meus costumes e minha religião eram o meu ponto de ligação com o Oriente. Era difícil pra mim viver com um pé aqui e o outro lá. Eu desejava poder me desligar totalmente. Mas como você se desliga de algo pelo qual sempre esteve ligada por toda a sua vida?! Talvez fosse mesmo impossível! Eu era obrigada a omitir certos fatos sobre mim. Pros os vizinhos, conhecidos de Justin, pras pessoas da faculdade... Não era fácil ser muçulmana na América! Todos me olhavam de um modo estranho e embora tentassem ser simpáticos, eu podia ver a desconfiança nos olhos deles.
Ao mesmo tempo, eu só tinha três coisas em mente: me formar, me casar com ele e rever a minha família! Isso era primordial pra mim, como metas a serem compridas. Metas que me levariam á uma felicidade maior! Várias vezes conversei com Justin sobre largar tudo e ficar com ele. Vontade não nos faltava, mas se ele não podia fazer isso, tampouco eu. Ele dizia que a minha vida e meu futuro não eram menos importantes só porque eu não era uma celebridade! E eu sempre ria disso!
E meus dias seguiam assim, sem muitas coisas a serem contadas. Aulas, trabalhos, pesquisas, ajudar com alguma coisa em casa, esperar o fim do dia (ou o começo da manhã ou o início da madrugada!) pra falar com Justin e era só! Os pais dele e a avó me tratavam como uma filha! Eu os amava e me sentia amada também. Eles eram minha segunda família! Sempre me apoiavam, me davam incentivo e me consolavam quando eu estava me sentindo um pouco triste. E lá estavam eles também nos momentos de felicidade! Era maravilhoso!
Nos falamos por volta das 16h no horário local de Memphis. Não perguntei á ele que horas eram na Holanda, mas deveria ser um pouco tarde já. Corri pra atender ao telefone assim que o ouvi tocar. A felicidade batendo forte dentro do peito, como as batidas do meu coração! Era a melhor hora de todo o meu dia! Conversamos um pouco. Menos do que eu gostaria, mas mais do que o de costume. Justin não estava com pressa. Pela primeira vez, em meses, estava desocupado. Me fez várias perguntas, quis saber sobre tudo o que se passava comigo e eu fiz o mesmo. Nos declaramos como sempre fazíamos e eu gostava disso! Gostava quando ele dizia que sentia minha falta, que me queria e que me desejava, que me amava mais do que tudo... Eu também me sentia assim, exatamente como ele!
Nos despedimos e ele me prometeu que em alguns meses estaria de volta. Não mencionei o fato de ficar decepcionada com isso e nem sobre ele não ter me ligado no meu primeiro dia de aula. Eu não ia estragar nada! Se estava sendo difícil estando tudo bem, imagine estando tudo mal?! Não, de jeito nenhum! Se era isso que eu teria que suportar pra tê-lo, então eu o faria. Meses não seria empecilho pra uma vida inteira juntos! Esse era o trabalho dele e era meu dever aceitar e apoiá-lo em tudo! Passaríamos as festas de fim de ano juntos e viajaríamos depois. Eu só tinha que aguentar mais um pouco, só mais um pouco, Laila... Justin disse que estava deitado, vendo algum programa na TV. Terminou dizendo que ia dormir até o dia seguinte e que me amava! Eu ia estudar mais um pouco e arrumar algo com que me distrair. Talvez um filme...
Estava lendo um artigo, sentada devidamente na escrivaninha do quarto que costumava ser dele. Tudo ali remetia á ele, aliás. E eu adorava! Era como se uma parte dele sempre estivesse presente, embora ele não estivesse. Passava das 23h30 já, mas eu precisava terminar. Estava me esforçando muito pra tirar boas notas! Meus olhos estavam quase se fechando quando dei um bocejo. Fui despertada com o celular tocando, me fazendo dar um pulo no lugar. Olhei no visor e vi o nome dele ali. Atendi, estranhando um pouco.
- Alô?!
Perguntei e tudo o que eu podia ouvir era uma música alta.
