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Encher o mundo de vocĂȘ.
Esses tempos eu percebi que nĂŁo escrevo mais. E pior do que isso, o porquĂȘ de eu nĂŁo escrever mais. Eu escrevia sobre todas as mĂĄgoas, sobre cada lĂĄgrima, sobre vocĂȘ. Escrevia sobre um futuro que eu - aparentemente jĂĄ tinha conhecimento - e que, desgostada da vida, continuava repetindo a mim mesma que nĂłs Ă©ramos impossĂveis. ImpossĂveis de um jeito pejorativo - nunca irĂamos dar certo. Eu vivia uma infelicidade conformista.
Passei os olhos nas anotaçÔes, nos rodapĂ©s dos cadernos e, como se as palavras tivessem sido escritas por um escritor de tirinhas, cada premissa acompanhada de coração falava de vocĂȘ. E como num passe de destino, num sopro de nĂŁo-sei-quĂȘm todas aquelas referĂȘncias musicais viraram realmente parte da nossa coletĂąnea, e cada desenho, se tornou um episĂłdio de nĂłs dois. Parei de escrever pois as mĂĄgoas de agora nĂŁo fazem referĂȘncia a vocĂȘ. E porque encher o mundo de textos sobre a polĂtica falha, e uma nacionalidade que jĂĄ nĂŁo existe mais Ă© como desfazer o nĂł de um balĂŁo pra encher ele com mais ar. Ou seja, nĂŁo faz a menor diferença.Â
Eu prefiro encher o mundo com a sua risada, que por sinal, deveria tocar no rĂĄdio. Eu prefiro ocupar as ruas com seu amor, pra preencher cada pessoa que estĂĄ aĂ, como eu costumava estar. Eu prefiro falar o tempo todo de vocĂȘ, e deixar o mundo mais bonito. Mais bonito porque o que vocĂȘ faz com as pessoas Ă© inacreditĂĄvel. VocĂȘ tem o maior coração do mundo! E eu nĂŁo trocaria sua companhia atĂ© o enrugar dos dedos, por nada nesse mundo. Nem por Jimmy Hendrix, muito menos Renato Russo.
Eu escrevia pra encher o mundo com uma visĂŁo do futuro tĂŁo pessimista, da qual eu nĂŁo tinha certeza, mas que a inconsequĂȘncia e ansiedade intuĂam que era meu Ășnico futuro. E eu acabava no fundo do poço. Agora eu escrevo pra encher o mundo de vocĂȘ. Porque vocĂȘ Ă© a melhor coisa de me aconteceu, e vocĂȘ com certeza Ă© a melhor parte de mim.
Ă que de segunda a quinta fica tudo muito bem, eu gostando de vocĂȘ e de mim tambĂ©m. SĂł que chega a sexta-feira e com ela toda asneira de que o amor nĂŁo tem vez. E com a asneira, a bebedeira e toda besteira de que nĂŁo serve pra amar. E com a besteira, vem sempre a saideira e a vontade de beijar. Beijar achando que vai acabar provando que nĂŁo ama de uma vez. E quando descobertos, nĂłs, despertos perceberemos o que acabamos de fazer. E sem demora, correremos em direção da porta, atrĂĄs de um por quĂȘ. Um por quĂȘ de ter acabado, um por quĂȘ de ter estragado, um por quĂȘ de nĂŁo ter pensado antes de fazer. E com a cara amarrada em lĂĄgrimas, desculparemos enfim. Perdoaremos pois acreditamos, pois esperamos, pois, afinal, amamos. E começaremos tudo outra vez, jĂĄ que na segunda-feira, ambos sabemos que estaremos contado nos dedos quĂŁo trouxa somos e seremos da prĂłxima vez. - flor roxa đž
Desistir nunca foi parte dos meus planos. Ainda nĂŁo Ă©, mas eu fico repetindo que desistir Ă© a solução pra ver se eu acabo me convencendo que isso acabarĂĄ de vez com meus conflitos internos - e externos. Desistir Ă© a Ășltima opção, vou tentar explicar. Existe uma coisa chamada angĂșstia, que Ă© a palavra que designa o sentimento que as pessoas tĂȘm quando precisam decidir entre duas ou mais opçÔes. Isso Ă© Sartre. Esse filĂłsofo diz que, sĂł pelo fato de vocĂȘ ter mais de uma opção de escolha, vocĂȘ jĂĄ Ă© livre. E desistir de alguma coisa ou pessoa, Ă© agir de mĂĄ-fĂ© - conceito que Ă© designado as pessoas que nĂŁo escolhem nem uma das opçÔes. Elas simplesmente, desistem. Ao invĂ©s de se decidir de uma vez entre o " sim e o nĂŁo" elas preferem sair de cena sem dizer absolutamente nada. Eu me pergunto se continuar acreditando nos amores, nas pessoas, e nos sentimento vale mesmo a pena. Ou se eu devo jogar meus conceitos longe e agir de mĂĄ-fĂ©! Desistir e sumir, Ă© algo a se pensar. Mas toda vez que me pego pensando em desistir, alguma coisa nĂŁo me deixa. Eu nĂŁo sei que coisa Ă© essa - que problema Ă© esse! Por que disso eu sĂł consigo tirar muita esperança e fĂ©, e continuo, talvez pela teimosia, ou talvez porque o problema seja, na verdade, amor.
