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My best friend... or more than this.
Visto o vestido, era lindo. Ele mudava de cor, variando do preto ao branco, e eu gostei. Deslizei a mão sobre meu corpo, estava normal, embora eu achasse que havia ganhado uns dois quilos por conta das guloseimas oferecidas pela capital, eram tantos doces e bolos e tortas e bebidas que chegavam a me deixar tonta. Alguém bate na porta, é Nora. Em seu corpo reluzia um enorme vertido azul, ela estava adornada com diversas joias. Perfeita. Ela estava surpreendentemente linda.
- você está linda, Nora. Como uma princesa. – a giro com a mão, ela sorri e cora. Não havia necessidade de se sentir envergonhada, era apenas a verdade, ela parecia uma deusa.
- Obrigada, Zoe. Você também está linda. Esse vestido... Uau. – sorrio muito feliz, o que era estranho. Foi um simples elogio de uma... Amiga. ‘talvez ela seja mais que isso, Zoe’ pensei. Mas afastei este pensamento. Não deveria me sentir tão orgulhosa.
- como está? Pronta para a entrevista? – apertei sua mão.
- Estou nervosa, confesso. Não sei como as pessoas vão reagir e... Bem, tenho medo de que não gostem de mim. – a abraço, com carinho, deixando seu rosto apoiado em meu ombro.
- como não gostariam de você pequena? Parece um anjo. – conforto-a.
- Obrigada, Zo. Espero que a plateia pense isso também. – quando ela me chamou de Zo eu saio do abraço, não queria fazer nenhuma besteira. E era exatamente o que eu desejava naquele momento.
- bem, quer me ajudar com a maquiagem? Acho que não fui feita para isso. - puxo Nora pelo braço, tentando mudar de assunto. Levo-a até a penteadeira, sentando em um banquinho branco e fechando os olhos, virada para ela.
Espero de olhos fechados até sentir os dedos de Nora tocando-me o rosto, era suave e tão bom, por um momento me se perguntei o que estava sentindo, mas logo afastei esse pensamento e achei que estava apenas feliz com a nova amiga. Ela passa uma sobra vermelha sobre meus olhos com leveza. Meu estomago revirou, eu estava fazendo o que? Já não bastava ter dormido com Oliver? Ainda tinha que sentir algo mais por Nora? Eu estava ficando maluca.
- o que você acha que vai acontecer? - questiono - quero dizer, quando entrarmos na arena.
- Não sei Zo - respondeu com sinceridade - Talvez... Bem, talvez tenhamos que ir para a Cornucópia. Não acho que seria uma boa ideia fugir sem mantimento algum.
Fiz uma cara confusa, não queria correr o risco de perder Nora. E foi a primeira vez que alguém me chamou de Zo. um apelido, uma forma carinhosa de ser tratada. Não pude conter um breve sorriso. - bem, prometa que vai se cuidar, ok? Não pretendo continuar sem você.
- Bem... Tudo bem. Acho que não poderia continuar sem você, também. Estamos juntas nessa, não é?
-sempre, pequena. Estamos juntas nessa. - apertei a mão livre de Nora. Estava pensando o que era aquilo que estava sentindo? Não era como senti por minha mãe antes de ela morrer, ou nem mesmo o que senti por Drew, o mais próximo que tive de um amigo. Era muito maior que tudo isso. Estremeci.
Os dedos de Nora passam pelos meus lábios, fiquei quase que tentada a imaginar que aquilo não eram apenas dedos, mas afastei o pensamento. Depois do pequeno'incidente' com Oliver, me peguei pensando o que queria de verdade. A única coisa que vinha em sua cabeça era Nora. Nora, Nora, Nora... O nome ecoava em sua mente.
- E então, o que achou do seu novo companheiro de Distrito, o tal Oliver? - o que poderia falar? Não iria mentir para minha aliada, que alias, poderia ser muito mais que isso.
- ahm bem... Digamos que ele é um tanto... Ahm, como posso dizer? Interessante. - pisca para Nora. – Nora pareceu confusa e triste. Ela entendia.
- Como... Como assim? – apertei os punhos.
- eu não conversei... É não conversei muito com ele. Mas, eu explorei bem o 'jeito' dele. Parece perigoso - eu suava frio. Risquei aspas no ar com os dedos. Levantei-me e comecei a chorar, eu estava mentindo para minha própria aliada, e o pior era que eu havia dormido com um carreirista. Mexi as mãos nervosamente, e soluçava sem parar, o que me impedia de falar.
Fui pega de surpresa, Nora fez o que eu desejava há muito tempo e não tinha tido coragem de fazer, beijei a garota devagar, tínhamos todo o tempo do mundo. As coisas desaceleraram ao nosso redor, como se o tempo diminuísse a velocidade.
Para mim, éramos as únicas coisas importantes no mundo, não havia mais nada.
- Me... Me desculpe, pelo amor dos deuses. Eu não sei o que me levou a fazer isso, me desculpe... Por favor. – ela estava confusa dava para perceber, mas e não me importava.
Eu estava boquiaberta, o que havia acontecido? Não entedia, só estava sentindo a melhor coisa de minha vida. Quando Nora se desculpou eu não ouvi de verdade, só conseguia pensar naqueles poucos segundos que antecederam a cena.
Aproximei-me novamente de Nora e coloquei o dedo indicador sobre sua boca, calando-a.
- shhiiu- acalmando-a, devagar. E a beijou novamente.
Estavam em uma realidade paralela, onde só existiam ela e Nora. Sem Jogos. Sem mortes. Sem qualquer tipo de medo ou dor, só as duas. Quando se separaram novamente, a pequena sorriu.
- Acho que vamos ter que retocar a sua maquiagem.
Olho-me no espelho, eu estava realmente horrível, as lagrimas borraram tudo, e bem... O beijo não havia ajudado. Faço uma careta e dou risada.
Nora riu ainda um pouco boba, e sentou-me na cadeira, novamente.
- Acho que eu consigo retocar a tempo.
E conseguiu. Logo a maquiagem estava perfeita novamente, menos o batom. Nora não havia resistido em borrá-lo novamente.