- JUSTIN?!
Falei um pouco mais alto.
- JUSTIN, FALA COMIGO!
(silencio e musica ao fundo)
A essa altura, eu já estava imaginando N coisas. Desde um acidente de carro até um novo sequestro. Meu coração batia forte, quase saindo pela boca...
- POR FAVOR, FALA COMIGO!
Eu estava quase chorando. Nervoso, medo, tudo!
(novo silencio)
- Laila... – ele parecia estar chorando.
- O QUE FOI?!
- Laila, eu... Me perdoa. Por favor, me perdoa... Eu não posso viver se você. Eu te amo...
- O QUE FOI QUE...?! Eu não estou entendendo... Você está bem?! Aconteceu alguma coisa?!
- Me perdoa, tá?! Eu não queria, eu juro que não... Eu te amo mais do que tudo! Nunca se esqueça disso!
- Você bebeu?!- perguntei chorosamente- Onde você está?! Você me disse que estava indo dormir e...
- ME ESCUTA!- ele gritou, me interrompendo- Você vai saber de tudo. Eu não posso evitar isso. Se eu pudesse, mas eu não posso... Eu sinto tanto... – ele chorava convulsivamente do outro lado, parecendo não estar nada sóbrio.
- SABER O QUE?!- gritei- Você tá assustando... Por favor, fala comigo, me diz o que é. Por favor...
(silêncio)
- Eu beijei outra pessoa, eu...
- Como?!- voltei a me sentar, totalmente estarrecida!
- EU TRAÍ VOCÊ!- ele gritou- Destruí o nosso pequeno Paraíso, Laila!
Deixei o telefone cair. Me arrastei até a beirada da cama e me sentei no chão. Eu estava morrendo pela segunda vez. Minhas mãos tremiam. Meu corpo era acometido por um tremor seguido de um choro sentido, forte, convulsivo e desolador. Eu estava sendo quebrada em mil pedaços. Juntei minhas pernas e as abracei, apertando meu corpo com toda a força que havia em mim. Eu ainda podia ouvir a voz dele do outro lado da linha. Ele chamava por mim. “Laila, me perdoa, eu te amo!”... Ele havia acabado de me destruir. Eu não existia mais. Tudo era somente dor. (...)
Fanfic “Electric Lady”- Justin Timberlake. Capítulo 26.
Fazia alguns dias que ele havia partido. Não era definitivo, mas era triste. Triste e a incomodava. A fazia ter a sensação de que algo estava faltando. Algo não, alguém... Como se um pedaço dela estivesse bem longe dali, sabe Deus onde! O mundo era magnificamente grande e apesar de não conhece-lo por completo, ela sabia disso.
Se falavam sempre, todos os dias. Justin sempre ligava. Não importava a hora ou o lugar que estivesse: ele nunca a deixava sem notícias. Parecia até mesmo saber que ela contava as horas do dia, esperando...
E ele também esperava. Sentia a falta dela e de tudo o que Laila representava em sua vida. Era como se sua vida, neste momento, estivesse incompleta sem ela. A queria ali, a seu lado, compartilhando os momentos com ele, as apreensões, as coisas simples do dia a dia.
O que o confortava e a ela também, era saber que a espera não seria longa. Se veriam muito em breve! Precisavam disso. A distância precisava ser sanada, sentida, tocada... Tinham uma vida a parte, claro que tinha! Eram indivíduos, mas queriam mais do que tudo ser um só! (...)
Eram quase 21h no horário local quando Laila ouviu o barulho de uma chamada via Skype. Tinha dado um jeito de jantar com os pais de Justin, tomar um banho e se trancar no quarto esperando por ele. Sentou-se em cima da cama, arrumando o notebook no colo confortavelmente. Ajeitou um pouco o cabelo, passando as mãos e clicou no ícone, aceitando a chamada por vídeo!
Um Justin sorridente, lindo e fofo apareceu na pequena tela, lhe arrancando um sorriso bobo dos lábios. Ele sabia como a fazia sorrir e gostava disso. Gostava de saber que somente ele havia provocado essas sensações nela, despertado um sentimento tão bonito e honesto!