Sobre acabar. Acabar Ă© muito relativo apesar de nĂŁo parecer, afinal, existem mil relacionamentos Ă s escondidas e mil relacionamentos que sĂŁo sĂł um trato. O meu Ă© um trato. E quando eu falo assim parece que eu sĂł to nessa pra me divertir e tirar proveito ao mĂĄximo sem nem gostar da pessoa. Parece que quando acabar, sendo um trato, vai ser mais fĂĄcil. Mas acabar Ă© relativo, o que significa que pessoas que namoram podem se relacionar com outros na semana seguinte, e pessoas que tem um trato podem demorar meses pra se relacionar novamente. Eu, por exemplo, eu vou me foder. Peço perdĂŁo pelo vocabulĂĄrio chulo mas nĂŁo tem outra palavra com melhor definição para o que eu vou sentir. Eu vou me foder porque eu nunca soube lidar com finais, tipo, todo revellion -fim de ano - eu fico mal, e choro! Eu nĂŁo deixo a mĂșsica tocar atĂ© o fim, eu repito, ou eu passo pra prĂłxima antes de acabar. Foi sempre assim, e sempre serĂĄ. O pior de acabar Ă© que eu nĂŁo vou sentir saudade quando trombar com ele numa festa, ou ver ele com outras, nĂŁo! Eu vou sentir saudade quando tocar uma mĂșsica muito boa e eu for mostrar pra ele e lembrar que nĂŁo tem mais aquilo. O " nĂłs " vai acabar. O nĂł acabarĂĄ e aĂ vai latejar a ferida. Oh, se vai, quando eu for na academia e ver todos aqueles vigorexicos recheados de frango. Ou quando alguĂ©m derrubar o celular na cara. Ou quando alguĂ©m tocar Queen, e for baterista. Realmente, relativo. Eu tenho um trato mas nĂŁo vai ser nada fĂĄcil! NĂŁo terĂŁo mais vĂdeos com voz de esquilo, nem star wars, nem facetime, nem risada. Ainda mais que eu vou demorar, e muito, pra me relacionar com alguĂ©m a ponto de ser parecido com o que eu tenho hoje em dia. A minha gargalhada, Ă© claro que vai aparecer sĂł pra lembrĂĄ-lo que estou bem, mas o que mais vai castigar o meu coração otĂĄrio Ă© o sorriso de criança boba que nĂŁo vai mais se curvar pra mim cheio de charme e los hermanos.

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quem te viu, quem te vĂȘ
Mudança, essa palavra Ă© realmente perturbadora. Ă quando eu resolvo limpar o arsenal de fotos antigas e encontro vestĂgios de uma pessoa que eu nĂŁo sou e, sinceramente, nĂŁo voltaria a ser. E eu as vezes penso que quando as pessoas entram na sua vida, elas deixam manias e lembranças, coisas que ultrapassam anos e relacionamentos. Parece que as vezes as lembranças tocam tĂŁo fundo que dĂłi pensar que certas coisas nĂŁo vĂŁo voltar a ocorrer. Reforçando: queria as memĂłrias de volta - ao vivo e em cores - e nĂŁo a pessoa que eu costumava ser. Nessas eu paro de pensar e olho pra minha vida. E sinceramente, nĂŁo vale a pena trocar o que eu tenho agora por reviver certas lembranças. Afinal, esses pedaços de amizades, amores e situaçÔes estĂŁo guardados comigo - uma espĂ©cie de pasta - quando eu quiser eu posso, simplesmente, abrir. Ă, e pensar que a pessoa que eu era antes nunca nem pensaria nisso, trocaria tudo de uma vez e depois ficaria choramingando. " Quem te viu, quem te vĂȘ " realmente. Eu, hoje, trocaria muito por uma simples continuação do dia de hoje. Pra que as coisas que eu disse e fiz ontem, tenham valor hoje. Afinal, nĂŁo Ă© sobre ser feliz hoje e amanhĂŁ sĂł depender de um fator " X " que vai tornar o dia feliz. Como se o " X " fosse um valor mĂnimo de felicidade. Na verdade, Ă© sobre ser feliz o bastante para conseguir transmitir essa felicidade pro dia de amanhĂŁ. Ă sobre sobrar amor, e amar. Ă sobre sobrar sorrisos, e sorrir. E eu ando sorrindo muito ultimamente.