- Olá!- ele acenou pra ela.
-Oi!- Laila sorriu timidamente.
- Sentiu minha falta?!
- Muita!- fez um biquinho- E você? Sentiu a minha?!
- Obviamente que sim!- fez uma careta- Tá tudo bem com você?!
- Sim, está. E com você?! Não vai se apresentar hoje?!
- Tô bem. Hoje não teve show. Me dei um dia de folga!- riu gostosamente.
- Parece que vai chover aqui- ela olhou pros lados, ouvindo os trovões ao longe.
- Ainda tem medo de tempestades?!
- Sabe que sim- sorriu fraco- E sabe que queria que estivesse aqui comigo...
- Laila, eu sei. E eu também queria estar aí. Acredite!
- Tá bem- assentiu- Em que parte do mundo você está agora?!- brincou.
- Vai ter que adivinhar... - brincou- É quente. Tem cangurus e...
- AUSTRÁLIA!- ela bateu palmas animadas.
- Como você...?! Espertinha!- ele riu dela.
- Só me diz que não vai demorar pra vir ficar comigo, por favor...
- Bom, vou tentar ir o quanto antes. Prometo! Mas agora me conte como está o andamento da saga “Laila vai para a Universidade”. Não me deixe de fora de nenhum detalhe, por menor que seja...
- Hum- pensou um pouco- Vou fazer uma prova daqui a alguns dias e aí vou saber se vou ingressar ou não. Espero que consiga!- mexeu na barra da blusa.
- Vai conseguir!- a encorajou- Só precisa estudar e dar o seu melhor! E se não for dessa vez, tente de novo. Tenta quantas vezes forem necessárias, só não desista dos seus sonhos!
- Obrigada por apostar em mim! – sorriu- Você, seus pais e sua avó são as únicas pessoas com quem posso contar e saber que todos me apoiam me incentiva a ir em frente!
- Você vai ter tudo o que sempre sonhou. Vai ser tudo o que sempre quis ser. Só confie em si mesma, em mim, em nós...
- Eu confio! Nada é mais importante pra mim do que nós. Nada!
- Sentiu mesmo a minha falta?!- perguntou á ela.
- Não sabe o quanto...
- Eu também, meu amor. Não sabe o quanto queria estar aí com você. Se eu pudesse largaria tudo, agora e voaria praí... Sabe disso, não sabe?!
- Sim, mas você não pode!- negou com a cabeça- Temos que esperar. É só o que nos resta.
- Sinto falta das nossas conversas, do seu abraço, do seu beijo, da sua pele e da sua respiração quando...
- SHIII!- Laila o advertiu- Alguém pode ouvir!
- Não estou mentindo- riu alto- Não preciso esconder que te amo e que amo fazer amor com você, Laila!
- Eu também te amo! E amo... Você sabe!- o rosto dela estava em chamas.
- Não, eu não...
- JUSTIN!
- Só me diz o que pensa. Só me diz isso, por favor... É pedir muito?!- ele estava se divertindo com as reações dela.
- Não vou dizer. Desculpe, mas não vou! Eu te amo, muito, muito mesmo e isso basta!
- Pensei que pudéssemos fazer algo um pouco mais... Interessante, talvez?!
- Não entendi...
- Sexo, quem sabe... -ele ria.
- Está falando sério ou...?! É sério mesmo?!- Laila estava perplexa.
- Eu toparia, mas não. É melhor não. Você está certa! Esqueça!- fez um gesto com as mãos.
- Não é por nada, é só... Acho que não é a mesma coisa, entende?! Não é como se você estivesse aqui e tudo...
- Não é mesmo. Foi uma ideia boba. Pra tentar sufocar tudo o que estou sentindo agora, tendo que ver por uma tela e a milhares de quilômetros de mim...
- Você vem antes das aulas começarem?!
A pergunta não o havia pego desprevenido, pelo contrário. Pensara mil vezes em como contar á ela. Queria contar, precisava contar, mas não sabia nem por onde começar... Nada do que dissesse remediariam as coisas, ele sabia. Fizera uma promessa e precisaria quebra-la.
E essa não seria nem a primeira e nem a ultima vez. Sua vida profissional exigia isso e esperava que, com o tempo, ela acabasse se acostumando e até aceitando a ideia de que sempre poderia haver outros planos. Sempre!
- Vou tentar... Vou tentar muito, mas eu tenho um compromisso antes... Vamos gravar um DVD. Não é o máximo?! – tentou mudar de assunto.
- É, é sim- ela parecia bem decepcionada.
- Sei que ficou chateada- disse seriamente- Eu também não esperava que fosse assim. Vou fazer o impossível pra estar aí, mas tem coisas, decisões, que não dependem somente de mim e espero realmente que você entenda isso.
- Eu entendo- disse com os olhos marejados.
- Vou passar as festas com você. Todas! Podemos viajar pra NY no Natal, o que acha?! Ou podemos ir á Grécia! Podemos ir onde quiser, só basta escolher!
- No Natal?! – as lágrimas escorriam teimosamente pelo rosto dela- São... São quase cinco meses até lá e...
- É, eu sei. Eu sei-passou as mãos pelo rosto- Mas eu vou tentar ir antes. Já te disse!
- Cinco meses é muito tempo, Justin... – ela chorava agora.
- Laila... Eu queria que tudo fosse diferente, mas não é. Não é minha culpa, juro que não é!
- Sei que não é. Só que é uma droga! E não sei se vou conseguir suportar mais. Preciso de você aqui, comigo! Preciso estar com você!
- Acha que não sinto o mesmo?! Que não estou furioso, triste e decepcionado?! Sim, eu estou!
- Então me deixe ir e ficar com você. Só me diga onde te encontrar e eu irei!- pediu.
- Não pode ser assim. Você tem uma vida começando, tem um futuro pela frente e quero que consiga ter uma profissão. Quero que seja alguém, meu amor!
- Eu sou alguém! Mas não sou nada sem você. Nada faz sentido se não estivermos juntos.
- Diga que vai me esperar. Como vem fazendo... Que nada vai mudar e que vai continuar me amando como eu te amo... Não há um minuto sequer do dia em que eu não pense em você, minha vida!
- Só prometa que vai vir. Me prometa isso, por favor. Por favor, amor meu...
- Vou. Eu vou! Não consigo esperar tanto tempo sem você. Não sem você... Nunca!
- Só isso vai me dar forças pra me fazer esperar. Saber que você vai voltar em breve. Que não estou te perdendo como eu acho que...
- Não diga isso!- a interrompeu- Não vai me perder. Não vamos nos perder! Vamos nos casar, vamos viver uma vida juntos e nada é mais certo e mais sagrado pra mim do que isso!
- Confio em você!
- Preciso ir agora- jogou um beijo pra ela- Eu te amo, Laila! Mais do que tudo!
- Eu também te amo! – jogou um beijo de volta- Fique bem e que Allah proteja você!
Despediram-se. Justin com a sensação de ter mentido, já que sabia que seria quase impossível conseguir cancelar os inúmeros compromissos e ir vê-la antes do Natal. E Laila tinha o coração apertado. Sua intuição nunca a enganara. Algo não estava certo. Algo estava vindo, sabia disso. Precisava estar preparada. Mas de uma coisa ela estava certa: não queria perde-lo. Isso seria o fim de tudo! (...)
Fanfic “Electric Lady”- Justin Timberlake. Capítulo 25
Flashback
Estou acordada, mas poderia muito bem estar dormindo. Não seria tudo isso parte de um sonho?! Aquele sonho maravilhoso do qual você não quer acordar nunca mais... Ele está dormindo ao meu lado, tranquilamente. Ainda sinto meu coração disparar dentro de mim quando olho pra ele. E todo esse amor transborda, me inundando, inundando a nós dois. E sei que ele está aqui pra somar, pra dividirmos nossas vidas nesse mundo louco, mas maravilhoso! Agradeço por tê-lo encontrado. Sempre serei imensamente grata por isso. Por ele e por todo o bem que ele me faz. Antes eu não sabia o que era vida. Não havia um “eu” antes dele aparecer! Eu não estava vivendo.
Lembro-me de termos passado o melhor fim de semana do mundo! Acordamos tarde e fomos pra cozinha prepararmos o café da manhã, mas que poderia muito bem ser o almoço também! Justin estava de short, sem camisa e preparava ovos mexidos com maestria. Me propus a ajudá-lo, indo até a beirada do fogão. Eu vestia somente uma camisa. Uma camisa dele, aliás!
- Bom dia, linda!- suas mãos me envolveram em um abraço por trás.
- Bom dia!- sorri pra mim mesma- Me deixe ajudar você!
- Está com fome?!- perguntou mordendo o lóbulo da minha orelha.
- Estou!- senti meu corpo todo se arrepiar- Você não?!
- Tô pensando em coisas melhores do que comer!- riu com safadeza.
Me virei e o beijei, afundando as mãos nos cabelos loiros e macios.
- Acho que o café pode esperar- sugeri mordendo o lábio inferior.
Ele me pegou no colo, me fazendo gritar de susto! Quando vi, estávamos deitados no sofá. Justin estava em cima de mim, rindo como nunca!
- O que foi?!- perguntei, rindo também.
- Eu te amo, sabia?!- mexeu no meu cabelo, me fazendo um carinho gostoso.
- Eu também. Muito! Pra sempre!- olhei dentro daqueles olhos lindos!
Nos beijamos novamente. O empurrei devagar e fiquei por cima dele. Retirei a camisa, abrindo os botões, mas sem perder o contato visual com ele. Justin me olhava com desejo e curiosidade.
- É como a visão do Paraíso!- disse me analisando- Linda!
- É mesmo?!- sorri de um modo sexy.
- Pode me explicar o que significa essa carinha travessa?!
Fingi estar pensando, demorando alguns segundos pra responder.
- Significa que eu quero você- falei- Que quero mostrar o quanto quero você...
Justin me puxou, me beijando fortemente! Nos amamos ali mesmo, fazendo amor como nunca havíamos feito! Eu porque nunca havia estado com um homem além dele. E ele, porque acho que nunca havia se apaixonado verdadeiramente... Era só o começo. Haveria muito mais momentos como aquele! (...)
Nadamos no rio que havia ali, entre as árvores e a grande casa no meio do nada. Nosso pequeno paraíso secreto. Nosso esconderijo. Nosso lugar mais perfeito no mundo! Passamos o final de semana como um casal que éramos. Me vi tendo uma vida inteira ao lado dele, cuidando-o e amando-o como ele merecia ser amado!
Estávamos dentro da água, nossos corpos nus, colados um ao outro, evidenciando mais um momento de paixão! Os raios de sol entravam pelas frestas das árvores, riscando o rosto perfeito de milhares de pontos de luz! Sorri interiormente, lembrando-me da primeira vez em que o vi...
- Um beijo pelos seus pensamentos!- me ofereceu sorrindo, mordendo de leve o meu queixo.
- Só estou feliz!- o beijei no rosto demoradamente- Não quero que acabe jamais!
- Não vai- pôs as mãos em meu rosto- Não vou deixar que isso aconteça! Aliás, qual será o nome dos nossos filhos?!
- Filhos?!- gargalhei alto, surpresa.
- Não quer ter filhos comigo?!- fez um bico lindo, me fazendo rir mais ainda!
- Claro que sim! Só não pensei muito nisso ainda...
- Pois pense!- me beijou no rosto- Quero quatro! No mínimo!
- Acha mesmo que eu serei uma boa mãe?!- perguntei apreensiva.
- Se acha que serei um bom pai... – me encarou- Acho que seremos ótimos nisso! Seremos os melhores pais do mundo! O casal perfeito, com filhos perfeitos! Não aceito e não vou te dar menos do que isso, Laila! Quero ser o melhor pra você!
- Só me ame, tá?! Só isso!- o abracei forte- Não preciso de nada além disso. De você! Se eu tiver você, nada mais me importa! (...)
Voltamos pra casa no fim da tarde. Todos estavam sentados á mesa, esperando o jantar. Os pais e avó de Justin. Não esperamos pra contar a novidade. Mostrei a eles o meu anel de noivado! Fui recebida com abraços, risadas e choro de felicidade! Eles me amavam! E eu as amava também! Amava a tudo e a todos que faziam parte do mundo dele, da vida dele. Tudo o que era importante pra ele, era pra mim também!
O fim de semana havia sido como uma amostra gratuita de como seria nossa vida juntos. É claro que eu sabia que não íamos poder estar juntos todo o tempo, mas sabia também que iriamos nos esforçar pra que isso fosse possível. Eu mal podia esperar pra viver a vida ao lado dele. Viver a vida com ele! Acordar todo dia por mim mesma, mas principalmente por ele!
Eu sabia que teríamos que nos separar. Não era definitivo, mas tinha que ser assim. Justin tinha uma turnê a terminar e eu precisava ficar pra me estabelecer. Tínhamos combinado que viveríamos em Memphis, junto da família dele, que cuidaria de mim quando ele não pudesse estar presente. Eu iria estudar, me formar, me preparar para o mundo... Nos veríamos sempre que houvesse a possibilidade, viajando pra nos encontrarmos.
Teríamos uma casa em Los Angeles também. E eu me mudaria assim que me formasse na Universidade. Ele daria uma pausa na carreira, nos casaríamos devidamente e teríamos os nossos tão sonhados filhos! Isso conciliando com a carreira dele, claro! E com a minha também! Meu coração se enchia de felicidade ao pensar nisso!
Iríamos visitar minha família antes do casamento. Justin fazia questão. Queria pedir minha mão em casamento ao meu pai, como devia ser feito! Ainda não havíamos decidido se o casamento seria de acordo com a religião dele ou da minha, mas tínhamos certeza de que acharíamos um meio termo. E se não, faríamos duas festas, dois casamentos! (...)
JUSTIN
Me peguei pensando em tudo o que vivemos até aqui e tudo, exatamente tudo me parece um sonho maravilhoso! Laila é perfeita! É tudo o que eu amo e tudo o que quero amar daqui pra frente. É o meu presente e o meu futuro. É sem duvida alguma o amor da minha vida! A mulher doce, meiga, amorosa, bondosa e linda com quem quero dividir minha vida, com quem quero me casar e ter filhos. Ela é quem eu quero pra chamar de minha! E mais do que isso, eu sei que ela é minha!
É pra ela que eu quero voltar quando estiver longe. Ela será o meu motivo pra continuar, pra voltar sempre... Laila é meu porto seguro, o meu ponto de equilíbrio, o meu refúgio quando eu me sentir perdido em meio á tudo. Me sinto imensamente feliz e grato por ela ter aparecido pra mim! Foi de um modo louco, estranho e inimaginável, mas aconteceu. De algo que deveria ser ruim, tenso e traumático, ela surgiu. E foi ficando. E foi me tomando pra si desde o primeiro momento...
E fui conquistado, aos poucos, por palavras doces, gestos devotados e um amor infinito. Infinito assim como o meu! Nenhuma mulher do mundo vai ocupar o lugar dela. Nunca! O lugar que eu tinha reservado é somente dela, embora eu não soubesse até conhecê-la. Me enganei achando que ele podia ser preenchido por outra. Esse lugar só pode ser ocupado uma única vez. E quando acontece você sabe. Sabe que é pra sempre, não importa o que aconteça; E você o carrega junto de si, o preenchimento. E nada pode tirar isso de você. Nem ninguém! Ela está ali e sempre vai estar! (...)
Seguro as malas, esperando na escada. Olho pra cima e ela não está ali. Se não vier se despedir logo irei me atrasar. Sei que ela não quer que eu vá. E eu também não quero ir. Mas preciso. Respiro fundo e deixo as malas no chão. Subo de dois em dois degraus pra ganhar tempo. Paro em frente a porta entreaberta, esperando que ela venha até mim, mas nada acontece.
Entro e tudo está escuro. A luz do sol quase se pondo totalmente faz com que tudo seja ainda mais triste e doloroso. Olho ao redor e a vejo ali, sentada em um canto. Me aproximo, andando devagar. Me abaixo, parando ao lado dela. Vejo que Laila está chorando muito...
- Hey- pego em uma de suas mãos, depositando um beijo ali- Não vai se despedir de mim?!
Ela nega veemente com a cabeça, olhos fechados e a boca trancada, engolindo o choro.
- Não vai mesmo se despedir?!- pergunto novamente.
- NÃO QUERO- ela me olha nos olhos- Não quero que vá. Não quero que me deixe...
Sento a seu lado e a abraço, colocando-a em meu colo. Ela chora convulsivamente, agarrando-se em mim.
- Não quero que fique assim- digo sentindo o nó em minha garganta- Não quero que se sinta assim... Não torne isso mais difícil do que já é, por favor- peço com a voz embargada.
- Sinto que... Que estou perdendo você, Justin!- diz entre as lágrimas- VOU PERDER VOCÊ!
- Não- seguro o rosto dela firmemente- Olhe pra mim, Laila! Não vai me perder, ouviu?! NUNCA! Não vou permitir. Não permitir que nada e nem ninguém nos separe. Prometo!
- Mas você tá... Tá indo... - falou soluçando- E sinto algo ruim. Muito ruim. E está vindo. Vai nos separar...
- Não!- a abracei forte- Nada disso vai acontecer, meu amor. Não pense nessas coisas. Não acredite nisso!- dei um beijo em sua testa- Não vamos nos separar. Não vou demorar a voltar e prometo que vamos viajar juntos antes de suas aulas começarem, tá bem?!
- Viajar?!- ela me olha, se acalmando um pouco agora.
- É, viajar- dou um sorriso- Pra onde você quiser! Suas pequenas férias antes da Universidade! Acho que você merece, não?! Não é todo dia que se vai pra faculdade, então...
- Mas eu sinto que... Que essa vai ser a ultima vez que vamos nos ver- me conta cheia de medo.
- Por que diz isso?!- fico assustado também.
- Eu não sei. É um... Um pressentimento. Aqui- coloca a mãos no peito.
- Quero que me espere, ok?!- olho em seus olhos amendoados- Vai me esperar?! Já fizemos isso antes, lembra?! E você se saiu maravilhosamente bem! Vamos nos falar todos os dias, como da outra vez. O tempo vai passar voando, vai ver. E logo vou estar de volta! São só três meses até eu voltar pra você!
- Mas você está partindo, como um navio... – diz voltando a chorar.
- Navios estão seguros no porto, Laila. Mas não foi pra isso que eles foram feitos!
- Eu amo você- diz tocando meu rosto- Seja onde estiver, com quem estiver, jamais se esqueça disso.
- E eu amo você- respondi rente aos lábios dela- Lembre-se sempre. Você é o meu porto seguro, o meu cais. É pra onde eu sempre vou voltar, Laila! Sempre!
A beijei amorosamente, como se aqueles beijos fossem capazes de dar a ela toda a certeza do meu amor e principalmente da minha volta. Assim que ela se acalmou, descemos de mãos dadas, nos abraçamos fortemente e parti. Laila não quis me levar até o aeroporto.
A última coisa da qual me lembro é de ver seu rosto lindo, triste e cheio de medo encostado na janela da grande sala, me vendo ir embora. Acenei e joguei um beijo em sua direção, me forçando uma transparece felicidade que não existia.
Eu não disse nada á ela, mas eu também tinha a sensação horrível de que aquela seria a ultima vez que a veria. E o sentimento ruim me dilacerava por dentro. (...)
KING ♛

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